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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

A economia, o PIB e a dívida

 A economia, o PIB e a dívida

1 – O PIB como medida de desempenho não vale nada. É muito genérico, economicista e, já nos anos 30, Kuznets, que inventou o conceito, chamava a atenção para as suas lacunas.

Por exemplo, em Portugal a economia não contabilizada vale uns 30% do dito PIB, sem contar com os serviços efetivos e essenciais que o PIB nunca contemplou; por exemplo, os trabalhos domésticos, como o cozinhar, a limpeza, o cuidar das crianças, são tarefas que só são medidas (quando são) se efetuadas num restaurante, com a utilização de uma empresa de limpeza ou através de um  explicador com porta aberta.

2 – Para aumentarem o PIB, os avatares de Bruxelas acrescentaram como “produtivos” os serviços sexuais das prostitutas e, como investimento, a aquisição de cangalhada militar. Por exemplo, a compra de uma bala de canhão, é investimento, embora nada produza, quando armazenada em Tancos ou disparada algures.

3 – A satisfação das necessidades de uma população é o único critério válido para que se trabalhe; e, como hoje isso não é tecnicamente difícil, logo se coloca a questão de se trabalhar hoje, tanto ou mais do que há 100 anos, quando a jornada das oito horas era a meta a atingir. Adivinhem quem se apropria dos ganhos de produtividade; quem gera a volúpia consumista e fomenta o endividamento para a satisfazer. E observem o grau de idiotia de quantos passam horas a olhar para écrans de vários tamanhos, viciados em imagem corrida, a forma mais superficial e manipulável de obter (des)informação.

4 - Um modo decisivo para o aumento do PIB, embora não satisfaça as necessidades humanas incorpora a engorda de especuladores e militares. Por outro lado, a dívida pública é uma forma de captura dos rendimentos futuros de uma população, endividada sem ser consultada mas, onerada para o seu pagamento. Em Portugal, cada indivíduo contribui, anualmente com 900 euros só com os encargos. E, pior, ninguém sabe qual a afetação real dos empréstimos contraídos pela dita República.

5 – O drama da dívida em geral é a sua utilidade para alimentar a volúpia financeira ou as pirâmides de Ponzi que contribuem de modo decisivo para o aumento do PIB; embora não satisfaçam necessidades humanas mas, apenas a engorda de especuladores e militares. Por outro lado, a dívida pública é uma forma de captura dos rendimentos futuros de uma população, endividada sem ser consultada mas, onerada para o seu pagamento. Em Portugal, cada indivíduo contribui, anualmente com 900 euros só com os encargos. E, pior, ninguém sabe qual a afetação real dos empréstimos contraídos pela dita República.

6 – A satisfação das necessidades de uma população é o único critério válido para que se trabalhe; e, como hoje, isso não é tecnicamente difícil, logo se coloca a questão de que trabalhar hoje, tanto ou mais do que há 100 anos, no tempo em que a jornada das oito horas era meta a atingir. Adivinhem quem se apropria dos ganhos de produtividade... E adivinhem quem gera a volúpia consumista e fomenta o endividamento para a satisfazer. Note-se o grau de idiotia de quantos passam horas a olhar para écrans de vários tamanhos, viciados em imagem corrida, a forma mais superficial e manipulável de obter (des)informação.

7 – Voltando à dívida. Não conhecemos na classe política quem considere a ilegitimidade da maior parte da dívida pública. Primeiro, porque foi imposta e, em segundo lugar, porque não foi afeta a nada de conducente ao bem-estar da plebe. Depois, porque a sua reestruturação nada acrescenta, sobretudo dadas as baixas taxas de juro. E, em terceiro lugar, porque ninguém sequer aventa a necessidade de um downsizing brutal nos balanços do sistema financeiro global com a eliminação da dívida ilegítima, num chamado jubileu. Há alguns anos fizemos simulações de reestruturação da dívida que, exigiriam crescimentos de 6% no diáfano PIB.

8 - É comum os economistas desconhecerem as ciências sociais. E que, só uma abordagem da realidade que resulte da interação das várias ciências sociais, fornece realismo. O que se aprende na universidade é catecismo, baseado no empreendedorismo, na competitividade, na empregabilidade, na criação de valor e no crescimento do PIB.

Grazia.tanta@gmail.com 

domingo, 4 de agosto de 2024

As macroestruturas económico-financeiras na Europa

 

1 - As macroestruturas económico-financeiras na Europa

Os grandes grupos de bens e serviços gerados na Europa apresentam os seguintes valores (mil milhões de euros);

                                                              1995           2023         2023/1995        

                           Total                          6337.7        16962.4              2.7x

                        Consumo privado       3541.4         8865.2              2.5x

                        Consumo público       1281.9         3570.2              2.8x

                                FBCF *                  1411.1         3889.6              2.8x

                          Exportações              1791.4         8938.3              5.0x

                          Importações             1688.0         8300.9              4.9x

                                                       * Formação bruta de capital fixo

O espaço temporal entre 1995/2023 e, definido para os vários países da UE (e incluindo a Islândia, a Noruega, o Reino Unido e a Suíça), revela as diferenças globais, como pode evidenciar segmentos fundamentais da atividade económica. Para o efeito, para além da globalidade da atividade económica e de áreas sociais ir-se-á observar, umas quantas, tão essenciais como o consumo privado, o consumo público, a formação bruta de capital, a exportação e a importação de bens e serviços.

2 – A dimensão da riqueza

No período considerado, o total do PIB daqueles países, em 2023, cifra-se em € 16962 mil milhões, 2.7 vezes o valor de € 6337,7 mil milhões registado em 1995. Os casos de maior relevância são;

 Alemanha - € 4121 M em 2023 e € 1977 M em 1995

 França - € 2803 M em 2023 e € 1225 M em 1995

 Itália - € 2085 M em 2023 e € 898  M em 1995

 Espanha – € 1462 M em 2023 e € 470 M em 1995

 Portugal - € 268.7 M em 2023 e € 91.0 M em 1995

 

Quanto aos estados-nação mais pequenos, assinalam-se;

 

Lituânia -  € 72,0 M em 2023 e € 14,1 M em 1995

Letónia - € 40,3 M em 2023 e € 4,1 M em 1995

Estónia - € 37.7 M em 2023 e € 3.0 M em 1995

Chipre - € 29.8 M em 2023 e € 7.6 M em 1995

Islândia - € 28.7 M em 2023 e € 5.4 M em 1995

Malta - € 19.4 M em 2023 e € 2,8 M em 1995

 

3 - Formação bruta de capital fixo

 

O quadro que se segue evidencia a situação em 1995 e 2023; e revela as diferenças verificadas no seio da esmagadora maioria dos países europeus. Porém, não é claro, em cada um dos dois anos considerados, verificar se são os países mais ricos a apresentar um crescimento mais avultado da formação bruta de capital; ou se, pelo contrário, se trata de países economicamente mais debilitados a apresentar as suas dificuldades. Por outro lado, há a considerar os países onde a FBCF tem maior peso no PIB e, quantos são os que apresentam uma menor relevância.

Na globalidade, a FBCF aumentou, no período (2023/1995), 2.8 vezes, mostrando-se a Grécia e a Alemanha com indicadores muito mais baixos - 1.6 e 2.0, respetivamente. Em 2023 os países com uma FBCF inferior a 20% do PIB são; Bulgária, Eslováquia, Grécia, Malta, Lituânia, Luxemburgo, Polónia e Portugal.

No período considerado (1995/2023), os casos de maior incremento na formação bruta de capital registam-se no Leste europeu – Letónia (14.3 vezes o referencial de 1995), Irlanda (13.4), Estónia e Roménia (12.7), bem como a Lituânia (12.1). Inversamente, as situações de menor crescimento situam-se na Europa Ocidental, com maior relevo para a Alemanha, a Grécia (2.1 vezes o referencial de 1995) e a França (2.3 vezes), como se pode observar no gráfico acima exposto.

                                              % do PIB

                           1995    2023                                1995    2023

   Alemanha        24.3    23.6          Letónia           15.7    23.0

   Bélgica             21.8    25.2          Lituânia          22.8    19.6

   Bulgária           17.7    18.9          Luxemburgo  20.4    18.0

   Chipre             26.6    23.0          Malta              25.7    19.5

   Croácia           16.2    22.2          P. Baixos         21.7    20.1

   Dinamarca     20.7    21.9          Polónia           19.7    17.9

   Eslováquia     23.6    19.1          Portugal         24.2    19.5

   Eslovénia       25.5    20.8          Rep. Checa    34.2    28.8

   Espanha         22.5    20.3          Roménia        23.3    26.1

   Estónia           26.4    26.7          Suécia            20.8    26.8

   Finlândia       20.3    22.4          Islândia          18.2    24.4

   França           20.5    25.2          Noruega         24.2    25.8

   Grécia           22.5    16.8          Reino Unido   18.5      -

   Hungria        23.1    25.7          Suíça               28.1    24.6

   Irlanda         18.9    26.6

   Itália            20.0    20.9

  

A formação bruta de capital medida em milhões de euros por 1000 habitantes, para alguns países, com cinco a dez milhões de habitantes, revela as enormes disparidades no cenário europeu; como ainda a diferenciação socio-económica e a escassa aplicação de capital.

                    Dinamarca    13.8                   Noruega   21.1

                    Finlândia       11.1                   Portugal     5.1                 

                    Grécia              3.6

 

4 – Consumo privado      

O consumo privado, na sua globalidade, corresponde a 55.9 e 52.3%, do PIB, respetivamente, em 1995 e 2023. O consumo privado daqueles países em 2023 cifra-se em € 8865,2 mil milhões, o que representa 2.5 vezes o valor dos € 3541.4 mil milhões registados em 1995.

Os casos de maior relevância são;

           Alemanha - € 2089.7 M em 2023 e € 1104.3 M em 1995

           França - € 1506 M em 2023 e € 670.0 M em 1995

           Itália - € 1241.9 M em 2023 e € 528.8 M em 1995

           Espanha - € 812.8 M em 2023 e € 286.7 M em 1995

              …

           Portugal - € 166.1 M em 2023 e € 58.9 M em 1995

 

Para efeitos de comparação, observa-se o consumo de países (em 2023 e 1995), como a Dinamarca (€ 171.7 M e € 71.5 M), a Finlândia (€ 143.9 M e € 52.3 M), a Grécia (€150.7 M e €71.2M) e a Noruega (€168.4 M e €56.8 M). Os valores de consumo nacional parecem relativamente muito próximos entre aqueles países; porém, as diferenças na demografia evidenciam de modo mais claro as diferenças de riqueza e bem-estar.

Assim, a capitação do consumo privado, mostra-se decrescente para a grande maioria dos países, como se pode observar abaixo, na comparação entre 1995 e 2023. São poucos os casos em que o peso do consumo privado no PIB aumentou naquele período; são apenas a Bulgária, a Itália, a Finlândia, a Grécia, a Hungria, e mais claramente, a Eslováquia.

Na maioria dos casos regista-se em 1995 uma representatividade maior do peso da parcela do consumo privado no PIB, comparativamente às situações relativas de países onde domina o peso daquela parcela, em 2023. Assim, a predominância do peso do consumo privado naquele ano mostra-se apenas na Grécia (68.4%), Bulgária (59.8%), Itália (59.6%), Eslováquia (59.4%) e Finlândia (51.8%).             

Individualmente, os casos de maior crescimento do consumo público no período considerado são: Roménia +15%, Estónia +10.7%, Lituânia +10.4% e Letónia +8.1%. Inversamente, os menores acréscimos mostram-se na Alemanha, em França e na Grécia (todos com 2.3%).

 

6 - Exportações de bens e serviços

As exportações de bens e serviços crescem, tal como as importações, ambas com uma grande rapidez; no período 1995/2023 as exportações quintuplicam o seu volume, o mesmo acontecendo com as importações. Isso não é estranho, uma vez que qualquer mercadoria exportada virá a tornar natural qualquer objeto como um elemento de importação. Assim, as exportações em 2023 orçam os € 8938.3 M e as importações cifram-se em € 8300.9 M.

Os maiores exportadores são os países que já se destacam por outras razões – riqueza, demografia, comércio; e, já referidos em outros módulos incorporados neste texto.

Alemanha - € 1942.5 M em 2023 e € 435.0 M em 1995

França -   € 916.0 M em 2023 e € 277.1 M em 1995

Itália -   € 731.0 M em 2023 e € 221.6 M em 1995

P. Baixos -€ 880.0 M em 2023 e € 38.9 M em 1995

Irlanda - € 676.9 M em 2023 e € 198.0 M em 1995

Suíça - - € 616.3 M em 2023 e € 108.0 M em 1995

Espanha - € 569.6 M em 2023 e € 102.6 M em 1995

Bélgica - € 507.7 M em 2023 e € 132.4 M em 1995

Polónia - € 429.9 M em 2023 e € 25.0 M em 1995

…

Portugal - € 126.0 M em 2023 e € 24.4 M em 1995

 

O quadro que se segue, apresenta, em termos consolidados, os níveis de movimentação das mercadorias transacionadas, reveladoras da crescente densidade das relações intra-europeias; tendo em conta a relativa tranquilidade que se observa nas transações fronteiriças e da facilidade de circulação das mercadorias movimentadas no espaço europeu, com a utilização de vários modos de transporte. E mesmo considerando a presença de fronteiras.

 

                        1995    2023                           1995    2023

   Alemanha    19.4    21.6          Letónia       65.5    61.3

   Áustria         19.6    20.3          Lituânia      63.8    58.7

   Bélgica         21.3    23.8          Luxemb.     44.4    19.0

   Bulgária       15.3    18.2         

   Chipre         12.4    19.0          Malta          18.0    17.7

   Croácia       26.2     21.2         P. Baixos     22.4    25.1

   Dinamarca  24.1    22.6         Polónia       18.9    18.7

   Eslováquia  23.8    20.3         Portugal     17.5    17.1

   Eslovénia    17.8    19.5        Rep. Checa  20.2    20.4

   Espanha      17.6    20.0         Roménia     12.2    16.3

   Estónia        24.6    20.9        Suécia         25.5    25.7

   Finlândia     21.9    25.3        Islândia       21.2    25.7

   França         23.2    23.3        Noruega     21.0    21.9

   Grécia         68.0    68.4         Reino Unido 17.1      -

   Hungria      54.0    49.3          Suíça          11.8    11.4

   Irlanda       52.4    27.0

   Itália           58.9   59.6

 

A exportação, tendo em conta a maior densidade interna das transações comerciais, revela as acrescidas diferenças entre a parcela (%) das exportações no total do PIB, em 1995 e 2023.

                             1995     2023                                  1995     2023  

   Alemanha      22,0      47,1              Letónia      34,6     64,1

   Áustria            33,5     59,5              Lituânia     37,2     77,2

   Bélgica            60,1     87,2              Luxemb.   104,5    212,5

   Bulgária          32,3      60,9              Malta        126,7   166,7   

   Chipre             66,8     89,3               P. Baix.        57,2     85,2

    Croácia          27,3     54,5               Polónia     22,9     57,5      

    Dinamarca    36,6     68,9               Portugal      26,8    47,4

    Eslováquia     53,9     91,9               R. Checa   40,2    72,1                              

   Eslovénia         45,4      84,0              Roménia   25.0

    Espanha         21,8      39,0              Suécia         37,1     54,0

   Estónia            65,9      78,4              Islândia      35,0     43,4

   Finlândia        35,8      40,9              Noruega     36,6     47,2

   França             22,6      32,0              R.Unido      25,6

   Grécia             14,4      44,9              Suíça           40,0     75,3

   Hungria           39,2     81,1

   Irlanda            73,5    134,1

   Itália                 24,7      35,1

 

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Estado e controlo político

 

Estado e controlo político

 

O Estado é um vórtice onde cabem os negócios mais escusos, envolvendo, em regra, a intervenção dessa massa informe, nebulosa e sem escrúpulos, que é a classe política; a classe política é, precisamente, quem tem por missão a formação e a gestão do dinheiro dos impostos, bem como dos contratos a formular com os privados nacionais ou, o capital externo.

Naturalmente, se quem toma as decisões é quem delas vai beneficiar, está aberta a engrenagem do saque tributário, dos truques habilidosos, a favor da própria máquina estatal e dos meandros internos ou externos dos negócios e dos contratos que envolvem os dinheiros públicos.

O envolvimento da classe política no controlo da massa tributária constrói o afastamento total e compulsivo da população, relativamente aos fundos gerados no mundo do trabalho; esse mundo, afogado e anestesiado pelos media, constitui um sorvedouro de riqueza, desviada, através de várias formas, pelos aparelhos estatais, sindicais e mediáticos, pelos truques praticados pelo empresariato, todos zeladores dos seus próprios interesses. Muitas horas de imbecilização mediática constante pela plebe, garantem a paz no céu e na terra. Amen!

Os truques praticados pelos ditos empresários no capítulo da concentração de riqueza constituem a base das desigualdades, da sua constituição, bem demarcada pelos interesses em jogo. Daí, o afastamento geral e compulsivo da plebe, por parte do empresariato que, conjugado com o papel do Estado, traduz a manutenção ou a extensão da riqueza gerada. Neste contexto, tão adequado aos tempos que correm, falar de democracia é um insulto, pois a sua consolidação é assegurada coercivamente pelo aparelho estatal e pelas panóplias partidárias que o ocupam. Nada há de democrático nas sociedades atuais; estamos em época do saque e do poder absoluto por parte das oligarquias, políticas e empresariais.

É evidente que qualquer massa humana procura mais conhecimento, mais riqueza e mais direitos. Porém, essas três realidades apresentam ponderações distintas por parte das pessoas. Não é estranho que haja entre elas uma marcada hierarquia, com a riqueza no pódio, seguida pelos direitos e, no terceiro posto, pelo conhecimento; nos dois últimos casos, com um caráter parco e falso.

No âmbito dessa hierarquia, são as expectativas geradas que, muitas vezes, são coarctadas pelos detentores do aparelho de estado, pelas classes políticas, pelos media, pelos capitalistas. Esses direitos e expectativas oscilam, como fruto da conjuntura económica e social. E, tanto podem ser objeto da brutalidade estatal, instilada pelos grupos económicos, como podem ser o produto de ajustamentos salariais e outras medidas, susceptíveis de melhores salários e mais direitos. Estes, geralmente, não passam de artifícios para que, de facto, nada se altere, mesmo quando se reproduzem os carnavais eleitorais.

A abertura da plebe para a aceitação e concretização de expectativas geradas pelos poderes económicos e políticos, admite duas formulações de ética. Kant, pretendia que cada um adoptasse, produzisse e agisse no âmbito de uma aplicação universal maximizada, ancorada na moral. No caso de Max Weber aponta-se para uma responsabilidade ancorada numa atuação ética da responsabilidade, ligada a uma avaliação dos actos. Porém, nos tempos correntes, a ética é algo distanciado da prática corrente, desprezada pelo economicismo, o consumismo, a competição; estes, como elementos de práticas correntes ancoradas na acumulação de capital, levada ao infinito, tanto quanto possível.

Essa competição a qualquer preço ou, melhor, a um preço real, quantitativamente sempre superior, é construído, agudizado, para além das efetivas necessidades humanas, sem qualquer consideração pela evidente limitação do planeta e dos seus recursos. A grande maioria dos seres humanos é arrastada nessa volúpia, com a conveniente liderança dos capitalistas de maior gabarito; ou, com a intervenção dos militares, sempre na procura de elementos de crescente competição destrutiva. Quanto aos elementos das classes políticas, mostram-se cada vez mais isolados da plebe e, ávidos sorvedores de cargos, mordomias e rendimentos, em troca de favores e actos legislativos favoráveis aos capitalistas, aos chamados empresários.

Claro, que neste contexto, capitalistas e classes políticas mostram-se afastados das realidades, manipulando os media, no contexto de constante e profunda adulteração; ou, com a construção das realidades fictícias mais apropriadas para a dormência ou, a aceitação passiva das multidões de assalariados, precários ou não.

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