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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA – 10

 

1 - A concorrência entre conferências

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

7 – O domínio do eucaliptal

8 - Múmia falou!

9 - A reunião virtual da NATO foi um espetáculo…

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

 

vvvvvvvvvv ooooo vvvvvvvvvv

1 - A concorrência entre conferências

Um powerpoint que dá pelo nome de Biden (ou Zombiden se preferirem) vai organizar uma Cimeira pela Democracia que reunirá representantes de 110 países e territórios, não sendo fácil descortinar onde haverá democracia a sério.

É fácil ver ali um acto de propaganda made in USA (ou… a mão do Blinken), de isolamento dos rivais Rússia e a China, onde também a democracia não é pujante; e a utilização de um perigoso ambiente global de crispação que justifique a venda de armas através de um artefacto dos tempos da Guerra Fria, chamado NATO. Curiosamente, foi dado lugar na democrática Cimeira a um regime racista e genocida que devemos designar por entidade sionista. Mais profícuo parece ser um Forum de Cooperação China-África, a decorrer no Senegal e, no âmbito do qual os africanos irão receber 1000 M de vacinas, 60% das quais doadas.

O que há no planeta não são democracias mas, “democracias” ancoradas em gangs partidários nacionais, mais ou menos corruptos e, quase todos, repletos de impenitentes mentirosos. Esses gangs decidem entre si quanto lhes cabe no saque do PIB; quanto podem colocar em offshores; a boa vida que podem ter como intermediários de grandes empresas; ou, como membros desses elementos centrais de tráfico chamados escritórios de advogados. Claro, que se não envergonham do não cumprimento de promessas aos povos, enganados, roubados, reprimidos e anestesiados, via écran, por cinco horas diárias de propaganda ou imbecilidades.

Não há democracia em nenhum regime político onde haja uma segregação entre eleitos e eleitores; em que a representação seja indireta, entregue a pessoas escolhidas no seio dos gangs partidários; e, todos inamovíveis por decisão popular, como constitucionalmente conveniente. Para o efeito, convém manter as populações como massas de ignorantes a quem compete trabalhar muito, por pouco dinheiro; e, desde que seja o suficiente para amarrar toda a vida a prestações bancárias para pagar casa e carro, as quais podem ser apropriadas pelos bancos, em caso de incumprimento. NOV/2021

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

O futebol não nos empolga e, menos ainda, nos perturba o sono. Na vida, assistimos ao vivo a um único jogo, de final de taça, no Jamor; e, há muitos anos.

A justiça anda muito empenhada nas trafulhices e vigarices do futebol. Depois do Benfica, foi o Porto e agora o Braga não se sabendo até onde irão, pois os mais pequenos ao venderem passes aos maiores, certamente também embolsarão algum.

Compram-se e vendem-se jogadores, sempre grandes craques, constantemente e, por muitos milhões, merecedores de grande destaque nos pasquins da especialidade; a maioria não chega ao estrelato e, rapidamente são transferidos, emprestados…

Num negócio que envolve tanto dinheiro, perante as ligações mafiosas que se vão sabendo haverá por aí muitos dirigentes limpos nos clubes de maior gabarito? Naqueles que compram e vendem jogadores, constantemente e, por muitos milhões?

Se a justiça acordou para esta área, terá de apresentar resultados concretos e rápidos e não criar mais casos com epílogos para lá das calendas gregas ou repletos de prescrições.    NOV/2021

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

Lembram-se, daqueles submarinos que não serviram para coisa alguma? Houve corruptores condenados e corruptos inocentados. Recordar-se-ão que houve um almirante medido na "estória”?

Lembram-se das espingardas que desapareceram do quartel dos comandos, anos atrás?

Lembram-se que na Força Aérea foi descoberto um conluio que envolveu altas patentes em negócios de abastecimento, há uns cinco anos?

Lembram-se da palhaçada de Tancos, com lotes de armas desaparecidos e reencontradas?

Agora surgiu a estória dos militares garimpeiros que comentámos há dias.

A corrupção em Portugal é endémica; resulta de um situação global de pobreza ou mediania; resulta de um aparelho de justiça que empastela mais do que resolve; resulta de uma legislação convenientemente confusa; resulta da presença de uma população mansa que, por vezes rosna mas, nunca morde.

A corrupção em Portugal é endémica. No tempo do fascismo era branqueada e ocultada. No pós-fascismo diverte a plebe, não sendo difícil encontrar o desabafo "no lugar dele eu faria o mesmo!)          NOV/2021                                

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

Depois de uma vida política sem brilho e repleta de fracassos, ei-lo na ribalta!

Restam-lhe uns quatro anos de palco, de palavras de circunstância, muitos quilómetros para percorrer, entre Seca e Meca, perante pequenas assembleias de basbaques em disputa para a presença numa selfie com a presidencial figura ao centro.

Camões terá dito perante a inclusão de Portugal sob a tutela do rei de Espanha “morro com a pátria!”. Marcelo poderá dizer “Sou presidente de um país que definha”… na sequência da pesca à linha das empresas lusas interessantes, por parte de capitalistas espanhóis.

Poucos ombrearam com Marcelo no débito de palavras de circunstância, durante anos, em cenário televisivo; e, acompanhado com interesse pelos profissionais da venda de livros.

É certo que o seu antecessor era um grunho tartamudo, antipático, distanciado, incapaz de um abraço a quem tivesse perdido a sua casa num incêndio promovido pela habitual incúria dos deveres estatais na gestão da floresta.

Marcelo, encontra-se perante uma classe política desavinda, de papagaios baços e cinzentos, de um empresariato caraterizado pela dependência do favor político e de apresentar um nível de educação inferior ao dos seus subalternos; dos seus desprezados precarizados. E, trata de chamar os chefes do empresariato para ouvir o que têm a dizer, na sequência da recusa da proposta de orçamento, pela maioria dos frequentadores de um antigo mosteiro beneditino. Não é invejável ser prior de uma tão rasca freguesia…

Marcelo, como pai castigador vai chamar os filhotes, um a um, para ouvir as suas queixas e as reivindicações de apoios monetários, legislação permissiva para eles, punitiva para os trabalhadores; tudo num contexto de aplicação das suas qualidades de verboso catedrático.

Parece que começará com uma tal IL, depois com um ventureco, prosseguindo a ocupação de um dia de conversa, até ao final, em frente da barriga do Costa.

Portugal, no inclinado declive da decadência; demográfica, económica e política.      OUT/2021

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

O pobre Rendeiro, que emigrou para parte incerta, continua a evidenciar a putrefação das instituições portuguesas, fintadas e aldrabadas desde 2010.

A justiça portuguesa passados dez anos da falência do BPP permitiu que Rendeiro fugisse com mais de 400 milhões… para uma reforma condigna. E, Rendeiro ainda conseguiu que elementos da sua coleção de arte, em vias de arresto pela chamada Justiça portuguesa fossem vendidos em Londres; por exemplo, três obras de Frank Stella, uma delas por cerca de $ 69000.

Rendeiro deve divertir-se bastante com as instituições da paróquia lusa. Entre a PJ e o tribunal ninguém conseguiu um espaço para guardar as obras expostas no jardim do ex-banqueiro; e, na realidade há 15 obras – à guarda da mulher do Rendeiro - que não terão sido encontradas; e algumas das que sobraram do espólio… terão sido falsificadas. No aldrabar é que está o ganho!

Uma confusão que não deixa de ser trivial com instituições portuguesas

Para animar este outono, prepara-se por aí mais um carnaval eleitoral, orquestrado pelo impagável artista que dá pelo nome de Marcelo                               OUT/2021

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

Saberás que damos mais importância às grandes estruturas político-económicas do que às questões sectoriais, não é verdade? E, por isso, talvez ainda te lembres da PAGAN[1], certo?  Embora não tivesses participado em qualquer ação do grupo…

E aí, nesse novembro de 2010, TODO o sistema político português estava sob escrutínio pois ali, preparava-se um dos raros momentos centrados em algo que ia muito além do que se passava em PT. O mundo iria notar que existia uma paróquia com 10 milhões no sudoeste europeu, pendurada na Espanha.

De facto, não era uma coisa sectorial. A Cimeira da NATO, em 2010, com a presença de Obama tinha de ter sucesso e daí que o governo Sócrates tivesse fechado a fronteira, deixando do lado de fora centenas de ativistas antimilitaristas. Sócrates queria ficar bem na fotografia mas, foi sol de pouca dura; em Abril de 2011 os banqueiros mandaram-no embora.

Internamente, o governo, decidiu aprisionar alguns antimilitaristas no Monsanto enquanto, confinava outros, que desfilavam na Avenida da Liberdade, entoando palavras de ordem anticapitalistas, contra a NATO e o militarismo, cercados por dois cordões policiais fortemente armados. Livre dessa repressão policial circulava a chamada esquerda (PC/BE) ansiosa de voltar às costumeiras procissões típicas da CGTP. Por seu turno, o PS dava mais uma amostra da sua essência reacionária e subserviente.

O antimilitarismo não tem muitos adeptos em Portugal. No lado mais à direita do espetro parlamentar subscreve-se tudo o que provém dos EUA/NATO; mesmo que seja a ocupação da Base das Lajes pelos EUA, já sem a relevância estratégica de outros tempos; ou o envio de dois aviões de guerra para defender um dos países bálticos contra uma investida russa (!). E, do lado dos fãs do trotsko-estalinismo, o tema NATO e o militarismo não são assuntos porque ainda vivem na saudade das glórias dos massacres de Kronstadt e Ucrânia; e, suficientemente desfasados no tempo, pretendendo um serviço militar obrigatório, por muito desajustado que isso hoje, seja.

7 – O domínio do eucaliptal

O desenvolvimento do eucalipto juntou duas questões. A desertificação das áreas rurais em geral, sobretudo de não-minifúndio com o envelhecimento da população e a emigração dos anos 60. Os suecos acharam interessante plantar eucaliptos por aqui, dadas algumas semelhanças climáticas com o sul da Austrália, de onde veio a planta; e criaram empresas de pasta de papel em zonas de litoral, com portos próximos (Figueira da Foz, Aveiro, Viana do Castelo, Setúbal) de onde a pasta saía para as fábricas de papel… na Suécia, onde ficava o grosso do valor acrescentado.

De facto, o eucalipto seca tudo à sua volta e sorve muita água e, não parece que os eucaliptais das empresas de celulose… ardam. Elas cuidam dos seus eucaliptais com rigor.

A questão dos fogos é curiosa. Há uns 15 anos houve fogos devastadores na Galiza, seguindo-se uma nova orgânica de zelo pela floresta e na atuação dos bombeiros. Claro que, em Pt tudo continua muito artesanal, baseado no espírito de sacrifício dos bombeiros, geridos por “associações”, em conjunto controladas por um tal Marta Soares (PSD), há muitos anos.

O negócio das celuloses na parte mais alta da cadeia de valor, nada tem a ver com os fogos cuja responsabilidade cabe aos “jeitosos”, aos ignorantes e aos intermediários no fornecimento do material queimado nos fogos florestais… às celuloses.

Alguns anos atrás, o negócio dos “meios aéreos” no apoio ao combate aos fogos, era controlado pelo PS/PSD, com Dias Loureiro e do seu seguidor António Costa, na Administração Interna; ambos promoveram um outro negócio, o do SIRESP, ligado ao gang BPN, segundo parece.

Os “verdes”, os ecologistas em geral, conhecem bem os aspetos técnicos do negócio mas são politicamente naïves; falta-lhes mapear e compreender o sistema político–económico. Assim, andam de caso em caso e, caem na inocência de procurar “sensibilidade” junto dos governos e da classe política; esta, naturalmente, gosta de retirar dividendos das situações mas, obviamente não quer mudar coisa alguma que possa afetar a sua ligação umbilical ao “pote”. A observação de um dos primeiros grupos ecologistas, na Alemanha, a partir dos anos 70 e, o seu desenvolvimento na área política até hoje, revela os partidos ecologistas como vulgares reacionários.       OUT/21

8 - Múmia falou!

Cavaco escreveu (ou alguém por ele) pois como orador não é famoso, dado o seu toque de tartamudo. E, como é seu timbre, considera-se um sábio, algo que os seus antigos alunos nunca lhe reconheceram. E, como tal, o que dele emana no jornal Expresso é um ódio de quem está fora do mundo; um fogo-fátuo de quem não tem o savoir-faire do seu antecessor, Sampaio.

Cavaco zurze em toda a gente excepto no seu antigo ajudante Passos Coelho, o conhecido e aplicado tradutor das medidas da troika, mainato da perceptora Angela Merkel, que várias vezes o repreendeu. E, claro, não refere as nulidades inseridas na governação Passos, como a Albuquerque ou o Mota Soares.

Portugal não é a Irlanda, sede de multinacionais que ali encontram cargas fiscais muito benévolas, uma população instruída e falante de inglês; nem conseguiu os níveis de escolaridade da Europa de Leste.

Portugal saiu do fascismo com um atraso económico e educacional abissal que, em grande parte ainda hoje é evidente.

Portugal é uma periferia europeia e ibérica que teve o azar de ver o desmoronar do bloco de Leste, quando julgava ficar sozinho na então CEE, como o campeão dos baixos salários.

A herança colonial foi constituída por empresas falidas, nacionalizadas e capitalizadas pelo erário público, numa esperança falhada de reconstituição do tecido económico. Cavaco procedeu às privatizações devolvendo empresas aos antigos magnatas do regime fascista (Melos ou Champalimaud) e a empresas estrangeiras, iniciando o hoje evidente domínio dos capitais espanhóis na economia portuguesa.

Predominam empresários com habilitações inferiores aos seus trabalhadores, coisa única na Europa; mas sempre reclamando por dinheiro público, em trânsito para off-shores, juntamente com o produto da corrupção da classe política; um país pobre com elevada presença de altas cilindradas, algo que espantou os homens da troika, ao chegarem a Portugal.

O reacionarismo de Cavaco é marcado pelo ódio; e isso é o que o faz designar a esquerda do regime em Portugal como extrema-esquerda, quando de facto é constituída por grupos sociais–democratas não assumidos como tal; e, onde os auto-intitulados socialistas ou sociais-democratas são típicos partidos de direita. Daí que tenha surgido recentemente uma direita fascizante, em torno da ventureca figura. Aqui, nota das elevadas ideias da personagem.                    OUT/2021

9 - A  reunião  virtual  da  NATO  foi  um  espetáculo…

O eventual sucessor de Merkel diz que a vitória dos talibans foi o "maior desastre da NATO desde a sua criação".

De facto, na queda de Saigão em 1975 o protagonismo foi todo dos EUA e não dos seus subalternos do governo vietnamita e de outros envolvidos, australianos, sul-coreanos... Os EUA foram derrotados no terreno pelos vietnamitas que vinte anos antes (coincidência no lapso de tempo…) tinham humilhado os generais franceses em Diem Bien Phu.

A NATO não se envolveu no Vietnam. O intervencionismo guerreiro da prestimosa instituição cuja coluna dorsal está no Pentágono estreou-se nos Balcãs facilitando matanças, desuniões, antagonismos, para reproduzir o que há uns cem anos já se chamava “balcanização”. A sua coroa balcânica de glória foi a criação e sustentação financeira de um protetorado chamado Kosovo, localização da base de Boldsteen, por acaso (?), bem no centro da Península; e de integrar os países da área na ditosa NATO.

O brilhante Stoltenberg emendou o alemão acima referido, rematando que "foi o fracasso das autoridades afegãs que levou à tragédia que hoje assistimos". Mais claramente, a culpa do fracasso não foi do procurador Stoltenberg, nem do Pentágono mas de um funcionário afegão da NATO que entornou a sopa. E, claro, que ninguém acuse os mercenários portugueses da NATO de não cumprirem servilmente a ronda do aeroporto de Kabul!

Desta vez, sem o dramatismo de Saigão, o Pentágono ordenou a retirada dos funcionários afegãos que serviam os senhores da NATO e respetivas famílias; como em tempos mais recuados, a criadagem acompanha os senhores.

Aparentemente, não precisam de voar agarrados ao trem de aterragem dos helicópteros. Aliás o funcionário NATO de serviço como presidente do país – um tal Ghani – até teve tempo e a autonomia suficiente para fugir e ser acolhido nos Emiratos Árabes Unidos. Ele saberá bem o que os talibans fariam a tão elevado serventuário da NATO…

Fica uma dúvida. Quem vai continuar o negócio da papoila após a saída dos súbditos do Chewing Gum Kingdom, também conhecido por USA? Qual o impacto do eventual aumento do preço do ópio? Na reunião NATO de sexta-feira isso estará implicitamente na agenda?

Quem ainda tem a mania das grandezas é o tosco e despenteado Boris, rematando que os talibãs "serão julgados pelas suas ações, não pelas suas palavras". Será que a Grã-Bretanha vai voltar a querer controlar o passo de Khiber, num regresso ao século XIX?

AGO/2021

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

Medina sempre se revelou um inepto, uma pileca política; e, sem escrúpulos éticos.

Em junho de 2019, o tosco Medina prestou vassalagem à representação sionista em Portugal, fornecendo dados de ativistas na defesa dos direitos dos palestinianos. E o jornal Haaretz revelou ações da Mossad para referenciar ativistas em Portugal; certamente com o apoio do Medina.

O Medina é um veterano. Também forneceu dados à China sobre dissidentes tibetanos. E agora faz o mesmo quanto a opositores de Putin.

Mas não pensemos que o candidato do PPD – Moedas - é melhor. Como comissário europeu foi responsável pelo financiamento a empresas de armas israelitas na ordem de centenas de milhões de euros (elementos colhidos em comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina).

Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo irreciclável.

Como diria Almada Negreiros – Morte aos Dantas, plim!     (JUN/2021)

 

Este e outros textos em:

​http://grazia-tanta.blogspot.com/                               
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

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[1] PAGAN – Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO (2009/2011) que executou a ções de esclarecimento e mediáticas de chamamento para a participação em protestos contra a NATO e a sua cimeira, realizadas em Lisboa, em 2010.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Marcelino, pan y vino

 Sumário

1 - Os primórdios do artista

2 – A gestação dos democratas de plástico

3 – Cavaco não promoveu Marcelo

4 – Cenas do desempenho mediático de Marcelo

===== !!! =====

1 - Os primórdios do artista

O Marcelino (do filme) foi mordido no seu pé descalço por um escorpião e teve a sorte de um padre lhe ter sugado o sangue que escorria da mordedura, conseguindo, com a evidente graça de Deus que o veneno não tivesse abatido o rapazito. O Marcelo do século XXI nunca seria mordido por um escorpião porque o seu pé só se descalça para mergulhar nas águas dos estoris e, não consta que se tenha picado num peixe-aranha; ou, anos atrás, quando mergulhou nas sujas águas do Tejo, numa tentativa (falhada) para conquistar a câmara de Lisboa (1989), não consta que tenha ficado preso no lodo fedorento.

Marcelo é um artista. Só está bem no palco, na rua, numa zona de incêndios, a dar comida aos sem-abrigo, onde possa estar rodeado de fãs, basbaques ou jornaleiros, atentos às suas palavras de circunstância; ou, nas intriguinhas inventadas para desorientar a concorrência, no seio da tosca classe política da paróquia. Talvez tenha a esperança de acudir às vítimas de um terramoto ou de uma erupção vulcânica. É uma alma de socorrista que não suja as mãos.

É sabido que Marcelo nasceu em berço de ouro, no seio de uma família bem integrada no topo da oligarquia do regime fascista, protegido como um príncipe, tomado como um sucessor real; a família era rica, pertencia às estirpes mais nobres do regime e o pai Baltazar era amigo próximo do chanceler da paróquia, Caetano; e, este como padrinho do jovem, prendou-o com o seu nome próprio, cuja origem significa pequeno guerreiro.

Diz uma testemunha da época que o filho do Baltazar andava na escola (Liceu Passos Manuel, em Lisboa) de camisa verde e calça castanha, com um discreto mas revelador “S” (de Salazar) na fivela do cinto; era a farda da chamada Mocidade Portuguesa, que Salazar fundara como cópia provinciana da Hitlerjugend (Juventude Hitleriana), na gíria conhecida por “bufa”, antro de informadores e delatores do regime, desconsiderada  entre os jovens não simpatizantes do regime fascista.

Marcelo-afilhado não herdou a capacidade de construção jurídica do Marcelo-padrinho; este, enformou peças essenciais do regime fascista, da estrutura do regime, no âmbito do direito constitucional e do direito administrativo; daí que tenha sido o herdeiro do fundador do regime, Salazar. Marcelo-afilhado apenas chegou a Presidente da República, um cargo, mais simbólico do que possuidor de um poder efectivo, destinado a mandarins na procura de uma reforma dourada; e que contribui para o enchimento de uma Constituição, oligárquica, pesada, longa, quiçá ridícula e que mais parece uma sopa de letras.

Longe dessa vida boa numa forja de intelectuais e políticos fascistas e tementes a deus, a vida no Portugal dos anos 60 era uma pasmaceira pobre de onde saíram centenas de milhares de pessoas na procura de dias melhores em terras de França ou da Alemanha;

Ei-los que partem 

Novos e velhos

Buscar a sorte

Noutras paragens

Noutras aragens…                        (Manuel Freire)

e onde (outros) jovens eram conduzidos como carneiros para a guerra colonial, para a defesa da pátria, contra os “terroristas” que, imagine-se o despautério… já não queriam aceitar quase quinhentos anos de tutela portuguesa! O que sobrou dessa ocupação colonial foram terras ricas, com muitos pobres, punhados de oligarcas corruptos e, uma numerosa prole de mulatos de vários tons.

Nesse Portugal, alguns, menos pachorrentos, menos conformados fugiam para a Europa transpirenaica e outros (poucos), eram encarcerados em Caxias ou Peniche. A maioria aceitava, com bonomia e católica resignação, a mobilização para as colónias, pois o pré num país miserável podia constituir um pecúlio essencial para o casamento, no regresso à “Metrópole” “E assim vai Portugal, uns vão bem e outros mal” como na canção do Fausto.

Marcelo, jovem licenciado, entrou em concorrência com António Guterres recolhendo ambos do mentor e confessor, o padre Melícias, os convenientes ensinamentos para carreiras promissoras, no espaço que sobrava entre missas e confissões de pecados.

A vida de Marcelo não corria mal. As sebentas do curso de direito tinham sido lambidas e, aos 22 anos, ele licenciava-se; como o seu concorrente Guterres, sentiam ambos que o poder lhes chegaria no devido tempo. E assim, como siameses, entraram na fundação do jornal Expresso, em 1973, já então um órgão de uma direita moderna, onde se poderiam treinar para futuros quadros do padrinho Caetano, na reorganização do capitalismo de lusa raiz, em parceria com estrangeiros portadores de tecnologia. Tudo isso à sombra da tutelar Inglaterra, acabadinha de entrar na CEE. E, Portugal conseguiu um acordo com a instituição e manter a deriva colonial; uma prova de natação entre duas águas. Porém, toda essa construção que no topo tinha o Marcelo senior ruiu, por duas razões. Primeiro, a reabertura do Suez inviabilizava o projeto de industrialização ancorado na petroquímica e na construção/reparação naval; e, segundo, porque a tropa não se sentia motivada para uma guerra colonial, com a derrota selada, desde o seu início. O esforço já não era compensado pelo pré, sobretudo na Guiné, onde o dispositivo militar luso se estava a afundar.

2 – A gestação dos democratas de plástico

O golpe de 25 de Abril com a concomitante queda do regime fascista apanhou o jovem Marcelo sem idade para surgir como comprometido com o regime. Um dos primeiros actos dos militares no poder – o envio de Caetano e Tomás para o Brasil – foi o sinal de que nunca haveria um julgamento do regime, dos seus homens de proa, ou mesmo da arraia miúda dos pequenos fascistas que rapidamente surgiram de cravo no peito ou se acolheram, com subtileza, na administração pública e em alguns partidos. Na política, os interesses estão sempre acima dos valores. Num país dito de católicos (?), os homens são todos irmãos em Cristo, amen!

Assim, Marcelo foi um dos fundadores do Partido Popular Democrático, em maio de 1974, duas semanas depois da queda do regime fascista. Nele pontificavam os membros da “ala liberal” (com Sá Carneiro à cabeça), antigos cooptados por Caetano no sentido de uma lenta reforma do regime; e que, durante alguns anos, enquanto deputados na Assembleia Nacional tentaram, quais missionários, a conversão democrática da ganga fascista que dominava o areópago, polarizada em torno de um grunho patriarca, o presidente Américo Thomás (assim mesmo, com h!). Guterres, esse aderiu ao PS, então na crista da onda europeia de simpatia para com le petit Portugal.

A guerra colonial e a manutenção das colónias era uma aberração política na época; como colonizador Portugal tinha pouco para oferecer, era o país mais pobre e, de mais baixos níveis educativos da Europa Ocidental (e… continua a ser). O empresariato e a classe política portuguesa quase meio-século depois da descolonização, ainda mantêm essas caraterísticas, numa árdua luta com alguns países balcânicos, na disputa do último lugar da segunda divisão europeia.

Como seria expectável os dois gemelares partidos - PS e PSD - iriam iniciar uma constante luta pelo poder, pelo preenchimento de lugares de topo, com passwords próprias e únicas para o acesso ao pote, com os restantes partidos a acompanhar, como subalternos, o batuque par(a)lamentar; ou, como tenores reivindicativos da felicidade de um povo manso, de grunhos “inconseguidos” para parafrasear uma tal Assunção, que presidiu a AR, ligada ao PSD, anos atrás.

Deputado em 1975, Marcelo foi um dos participantes na elaboração da Constituição[1] – um arrazoado enorme, palavroso, recheado de habilidades para excluir o povo de qualquer decisão, para favorecer a perenidade de uma classe política, uma nova nobreza, definida como uma elite; embora muitos sejam reles nulidades, sobredotadas apenas na capacidade de obedecer e na prática da ocultação de rendimentos.

Marcelo não foi chamado para o (VI) governo com Sá Carneiro na frente e, que se estendeu por todo o ano de 1980 até à morte do primeiro-ministro na queda do avião em que voava, na área de Camarate; nem no governo seguinte, chefiado por Balsemão (VII). Só chegou a ministro e dos burocráticos Assuntos Parlamentares em junho de 1982 e até 1983, também com Balsemão no poder (VIII governo), no que parecia o início de uma vida política auspiciosa. Porém, nunca mais pertenceu a qualquer governo apesar de então ter apenas 35 anos.

Entretanto, Mário Soares coligou-se com o PSD (Mota Pinto) no âmbito do chamado Bloco Central (IX governo) para a gestão de um período economicamente calamitoso para o povo, com Marcelo na oposição, no leque mais direitista do PSD, na companhia de Durão Barroso, Santana Lopes e Miguel Júdice - o grupo designava-se por Ala Nova Esperança - dirigindo o reacionário "Semanário” (1983/87) a par com Proença de Carvalho, todos cotados como advogados ou juristas, conhecidos pelo seu reacionarismo.

O hirto e distanciado Cavaco Silva soubera gerar um mito de competência no governo de Sá Carneiro (o VI, 1980); a morte daquele e a fragilidade política de Balsemão (primeiro–ministro no VII/VIII governos) criaram em Cavaco Silva escassa disposição para arcar com os efeitos da funda crise económica de 1981/83, cujos ónus vieram a recair na coligação PS/PSD, o referido Bloco Central. O mesmo grupo de duros da direita onde Marcelo se inseria, constituiu um núcleo patrocinador da eleição de Cavaco Silva a presidente do PSD, o que veio a acontecer no conhecido congresso da Figueira da Foz, em 1985.

Entretanto, o Bloco Central reduziu os efeitos da crise, beneficiando das ajudas de pré-adesão na então CEE, do significado estrutural da negociação da adesão e, sobretudo, do caudal de dinheiro que viria da Europa comunitária. Porém, passados 35 anos dessa adesão, a classe política portuguesa mostra, à saciedade, as inconveniências da sua incapacidade política e do desbarato de fundos que mantêm o país na cauda dos indicadores económicos, sociais e educativos da Europa; mas, com muitos nomes sonantes da classe política transformados em ricos ”empresários”.

3 – Cavaco não promoveu Marcelo

Cavaco ganhou três eleições seguidas, conseguindo três mandatos como primeiro-ministro no período 1985/95; na primeira (1985), venceu o PS, onde Almeida Santos substituíra Mário Soares como chefe do PS, beneficiando do epifenómeno PRD que tinha um “íman escondido”, o presidente Eanes, representado à luz dos holofotes pela sua mulher, Manuela Eanes, com propósitos governamentais.

Em 1987, Cavaco obtém a maioria absoluta nas eleições contra o seu colega Constâncio, elevado a chefe do PS, com derrotas marcantes do PRD de Eanes e do PCP. A dupla Cavaco/Constâncio logo se harmonizou para a privatização de empresas públicas para reduzir o deficit; porém, mesmo com a entrada de fundos comunitários, a médio prazo, os grandes deficits iriam voltar. O plano dos tecnocratas revelou-se um fracasso, com o patriarca Soares a assistir, benevolente, como residente do Palácio de Belém. Em 1991, perante uma oposição débil e a mansidão da plebe, tradicionalmente embebida em tv, de novo Cavaco consegue maioria absoluta nas eleições, nesta feita tendo Jorge Sampaio como líder do PS e presidente da Cãmara de Lisboa, (1990/95), a ganhar fôlego para voos mais altos.

Em todo o período de Cavaco como primeiro-ministro, Marcelo nunca chegou a ter cargos governamentais, apesar do apoio prévio dado ao inculto mas manhoso economicista, chefe do seu partido. Assim, nas eleições autárquicas de 1990, Marcelo ganhou um lugar na vereação da câmara de Lisboa (1990/93), vendo a presidência da autarquia ficar nas mãos do presidente do PS, Jorge Sampaio. Em termos autárquicos Marcelo especializou-se nas árduas tarefas de presidente de Assembleias Municipais (Cascais, 1979/1982 e Celorico de Basto, 1997-2009) como complemento da atividade de professor da Faculdade de Direito de Lisboa onde, ao que sabemos, teve um desempenho do agrado dos alunos.

Vendo que dentro do partido não lhe atribuíam a notoriedade associada ao seu perfil académico, nem ao pedigree político familiar, Marcelo - que sempre terá gostado de vastas e atentas plateias - tornou-se comentador político. Primeiro, na rádio (TSF, 1993/96), passando em 2000 às televisões onde se veio a especializar num curioso hibridismo entre o comentário político e a promoção da venda de livros; uma atividade que mereceu, num programa humorístico na radio pública, a referência de Marcelo a um formidável álbum com fotos de… caroços de nêspera!

Em 1991, Mário Soares entra no seu segundo mandato como presidente, sem concorrência de qualquer candidato do PSD; isto é, uma forma implícita de união do eleitorado afeto ao bloco central (PS/PSD). Suceder-lhe-á Jorge Sampaio, no período 1996/2006.

Em 1995 Guterres, secretário-geral do PS desde 1992, ganha as eleições (1/10) e o governo, já com Cavaco fora de cena, é substituído por Fernando Nogueira, como presidente do PSD em 1995/96. Nogueira pouco depois, cedeu o seu lugar a Marcelo, a quem caberia como obrigação essencial, a crítica do seu ex-companheiro de sacristia, Guterres; recordemos que ambos haviam sido ouvintes atentos dos conselhos do padre Melícias, perceptor de ambos, uns vinte anos atrás. Guterres será primeiro-ministro durante sete anos (1995/2002) deixando então, de ser secretário-geral do PS, para se dedicar a outras funções, de caráter internacional. Guterres bateu Marcelo com larga margem em notoriedade, não sendo comparáveis as respetivas carreiras políticas. Entretanto, Marcelo, enquanto presidente do PSD (1996/99) viabilizou três orçamentos propostos por Guterres, em minoria na AR; do mesmo modo que promoveu a reconciliação do PSD com o PCP, após vinte anos de relações cortadas.

Nesse período (1997/99), Marcelo foi também deputado europeu e vice-presidente do PPE, depois do seu PSD ter saído da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, para o mais reacionário PPE, ao lado do PSD; em qualquer dos casos, nem com microscópio eletrónico se consegue ver algo de social-democracia no atual PSD.

Marcelo, em 1998, teve a iniciativa de referendar a despenalização do aborto,  a qual só foi aceite num segundo referendo, em 2007. Negando esse direito às mulheres, revelou aí o seu catolicismo ultramontano que suplanta o seu perfil de jurista e de (pretenso) defensor dos direitos individuais; evidenciando, também a sua misoginia.

A zanga com Paulo Portas surgida, em 1999, no âmbito do envolvimento daquele num caso de burla na “Universidade Moderna” terá durado anos; e, inviabilizou a presença de Marcelo numa aliança PSD/CDS que só se viria formalizar entre Durão Barroso e Paulo Portas, em 2002, com o primeiro a mostrar-se pouco exigente face a Portas, tendo em conta o caso dos submarinos; um estranho processo de corrupção em que foram condenados, na Alemanha os corruptores, sem que se tenham apurado corruptos… A habitual estranheza da justiça made in Portugal, recentemente confirmada no caso “Sócrates”…

Guterres que havia perdido as eleições autárquicas em 2001, demite-se, ficando Ferro Rodrigues na liderança do PS (2002/04), que não conseguiu evitar a vitória eleitoral de Durão, que forma governo com o CDS. Na sequência da saída de Durão para a Comissão Europeia (2004), Sampaio recusa-se a nomear Ferro Rodrigues, apontado como envolvido no escândalo Casa Pia e que se demitiu de secretário-geral do PS. Sampaio nomeia um governo PSD/CDS, chefiado por um incapaz, Santana Lopes, herdeiro de Durão mas, acolitado por Portas. Perante a fragilidade política de Ferro e Santana, Sampaio “criou” um José Sócrates que veio a ganhar as eleições de 2005 e, com maioria absoluta, perante um PSD que tinha na liderança o bon vivant Santana.

Marcelo voltaria ao comentário político e à promoção de livros até à sua candidatura a PR em 2016, capitalizando simpatias que lhe permitiram suceder a Cavaco, contra um candidato do PS – Sampaio da Nóvoa – inventado para a contenda. Em 2021, Marcelo aumentou as vantagens para a reeleição, perante a falta de comparência oficial do PS, sem um candidato a que tivesse dado o aval e o rótulo; demonstrando assim, uma aceitação passiva da reeleição de Marcelo, o seu implícito campeão.

4 – Cenas do desempenho mediático de Marcelo

Por outro lado e, sobretudo como professor de direito, Marcelo comete um erro imenso quando, na pele de PR, se mostrou, vergado perante o Papa, num acto formal de beija-mão, de implícita subordinação do estado português - do qual é o “mais alto magistrado”, na gíria formal vigente na paróquia - ao chefe de um estado estrangeiro, o Vaticano. Num país a sério deveria ter sido compelido a demitir-se, depois desse acto, para então poder beijar quantas vezes quisesse o anel ou a mão do Papa, num acto pessoal, como católico. Haverá nele uma nostalgia monárquica, da prática do beija-mão real… 

  

Como indivíduo cultor da formalidade atribuível a um senador do reino, Marcelo surgiu como membro do Conselho de Estado em 2000/01, no tempo de Jorge Sampaio como PR: e, em 2006/2016, como conselheiro de Cavaco Silva prosseguindo, naturalmente, já como PR, a reunir os convivas, depois da sua recente eleição. Recorde-se que esse Conselho é um repositório de chefes dos principais gangs partidários, amalgamados  com as altas estirpes da juizaria, antigos presidentes e, uma ou outra figura de prestígio como, recentemente, António Damásio e a escritora Lídia Jorge.

Marcelo, em 1998, enquanto chefe do PSD, gerou um referendo sobre a regionalização administrativa para formalizar o que toda a classe política pretendia…que não houvesse uma verdadeira regionalização; e que, claro, continua a não existir. É confortável para qualquer governo central, articular-se com municípios e não com entidades eleitas de regiões, um degrau entre o poder central e os municípios. Qualquer classe política incorpora no seu código genético a vontade de controlar e decidir a aplicação dos impostos cobrados à população. O demagogo António Costa veio a chamar regionalização a uma distribuição regional dos poderes do governo central para a colocação de ex-autarcas, burocratas, ou mandarins de segunda linha, no âmbito de responsabilidades que continuam centralizadas. Já anteriormente o governo Passos actuara no mesmo sentido.

Na continuidade da falência do BPN segue-se o enorme aumento do deficit, inserido nas sequelas da falência do Lehman Brothers, de onde resultou a demissão do governo Sócrates por ordem do sistema financeiro, a que se seguiu a intervenção da troika, que exigiu a venda de participações públicas em empresas emblemáticas. Foi um novo surto de vendas de bens públicos como o registado durante o consulado de Cavaco, como primeiro-ministro e, também com o objetivo da redução do deficit; um objetivo sempre falhado, a médio prazo. Com o governo Passos/Portas o programa da troika foi cumprido com fidelidade canina, com custos e sacrifícios enormes da população trabalhadora; a que se seguiu a explosão do BES em 2014 com sequelas que ainda perduram e, perante a subserviência dos governos envolvidos, de Passos ou, de Costa.

Costa só conseguiu formar governo (2015/19) com o suporte da chamada esquerda (BE/PCP) naquilo a que se veio a chamar “geringonça”; e que, conduzindo a ganhos eleitorais do PS, reduziu a relevância da “esquerda” na AR depois das eleições de 2019. É nesse período que Marcelo abandona a recomendação de livros na TV para se candidatar a PR (2016/21), numa serena harmonia com o governo.

Como se tornou habitual, os presidentes da república cumprem os dois mandatos possíveis, de acordo com a Constituição; e, Marcelo não fugiu à regra. Assim, em 2021 surge como grande vencedor, perante a ausência formal do PS que assim, claramente, demonstrou apoiar Marcelo. Uma vez mais, a amálgama PS/PSD, suplantou a concorrência de Ana Gomes que sorveu parte do eleitorado PS e do BE; e da apresentada pelo ventureco que recolheu o apoio de fascistas ou seus próximos, na área do PSD ou do moribundo CDS.

De Gaulle propunha uma dissuasão nuclear a todos os azimutes. Marcelo propõe-se atingir todos os azimutes para a unanimidade do aplauso, mesmo com parca obra feita. Em todas as chancelarias foi evidente o desagrado para com a figura de Bolsonaro e, poucos representantes nacionais estiveram na posse do sacripanta, futuro criador da “gripezinha”. Entre esses poucos, esteve Marcelo. "Foi uma reunião entre irmãos" dizia o DN.

Marcelo esteve presente na oferta de conforto às vítimas dos incêndios, destroçadas pelas suas perdas. Mas, por outro lado, deslocou-se ao Afeganistão para confraternizar com os mercenários ao serviço da NATO de origem portuguesa. E não podia dispensar… a selfie!

Marcelo, ao contrário do seu grunho antecessor presidencial que viajava pouco e falava ainda menos, é um rei do verbo e protagonista da presença mais inesperada para pasmar os paisanos com o seu falar fácil e de circunstância, mesmo sem pompa; gosta de ser vedeta, de se rodear de microfones e câmaras, dando o seu contributo de entertainer para a vacuidade habitual da imprensa e o aplauso dos circunstantes.

Marcelo também gosta de ir a lugares remotos, como um extraterrestre ou uma réplica engravatada da Sra. de Fátima; e encontrar-se com uma trabalhadora, no desempenho das suas tarefas num campo de tomateiros, na zona de Vila Franca de Xira; e. certamente avisado para ter cuidado com os tomates. Não sabemos se a trabalhadora teve direito a ficar em selfie.

Finalmente, a melhor imagem de Marcelo, a imprevisibilidade e a inconstância do vento…

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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Et consumatum est (no rescaldo das eleições de dia 24)

 

Temos o antigo leitor de contracapas por mais uns anos a botar faladuras inúteis sobre coisas irrelevantes, quando não parvas; só para aparecer no écran e ter a audiência suspensa do seu verbo fácil e redondo.

Recordem-se da relação melada que Sócrates tinha com Cavaco na primeira parte do seu desempenho como PR; e que terminou na segunda, com Sócrates a ser despedido, numa reunião de banqueiros na manhã de 6 de abril de 2011.
 
Reconhecemos que MRS não é tão bronco como ACS, (o que o torna mais perigoso para qualquer governo), para mais tão desgastado como está este do Costa, entalado com a gestão do covid. 
 
Em contrapartida, MRS é metediço e gosta de se mostrar como um reizinho numa paróquia de grunhos que rosnam muito e não mordem nada. E que, rotineiramente, lá foram ontem votar, para que nada se altere, nas suas tristes, empobrecidas e confinadas vidas.
 
Enfim, vive-se em Cabo Cadaveral, do outro lado de Cabo Canaveral; onde por acaso as coisas não estão famosas, depois da saída de um bronco e a entrada de um frouxo, já meio esquecido de si próprio.
 

- Síntese de comparações eleitorais (milhares)

Votantes – 4261 (4737 em 2015)  apesar da inclusão dos emigrantes

Marcelo  - 2534     (2410 em 2015)

Area PS (Ana Gomes)  - 541  (Nóvoa e M Belém 1257, em 2015)

Área BE (Marisa) – 165 (469 em 2015)

Área PC (Ferreira) – 180 (183 em 2015)

Votos em candidatos – 4174 milhares (4635 em 2015)

Brancos e nulos – 87 milhares (102 em 2015)

 
O regime pos-fascista mostra-se mais frágil e caricato; o que não significa perda de capacidade repressiva e de saque

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