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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

A decrepitude periférica

Portugal esfarela ao sol. É apenas um sítio, virado para o Atlântico, um Cabo Cadaveral.

Seria aconselhável que os elencos autárquicos fossem bem mais pequenos; que as assembleias tivessem reais poderes e que fosse a população a escolher os seus representantes, de modo direto e, não os partidos .

Sumário

1 – O folclore eleitoral em cenário de despovoamento

2 - Um modelo coercivo e excludente

3 – Portugal, demografia regressiva consolidada

4 – O esvaziamento demográfico do território

 

VVVVVVVVVVV OOOOO VVVVVVVVVV

 

1 – O folclore eleitoral em cenário de despovoamento

Prepara-se um carnaval em outubro e um assalto ao erário público, com a recomposição de misturas entre negócios de autarcas à custa das câmaras; e, o que se chama aparelho de justiça, atuará adequadamente na espera da prescrição das atitudes criminosas. Com um pano de fundo repleto de coronavírus para assustar e entreter.

As cores quentes que dominam o mapa (ver mais abaixo) nada têm a ver com o calor estival, nem com a praia, onde deverá vigorar o “distanciamento social” sob pena de multa, uma prática ameaçadora devidamente orquestrada ad nauseam pelos mandarins de topo; mais concretamente, um modelo exposto por um hipocondríaco, um barrigudo, uma loura insegura e um portador de três queixos.

Essas cores quentes predominantes representam nuances do despovoamento, do abandono da população que se dirigiu para outras paragens ou que se encaminhou ou encaminhará em breve, para o cemitério… enquanto houver alguém para servir de coveiro… Se não houver, contrata-se uma empresa de negreiros (conhecidas como fornecedores de trabalho temporário) que se encarregará de encontrar alguém, suficientemente na miséria, para aceitar qualquer contrapartida pelo exercício dessas funções; a empresa, agradecida, não se recusará a compensar o autarca de serviço.

Em 2019 o número de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo era de 2.6 M (o equivalente a 25.6% dos residentes), contra 2 M em 2000 (19.3% dos residentes); uma dinâmica reveladora. Quanto à população residente, era de 10.4 M em 2001, 10.6 M em 2010 e 10.3 M em 2020, contribuindo para o efeito a subida do número de imigrantes de 651 mil em 2000 para 888 mil em 2019. Se a imigração tivesse estagnado ao nível do princípio do século, a população hoje residente pouco ultrapassaria a fasquia dos dez milhões de pessoas.

Mais chocante é que entre janeiro e junho deste ano, nasceram 37.675 crianças em Portugal e que em 2020 morreram 115000 pessoas; daí ressalta um enorme deficit, prenunciando uma quebra demográfica só compensada com a chegada de gente do Sul da Ásia (nepaleses, indianos, paquistaneses) para o trabalho duro no campo, com poucos direitos e onerado pela parcela cobrada pela intermediação de parasitas[1].

2 - Um modelo coercivo e excludente

Um modelo económico capitalista exige o crescimento infinito da acumulação, grosseiramente medida pelo PIB. Esse crescimento exige uma imensa mobilização da força de trabalho e dos recursos do planeta, com o demente desprezo pelos impactos ambientais e climáticos, como na saúde e no conforto da população humana; e daí que as jornadas de trabalho tenham sido relativamente inelásticas no último século, a despeito dos investimentos em equipamento, conhecimento, das maiores qualificações da força de trabalho e, seus reflexos na produtividade.

A desigualdade no seio da espécie humana tem sido uma constante histórica. A despeito das enormes capacidades para a satisfação das necessidades humanas, o planeta tem suprido com relativa facilidade essas necessidades mas, com custos crescentes quanto à apropriação dos recursos minerais, com a redução da diversidade animal e vegetal, com a deterioração da qualidade da água e da atmosfera. E, com a redução do intervalo entre moléstias globais e o aumento da sua disseminação que empobrecem, assustam e debilitam as pessoas.

Mostra-se delirante que uma espécie animal, provida de imensos recursos criativos, artísticos e de gestão das suas necessidades, mantenha as brutais desigualdades, que vão do faminto e doente ser humano vítima de seca, ao volume de recursos utilizados por um tal Jeff Bezos na demente satisfação de um curto percurso suborbital.

A dívida, gerada de modo facilitado e insano – pública, privada, inerente aos negócios ou à especulação - inclui-se numa lógica que se afasta totalmente das necessidades humanas e do meio envolvente; e os impulsos eletrónicos que a criam são incorporados no PIB e nas cotações de títulos e moedas, tornando totalmente artificial a consideração de que aquele pode crescer indefinidamente.

Nesta volúpia, há vários participantes, um grupo relativamente pequeno de responsáveis – os especuladores, o sistema financeiro, os capitalistas em geral e as classes políticas - que empurram as sequelas da demência financeira, para as pessoas comuns, pobres ou remediadas, novas ou velhas, de qualquer religião ou cultura; e, obviamente, recorrendo ao controlo ideológico que Thatcher bem definiu – there is no alternative – através dos media, das redes sociais, para a cultura de massa que, evidentemente, não deixa de colher o seu quinhão financeiro, como se observa em Gates, Zuckerberg, Ellison, Bezos, Arnaud, Musk… A ausência de pulsões libertárias na grande massa dos seres humanos corresponde à pachorrenta aceitação da violência dos poderes, mais ou menos disfarçada por detrás da vacuidade que carateriza os media ou, as chamadas redes sociais, ambientes marcados pela imbecilidade, pela mentira, pela infantilidade, pelo mais estéril devaneio.

Os estados-nação surgiram e consolidaram-se na base de uma lógica capitalista de acumulação de riqueza (para alguns) e de segmentação social; de fora ficam trabalhadores, velhos, desempregados. Essa é a regra que une capitalistas e políticos na senda do saque e da corrupção em qualquer estado-nação; contra a população que trabalha sob a ameaça da autoridade estatal, das suas estruturas repressivas (polícias e tribunais) e imbuída de um veneno chamado nacionalismo ou patriotismo; um falso sentido de pertença.

Como dizia Eça de Queirós, há mais de um século, “Portugal é apenas um sítio, pouco mais do que a Lapónia que nem sítio é”. Essa frase resume magistralmente a fragilidade de um país, incapaz – em devido tempo - de manter um império comercial como a Holanda, por exemplo. Que cedeu Bombaim (!!) à Inglaterra como dote de uma princesa a casar com um rei inglês mas, que resistiu a ceder “preciosidades” como Damão e Diu à Índia enquanto o navio de guerra “Afonso de Albuquerque”, em 1960, se escondia atrás dos navios mercantes em Pangim, até ser forçado a encalhar na praia encurralado pelos navios de guerra indianos. Depois de ter perdido o lugar de campeão do tráfico de escravos, sob a ameaça da Inglaterra, Portugal arrastou-se quanto pode para ter um império africano mesmo sem ter uma indústria para incentivar ao saque colonial. No século XX, atolou-se em África, numa guerra colonial antecipadamente perdida e que teve como único fruto saudável, o golpe de 25 de Abril de 1974 que eliminou o fascismo; mas que não foi suficiente para evitar o dealbar do pos-fascismo em 1975 – com o enquistamento de uma nova classe política que:

·       procedeu a nacionalizações de empresas falidas, em 1975;

·       seguidamente as capitalizou através de investimento público;

·       em 1985, por acordo entre Cavaco e Constâncio, procedeu à sua alienação;

·       em 2014, por imposição da troika, procedeu a uma última maré de privatizações, com forte domínio de capitais estrangeiros; e que não evitou um acentuado aumento da dívida pública.

No seguimento destes factos voltou a acentuar-se a emigração[2], o empobrecimento, o alargamento do fosso socio-económico relativamente à grande maioria dos países europeus, incluídos na UE.

Entre os poucos casos de empresas relevantes de capital português, destacam-se dois portentos (?) de tecnologia, duas cadeias de supermercados que em breve, terão a espanhola Mercadona a ombrear com elas. Em termos comerciais e empresariais Portugal é um prolongamento de Espanha apresentando, quase todo o território, um perfil próximo do registado pela autonomia mais pobre do estado espanhol (a Extremadura).

3 – Portugal, demografia regressiva consolidada

Como se pode ver no mapa seguinte, Portugal é um local de fuga, de abandono populacional com uma dinâmica demográfica claramente regressiva contando apenas  com 41 concelhos (num total de 305), grande parte em definhamento demográfico e económico, “semeados” de casas fechadas, desocupadas, quando não arruinadas, campos abandonados, zonas arborizadas não tratadas, prontas para incendiar, com venda garantida da madeira queimada, às fábricas de celulose. Recentemente o sociólogo Carlos Taibo publicou Iberia Vaciada: Despoblación, Decrecimiento, Colapso abordou esta situação para um quadro ibérico.

Para os mais crentes nas realizações do regime pos-fascista, adiantamos que morreram em Portugal 115000 pessoas em 2020 e que os nascimentos no primeiro semestre do ano em curso se cifraram em 37675, longe, portanto, de apontar para um saldo fisiológico positivo.

O imobiliário e o turismo tornaram-se as âncoras da economia portuguesa, tendo como complemento a construção, daí resultando preços exagerados das casas que aprisionam os jovens a planos de pagamento contraídos junto da banca, por cinquenta anos, para terem uma habitação; porém, os preços especulativos não constituem limitações para estrangeiros endinheirados, quiçá mafiosos, que encontram em Portugal uma boa lavandaria. A habitação é algo que os governos abandonaram, de todo, ao sabor do mercado especulativo, com forte presença de capitais estrangeiros na aquisição e exploração para fins turísticos, mormente em Lisboa, Algarve e Madeira; certamente que a especulação tem responsabilidades na quebra da população residente naqueles locais.

O negócio das autoestradas com a eterna cobrança de portagens complementa uma rede ferroviária, descapitalizada, desfasada no tempo, com nichos privados no percurso Lisboa-Setúbal (Fertagus) ou com a venda da antiga CP Cargo a uma empresa global. Esse abandono da via ferroviária materializa-se em performances incríveis - 13 h num percurso Lisboa-Irun ou 9 h numa viagem Lisboa-Madrid; e, mesmo intramuros, uma viagem Lisboa-Porto (274 km) pode durar 3h e 24 min. Nos anos setenta, um percurso Paris-Bordéus (600 km) realizava-se em pouco mais de três horas. Dispensamo-nos de referir as velocidades dos TGV europeus ou… chineses. Acrescentemos ainda que há mais de cinquenta anos (!) a nociva mescla empresariato/classe política discute uma alternativa ao aeroporto de Lisboa… fora do casco urbano da cidade!

Um território periférico, tradicionalmente empobrecido e parco de qualificações é uma porta aberta para o domínio de países vizinhos, muito mais ricos, para a colonização pelo capital estrangeiro; e que certamente, são conhecedores da tradição de venalidade da classe política nacional, durante o fascismo como atualmente, no regime pos-fascista. Os “investidores” menos destros sobre a venalidade portuguesa têm à sua disposição, para os devidos efeitos, as nebulosas sociedades de advogados.

A fuga fiscal, a economia paralela, correspondem a uns 30% do PIB e a sua existência não favorece os que trabalham por conta de outrem, as grandes vítimas da punção fiscal. O parasitismo das “empresas de trabalho temporário” é partilhado pelo governo que, por exemplo, vem contratando e por bom preço, junto daquelas “empresas”, pessoal da área da saúde, em tempos pandémicos.

4 – O esvaziamento demográfico do território

O mapa que se segue, apresenta a evolução da população em Portugal entre 2010 e 2020.

·       Não há alterações na composição dos concelhos mas, os governos frequentemente procedem a frequentes modificações na composição e designação das regiões NUT-2 e NUT-3; essas alterações e designações prender-se-ão com disputas sobre fundos comunitários entre os principais gangs partidários; 

·       A população global reduziu-se em 276 mil pessoas (-2.6%);

·       Para a regiões NUT – 2 a involução demográfica é a norma – Norte menos 129 mil pessoas (-3.5%); Centro menos 111 mil pessoas (-5%); Área Metropolitana de Lisboa mais 51 mil (1.8%); Alentejo menos 58 mil (-8%); Algarve menos 10 mil (-2.3%); Açores menos 4 mil (-1.8%); Madeira menos 12 mil (-5%). A manterem-se estes ritmos, de modo aligeirado, pode dizer-se que o Alentejo estará deserto dentro de 12 anos e a região Centro como a Madeira ficarão sem população dentro de 20 anos…

·       Procedendo a uma análise mais fina, a das regiões NUT-3 e, para 2010/20, observa-se:

o  No âmbito da região Norte, nenhuma região apresenta acréscimos de população. As menores quebras populacionais sobressaem no Cávado (-1.5%) e na Área Metropolitana do Porto (-2.0%). Inversamente as regiões com maiores quebras demográficas são registadas no Alto Tâmega e nas Terras de Trás-os-Montes, com perdas de população de 9.8 e 9.7%, respetivamente; de modo linear, aqueles ritmos de redução demográfica significam a desertificação num prazo de dez anos.

o  Quanto à região Centro, a quebra populacional é de 5% no período 2010/20 e, nenhuma das regiões integrantes apresenta aumento demográfico. As menores quebras registam-se no Oeste e na Região de Aveiro, com valores de -0.5 e -1.4% respetivamente. As sub-regiões com uma desertificação humana mais marcada são Beiras e Serra da Estrela (-11.1%) e Beira Baixa (-10.6%); matematicamente, no âmbito daqueles valores, aquelas regiões estarão desertas… dentro de dez anos.

o  No que se refere à Área Metropolitana de Lisboa observa-se um crescimento de 1.8%, correspondentes a 50670 pessoas.

o  Como referimos, o Alentejo perde 8% da população em 2010/20, repartidos por todas as regiões NUT-3 durante a década. As quebras populacionais mais marcantes observam-se no Alto Alentejo (-13%), Alentejo Central (-9.5%) e Baixo Alentejo (-9.2%) que correspondem a uma perda da ordem das 43000 pessoas.

o  No Algarve, a regressão populacional foi de 2.3%.

o  Nos Açores a quebra populacional foi de 1.8%.

o  Na Madeira a população decresceu quase 5%.

Um país ou uma região que reduz a população mostra a sua “falta de competitividade” para atrair investimentos, num mundo onde a lógica do lucro determina todas as decisões, determinando enormes assimetrias entre áreas desertificadas e outras, mormente urbanas, onde a densidade dos seus habitantes promove pilhas de edificado, adornadas com automóveis em todos os cantos, lixos variados, ausência ou insuficiência de jardins e parques, transportes públicos deficientes, etc…

Onde há redução da população há uma gradação na fuga de população, entre os que emigram e os que morrem, em quantitativos muito superiores aos que nascem; sobrando os que se mantêm, porque relacionados com as funções estatais (nacionais, regionais, locais), como escolas, centros de saúde, polícias, câmaras municipais; ou ainda, pequenas atividades como o comércio que reste depois da implantação de supermercados, bem como cafés e restauração. O caso atual da Dielmar evidencia o nefasto impacto que o fecho da empresa terá em Alcains e arredores.    

Observemos para cada região NUT – 3, os concelhos com melhores/menos más evoluções demográficas em 2010/2020; e, os que mais se afundaram na regressão populacional.   

Região NUT -3

Melhor/menos má evolução

Pior regressão demográfica

Alto Minho (-6.6%)

V. N. Cerveira (-4.0%)

Melgaço (-13.5%)

Cávado (-1.5%)

Braga (1%)

Terras do Bouro (-13.8%)

Ave (-3.7%)

Vizela (0.7%)

Vieira do Minho (-10%)

Área Metrop. Porto (-2.0%)

Valongo (4.3%)

Porto (-9.6%)

Alto Tâmega (-9.8%)

Paços de Ferreira (0.7%)

Montalegre (-16.5%)

Douro (-7.9%)

Tarouca (-3.5%)

Freixo Esp. à Cinta (-14.4%)

Terras T-os-Montes (-9.7%)

Bragança (-5.3%)

Vinhais (-16.6%)

Oeste (-0.5%)

Arruda dos Vinhos (17.7%)

Nazaré (-6.4%)

Região de Aveiro (-1.4%)

Oliveira do Bairro (6.7%)

Sever do Vouga (-9.1%)

Região Coimbra (-5.9%)

Condeixa-a-Nova (4.6%)

Góis (-12.2%)

Região de Leiria (-3.2%)

Batalha (1.7%)

Castanheira Pera (-19.7%)

Viseu-Dão-Lafões (-6.1%)

Viseu (-1.5%)

Aguiar da Beira (-16.2%)

Beira Baixa (-10.6%)

 Castelo Branco (-7.5%)

Idanha-a-Nova (-19.2%)

Médio Tejo (-6.2%)

Entroncamento (7.9%)

Mação (-16.4%)

Beiras Serra Estrela (-11.1%)

Belmonte (-7.6%)

Almeida (-21.0%)

Área Metrop. Lisboa (1.8%)

Alcochete (14.6%)

Lisboa (-7.2%)

Alentejo Litoral (-5.0%)

Grândola (-1.9%)

Alcácer do Sal (-11.6%)

Baixo Alentejo (-9.2%)

Alvito (-2.1%)

Mértola (-17.3%)

Lezíria do Tejo (-4.2%)

 Benavente (6.7%)

Coruche (-13.7%)

Alto Alentejo (-8.3%)

Campo Maior (-7.6%)

Gavião (-23.0%)

Alentejo Central (-9.5%)

Vendas Novas (-5.4%)

Mora (-19.0%)

Algarve (-2.3%)

Albufeira (3.5%)

Alcoutim (-28.6%)

R. A. Açores (-1.8%)

Corvo (12.0%)

Calheta (-16.7%)

R. A. Madeira (-5.0%)

Santa Cruz (7.2%)

Porto Moniz (-15.1%)

O quadro é eloquente e preocupante. A quebra de população tem causas várias e a sua efetivação nunca é algo de promissor.  E o mapa seguinte é chocante.

 Sobre a demografia

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2018/05/evolucao-da-populacao-mundial-19502050.html

Sobre a educação

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/os-niveis-de-educacao-entre-os-povos-da.html

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/o-abandono-escolar-na-europa-2000-2018.html

Sobre autarquias e concursos eleitorais:

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/democracia-eleicoes-democraticas-onde.html

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/10/autarquicas-2017-nada-de-novo-no-final_15.html

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/camaras-exemplo-de-gestao-neoliberal-e.html

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/08/as-transferencias-estatais-para-as.html

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/07/autarquias-oligarquias-e-nao-democracias.html

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/05/um-modelo-democratico-para-os-municipios.html

 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/11/autarquicas-2013-e-putrefacao-do.html

 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/07/eleicoes-autarquicas-questoes-para.html

 Outros temas

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/04/45-anos-apos-o-25-de-abril-que-futuro.html

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Este e outros textos em:

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[1] Trata-se de uma situação que oferece paralelo com a contratação de pessoal da saúde pelo Estado português para cobrir as habituais lacunas do SNS; essas pessoas são contratadas junto de empresas de trabalho temporário, verdadeiros parasitas que cobram boas comissões sem acrescentarem nada de necessário e, com a colaboração do governo de turno.

[2] Pateticamente, em 2021, o regime esforçou-se para incluir os emigrantes no recenseamento eleitoral para o inútil cargo de presidente da república; nesse contexto, foram inscritas 1550 milhares de pessoas que, em grande maioria, não votaram… obviamente.

domingo, 2 de maio de 2021

Emigrações, imigrações, vidas precárias

O mundo de hoje é o produto de imensas migrações – através de invasões ou de pequenos grupos - que contribuíram para o enriquecimento da espécie humana, em termos genéticos e culturais. Falar de pátrias e estados-nação é um disparate que convém a alguns. Simbolicamente, somos todos netos da Lucy.

Sumário

1 - Imigrantes e emigrantes, todos nativos do planeta

2 - População nativa e de estrangeiros residentes

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1 - Imigrantes e emigrantes, todos nativos do planeta

Se a Terra é só uma. Se a Humanidade é totalmente composta por homo sapiens, as divisões entre estados são artificiais, transitórias e, as fronteiras resultam de guerras e banhos de sangue, tendo como base ambições senhoriais.

Em regra, as fronteiras não dividem nada de substantivo, de necessário; apenas são a aplicação de efémeros direitos de propriedade, esferas sucessivas de propriedade, com os humanos divididos entre proprietários e não proprietários, com os primeiros a dominarem o Estado, estrutura autoritária e repressiva para impor essa ordem, essa conveniente exclusão, num plano político a que, hoje, em regra e com ar sério, chamam… democracia! 

A democracia é um conceito que na sua longa história, desde os tempos da antiga Atenas, sofreu essencialmente o repúdio ou a adulteração, por parte dos grupos ou classes sociais dominantes, gestoras da propriedade, cujo acesso ou usufruto recusam ou condicionam à grande maioria. Esses grupos sempre souberam rodear-se de jagunços, juízes, burocratas, polícias, exércitos e, mais modernamente, da figura dos plumitivos, a soldo dos donos dos jornais para manterem a segmentação conveniente entre “os de cima” e “os de baixo”.

Os estados-nação quando se constituíram tiveram como preocupação central a fixação da sua população, subordinada, não só aos seus senhores como, mais tarde aos capitalistas; e, dentro dessa preocupação cabia a recusa e o antagonismo quanto aos outros estados-nação, com implicações nefastas nos seus naturais.

A capacidade para a transformação da natureza pelo trabalho, a criatividade dos povos, a interação coletiva como matriz da produção de bens e serviços, tornou-se, mais e mais, desejo de controlo por parte dos de cima e da aceitação dessa apropriação pelos de baixo. Primeiro, pelos nobres, para tarefas simples, próprias de sociedades agrícolas e depois, pelos capitalistas, para tarefas mais complexas, inerentes ao trabalho na indústria e, mais tarde, nos serviços, tornados cada vez mais diversificados e absorventes de mão-de-obra.

Numa primeira fase, os serviços compreendiam, entre outros, a educação, a saúde, os transportes, os correios, os serviços pessoais aos ricos, o serviço militar, os serviços sexuais e o preenchimento da máquina estatal. Posteriormente, a conflitualidade inerente à densificação das relações económicas e pessoais desenvolveu aparelhos judiciais, coortes de burocratas e polícias. Por outro lado, a formação profissional e escolar abrangia toda a população, contribuindo para o enquistamento de um aparelho de estado diversificado, imenso e invasivo, preenchido por burocratas de carreira, enlaçados com a classe política.

A consolidação dos estados-nação correspondeu à afirmação do nacionalismo; a nacionalidade tornou-se um elemento central de distinção entre os nados e criados num dado estado-nação e, os provenientes de outros territórios. Os primeiros com todos os direitos e deveres inerentes à sua natureza de “nacionais” e os não-nacionais, mormente imigrantes, com menos direitos e mais deveres. Essa distinção vem tornando os imigrantes vítimas de distanciamento, adversidade e marginalização, vocacionados para as funções mais mal pagas, como aproveitamento das suas situações de estrangeiros, apontados como concorrentes por parte dos indígenas menos qualificados.

As distinções manifestam-se, muitas vezes, sob a forma de racismo, atinente à cor da pele, ao credo religioso, à origem nacional; aí, o mais escuro perde contra o mais claro, o muçulmano ganha em suspeição face às tonalidades cristãs;  e, um ser do norte da Europa merece mais respeito do que um balcânico. Como é evidente, todas estas desqualificações sociais ou legais visam criar uma parcela da mão-de-obra mais submissa, mais pobre, pouco exigente mas necessária para a viabilização da existência de segmentos menos qualificados do patronato.

O capitalismo atual funciona “a tous les azimutes”, usando ou não, dificuldades nas fronteiras de acordo com a relação entre país exportador e país importador, a caraterização da mercadoria, mais ou menos incorporante de trabalho ou tecnologia; e, no âmbito dessas vertentes, assim se recorre mais ou menos à importação/exportação de mão-de-obra. Por exemplo, nos EUA a imigração de europeus é mais considerada do que a dos pobres que atravessam o rio Grande arriscando a vida na travessia da fronteira com o México (e o muro de Trump) para poderem sobreviver clandestinamente aceitando baixos salários e ausência de direitos.

O capitalismo, em época de concorrência muito globalizada gera e explora essas diferenças entre autóctones e imigrantes, não só em termos de rendimentos e direitos como também explorando rivalidades, antagonismos e inventando anátemas contra grupos escolhidos. Mas torna-se bem mais tolerante para reformados que procuram destinos de clima mais ameno para viver. E, sobretudo, para oligarcas endinheirados que pagam grossas maquias para poderem viver tranquilamente do seu dinheiro sujo em países complacentes, onde é costumeira a presença de corruptos no governo. Recordemos os chamados “vistos gold” e a cadeia de patifes a eles ligados – Paulo Portas, Miguel Macedo e a seita instalada no extinto SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

As sociedades agrárias, pré-capitalistas, mesmo quando construíam ricos templos e palácios, usavam a escravatura numa escala muito aquém da praticada pelos países europeus envolvidos na conquista e ocupação de terras em além-mar, a partir do século XVI. As necessidades de mão-de obra nas colónias europeias da América são bem patentes nas tipologias das suas populações de hoje e, no genocídio sofrido pelos povos originais das Caraíbas, do Brasil ou dos EUA. Curiosamente, há uns 4500 anos, a construção das pirâmides do Egipto foi efetuada por trabalhadores assalariados, não por escravos, sem o uso da roda (!) mas, com a presença de cuidadores para casos de acidente na obra e contabilistas para a aferição dos tempos de trabalho!

Sabe-se que Lisboa, no século XVI, tinha uma enorme parcela da população de escravos africanos e até grupos de jovens negros “especializados” em emprenharem escravas, para os donos ganharem com a venda das crias, como escravos, obviamente; uma lógica...fabril. Claro que esses senhores seriam fervorosos cristãos…

No quadro europeu do mesmo século, a emigração forçada de muçulmanos e judeus da Península Ibérica, orquestrada pelos reis, contemplou a apropriação aos expulsos de bens e de filhos de tenra idade. Colombo e Magalhães procederam às suas façanhas como emigrantes em terras de Espanha. Spinoza era neto de emigrantes portugueses e, David Ricardo tinha nos seus ancestrais uma origem ibérica. Handel emigrou clandestinamente para Inglaterra onde lhe ofereceram um contrato bem mais interessante do que na sua Saxónia natal. A crise da batata na Irlanda, no século XIX, forçou parte importante dos irlandeses a emigrar para os EUA; e, na Alemanha, quem pôde, emigrou para fugir ao delírio hitleriano. No exército norte-americano lutaram contra Hitler e Mussolini emigrantes italianos e alemães de fresca data. Mesmo quando a memória se perdeu, a História foi desenhada por emigrantes; todos somos emigrados.

Em tempos mais recentes a desestruturação económica que o capitalismo provoca em África, obriga a uma emigração pejada de grandes riscos para a entrada na Europa onde o acolhimento é dificultado, com as pessoas a preencher as funções de pior remuneração e menores direitos. Fugiram da Síria e do Iraque, países desestruturados pela intervenção do chamado Ocidente (via ISIS) - sob a batuta  do nobel da paz, Obama - milhões de pessoas na direção da Europa. Receber refugiados é receber mão-de-obra barata mas há limites quantitativos; e assim, a UE paga à Turquia para reter quatro milhões de potenciais emigrantes com destino à Europa. Por seu turno, Trump erigiu um muro vigiado e eletrificado para impedir a chegada de gente vinda do Sul, empobrecida pela atuação das multinacionais americanas, pelas elites de criollos, etc…

Nos tempos atuais, a grande facilidade na circulação da informação e dos corpos, produzida pelas tecnologias, banalizou a emigração no seio da Europa comunitária. As desigualdades entre os vários países tornaram-se enormes, o que não acontecia até à integração da Grécia em 1981, seguida por Espanha, Portugal e, posteriormente, com os alargamentos a Leste, resultantes do desmantelamento do Comecon e da Jugoslávia. Desigualdades bem conhecidas como temos evidenciado.

Esse contexto de mobilidade deixa a cargo dos países de origem dos emigrantes a formação técnica, desequilibra as suas pirâmides etárias, engordando os escalões superiores e adelgaçando os mais próximos da base; e, oferece aos países de destino, mão-de-obra qualificada ou, desvalorizada, precária, quando não desprezada e objeto de violência pela parte de xenófobos e neonazis.

2 - População nativa e de estrangeiros residentes

Observemos a dimensão e a evolução, nos últimos anos, da população dos países europeus e da parcela de estrangeiros que vive em cada um deles, marcando com uma cor distinta os casos de redução demográfica.

Europa -  população total e parcela de estrangeiros residentes

 

milhares

residentes estrangeiros 

(% do total)

var. pop. nativa 2009/19  (milhares)

var. pop. estrang. 2009/19 (milhares)

 

2009

2014

2019

2009

2014

2019

Belgique

10 753

11 181

11 456

9,4

11,1

12,5

703

429

Bulgarie

7 467

7 246

7 000

0,5

0,8

1,5

-467

69

Tchéquie

10 426

10 512

10 694

3,9

4,1

5,5

268

179

Danemark

5 511

5 627

5 806

5,8

7,1

9,3

295

217

Allemagne

82 002

80 767

83 019

8,8

8,7

12,5

1 017

3212

Estonie

1 336

1 316

1 325

16,1

14,8

15,1

-11

-15

Irlande

4 521

4 638

4 904

12,8

11,4

13,1

383

64

Grèce

11 095

10 927

10 725

8,4

7,8

8,5

-370

-21

Espagne

46 239

46 512

46 937

11,6

10,1

11,1

698

-160

France

64 350

66 166

67 178

5,8

6,4

7,6

2 828

1387

Croatie

4 310

4 247

4 076

-

0,7

2,1

-234

55

Italie

59 001

60 783

60 360

5,8

8,1

8,3

1 359

1637

Chypre

797

858

876

15,6

18,6

18,4

79

36

Lettonie

2 163

2 001

1 920

17,7

15,2

13,6

-243

-122

Lituanie

3 184

2 943

2 794

1,0

0,7

2,4

-390

35

Luxembourg

494

550

614

43,5

45,3

48,3

120

81

Hongrie

10 031

9 877

9 773

1,9

1,4

2,0

-258

13

Malte

411

429

494

4,1

6,8

20,9

83

86

Pays-Bas

16 486

16 829

17 282

3,9

4,4

6,7

796

518

Autriche

8 335

8 508

8 859

10,3

12,5

16,6

524

618

Pologne

38 136

38 018

37 973

0,2

0,3

0,9

-163

283

Portugal

10 563

10 427

10 277

4,2

3,8

5,7

-286

150

Roumanie

20 440

19 947

19 414

-

0,4

0,7

-1 026

66

Slovénie

2 032

2 061

2 081

3,5

4,7

7,5

49

86

Slovaquie

5 382

5 416

5 450

1,1

1,1

1,4

68

18

Finlande

5 326

5 451

5 518

2,7

3,8

4,8

192

124

Suède

9 256

9 645

10 230

5,9

7,1

9,1

974

380

Islande

319

326

357

7,6

7,0

13,8

38

25

Liechtenstein

36

37

38

32,7

33,8

34,9

2

1

Norvège

4 799

5 108

5 328

6,3

9,4

11,3

529

301

Suisse

7 702

8 140

8 545

21,7

23,8

25,4

843

504

Royaume-Uni

62 042

64 351

66 647

6,8

7,8

9,3

4 605

1928

Total

514 945

520 844

527 950

6,5

7,0

8,6

13 005

12290

                                                                                         Fonte: Eurostat

Em 2014, comparativamente a 2009, a população dos países europeus aumentou 5.9 milhões de pessoas e 7.1 milhões, no quinquénio seguinte.

Em 2014 todos os países com quebra populacional são bálticos ou balcânicos, sendo a Alemanha (menos 1.2 milhões) e Portugal as únicas excepções a essas localizações. Em sentido contrário, os principais contribuintes para o aumento demográfico foram o Reino Unido, a França e a Itália.

Em 2019, os grandes contribuintes para o aumento demográfico voltam a ser o Reino Unido e a França, desta vez com a Alemanha, surgindo a Roménia e a Itália com as principais quebras populacionais.

Portugal é o único país da Europa Ocidental a apresentar quebras demográficas nos dois períodos, com um total de 286 mil habitantes, com uma dimensão populacional muito próxima da Suécia que, em 2009 apresentava uma população inferior em 1.3 milhões.

Em números absolutos e na década considerada, as principais quebras na população nativa registam-se na Roménia (pouco acima de um milhão), seguindo-se-lhe a Bulgária, a Lituânia e a Grécia. Inversamente, os maiores aumentos populacionais em 2009/19 verificam-se no Reino Unido (4.6 milhões), seguindo-se-lhe a França, a Itália, a Suécia e os Países Baixos.

Quanto aos imigrados nos países europeus em 2009/19 os principais fluxos foram dirigidos para a Alemanha (3.2 milhões de pessoas), Reino Unido, França e Itália sabendo-se que no primeiro e no último dos países referidos, a chegada de refugiados e imigrantes ficou a dever-se à desestruturação económica e política promovida na Líbia, no Iraque e na Síria; para além da atuação do ISIS, armado pelos EUA com dinheiro dos sultões do Golfo. Aqueles quatro países incorporam 2/3 do acréscimo líquido de imigrados naquele período.

Os decréscimos de população imigrada registam-se em Espanha (160 mil), Letónia (122 mil) e ainda Grécia e Estónia, todos com fortes dificuldades económicas e financeiras durante parte da década.

A parcela de estrangeiros fixados nos países europeus (incluindo, em cada estado-nação, pessoas de outras precedências europeias) mostra-se crescente, sobretudo no período mais recente, uma vez que em 2009/14 as sequelas da crise financeira limitaram a emigração. Assim, a população forânea na Europa passou de 6.5% em 2009 para 7% cinco anos depois mas, atingindo 8.6% em 2019, um resultado proveniente da recuperação da crise financeira.

Chipre e Letónia são os únicos países que reduzem o peso da população estrangeira, com um relevo marginal no caso do primeiro; por seu turno, na Letónia regista-se um decrescimento contínuo do peso da população estrangeira ou imigrada.

O volume de residentes estrangeiros apresenta-se particularmente elevado (e crescente) no Luxemburgo, aproximando-se da metade da população (48.3%) seguindo-se o Liechtenstein, embora com uma população total muito reduzida e ainda, a Suiça onde ¼ da população é estrangeira em 2019. Em caso contrário, em 2019, as menores parcelas de estrangeiros residentes observam-se na Roménia (0.7%), Eslováquia (1.4%) e Bulgária (1.5%).

Para a totalidade dos países europeus o acréscimo da população autóctone em 2009/19 ultrapassa o da população estrangeira mas apenas num total de 715 milhares o que revela a enorme importância da população emigrada na evolução demográfica naqueles dez anos. Em termos mais detalhados, observam-se várias situações;

·     Casos de aumentos da população autóctone superiores aos aumentos de imigrados – Bélgica, Rep. Checa, Dinamarca, Estónia, Luxemburgo, Países Baixos, Islândia. Suíça;

·     Casos de aumentos da população autóctone inferiores aos aumentos de imigrados - França, Irlanda, Espanha, Chipre, Eslováquia, Finlândia, Suécia, Noruega, Reino Unido

·     Casos de aumentos da população autóctone e redução de imigrados – Alemanha, Malta, Áustria, Eslovénia

·     Casos de quebra da população autóctone menor que a quebra dos imigrados – Bulgária, Grécia, Croácia, Letónia, Lituânia, Hungria, Polónia, Portugal, Roménia;

·     Casos de quebra da população autóctone maior que a redução de imigrados - Itália

Como temos observado em outros textos[1], a Europa é um terreno de grandes desigualdades; entre os vários estados-nação, uns são ricos, outros… nem tanto. No seio de cada um mostra-se a presença de imigrantes cuja origem ultrapassa em muito o cenário europeu; cuja dimensão é proporcional ao grau de riqueza do país hospedeiro; e, a saída de emigrantes dos vários estados-nação para outros países europeus mas também para fora da Europa. O mundo caminhará para ser uma grande aldeia?

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/

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https://pt.scribd.com/uploads


[1] Demografia na Europa – um mundo de desigualdades  (2015-2020)

http://grazia-tanta.blogspot.com/2021/04/demografia-na-europa-um-mundo-de.html

A evolução da riqueza na Europa (2000/19)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/08/a-evolucao-da-riqueza-na-europa-200019.html

Retrato das desigualdades na Europa - 1995/2018 (concl)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/02/retrato-das-desigualdades-na-europa.html

Desigualdades na dinâmica demográfica na Península Ibérica (1990/2019)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/07/desigualdades-na-dinamica-demografica.html

Portugal 2020, um povo pobre e aprisionado

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/04/portugal-2020-um-povo-pobre-e.html

Europa - Dificuldades escolares de jovens com menos de 15 anos

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/11/europa-dificuldades-escolares-de-jovens.html

 

O abandono escolar na Europa (2000-2018) - 2ª parte

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/o-abandono-escolar-na-europa-2000-2018.html

Center and peripheries in Europe (2) - Portugal, a case of peripheral disaster

https://grazia-tanta.blogspot.com/2018/10/center-and-peripheries-in-europe-2.html

Center and peripheries in Europe (3) - Portugal, an Iberian periphery

https://grazia-tanta.blogspot.com/2018/10/centre-and-peripheries-3-portugal.html

Evolution of the world population 1950/2050 - The case of Europe

http://grazia-tanta.blogspot.com/2018/07/evolution-of-world-population-19502050_16.html

Evolução da população mundial 1950/2050 – O caso da Europa

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2018/05/evolucao-da-populacao-mundial-19502050.html

Evolution of the world population 1950/2050 - The case of Europe

http://grazia-tanta.blogspot.com/2018/07/evolution-of-world-population-19502050_16.html