Resumo
A dívida pública portuguesa tem vindo
a aumentar, tal como o volume dos juros, a despeito da redução do deficit e
isso leva a que se pergunte quais os limites para o desmantelamento dos
serviços públicos e para o aumento das receitas. Esta situação, há muito deixou
de ser um problema financeiro e o afundamento do BES, da empresa de regime PT e
os casos judiciais de corrupção revelam que há um problema político, de regime.
Na UE o panorama é semelhante ainda
que atenuado pela maior pujança económica dos países do Centro; porém, a falta
de democracia, a aceitação do TTIP e o caso LuxLeaks revelam também uma
aproximação dos limites físicos do capitalismo.
A redução dos deficits, mormente em
Portugal, nada tem de virtuoso; baseia-se na redução dos saldos primários
negativos que mais não representam que a expressão da perda de direitos e
cortes em serviços públicos à população. E fazem o deficit quase coincidir com
os crescentes pagamentos de juros, como manda o BCE, a UE e o sistema
financeiro que os guia.
Sumário
1 - O drama caseiro é político
2 - Um plano europeu
3 – Evolução de receitas e despesas
4 - Composição do deficit: o saldo
primário
5 – As taxas de juro implícitas
6 - A mobilização de receitas para pagamento de juros