Índice
0 – Preâmbulo
1 - Agricultura, floresta e pesca
2 - Indústrias
extrativas, transformadoras, produção e distribuição eletricidade, gás…
3 – Construção
4 - Comércio por grosso, retalho,
transportes, alojamento
5 – Informação
e comunicação
6 – Actividades financeiras e de seguros
7 – Actividades
imobiliárias
8 – Actividades
de consultoria, científicas e técnicas, administrativas e serviços de apoio
9 - Administração Pública,
Defesa, Educação, Atividades de saúde humana e apoio social
10 - Actividades artísticas, de espectáculos,
recreativas e outras de serviços, dos agregados domésticos e de organizações e
entidades extraterritoriais
oooooooooo |||||||| oooooooooo
0 - Preâmbulo
A variação da população dos
países europeus nos 25 anos que terminaram em 2020 revela enormes
desigualdades, reveladoras das diferenças entre os países europeus, mostrando
um quadro de evolução em várias velocidades no que se refere aos níveis de vida
e de bem-estar.
E isso, apesar das loas cantadas sobre a integração regional que, na realidade,
vem mantendo as distâncias entre países mais ricos e menos ricos.
Aliás, o crescimento demográfico médio
anual para a totalidade da UE – um pouco aquém de 0.25% por ano – é revelador
da baixa evolução da globalidade da população e da existência de enormes áreas
com redução acentuada como se observou, recentemente nos
dados para 2010/15 e 2015/20.
O quadro que se segue abrange um
período mais alargado (25 anos) e que permite observar características mais
consolidadas na evolução demográfica. Ali se notam os casos de
regressão populacional, na margem direita do Báltico e nos Balcãs; um muito
baixo aumento da população em alguns países da Europa central como no Sul, com
relevo especial da Alemanha apesar do seu maior volume populacional bem como a sua
maior pujança económica. Em sentido contrário, com fortes crescimentos demográficos,
ressaltam países com baixo volume dos seus efetivos populacionais – Luxemburgo,
Irlanda, Chipre, Islândia e Malta – na sua maioria estados insulares.
O objetivo deste estudo não é o
detalhe da evolução demográfica e do rendimento global dos vários países mas, a
evolução para o mesmo período de 25 anos, das alterações do perfil sectorial do
conjunto e dos seus componentes nacionais. Assim, pode observar-se, no caso dos
países do Leste europeu, a concomitância entre as suas baixas taxas de
crescimento demográfico (e também de regressão demográfica) com os elevados
indicadores da evolução do valor acrescentado, em geral. Daí que se registem,
nesses países, indicadores tendencialmente inscritos em patamares distintos dos
países ocidentais da Europa.
Para a totalidade da UE, observem-se
as diversas dinâmicas sectoriais para o período que vamos considerando
(1995/2020) e em percentagem de crescimento anual médio do valor acrescentado;
|
Total UE
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4.42
|
|
Agricultura, floresta e pesca
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1.47
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Ind. transformadora, extrativa …
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2.99
|
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Construção
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3.53
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Comércio, transportes, alojamento …
|
3.89
|
|
Informação e comunicação
|
8.00
|
|
Activ. financeiras e seguros
|
3.90
|
|
Imobiliário
|
5.98
|
|
Consultadoria…
|
6.75
|
|
Adm. Pública, defesa, saúde, apoio social
|
5.22
|
|
Artes, espetáculos, outras atividades
|
3.58
|
No quadro anterior, observa-se o
menor crescimento da produção agrícola e das indústrias, sabendo-se que a
primeira é pasto para a utilização de fertilizantes e pesticidas – com forte
uso de derivados de combustíveis fósseis - e envenenadores dos solos e da
cadeia alimentar; no caso das indústrias, a produção vem sendo objeto de
importação, mormente da “fábrica” global que é a China. Mas… o importante é o
crescimento do PIB, a valorização das ações, o incremento dos indicadores das
bolsas; aquilo que permite a glória aos grupos institucionais de traficantes de
influências, também designados por classes políticas.
Os casos de maior crescimento são
as mais “modernas” áreas da informação (cujas qualidades no atual momento de
guerra na Ucrânia variam entre o mau e o péssimo); da consultadoria que, muitas
vezes consiste na colocação, em papel timbrado da consultada, do definido pela
gestão da mesma que assim, obtém um aval para o que pretende fazer; o
imobiliário, área nobre da especulação, geradora de “crescimento do PIB”; e
ainda a burocracia estatal, pesada, tendo no topo o gang partidário de serviço,
gestor da corrupção e do compadrio, para além do aparelho militar na versão
“filial do Pentágono” e que, por ordem de Washington, deve corresponder a 2% do
PIB nacional, naturalmente, sob a forma de importação dos EUA.
1 - Agricultura, floresta e
pesca
Uma primeira abordagem setorial
recairá sobre o conjunto da agricultura, floresta e pesca, apresentando neste
caso, como nas abordagens sectoriais subsequentes, a comparação da evolução do
rendimento apresentado para a economia dos países europeus, na sua globalidade.
Sublinham-se as diferenças nas taxas médias anuais de crescimento das economias
da Europa Ocidental e a dos países integrantes do Leste europeu.
Em todos os países europeus o
crescimento da riqueza gerada no conjunto agricultura, floresta e pesca é
inferior ao da economia global para o período 1995/2020; somente no caso da
Eslováquia se nota alguma aproximação entre os ritmos de crescimento, da respetiva
economia global e da sectorial.
Por outro lado, existem quatro
países onde, no período considerado (1995/2020), o conjunto do rendimento
inerente a agricultura, floresta e pesca regride; Malta (-10.4%), Grécia
(-9.4%), Luxemburgo (-7.9%) e Portugal (-3.6%). No caso português a franca
evolução registada em 2021 permite um aumento médio de 6%, face a 1995.
Os países onde a variação anual
média do VAB ultrapassa os 10% anuais são apenas, a Eslováquia e a Estónia, aos
quais se seguem, a Letónia e a Lituânia; todos, portanto incluídos na Europa de
Leste. Entre os restantes, onde predominam os países da Europa Ocidental,
destacam-se dois não membros da UE - Noruega e Islândia, com crescimentos ainda
superiores a 5% - ao contrário dos outros que apresentam indicadores muito mais
baixos e quase sem expressão. No contexto da “velha Europa” o indicador mais
relevante cabe à Espanha.
2 - Indústrias extrativas, transformadoras,
produção e distribuição eletricidade, gás…
Para a UE no seu conjunto e, no contexto das indústria
transformadora e outras, é claro que o seu crescimento se situa aquém da
evolução registada para o total da economia e no contexto da grande maioria dos
países europeus. As excepções são a Irlanda que gerou condições muito
favoráveis à instalação de empresas multinacionais, que as utilizaram para uma
penetração facilitada no conjunto da UE; e ainda, a Bulgária que se situa entre
os países mais pobres da Europa.
Os países com maior crescimento do valor acrescentado, no
período considerado, são também aqueles onde mais se verificaram aumentos
significativos do produto da indústria transformadora. Por outro lado, os
países europeus não integrados na UE - Suíça, Noruega e Islândia – apresentam
também uma evolução mais dinâmica do que os restantes, no capítulo da produção
industrial.
*Ind. Extrativas, transformadoras, prod e distr eletricidade, gás…, trat e
dist. De água, saneamento,
gestão de resíduos e despoluição
Entre
todos os países da UE, integrados antes da dissolução do Comecon, não se
regista um único caso de crescimento do produto industrial acima de 5% por ano.
E, complementarmente, os países mais ricos da UE apresentam, em regra, as mais
baixas taxas de crescimento do produto industrial, acompanhados pela Grécia;
aqueles dão mais relevo a uma especialização em serviços.
3 - Construção
Quanto à construção e, em termos globais, o seu
crescimento situa-se pouco aquém do observado para a economia global da UE,
(3.53% anuais contra 4.4% para o total da economia).
A maioria dos países do Leste europeu apresenta taxas de
crescimento do produto, neste segmento da economia, superiores a 10% anuais;
nos países da Europa Ocidental isso apenas se verifica na Noruega, na Suécia,
na Islândia e no Luxemburgo. Alguns países situados a Leste apresentam mesmo
taxas de crescimento, no sector da construção, bastante elevadas, como a Estónia,
a Letónia e a Lituânia com um crescimento médio acima dos 35%.
Vários países da Europa Ocidental mostram um crescimento
no âmbito da construção, inferior ao verificado para o PIB global. Trata-se de:
Alemanha, Áustria, Chipre, Malta, Espanha, Irlanda, Portugal, Rep. Checa e
Suíça. A Alemanha apresenta o mais baixo indicador (1.4%) enquanto a Grécia
apresenta um decréscimo na ordem dos 1.9%.
4 - Comércio por grosso, retalho,
transportes, alojamento
Este conjunto de negócios mostra um crescimento, para o
período em análise (1995/2020) da ordem dos 3.9% anuais que, como se referiu
atrás é uma das atividades com menor dinamismo; e mesmo, com um valor global
inferior apurado para o total dos setores (4.4%).
Entre os países com maior tempo de permanência na UE só a Holanda,
o Luxemburgo, a Irlanda, para além da Islândia superam neste conjunto de
atividades, uma evolução mais dinâmica – ainda que com valores aproximados.
Pelo contrário, na maioria dos países com integração mais antiga, o crescimento
do conjunto das atividades inseridas nas áreas de comércio, transportes e
alojamento apresenta uma evolução mais comedida do que a globalidade das suas
economias; nomeadamente a Alemanha e a Grécia.
É nos países do Leste, com integração mais recente na UE,
que se registam as situações de crescimento mais elevado nos sectores do
comércio, transportes e alojamento; e muito acima do registado para a média das
respetivas economias globais. O desenvolvimento das transações em geral e do
comércio internacional para aqueles países fazem parte do processo de
integração regional, da maior densidade das trocas, após o maior entrosamento
das economias nacionais no todo
comunitário. Exceptuando, a Irlanda e o Luxemburgo, são poucos os países
com maior tempo de permanência na União e com incrementos anuais médios
superiores a 5% como se observa no gráfico
5 – Informação e comunicação
A informação e a comunicação
tornaram-se sectores de ponta nas últimas décadas, dadas as tecnologias que
massificaram a sua utilização e as tornaram áreas simbióticas. A informação, não
ancorada em canais de comunicação, dificilmente se massificaria, tornando-se
instrumento e prazer apenas para escassas minorias; por outro lado, essa
massificação não garante, longe disso, qualidade e elevação, podendo muitas
vezes constituir apenas formas de captura, manipulação, imbecilização para
milhões de pessoas, tornando-as instrumentos de interesses mediáticos, comerciais
e políticos.
A utilização de dados pessoais,
de modo massivo, permite o seu aproveitamento para a identificação de perfis e
a posterior manipulação de tipologias, com efeitos na aquisição de bens e
serviços, na definição do que é moda/moderno, com a correspondente
estratificação de perfis sociais de onde resulte a manipulação politica ou
comercial.
A facilidade e o baixo preço do
acesso às vias de comunicação permitem a sua utilização como canais de trânsito
de verdadeiro lixo mediático e a captura das consciências em horas infindas no
seu massificado usufruto. As redes onde circula a informação são utilizadas,
demasiadas vezes, para a manipulação das grandes massas de gente, através de
conteúdos sem qualquer laivo que não seja de vacuidade e imbecilidade. Essa
utilização tanto pode abranger um bem ou serviço em busca da valorização da sua
procura pelos consumidores, como pode cingir-se à definição de perfis sociopolíticos
susceptíveis de interessar mais um certo perfil sociopolítico, que permita uma
maior atração a uma específica força partidária.
Apesar das suas vantagens, as
redes sociais também trouxeram algumas desvantagens, devido ao seu distorcido uso,
como atrás se referiu. Apesar do empenho dos moderadores e gestores das redes
sociais, tendo como objetivo o respeito pelas suas normas, muitos utilizadores
usam mal as redes sociais, através de comentários ofensivos, discursos de ódio,
invasão da privacidade, notícias falsas, etc.
Tratando-se de atividades
suportadas em tecnologias relativamente recentes, com custos baixos e elevado
grau de atração pelas populações, a tendência geral é que a sua taxa de
crescimento ultrapasse claramente as observadas para as outras atividades (ver acima
pag. 2). São casos fora desse padrão, a Alemanha, a Grécia e a Espanha onde o baixo
crescimento da economia, das atividades de informação e comunicação são
equiparáveis; o mesmo sucede com uma diferenciação, um pouco mais dilatada, em
países como a Itália, a França e a Áustria.
Nos países do Leste europeu o
crescimento do valor associado às atividades de informação e comunicação
apresenta-se muito elevado (+85% na Roménia para o período 1995/2020); embora a
Irlanda se apresente como o segundo caso de crescimento mais elevado, sem se
integrar naquela área geográfica.
6 – Actividades
financeiras e de seguros
Para o conjunto da UE, a evolução
registada para estas atividades situa-se ligeiramente aquém do observado para a
totalidade da economia europeia. Essa situação é comum e, mostra-se com grande
evidência, na Roménia, na Irlanda, na Eslováquia e, com menos relevo, na
Bulgária, na Áustria, na Alemanha, nos Países Baixos e em Portugal.
As situações de evolução mais
dinâmica das atividades financeiras e de seguros mostram-se claramente em Malta,
Estónia, Lituânia, Letónia, Polónia, Luxemburgo, entre outros. O aumento da
relevância das atividades financeiras comparativamente à restante atividade mostra-se
também nos três países não comunitários incluídos – Islândia, Noruega e Suíça.
Grande parte dos países da UE,
com maior tempo de inclusão na União, mostra situações de relativo equilíbrio
entre a evolução das atividades financeiras e da globalidade das suas economias.
Essas situações contemplam, a Bélgica, a Espanha, a França, a Itália, os Países
Baixos, Portugal, entre outros.
7 – Actividades imobiliárias
Nesta, como em outras atividades, não há quaisquer laivos de homogeneidade
ou integração coletiva no âmbito da UE, sobressaindo uma realidade díspar que
pouco ou nada esclarece; mas que acentua as desigualdades no seio da União, na
sequência de uma lógica de competição no âmbito do mercado, elemento que se
pretende seja o grande regulador da vida dos povos; mormente, aceitando como
naturais, as profundas desigualdades existentes e, como o caminho adequado para
o crescimento do PIB, tomado como o elemento integrador dos “amanhãs que
cantam”. Uns amanhãs miríficos, assentes na precariedade laboral, na pressão
sobre os rendimentos do trabalho, no recurso crescente à imigração barata, resultante
das guerras promovidas pelo “Ocidente”; e, da articulação entre rendimentos pessoais
definidos pela constante necessidade de aumento da carga fiscal, decretada por
classes políticas constituídas por gente sem qualidade.
O imobiliário
constitui o segmento da economia com maior dinamismo no período
considerado, depois dos sectores de informação e comunicação e do conjunto que
inclui, as actividades de
consultoria, científicas, técnicas e, administrativas, bem como, os serviços de
apoio. Em termos gerais, o crescimento das atividades imobiliárias mostra-se
mais elevado do que o verificado para o total das economias.
As situações onde mais se evidencia o crescimento das atividades
imobiliárias, comparativamente à economia global, mostram-se na Europa de Leste
– Letónia, Estónia, Roménia, Rep. Checa, Lituânia, para além da Irlanda.
Curiosamente, as mais parcas situações de relevância do imobiliário
evidenciam-se em países tão afastados, geográfica e economicamente como a
Alemanha e a Bulgária.
Portugal apresenta uma situação de dinamismo imobiliário equiparada a
Malta, Finlândia e Chipre, outras tantas periferias; mas muito aquém do
desempenho espanhol.
8 – Actividades de
consultadoria, científicas e técnicas, administrativas e serviços de apoio
Este conjunto heterogéneo de atividades apresenta-se num segundo lugar quanto
ao maior crescimento anual do valor acrescentado observado no período – 6.75%;
e, só superado pelas atividades de informação e comunicação, que aumentaram 8% anualmente.
Como se vem verificando, o crescimento das economias europeias – incluindo
em alguns países não comunitários – revela-se mais elevado entre os países do
Leste, empenhados em reproduzir as estruturas económicas e sectoriais já
consolidadas antes da integração daqueles países, pelos estados-membros com
maior tempo de permanência na UE. Irlanda e Malta apresentam taxas de
crescimento muito elevadas, mesmo que não tenham sido herdeiros das estruturas
económicas dos países do Leste.
Tomando como referência a totalidade das economias, somente na Suíça, na
Alemanha e na Bulgária, as consultadorias surgem com uma dinâmica pouco
relevante e, até inferior ao crescimento do país respetivo, em geral. Alguns
países apresentam um crescimento da atividade de consultadoria pouco
diferenciada do registado para a totalidade das economias nacionais; são os
casos da Itália, da Grécia ou da França.
9 - Administração
Pública, Defesa, Educação, Atividades de saúde humana e apoio social
Os componentes que se inserem na administração pública são
muito diversos, incluindo, por exemplo, escolas, hospitais e o apoio a
desempregados e pobres, cuja necessidade é inquestionável, a despeito da
introdução de negócios privados, distorcedores, nesses circuitos. Porém, não
devem ser esquecidas as forças militares, perfeitamente inúteis, se se excluir,
sobretudo, a patrulha dos mares e da costa.
A integração portuguesa na NATO exige umas forças armadas
que, por exemplo, poucos anos atrás, incorporaram dois F-16 em missão de
vigília da costa leste do Báltico, não se sabendo de onde viria o “inimigo”. A
inutilidade da NATO é bem evidente quando se sabe que no conflito atual na
Ucrânia, a sua função é canalizar armas (pagas pelos contribuintes dos países
membros), produzidas pela indústria militar dos EUA, a qual representa metade
da produção global de armamento. Mais nebulosa é a existência de empresas
globais, com funções de intervenção militar, com poucos pruridos éticos, mais
ou menos pagas por governos ou, fornecedoras discretas de serviços em qualquer
parte do planeta.
Muitas das atividades incluídas no título constituem
mesclas de serviço público efetivo mas, sobretudo com a introdução parcial de
serviços privados em órgãos públicos; ou mesmo, de segmentos de atividade
formalmente públicos mas atravessados em vários eixos por empresas privadas. A
contratação de serviços privados por entidades públicas é comum e diversificada
e permite situações de favorecimento por parte dos adjudicatários públicos a
empresas que se não esquecerão de untar as mãos dos adjudicantes públicos para
ganharem um concurso. Em geral, a contratação de serviços privados por órgãos
públicos é comum; ou, porque os serviços a adjudicar foram de facto
privatizados; ou porque o esvaziamento das capacidades de órgãos públicos gera
o recurso a entidades privadas (por exemplo, no âmbito da consultadoria).
Na generalidade, o crescimento médio das atividades
incluídas na administração pública é superior ao registado para o total dos
sectores que temos vindo a observar (5.2
contra 4.4%, respetivamente); essa superioridade é particularmente visível nos
casos da Roménia e da Bulgária, para além da Islândia, do Luxemburgo, da Rep.
Checa ou da Croácia. A situação inversa, com o crescimento da administração
pública muito aquém do observado para a globalidade dos sectores de atividade
é, claramente visível nos casos da Alemanha, Eslováquia e Irlanda.
10 - Actividades artísticas, de espectáculos,
recreativas e outras de serviços, dos agregados domésticos e de organizações e
entidades extraterritoriais
Neste variado conjunto, a sua evolução situa-se abaixo da
observada para a maioria dos sectores de atividade no seio da UE mas, como nos
outros conjuntos, apresentando enormes diferenças entre os vários sectores dos
diversos países.
Os países onde as actividades incluídas neste grupo apresentam
uma dinâmica superior aos respetivos valores globais são, essencialmente, países
do Leste, com particular relevo para Malta, Roménia, Eslováquia, Croácia e
Bulgária. Com dinâmicas mais modestas mas ainda com indicadores superiores aos
verificados para a globalidade das respetivas economias, sublinham-se os casos
de Portugal, França Finlândia e Chipre. Inversamente, as atividades aqui consideradas
apresentam uma diferença muito grande face à totalidade das respetivas
economia, com particular relevo para a Irlanda, a Polónia, a Hungria para além
de vários países tomados como os mais ricos da UE, como a Alemanha, a Áustria, a Bélgica, a
Dinamarca, entre outros.
Em geral e, como nas outras realidades
sectoriais, denotam-se muitos casos de
grande diferença nas dinâmicas entre os vários países, sendo particularmente
evidente a diferença entre países mais ricos e mais pobres, países com maior ou
menor tempo de inclusão na União. As diferenciações entre os vários países
revelam a ausência de políticas homogéneas, políticas verdadeiramente comunitárias,
mantendo-se clara a situação entre os países mais ricos, por um lado e, outros
que se mantêm pobres ou menos ricos.
Este e outros textos em:
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