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terça-feira, 3 de maio de 2022

Um sobrevoo do BideNato

 Sumário

1 - O BideNato em construção

2 - A Europa do futuro

3 - A decadência europeia tem a cara de von der Leyen

       4 - As mudanças geopolíticas das últimas décadas

 

++++++++++ ooooo ++++++++++

 

1   - O BideNato em construção

BideNato é uma designação para a atual matriz euro/norte-americana dirigida a partir da ligação entre a Casa Branca e o Pentágono, com sede europeia em Bruxelas e que, recentemente elegeu a base americana de Ramstadt, na Alemanha, para o devido enquadramento de novos e velhos aderentes à criminosa instituição chamada NATO.

O BideNato é uma área rica mas desigual, com largas manchas de pobreza, envelhecida, ocupada por cerca de 11% da população mundial e que guarda como honrosas relíquias de desempenho, os seus papéis como escravocrata, de rapinante e, protagonista das mais destruidoras guerras que assolaram a Humanidade.

Biden quer aumentar para mais de 50% do total mundial, a sua tradicional e enorme parcela de armas para venda, ainda que os EUA tenham apenas 2.4% da população global. Complementarmente, 97.6% da população global vive sem tal aparato. Recorde-se que Trump (grande rival de Biden em “conhecimento”) já pugnava para que na turma europeia se dedicassem 2% do PIB à compra de armamento… tendencialmente produzido nos EUA, é óbvio[1].

Biden é o nome do atual e diminuto presidente dos EUA. E, NATO, é a designação de uma instituição que tem acoplados uns trinta estados-nação, promotora das guerras convenientes ao complexo dirigente – económico, político e militar - dos EUA; um país tem no seu cadastro a execução de centenas de milhares de pessoas desarmadas, com as suas bombas atómicas, em 1945 e que se não conteve, vinte anos depois, de “polvilhar” a Indochina com o “agente laranja” e venenos afins.

Como estrutura político-militar o BideNato tem generais e, pretende a integração de um estado-nação de formação recente (Ucrânia), onde é patente a pobreza e a crescente presença da barbaridade nazi; a destruição da Ucrânia terá custos imensos que aliciam os capitalistas ocidentais para o investimento, para a compra dos salvados da guerra… quando esta acabar. Qual será o futuro do comediante-oligarca Zelensky e dos seus batalhões de nazis? O que sobrar da atual Ucrânia, subtraída do Donbass e da faixa litoral do mar Negro, ficará próximo do território oriental do antigo ducado polaco-lituano de matriz essencialmente católica.

O que dizer do discurso agressivo e guerreiro de Biden, repleto de epítetos pouco diplomáticos para Putin e, com a afetação de $800 milhões para artilharia pesada destinados "directamente para as linhas da frente da liberdade" no Donbass? E, observar o papel dúplice de Boris Johnson na Índia, afirmando, entre outros desabafos, “Penso a coisa triste de que (a vitória russa) é uma possibilidade realista”? Certamente, a Ucrânia ficará destruída e a Europa, menorizada, ficará inserida num BideNato, onde a proeminência política caberá a um rancho multinacional de medíocres.

2 - A Europa do futuro

A Europa tende a fixar-se como uma península asiática que os EUA querem manter como sua, para evitar o isolamento face à enorme massa continental euro-asiática-africana, onde se situam grandes potências como China, Índia e Rússia. O BideNato é a decadente amálgama euro-americana que o mundo observa com contidos sorrisos de comiseração ou indiferença; o próprio SG da ONU, Guterres, só se levantou do sofá, dois meses depois do início da guerra na Ucrânia.

Em África, na América Latina ou na Ásia, tem dominado o distanciamento face ao conflito na Ucrânia; observa-se, na Europa e na sua suserania (EUA), um mundo de presunçosos e ricos que ainda não perderam os tiques colonialistas, imperiais, militaristas e de superioridade racista, há mais de cem anos tão bem representada pelo rei belga, Leopoldo.

Na encomenda da NATO ao marionette Zelinsky pretendia-se que a Rússia aceitasse a presença daquela instituição guerreira na sua fronteira com a Ucrânia; e, incluindo ainda a continuidade das barbaridades dos pelotões nazis sobre 40% da população da Ucrânia, que se exprime em russo. Uma pretensão perfeitamente irrealista face a uma das três maiores potências mundiais; e, para mais com um arsenal poderoso.

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Os EUA cujas tropas desembarcaram na Europa para lutar contra os nazis durante a II Guerra, passados oitenta anos financiam e apoiam um regime totalitário, com tropas ostentando formas criativas de suásticas e que vitimam a população russófona da Ucrânia, tal como anteriormente haviam vitimado judeus e ciganos.

As cinco maiores empresas de armamento, segundo o SIPRI (Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo), em 2020 e, em mil milhões, são: Lockheed Martin - $58.2; Raytheon – $36.7; Boeing – $32.1; Northrup Grumman – $30.4; General Dynamics – $26.0, todas sediadas nos EUA. Acrescente-se que naquele ano, aos EUA pertenciam 54% das cem maiores empresas de armamento, com vendas num total de $285 mil milhões. Em 2020, os EUA representavam apenas 4.2% da população global e, o grande rival, a China, 18.1% daquele total, com uma faturação de $66.8 mil milhões de armamento, correspondente a 13% do valor global. Para qualquer antimilitarista estes indicadores revelam a paranoia e a demência inerentes a quem ama a guerra, o roubo e a violência; estas taras são inúteis para o bem-estar humano e para a saúde do planeta.

Recorde-se que Trump (grande rival de Biden em matéria de “conhecimento”) já pugnava para que na obediente turma europeia fossem dedicados 2% do PIB para a compra de armamento… tendencialmente produzido nos EUA, como atrás referimos. A produção de armamento dos EUA serve para garantir a rendabilidade da indústria militar, para a monitorização e municiamento de conflitos militares; e ainda, para a vigilância e eventual intervenção em países reticentes na aceitação dos ditames dos EUA, numa continuidade da velha política da canhoneira.

Neste contexto, os EUA mostram-se como um perigo enorme para a Humanidade, como recentemente observámos; para mais porque nessa situação, é muito improvável que o país seja vítima de um ataque militar. Finalmente, os EUA, com as suas mais de 500 instalações militares espalhadas pelo planeta funcionam como um gendarme do planeta e dos seus habitantes[2].

Regularmente, no último século, os EUA surgem envolvidos nos conflitos europeus, numa proporcionalidade que se coaduna com a gradual decadência da Europa; a guerra de 1914/18 e a de 1939/45, foram os trampolins para que o território europeu fosse povoado por bases e instalações militares, mesmo que tenham passado trinta anos após o desmantelamento do Belzebu soviético…

3 - A decadência europeia tem a cara de von der Leyen

Depois de de Gaulle, Adenauer, Willy Brandt, Delors, pouco há a registar na Europa quanto a figuras com algum gabarito político que, atualmente assomam a Macron ou Draghi; no extremo oposto, passou o tempo de imbecis declarados como Berlusconi, Hollande, Rajoy … sem esquecer o tosco Passos, uns anos atrás. Nos EUA as coisas não são muito diferentes; o criminoso guerreiro Obama situa-se, cronologicamente, entre incapazes e ignorantes como G. W. Bush, Trump ou Biden.

Von der Leyen[3]… é um espetáculo de incapacidade! Daí que Charles Michel e Erdogan a tenham marginalizado, meses atrás, quando a deixaram sem cadeira para se sentar… o que não se atreveriam a fazer com Merkel que, provavelmente, numa situação semelhante teria saído, porta fora. Ursula é um louro sorriso no seio de cinzentos e ultra-reacionários confrades, sendo de registar a concorrência desse verdadeiro símbolo da decadência britânica, um tal Boris Johnson.

Assinalemos algumas brilhantes intervenções da Von der Leyen:

 a)   “Se não está previsto nos contratos [para compra de energia à Rússia] o pagamento em rublos, é uma violação das nossas sanções" – diz a Ursula von der Leyen

- Claro que não está previsto naqueles contratos, pois são anteriores à guerra e à torrente de sanções; vale-nos a memória da senhora…

- O pagamento em rublos passou a ser exigido depois das sanções – e como resposta a estas. Por definição, ambos os actos são unilaterais, ações de caráter político, ainda que susceptiveis de negociações.

b) "A decisão da Rússia de pedir pagamentos em rublos é unilateral e as empresas que têm contratos [com fornecedores russos] não devem ceder a estas exigências" – diz von der Leyen

- Exigir o pagamento em rublos, no contexto atual é unilateral, verifica-se num contexto de um aceso conflito, não se insere em contrato. E, no âmbito de um conflito militarizado, vigora a unilateralidade, tanto de quem exige o pagamento em rublos, como de quem emite sanções em catadupa para demonstrar que têm alguma eficácia. As notícias sobre o tema envolvem enorme carga política e, muitas ações, não são reveladas devidamente pelas partes envolvidas no conflito.

c) Von der Leyen já questionou a origem da fortuna do Zelensky?

- Segundo a rede Voltaire a fortuna do comediante é avaliada em $ 850 M, para além de dois apartamentos em Londres, registados em Belize, avaliados em $ 5.78 M. Ao que parece… os comediantes são muito bem pagos na pobre Ucrânia!

d) (o pagamento em rublos) “seria uma violação das sanções e um grande risco para as empresas" – diz von der Leyen

Entre contratos e sanções há um mundo de conceitos a considerar. Se as sanções são actos unilaterais, nada impede que os potenciais atingidos procurem encontrar formas de ripostar, de reduzir ou, anular os seus efeitos, de modo unilateral ou mudando os termos do contrato. Os EUA vinham forçando os europeus a pagar as suas compras de gás junto de contas da Gasprom na Europa, onde ficariam… congeladas. Para evitar isso, a Rússia passou a exigir que o preço do gás vendido seja efetuado em qualquer moeda mas, numa conta na Rússia (no Gazprombank) onde, seguidamente será convertido em rublos, quando conveniente.

Por outro lado, há mais mundo para além do BideNato. Este caso não é único, como alternativa de funcionamento fora da intervenção das instituições do capital financeiro ocidental; existem mecanismos alternativos de apoio às trocas comerciais que contemplam o comércio Rússia/Índia (rublo/rupia), o petroyuan saudita que envolve a China, o mecanismo SWIFT entre Irão e Rússia e ainda, o projeto da União Económica China-Eurásia (EAEU) que terá entrado em vigor recentemente; e, certamente, em ligação com a Organização de Cooperação de Xangai que incorpora a China, a Rússia, os países da Ásia Central e, mais recentemente, a Índia, o Irão e o Paquistão.

É difícil para a Europa aceitar que o seu apogeu foi atingido no final da guerra de 1914/18; que o projeto UE como forma de afirmação global se mantém subalterno face aos EUA; e que, num plano comunitário, somente a Alemanha tem um papel relevante no comércio global, o quase único país da UE com um excedente comercial.  

4 - As mudanças geopolíticas das últimas décadas

O sistema financeiro global surgiu gradualmente, a partir de Bretton Woods (1944), na forma de instituições como o Banco Mundial e o FMI; e, ancorou-se na libra e no dólar, completamente dominadas pelos EUA e a Grã-Bretanha, com práticas hegemónicas a nível global. A descolonização, com a maior autonomia dos novos estados-nação, ainda que adulterada pelos corruptos locais (Houphouet-Boigny, Mobutu, dos Santos…) foi-se mostrando, na sua autonomia face ao mundo ocidental e, evidenciando a preponderância da China nas relações com o que se chama “Sul global”.

As derrotas militares ocidentais (NATO/UE) na Indochina e nas colónias portuguesas; o surgimento da China como potência desafiadora da supremacia dos EUA; a redução do papel do dólar nas trocas internacionais, são elementos que criaram um novo ambiente para as relações políticas e económicas no mundo e, cujos desenvolvimentos parecem elevar a China e a Ásia ao mesmo tempo que mostram a decadência do BideNato.

Politicamente, os EUA mostram a sua decadência em vários pontos. Um, foi a forma desastrada como geriram a pandemia, como se pode, sumariamente, ver no quadro seguinte… onde faltam as fotos de três trastes - Trump, Biden e Bolsonaro:

 

As 3 principais vítimas do covid-19 (infetados)

População   (% do total)

Infetados     ( % do total)

EUA

4,3

16,2

India

18,0

8,4

Brasil

2,8

5,9

O retorno da Rússia como grande potência militar (a atual guerra na Ucrânia demonstra-o) surgiu atrasado para evitar o sangrento desmantelamento da Jugoslávia bem como as invasões ocidentais (EUA e seus peões) no Médio Oriente ou, na Líbia, tendo como peão o célebre “Estado Islâmico”… financiado pela Arábia Saudita e que passava os cheques às fornecedoras americanas de armamento destinadas ao dito “Estado Islâmico”.

O acrescido papel da China e da Rússia com a criação da OCX - Organização de Cooperação de Xangai (1996) - travou as intervenções militares dos EUA no Irão ou na Venezuela, como mostra a estupidez[4] vigente no BideNato onde se achou natural a colocação de armamento ofensivo apontado à Rússia, a partir da fronteira ucraniano-russa. Claro que as mortes, as fugas de população, a destruição das infraestruturas da Ucrânia agudizam a pobreza do país; mas, devem ter alegrado os indicadores de gestão das multinacionais da guerra e da morte. Posteriormente, virão os abutres investidores para o oportuno aproveitamento de baixos salários para fazer frente a elevadas necessidades infraestruturais para os povos e de predação para os ricos.

Este e outros textos em:

​http://grazia-tanta.blogspot.com/                               

https://pt.scribd.com/uploads

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents



[1] Recordemos a azia de Macron quando viu ter-lhe sido cancelada a venda de um submarino à Austrália, em benefício do Reino Unido.

[3] Perante os desejos de guerra evidenciados por alguns dos mandarins de UE temos de destacar a von der Leyen cuja incapacidade política se coaduna com a falta de memória. A UE recebeu o Nobel da Paz em 2012, mesmo depois das barbaridades cometidas nos Balcãs, no Médio Oriente e na Líbia.

[4] Seria um lapso imperdoável não referir a incapacidade e a subserviência de um tal Stoltenberg, gauleiter da preciosa NATO

quarta-feira, 30 de março de 2022

EUA – Um perigo enorme para a Humanidade

 

0 – Introdução

1 – Sem economia não há poder militar pujante

2 - A proliferação militar dos EUA no planeta

2.1 - Oriente e Oceânia

2.2 - Europa

2.3 – Médio Oriente

2.4 – África

2.5 – América

3 – EUA, um predestinado malfeitor

oooooooooo vvvvv oooooooooo

0 - Introdução

O desaire dos EUA perante a incapacidade de incluir a Ucrânia na sua NATO mostra claramente os limites da sua agressiva instalação nas fronteiras da Europa. Putin não é Ieltsin, a Rússia de hoje não é o caos de 1990 e, entretanto, o grande desafio global aos EUA vem mais da China do que da Rússia, com uma implantação política e comercial mais geograficamente restrita.

Sem a conquista da Ucrânia pouco resta para uma expansão da NATO. As neutrais Suécia e Finlândia podem ver no desaire ucraniano um aviso para não se envolverem numa entidade decadente; como podem pensar no receio perante uma Rússia expansionista. A pequena e pobre Moldávia, a ser incluída na NATO, revelaria ainda mais essa decadência – seria uma sobra e não um banquete; mais relevante seria a passagem para a órbita da Rússia da margem norte do mar Negro, incluindo Odessa. Quanto à Geórgia e à Arménia, a órbita política em torno da Rússia parece consolidada, sobretudo depois da atual experiência com a Ucrânia.

A NATO poderá ter chegado ao limite da sua expansão, consolidando a supremacia dos EUA na Europa, continuando esta a mostrar-se sem capacidade de gerar autonomia estratégica mesmo perante uma Rússia repleta de armamento mas com uma população equivalente a cerca de ¼ dos habitantes da Europa. A pobreza intelectual de Biden com os seus impropérios, a irrelevância da von der Leyen, juntando-se à insegurança do tosco Stoltenberg, são trunfos para os adversários da NATO; ainda estamos a ouvir as risadas de Putin e de Xi…

 1 – Sem economia não há poder militar pujante

Os EUA constituem o único país que apresenta instalações militares pelos vários cantos do planeta, (mais abaixo apresentamos uma súmula incompleta dessas instalações) assumindo, como um direito divino, o de colocar em ordem toda a Humanidade e de intervir onde muito bem entenda para salvaguardar os seus interesses ou, para prejudicar a concorrência. Os EUA assumem-se como um corpo de gendarmaria global, com prerrogativas de intervenção e policiamento do planeta e da Humanidade.

Os EUA como criação de “brancos protestantes” fugidos das guerras europeias e, depois de se libertaram da maior potência do século XVIII (a Inglaterra), logo geraram várias taras provenientes de religiosidades messiânicas de que ainda se não libertaram. Libertaram-se da Inglaterra mas escravizaram milhões de africanos, numa escala nunca vista em outras áreas de escravatura, logo apresentando no seu primeiro presidente (Washington) o perfil de um dono de milhares de escravos. E foram estabelecendo uma hierarquia racista que classifica a população em “wasps” (white, anglo-american and protestants”), sem prejuízo da incomum apresentação de presidentes fora desse perfil - o católico Kennedy e o preto Obama[1].

Entretanto, os simbólicos descendentes dos primeiros colonizadores foram dizimando os povos originários mantendo ainda hoje, algumas dezenas de milhar, pobres e confinados, para mostrar aos turistas. A expansão territorial dos EUA foi-se sucedendo no século XIX – Louisiana em 1803 (um território de 2 M de km2, muito para além do atual estado da Louisiana e, comprado à França napoleónica); compra da Florida à Espanha, em 1819 e do Alasca ao czar russo (1867). Entretanto, foram-se sucedendo as guerras de conquista – em 1845, todo o enorme território mexicano a norte do rio Grande; guerra contra a Espanha em 1898 - com Cuba logo transformada em república autónoma - e prostíbulo - dependente até aos anos 60 – para além de Porto Rico e das Filipinas. Acrescentou-se ainda o arquipélago de Hawai em 1898 e parte do arquipélago de Samoa em 1900, sob uma forma colonial.

A intervenção na guerra europeia de 1914/18 abriu novos horizontes ao poder dos EUA, ao mesmo tempo que anunciou o declínio da Grã-Bretanha, bem mais evidente após a II Guerra europeia, com o desmantelamento do seu império colonial e o declínio da libra perante o maior poder do dólar (e, mais tarde, do euro e do renmimbi chinês). A entrada e depois, a saída da Grã-Bretanha da UE, revelou a incapacidade do país perante a Alemanha e a França ou sequer, de resolver a questão da Irlanda do Norte e, ou de uma eventual independência da Escócia. A Grã-Bretanha, com a Noruega, a Holanda e Portugal são os países europeus que, sem ameaças externas dado a sua localização no oeste europeu, são os mais fiéis membros da NATO; em contraste com a Irlanda que, na mesma orla ocidental da Europa se mantém fora daquele agressivo instrumento dos EUA.

A UE, claramente liderada pelo poder económico da Alemanha – o único país europeu com uma implantação para além do quadro regional – vem-se revelando incapaz de se colocar fora da suserania norte-americana, no plano político e militar, com o encerramento da NATO, como instrumento (falsamente) plural. Essa incapacidade revela a Europa como um continente que se reduz a uma península asiática, dominada por um império decadente (EUA).

2 - A proliferação militar dos EUA no planeta

Com notórias excepções – China, Rússia, Índia – são poucos os países onde dificilmente os EUA poderão intervir militarmente; a atual situação na Ucrânia revela os seus limites de intervenção. Os restantes países aceitam, em maior ou menor grau, a intervenção polifacetada dos EUA, o grande promotor de guerras e conflitos do último século; sobretudo, depois do desmantelamento da URSS e do Pacto de Varsóvia. Essas intervenções tanto podem ser apresentadas diretamente pelo general Pentágono, como por entidades, que se mostrem como sargentos às ordens daquele.

A lista dessas intervenções é longuíssima, iniciou-se poucos anos após a fundação do país como estado soberano e as vítimas acumulam-se, nos cemitérios, nos campos de refugiados ou, como eventuais emigrantes forçados. Na base, mantém-se desde o século XIX, a arrogância de um país que se considera como eleito dos deuses para definir o que lhe convém ou, por si permitido aos outros povos.

Divulga-se, abaixo, sumariamente, uma distribuição possível das instalações militares norte-americanas, por países e ano de instalação. Não utilizamos a designação base militar, pois esta compreende um dispositivo militar complexo e conspícuo, sabendo-se que, de facto, há muitas instalações que têm, sobretudo, um papel na logística do Pentágono[2]. E, ao que se julga, haverá instalações não referenciadas, secretas, em número desconhecido; o Império não brinca em serviço…

2.1 - Oriente e Oceânia

Como se pode observar, abaixo, nos quadros, é no Oriente e na Oceânia que se encontra o maior número das instalações aqui elencadas (40% do total). O Japão é o principal ponto de apoio dos EUA na região e que se tornou a sua principal base, após a ocupação norte-americana na II Guerra. Como arquipélago, o Japão não tem fronteiras terrestres e, focando-nos no momento atual, tem uma economia próspera e fica muito perto da China, o atual inimigo de estimação dos EUA, O Japão tem a dividida Coreia ainda mais próxima do que a China, incluindo-se ali dezenas de instalações norte-americanas (51) na parte sul, desde os anos 50, para além da presença da misteriosa e intratável dinastia Kim, na metade norte da península, bem armada para qualquer intervenção dos EUA.  A norte do Japão, encontra-se a extensa a costa do Extremo Oriente russo, até ao estreito de Bering, incluindo ali a Sacalina e as ilhas Curilhas; e, apresentando-se do lado oriental, a costa do Alasca, território dos EUA.

Por outro lado, quer a Rússia como a China têm-se mostrado interessadas numa rota marítima de ligação à Europa através do Ártico juntando assim um terceiro corredor à já tradicional via pelo Índico e pelo Suez para além da Rota da Seda, duas grandes vias terrestres, cuja operacionalidade se espera para o próximo ano.

Na mesma região há a registar o número de instalações em território dos EUA – Guam, Johnston Atoll e Marianas do Norte (38 instalações); para além das 14 inseridas em pequenos estados-nação (Ilhas Marshall e Palau) e as referenciadas nas Filipinas (14) que parecem de facto, não existirem, desde 1992. A animosidade do país com a China pela disputa da propriedade de algumas ilhotas é aproveitada pelos EUA para exibirem o seu arsenal de guerra; um arsenal que também procura garantir a segurança da ilha Formosa, território chinês que escapou à incorporação na República Popular da China em 1949; e, somente reconhecida na sua autonomia por menos de vinte países.

A Austrália, acompanhante dos EUA na guerra no Vietnam faz, atualmente, parte do Ankus com os EUA e a decadente Grã-Bretanha - cuja presença na área surge como apêndice dos EUA - e faz esquecer que o primeiro-ministro Wilson, nos anos 70 do século XX apontou para o abandono da presença militar britânica a leste do Suez.

Nesse contexto, a Grã-Bretanha ainda mantém a soberania da ilha Diego Garcia – alugada aos EUA e de onde partiam, anos atrás, os bombardeiros pesados dos EUA que arrasavam o Afeganistão; e a que os ingleses chamam pomposamente de Território do Oceano Índico Britânico. Note-se ainda o crime praticado pela Grã-Bretanha ao ceder a ilha aos EUA, depois de desterrada toda a sua população para a Maurícia.

Note-se, que no Oriente a grande maioria das instalações dos EUA foi montada até 1950, pouco depois da II Guerra; e, já na década de 50, é dominante o volume de instalações na Coreia do Sul e no Japão. A partir dos anos 60 o aparecimento das instalações guerreiras é muito mais esparso e focam-se (ainda… por coincidência…) na Coreia do Sul; e, já no presente século, nas Filipinas. O objeto desse cerco militar tem um nome, China.

País/território

Total

< 1950

1950/59

1960/69

1970/79

1980/89

1990/99

2000/09

> 2010

Desconh

Oriente e Oceania

Austrália

6



3




1

2


Cambodja

1




1






Coreia do Sul

51

2

39

4


4




2

Filipinas

8







5

3


Guam (EUA)

33

31

2








Japão

86

68

17


1






Johnston Atoll (EUA)

1

1









Marianas do Norte, Ilhas (EUA)

4

2



1


1




Marshall, Ilhas

11

11









Palau

3



1





2


 Total

204

115

58

8

3

4

1

6

7

2

2.2 - Europa

A segunda região mais povoada de instalações militares dos EUA é a Europa, onde se referenciam 175. Entre estas, 60% localizam-se na Alemanha e na Itália, cenários fulcrais da intervenção dos EUA na II Guerra. A primeira, o inimigo principal era, e é, o coração industrial da Europa Ocidental, o país mais populoso e que tem um mercado externo mais diversificado; e ainda, com áreas costeiras no mar do Norte e no Báltico. Por seu turno, a Itália, também vencida e ocupada durante a II Guerra, constitui o centro do Mediterrâneo, tal como aconteceu com a Roma antiga. Os países que se designavam por socialistas abarcam, em conjunto 26 instalações, todas elas - excluída a “Pequena Guantanamo” (Kosovo) - surgidas neste século, depois do fim do Pacto de Varsóvia e do selvático desmantelamento da Jugoslávia.

País/     território

Total

< 1950

1950/59

1960/69

1970/79

1980/89

1990/99

2000/09

> 2010

Desconh

Europa

Alemanha

76

42

27

1


1



1

4

Ascensão (GB)

1


1







 

Bélgica

9



8





1

 

Bulgária

4







4


 

Chipre

1








1

 

Eslováquia

2








2

 

Espanha

2


2







 

Estónia

1








1

 

Georgia

1







1


 

Grécia

6



6






 

Hungria

2







1

1

 

Irlanda

1







1


 

Islândia

2



1





1

 

Itália

29


26

2





1

 

Kosovo

1






1



 

Letónia

1








1

 

Lituânia

1








1

 

Luxemburgo

1








1

 

Noruega

7





6



1

 

Países Baixos

5


1

4






 

Polónia

4








4

 

Portugal

9

9








 

Roménia

9







4

5

 

Total

175

51

57

22

0

7

1

11

22

4

 

2.3 – Médio Oriente

O Médio Oriente tem sido uma zona muito fustigada pelos EUA e seus caudatários europeus em várias guerras, manipulando os países da região e as suas classes políticas ou, aproveitando-se das suas rivalidades e animosidades. Por um lado, estão as ricas monarquias do Golfo (quase todas), uma forma política consolidada em cima de recursos energéticos imensos e de imigrantes pobres tratados como animais; monarquias que teriam desaparecido se, nos anos 30 do século passado, os ocidentais não tivessem descoberto esses lençóis de hidrocarbonetos.

O Afeganistão não tem petróleo mas a posição estratégica de se encontrar entre a Ásia Central, o Irão xiita (num mundo islâmico essencialmente sunita) e o Paquistão, um país que separa a Ásia Ocidental do Industão. Embora com pouca visibilidade num mapa, passou a dar-se uma particular relevância ao corredor de Wakhan que permite uma ligação direta entre a China e, Gwadar, porto paquistanês do mar de Oman. O Afeganistão nunca foi colonizado pelos ocidentais que o tentaram; os ingleses foram derrotados duas vezes no século XIX, os soviéticos afundaram-se em desastre nos anos 80, seguindo-se os norte-americanos que, recentemente, saíram do país em debandada, após vinte anos de guerra.

O Irão também nunca foi colonizado, aproveitando-se da disputa entre russos e britânicos no século XIX. Os EUA, nos anos 80 fomentaram uma intervenção militar no Irão por parte do Iraque de Saddam Hussein (o Cuzistão iraniano tem muito… petróleo); e sofreram a humilhação de ter a sua embaixada no Irão ocupada por estudantes durante mais de um ano, para além do brilhantismo militar de deixarem os restos destroçados dos seus aviões - que iriam intervir na embaixada – numa área desértica, revelando a sua própria incúria militar. Essa humilhação, passados mais de quarenta anos é uma ferida que os EUA mantêm… a sangrar; colmatada por sanções e ameaças.

País/ território

Total

< 1950

1950/59

1960/69

1970/79

1980/89

1990/99

2000/09

> 2010

Desconh

Médio Oriente

Afeganistão

8

 

 

 

 

 

 

2

1

5

Arábia Saudita

10

 

4

2

 

 

2

2

 

 

Bahrein

8

7

 

 

 

 

1

 

 

 

Entidade Sionista

6

 

 

 

1

 

3

1

1

 

Iraque

7

 

 

 

 

 

 

 

7

 

Jordânia

2

 

 

 

 

 

 

 

2

 

Kuwait

10

 

 

 

 

 

7

3

 

 

Oman

6

 

 

 

 

5

 

1

 

 

Qatar

3

 

 

 

 

2

 

1

 

 

Síria

4

 

 

 

 

 

 

 

4

 

Total

64

7

4

2

1

7

13

10

15

5




















A partir da década de 90 surgiram na região 38 novas instalações militares dos EUA, com particular visibilidade no Kuwait, invadido pelo Iraque de Saddam que reivindicava ter direito a uma sua antiga província, ocupada pela Grã-Bretanha entre 1919 e 1961.

Depois de 1990, os EUA decidiram espalhar as suas instalações guerreiras pela região. No Afeganistão (em 2022, abandonado depois de 20 anos de guerra); na Arábia Saudita (sempre receosa do Irão) e da Síria, objeto de uma programada devastação pelo ISIS, utilizador de armamento dos EUA, pago pela Arábia Saudita. Nota-se ainda a presença de instalações norte-americanas no Qatar e no Oman, alarmados pelos conflitos na região do Golfo. Para terminar, uma referência à entidade sionista e ocupante da Palestina, a área mais segura para os EUA, mas a principal ameaça à paz na região, com capacidades militares muito para além das presentes nos outros países da região; e muito para lá da sua região de instalação.

2.4 - África

A África, para os EUA, só ganhou um interesse geopolítico em tempos recentes. Em 2007, com sede em Estugarda criou o Africom, um revelador do seu distanciamento face ao continente e aos seus povos; quiçá procurando ficar longe dos africanos… longe de terem um perfil “wasp”. Depois da saída das antigas potências coloniais, os africanos focaram-se nas suas independências políticas e, por outro lado, os EUA, não davam grande relevância à África, como se viu no capítulo das retardadas independências das colónias portuguesas. As multinacionais passaram a dialogar diretamente com as oligarquias africanas, tendencialmente cleptocráticas.

Como se observa abaixo, as instalações militares dos EUA em África surgem no século atual com a passagem, no Djibouti, da base de Champ Lemonier, da França para os EUA; o país, pelo seu lugar estratégico (o Bab el Mandeb é ali perto), alberga também, “democraticamente” instalações chinesas, japonesas e italianas.

Depois de 2010, a situação mudou, sendo referenciadas novas 18 instalações, com destaque para a região do Sahel – Chade, Mali e Niger, com 8 situações; e onde se desenvolvem confrontos, num contexto de banditismo que afeta quantos africanos são violentados e roubados, na sua procura de chegar ao Mediterrâneo, à Líbia, sobretudo. Entretanto e, no mesmo período, surgiram 5 instalações na Somália.

País/     território

Total

< 1950

1950/59

1960/69

1970/79

1980/89

1990/99

2000/09

> 2010

Desconh

África

Botswana

1

 

 

 

 

 

 

 

1

 

Burkina Faso

1

 

 

 

 

 

 

1

 

 

Camarões

2

 

 

 

 

 

 

 

2

 

Chade

1

 

 

 

 

 

 

 

1

 

Diego Garcia (GB)

1

 

 

 

1

 

 

 

 

 

Djibouti

2

 

 

 

 

 

 

1

1

 

Egipto

1

1

 

 

 

 

 

 

 

 

Gabão

1

 

 

 

 

 

 

1

 

 

Mali

1

 

 

 

 

 

 

 

1

 

Níger

6

 

 

 

 

 

 

 

6

 

Quénia

3

 

 

 

 

 

 

2

1

 

Senegal

2

 

 

 

 

 

2

 

 

 

Somália

5

 

 

 

 

 

 

 

5

 

 

27

1

0

0

1

0

2

5

18

0

 2.5 – América

A distribuição das instalações dos EUA no continente americano centra-se, essencialmente (59%) em Porto Rico – um território dos EUA - e remonta ao período que se seguiu à II guerra mundial; e há a registar três instalações em território de duas potências europeias.

Tendo em conta a proximidade dos países da América Latina face aos poderosos EUA, bem como o seu móvel poder militar, é possível evitar uma maior presença de instalações fixas, comparativamente ao que se passa no resto do planeta. A História mostra o caudal das suas interferências diretas e de golpes de estado adjudicados às oligarquias dos países da América Latina para que se mantenha a sua supervisão do continente. E, daí que Cuba se mantenha sob particular atenção e com um relativo isolamento – desde os anos 60 – por parte dos EUA cujo território está a escassas dezenas de quilómetros da ilha. A Venezuela que também saiu do carril montado pelos EUA, mantem-se objeto das limitações típicas do tutelar interventor na vida dos povos da região.

A decadência dos EUA incrementa a insegurança no mundo tornando o país mais atento à concorrência pelo acesso/controlo dos recursos do planeta; e, mais agressivo, na sua disputa pela supremacia global, sobretudo perante a China, com uma população quatro vezes superior, com um quadro político estável e uma economia florescente, onde não é possível o surgimento de líderes tão medíocres como George W. Bush, Trump ou Biden.

 

País/território

Total

<

1950

1950

/59

1960

/69

1970

/79

1980

/89

1990

/99

2000

/09

>

2010

Desconh

América

Aruba (P Baixos)

1







   1



Bahamas

1



   1







Canadá

1

   1









Chile

1








  1


Cuba

1

   1









Curaçao (P Baixos)

1







1



El Salvador

1







1



Groenlândia (Dinam.)

1

1









Honduras

2





1


1



Panamá

5







5



Peru

2





2





Porto Rico (EUA)

24

20

1

1

1





1

 

41

23

1

2

1

3

0

9

1

1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 – EUA, um predestinado malfeitor

O continente americano sempre foi tomado como tutelado pelos EUA que, nas primeiras dezenas de anos da sua independência face a Inglaterra tirou partido das dificuldades financeiras da República francesa para comprar um território enorme que se chamava Louisiana (muitas vezes superior ao atual estado com aquele nome); um território que foi palco da caça desmesurada de bisontes e de indígenas de várias tribos, muitas das quais extintas. Na mesma era, a expansão atingiu, particularmente as possessões coloniais espanholas na América central, as Caraíbas e o enorme território mexicano que se estendia por quase toda a costa do Pacífico a norte do Rio Grande, para além do Texas e da Florida. Em 1898, a Espanha é expulsa das Américas, pelos EUA, sensivelmente quatrocentos anos depois da chegada de Colombo.

Em meados do século XIX, os EUA intervêm na China, no Japão, na Coreia, na Argentina, no Uruguai, na Nicarágua, no Paraguai, na Colômbia, no Panamá, na Líbia, no Império Otomano, na Costa do Marfim, nas ilhas Fiji, entre outros locais, apresentando-se sempre como defensores das vidas e dos interesses… americanos.

Entre os finais do século XIX e a I Guerra Mundial, as intervenções armadas sucedem-se no Egipto, na Síria, na Etiópia, em Marrocos, em Cuba, nas Honduras, na Colômbia, no Panamá, na Argentina, no Haiti, na República Dominicana, no Chile, no Brasil, na Nicarágua, nas Honduras, no México, na Coreia, na China, em Samoa, no Havai.

Depois da declaração de guerra aos impérios centrais europeus, em 1917, os EUA envolveram-se, nos três anos seguintes, na defesa do consulado em Vladivostok, com 7000 homens numa Rússia em plena guerra civil. E, em 1918/20, outros 5000 estiveram com aliados ocidentais em Arkhangelsk. Tudo no âmbito dos desenvolvimentos da passagem da monarquia russa para a república dos sovietes.

Depois da I Guerra mundial, de novo se sucedem as intervenções musculadas na América de língua espanhola; Cuba (1917/22), México com três incursões em 1918 e seis em 1919, para além do Panamá, das Honduras, da Costa Rica, da Nicarágua. E também na Europa, na Dalmácia, em Constantinopla (1919) ou, na defesa dos interesses dos EUA perante os nacionalistas turcos em Esmirna (1922). Na década de 20 as intervenções na China observam-se em 1922/25 sempre com heroicos marines a defender os estrangeiros nas grandes urbes chinesas; com menos cuidados para com os autóctones… coisa comum em gente tão marcada pelo racismo. O inglês Houston Chamberlain perorou nos EUA antes de vir doutrinar os nazis para a defesa de uma raça superior; nessa época, nos EUA, eram esterilizadas pessoas que os “entendidos” definiam como feias ou estúpidas.

Nos anos 30, os felizes intervencionados pelos marines são cubanos e chineses. Em 1940, os EUA ocupam, de acordo com a Grã-Bretanha, as possessões desta última no Atlântico Norte, para evitar uma intervenção alemã e receberam destroyers como pagamento; o mesmo aconteceu com a colónia holandesa do Surinam (rico em bauxite), como na Groenlândia e na Islândia, colónias dinamarquesas.

Em 1941, com o bombardeio de Pearl Harbour inaugura-se a guerra dos EUA com o Japão; a que se segue a declaração de guerra na Europa, à Alemanha e seus aliados; no final, ficou a ocupação parcial da Alemanha, da Áustria e de todo o Japão, um país esgotado que se rendeu incondicionalmente depois de vitimado por dois criminosos ataques atómicos (1945) sobre uma população desarmada. Um pouco mais tarde a guerra na Coreia (1950/53) envolveu 300000 norte-americanos, entre os quais ficaram 36600 mortos, mantendo-se o país dividido desde então.

Pouco depois (1955) começou a intervenção no Vietnam, suavemente, com uns quantos assessores que, em 1964 já eram 21000; e que deveriam ser enquadrados na aliança militar SEATO. Em 1975, os norte-americanos abandonaram a Indochina depois de terem chegado a envolver 543000 militares (norte-americanos, sul-coreanos, australianos) e a deixar no delta do Mekong, como recordação, a infestação com o agente laranja. A fuga de Saigão de acólitos desesperados agarrados aos trens dos helicópteros repetiu-se recentemente em Cabul mas, numa menor escala. Ainda na Indochina, no Laos e na Tailândia, a tropa dos EUA interveio menos para estabelecer o seu modelo, do que combater a concorrência de soviéticos e chineses.

As intervenções musculadas verificaram-se no Egipto, no contexto da crise do Suez, em 1956, em apoio aos sionistas e, dois anos depois, os famosos marines intervinham no Líbano. Cuba, abandonando a sua vocação de prostíbulo do seu vizinho a norte, passou a ficar proscrita desde os anos 60.

Também nos anos 60, os EUA estreiam-se na África negra com um envolvimento logístico no Congo (ex-belga). No outro lado do Atlântico, em 1964, os EUA ajudaram os militares fascistas no Brasil… tal como agora apoiam os batalhões nazis na Ucrânia; a que se seguiu, no ano seguinte, o desembarque de 20000 soldados na República Dominicana para dominar a revolta dos locais.

Nos anos 80 – e para abreviar tão longa lista - os EUA enchem-se de glória ao invadir a pequena ilha de Grenada e o Panamá; e, em conflitos com a Líbia, as Honduras, o Chade, o Irão, empurrando o Iraque de Saddam para uma longa e sangrenta guerra com o Irão… um país que continua como gerador de muita azia em Washington.

Em 1990, acelerou-se a intrusão no Médio Oriente depois do amigo Saddam – sem autorização prévia - invadir o Kuwait, de onde resultou uma punição imensa dos iraquianos durante a década. Seguidamente, com a implosão da URSS sobreveio a intervenção nos Balcãs, com o incendiar de hostilidades de origem religiosa, benzidas pelo papa Woytyla; daí surgiu a repartição sucessiva do território da antiga Jugoslávia em pequenos núcleos identitários, com relevo especial para o bombardeamento norte-americano de Belgrado durante mais de 70 dias, ao qual nem a embaixada chinesa escapou.

Ainda nos anos 90, os marines desembarcaram na Somália para saírem de lá pouco depois com todo o mundo a ver a humilhação de cadáveres americanos arrastados pelos somalis. Desta vez, Deus, distraído não esteve do lado certo, confraternizou com os somalis.

Esta lista de intervenções dos EUA pelo planeta fica por aqui; o seu volume mede-se por centenas. No entanto, o fortalecimento da China, da ligação desta com a Rússia, a criação da OCX – Organização de Cooperação de Xangai, constitui um bloco onde os EUA não podem intervir; e à qual, certamente se irá seguir uma perda do domínio do dólar, a principal exportação dos EUA.

Este e outros textos em:

​http://grazia-tanta.blogspot.com/                               

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

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[1] “Pele negra, máscara branca” como expresso no livro de Franz Fanon

[2] A fonte utilizada “Lists of U.S. Military Bases Abroad, 1776-2021” é organizada por David Vine do Departamento de Antropologia da American  University Digitak Research Archive, 2021