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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

A precariedade suprema no capitalismo do século XXI

A História decorre em ciclos longos. Depois da precariedade absoluta do século XIX acompanhada pela miséria, pela doença, pelas migrações massivas e a repressão assassina - tão bem expressa em Peterloo - a luta dos trabalhadores foi ganhando maturidade na teoria e na organização.

As duas guerras mundiais geraram movimentações sociais e políticas bem como as lutas anticoloniais; bem como a decadência da Europa, a preponderância global dos EUA. A ausência de radicalidade e a conciliação com as forças do capitalismo, em pleno êxtase neoliberal, coincidiram com o fim dos socialismos como objetivos salvíficos.

Vivem-se tempos em que se chama democracia a uma rotatividade de gangs políticos que parasitam os orçamentos; em que a precariedade no trabalho e na vida campeia perante sindicatos amorfos; em que uma gripe disseminada pelo planeta veio constituir um alicerce para a criação de uma ordem global mais autoritária e rapace; em que o nariz, em permanência, se situa a um palmo de um pequeno instrumento de evasão.

Considerem-se os aspetos técnicos da produção, distribuição e consumo vigentes hoje em dia, completamente inseridos na lógica de um capitalismo globalizado e predador.

Observe-se a massa de trabalhadores, precarizados, mal pagos, manipulados pelos media e, com os velhos direitos integrados no modelo keynesiano, deformados ou já esquecidos. E, devidamente anestesiados por dificuldades várias, para aceitarem resultados eleitorais como potencial alívio nas suas precárias existências.

Outro grande número de pessoas é constituído por um volume enorme de população, de baixos rendimentos na sua grande maioria, como os reformados, os desempregados e outros, fora do enquadramento no trabalho formal.

Essa massificação reproduz-se, no plano político e eleitoral, numa mole imensa da população que fica de fora do pleno exercício dos seus direitos políticos, apenas com o solitário direito de poder votar em grupos de ungidos e, do não direito a qualquer forma de autogestão e decisão efetiva; o direito de representação só é permitido aos quadros dos partidos, cuja qualidade e idoneidade é, bastas vezes, duvidosa.

Hoje, o ambiente empresarial e mediático aponta para a rendabilidade, a competitividade, as horas extraordinárias não pagas; e a aceitação, a incorporação, a submissão à “cultura” da empresa. O mesmo ambiente, incorporando o social, aponta para a precariedade como um incentivo ao empreendedorismo, à empresarialização, ao trabalho como independente. E, para o papel do Estado, das suas estruturas de regulador “neutro”, com a redução da carga fiscal das empresas, com incentivos para a produção, exportação ou redução de custos de produção… Tudo isto, obviamente, no culto demente da competitividade, do crescimento, cujos sacrificados são o ambiente e a Humanidade; com esta, distraída do envelhecimento populacional, da quebra da natalidade, da insalubridade dos meios urbanos que são pasto do sacrossanto automóvel, da mesma maneira que os meios rurais são pasto de produtos químicos com que se pretende incrementar a produtividade.

Pretende-se um empreendedorismo dos empresários, ancorado numa massa de dívida que se recicla, ao mesmo tempo que se acumula incessantemente, com o apoio de fundos públicos e de uma massa fiscal sempre em crescimento. Segundo o FMI, a dívida global será da ordem dos $ 226000 biliões; e que pode atingir cerca de um trilião, com a inclusão dos produtos derivados. Isto é, uma dívida que se multiplica incessantemente, muito para além do razoável, cujo único final terá de ser a sua anulação, no âmbito de um cataclismo financeiro que não deixará incólume nenhum ser humano.

A entrega da resolução da questão da habitação ao “mercado” bem como o abandono do transporte público conduzem a um endividamento prolongado junto do sistema financeiro, por parte da população trabalhadora; um endividamento que contempla um bom negócio para o sistema financeiro. Essa captura, em breve, será substancialmente aumentada com o fim da moeda física e com o controlo total das pessoas pelo sistema financeiro globalizado; o Big Brother somará vários pontos na captura dos seres humanos.

Sublinhe-se o papel tentacular dos Estados como estruturas de controlo social e de reafectação de recursos para benefício dos capitalistas – nacionais ou multinacionais, consoante o grau acumulado de desenvolvimento capitalista. Não esqueçamos que o Estado é o monopolista nacional da aplicação da violência, com os seus militares, os seus polícias, os seus tribunais, as suas prisões.

É nesse mesmo Estado onde atracam as classes políticas, gente sem escrúpulos, verdadeiros vomitórios de mentiras e manipuladores de consciências, potencialmente corruptos e traficantes de influências; e também inclui angélicas figuras que acreditam num Moisés que fez o Mar Vermelho afogar o exército do faraó. Através de leis e despachos, processa-se a canalização do dinheiro da punção fiscal para capitalistas, por troca com a colocação em grupos empresariais, de mandarins habilitados no seu papel de traficantes de influências.

Grupo parlamentar dos venturecos

Perto de uma classe política cirandam jornalistas, que têm de ser próximos do regime para poderem viver da profissão. E, daí que tenham de estar sempre atentos ao que dimana das suas chefias, veículos dos interesses da empresa jornalística a que pertencem e, dos grupos de pressão que se exercem sobre os media. Tudo isso, num sector onde a precariedade é elevada, tal como o dever de não molestar os “interesses”[1].

Na base, em Portugal, está uma população empobrecida, envelhecida, que vende os seus filhos para a emigração, incapaz de se organizar para se libertar de um empresariato sem gabarito, que enriquece com subsídios e favores estatais, no âmbito da intermediação efetuada pelos gangs governamentais e autárquicos, com acesso ao “pote”. Em contrapartida, nos segmentos da economia menos atrativos para a população local, recorre-se em Portugal a mão-de obra importada, africana e brasileira que vive nas zonas urbanas; ou, asiática, semi-escravizada, trabalhando no Sul, na agricultura, em regiões desertificadas e envelhecidas.

A dinâmica demográfica e a diferença nos perfis da instrução em Portugal e Espanha é reveladora da pobreza lusa, do fosso de indigência económica e educativa que separa os dois países[2]… ; e que é, obviamente, muito superior na comparação entre Portugal e a Europa transpirenaica.

Ainda no referente a Portugal, a gestão estatal, entregue a mafias, tem duas facetas. Numa, cabem, por exemplo, as condenações de autarcas de Figueiró dos Vinhos que pretenderam utilizar os fundos destinados às vítimas dos fogos de 2017 para benefício próprio; ou o caso de um tal Vara, ligado ao PS. Se tivessem outro estatuto político estariam presos? Na outra faceta, prisão é o que se não prefigura para um burlão de alto quilate - Ricardo Salgado - que vive, confortável, desde a falência do BES em 2014 e, tudo indica que nunca será preso; deverá estar escudado nas muitas “estórias” que poderá revelar sobre os gangsters dos partidos do “arco da governação”.

O papel das classes políticas, nomeadamente dos partidos do “arco da governação”, é o de gangs concorrentes na captura dos apoios eleitorais que lhes permitam ter acessos mediáticos e financeiros privilegiados e, de colocarem os seus membros em empresas públicas ou, privadas; ou ainda, incluídos nas obscuras sociedades de advogados. Os gangs procuram também enquadrar a população no seu apoio, face à concorrência, oferecendo espetáculos televisivos de wrestling – mesmo que vazios ou imbecilizantes; e assim, angariar posições no aparelho de estado ou, em algumas empresas de maior gabarito.

Nesse caldo de baixa cultura surgem vidinhas do espetáculo e do verbo redondo, como um tal Ventura que passou do comentário futebolístico para führer de um partido fascista, o Chega[3]; uma emanação semelhante ao Vox espanhol, ao AfD alemão, ao Fidez húngaro, ao PiS polaco, à União Nacional de Marine Le Pen, entre outras excrescências.

A pandemia tem sido um elemento aproveitado para o confinamento social da população, para o isolamento, com a utilização das forças policiais e dos media para a geração de medo, insegurança e todos os problemas próprios de um confinamento; um medo proporcional ao alarmismo lançado pelas classes políticas em geral. No caso português (até dia 3/2) haviam sido tocados pelos vírus 2.8 M de pessoas, das quais 23% são ainda casos ativos, 76% estão curados, havendo a lamentar a morte de 0.7% do volume global dos infetados. Por outro lado, os 20000 mortos imputados ao covid-19 nos dois anos da peste correspondem a uma média de uns 10000 anuais; isto é 8% da mortalidade total.

Para além do medo do covid-19, paralisante, há a registar, segundo o economista Eugénio Rosa, aumentos miseráveis das remunerações (0.9%) e das pensões (0.24% a 1%), num país que tem um dos mais baixos níveis de remunerações da Europa; e ainda o desvio para pagamento de despesas com o covid-19, da ordem dos € 624 M de descontos para a Segurança Social dos trabalhadores; um hábito do regime pós-fascista com muitas décadas de prática. Perante estas atuações, não admira que tenha surgido um partido liberal (IL) preenchido por empresários, obviamente pressionantes ansiosos para morder o Orçamento.

Este e outros textos em:

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[1] Quando do referendo da regionalização em Portugal, a maioria da classe política era contrária, tal como acontecia no seio do governo PS (Guterres). Quem escreve estas linhas colaborava num jornal económico já extinto e era adepto da regionalização; e, nesse contexto perguntou ao diretor se podia “bater” no governo e na classe política. A resposta foi lapidar: “sim, sem problemas, tenha apenas em conta alguns empresários…”

[2] Centro e periferias (3) – Portugal, uma periferia ibérica

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2016/06/centro-e-periferias-3-portugal-uma.html

Demografia na Europa – um mundo de desigualdades  (2015-2020)

http://grazia-tanta.blogspot.com/2021/04/demografia-na-europa-um-mundo-de.html

A instrução e o modelo económico para o Sul da Europa (1)

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html

Salários e impostos – sua evolução no século XXI

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/06/salarios-e-impostos-sua-evolucao-no.html

[3] É, sem dúvida, significativo que o regime não tenha excluído o Chega e tenha esquecido as próprias normas constitucionais. A evidente degenerescência do regime

Artº 46 nº 4 - Não são consentidas ... organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.

Artº 160º - 1. Perdem o mandato os Deputados que: ... d) ...ou por participação em organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.

 

domingo, 9 de janeiro de 2022

Eleições em Portugal - O assalto à marmita

 

As leis são teias de aranha pelas quais as grandes moscas passam e as pequenas ficam presas”.

         (Honoré de Balzac)


1.     No dia 30 de janeiro do ano corrente, um conjunto de pessoas, na generalidade de fraca valia cultural, técnica ou ética, apresentam-se para um concurso eleitoral;

2.     Esse conjunto é criteriosamente escolhido através da fieira montada pelos chefes das oligarquias partidárias, sabendo-se que aquelas abrangem, em Portugal, apenas uns 200000 indivíduos (2.2% do eleitorado). A progressão no seio daquelas oligarquias é, em regra, o fruto da habilidade de ser obediente e viver na sombra do chefe;

O eleitorado em Portugal compreendia, em 2019, cerca de 9.3 milhões de pessoas das quais só votaram em grupos partidários, em 2019, uns 4.9 milhões. Entretanto, a CNE aponta para 10821244 eleitores, embora a população total seja referida como de 10310000 pessoas.

3.     As candidaturas – forçosa e constitucionalmente partidarizadas (CRP n.º2 do artº 10º) - englobam listas de indivíduos, a nível distrital. Quem não tiver o apoio de um partido ou melhor, dos seus capos, nunca poderá concorrer. No entanto, cinicamente, a Constituição no seu artº 2º, informa que a República “é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular”.

4.     Foi definido o nível distrital para as eleições para a AR. Logo aí se evidencia uma incoerência pois os distritos deixaram de existir enquanto circunscrições territoriais e administrativas, desde 2013 e, já então, estavam em definhamento profundo. O recurso a estruturas administrativas inexistentes constitui um artifício para manter intocáveis as estruturas regionais dos partidos e os interesses dos seus caciques.

5.     No referido nº 2 do artº 10º consta que são os “partidos políticos que concorrem” para a expressão da vontade popular, o que é uma evidente e reacionária entorse. Tomando os números acima referidos, quem não pertencer a um partido (97.8% do eleitorado) ou, não seja escolhido por uma estrutura partidária, jamais poderá exercer o direito de representação política. Essa realidade ofende o disposto no nº 1 do artº 12º, onde se diz que “Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição”. Trata-se de uma reprodução de uma sociedade de ordens – patrícios e plebeus, nobres e servos da gleba, como na Roma antiga ou na Idade Média, onde uns tinham muitos direitos e poucos deveres e outros poucos direitos e muitos deveres.

A oligárquica Constituição não admite círculos uninominais onde um só deputado, eleito diretamente pela população, seria o seu representante na AR. Só permite a adjudicação da representação política a um grupo e não através de uma escolha individualizada e democrática; essa imposição é como se no supermercado fosse obrigatório comprar um molho de nabos…

6.     Em democracia, a soberania está no povo e é à pluralidade dos elementos do povo que cabe a soberania – e não a órgãos fechados, oligárquicos, volúveis a tráficos de influências e corrupção, como os partidos.

7.     O concurso para o preenchimento dos 230 lugares de deputado entre as várias listas envolve os pesos pesados dos partidos, gente com maior notoriedade. Porém, logo após a eleição, muitos entregam-se também a outras atividades, de maior gabarito político ou profissional ou, são substituídos por indivíduos de menor recorte político, cuja função é a prestação de atenção ao que diz o chefe da claque. Sinteticamente, os eleitores votam num elenco inscrito no boletim de voto; porém, esse elenco é objeto de grandes mudanças e, no final, será constituído por um outro, de figuras partidárias de segunda linha, pardas, de menor quilate cultural e político.

8.     A aceitação da presença na Assembleia da República de deputados fascistas não assumidos é, naturalmente mais uma entorse à Constituição. O nº4 do Artº 46º refere que “não são consentidas … organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”. Benevolamente, o regime parece só considerar fascista… quem tiver uma suástica tatuada na testa… O partido que tem como figura de proa um ente que designamos por ventureco[1] é uma lusa versão do Vox espanhol, da agremiação francesa que alinha atrás da família LePen ou, do alemão AfD, entre outros artefactos.

9.     Existe um pacto de mediocridade entre a imprensa e a classe politica; uma simbiose. A imprensa pretende encher o espaço mediático com baixos custos, socorrendo-se da presença física e do verbo dos mandarins da classe política; e nesta, claro que ninguém enjeita essas ocasiões para promover a imagem individual e do partido. É o que se chama uma simbiose que tem por objetivo manter a massa manipulada, confusa, bombardeada constantemente com as típicas vacuidades emitidas pela classe política.

10.  Portugal carateriza-se pelo mais baixo nível educacional da Europa Ocidental (e… não só); pelos níveis salariais que empurram os mais jovens e qualificados a emigrar em massa; pela existência de um empresariato[2], com qualificações inferiores às dos assalariados mas que adora altas cilindradas, para espanto dos homens da troika quando chegados a Portugal para monitorar um plano de empobrecimento coletivo e de tomada de empresas por capitais estrangeiros, mormente espanhóis, chineses, franceses…

11.  Neste contexto, é necessário romper com a oligarquia partidária de bem instalados e traficantes de influências, com a constituição de um modelo democrático de representação, com base nestes moldes;

•     Todas as pessoas que podem votar, podem também candidatar-se a cargos de representação. Isto é, as candidaturas são individuais e não grupais;

•     Os eleitos são indivíduos - posteriormente integrados em órgãos colegiais como a Assembleia da República, o governo, um órgão regional ou autárquico;

•     A função de presidente da República é protocolar e assumida pelo presidente da Assembleia da República em exercício;

•     Um indivíduo para se candidatar a uma eleição numa circunscrição eleitoral, terá de nela residir há pelo menos dois anos; e não poderá ser eleito para exercer um cargo em mais de dois mandatos seguidos ou, três entre cinco;

•     Qualquer eleito pode ser destituído da sua representação, por referendo, entre os eleitores que participaram na sua eleição;

•     Os membros do governo são escolhidos entre os deputados na Assembleia da República por votação em plenário (um deputado por cerca de 20/25000 eleitores); e, é nesse âmbito que poderão ser demitidos dessas funções, voltando à situação de deputados. O governo tem um número definido de ministros e secretários de estado e uma assessoria centrada na AR e no recurso aos órgãos estatais;

12.  O desapego da população face ao modelo de representação política tem aumentado através do tempo; e, o número total de abstenções, de votos em branco e nulos em eleições legislativas está em vias de igualar ou mesmo ultrapassar o quantitativo dos votos dirigidos a partidos; e, entre estes, a segmentação entre os votos no partido-estado PS/PSD - a ossatura política do regime - os dirigidos para os partidos mais reacionários e os da esquerda do regime como abaixo se pode observar[3]


Há vários anos que vimos estudando o caráter reacionário e excludente do regime pos-fascista e, particularmente no que concerne ao modelo de representação política. Assim,

Nota 1 - Alguns textos sobre as fragilidades estruturais da formação social portuguesa

Os níveis de educação entre os povos da Europa (1ª parte)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/os-niveis-de-educacao-entre-os-povos-da.html

45 anos após o 25 de abril. Que futuro

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/04/45-anos-apos-o-25-de-abril-que-futuro.html

Eleições num regime pós-fascista e empobrecedor

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/10/eleicoes-num-regime-pos-fascista-e.html

Desigualdades na dinâmica demográfica na Península Ibérica (1990-2019)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/07/desigualdades-na-dinamica-demografica.html

Nota 2 - Sobre a Constituição

Para um novo paradigma político; a re-criação da democracia (2012)

http://www.slideshare.net/durgarrai/para-um-novo-paradigma-poltico-a-re-criao-da-democracia

Sobre a democracia. A democracia e a sua usurpação (1a parte) (2012)

http://www.slideshare.net/durgarrai/sobre-a-democracia-a-democracia-e-a-sua-usurpao-1a-parte

Para uma Constituição Democrática com caráter de urgência – 2       

 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/02/para-uma-constituicao-democratica-com.html

Para uma Constituição Democrática com caráter de urgência – 3

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/03/para-uma-constituicao-democratica-com_22.html

A Constituição (CRP) e alguns dos seus princípios oligárquicos

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/07/a-constituicao-crp-e-alguns-dos-seus.html

Sobre a Constituição (CRP) – Uma Assembleia da República democrática

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/08/sobre-constituicao-crp-uma-assembleia.html

Presidente da República – figura dispensável num regime democrático

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2016/01/presidente-da-republica-figura.html

Um modelo democrático para os municípios - 4

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/05/um-modelo-democratico-para-os-municipios.html

Câmaras – Exemplo de gestão neoliberal e anti-social – 1

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/camaras-exemplo-de-gestao-neoliberal-e.html

Câmaras – Exemplo de gestão neoliberal e anti-social – 2

https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/camaras-exemplo-de-gestao-neoliberal-e_26.html

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[1] Esses factos não são tomados em consideração. A classe política não cumpre a Constituição

[2] Costuma dizer-se que o primeiro investimento de um empresário português é um automóvel de alta cilindrada; e, que o investimento seguinte é um outro veículo, de cilindrada inferior para utilização da esposa do dito empresário. 

[3] As semelhanças face aos últimos tempos do regime fascista (1969/74) são evidentes. Havia então um bloco central dos alinhados com Marcelo Caetano; uma ala ultra-reacionária que tinha como figuras de proa Tenreiro e Kaúlza: e, uma ala reformista, com Sá Carneiro, Balsemão e Mota Amaral, entre outros, que vieram a constituir o atual PPD/PSD, depois da mudança do regime em 25 de Abril de 1974.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA – 10

 

1 - A concorrência entre conferências

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

7 – O domínio do eucaliptal

8 - Múmia falou!

9 - A reunião virtual da NATO foi um espetáculo…

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

 

vvvvvvvvvv ooooo vvvvvvvvvv

1 - A concorrência entre conferências

Um powerpoint que dá pelo nome de Biden (ou Zombiden se preferirem) vai organizar uma Cimeira pela Democracia que reunirá representantes de 110 países e territórios, não sendo fácil descortinar onde haverá democracia a sério.

É fácil ver ali um acto de propaganda made in USA (ou… a mão do Blinken), de isolamento dos rivais Rússia e a China, onde também a democracia não é pujante; e a utilização de um perigoso ambiente global de crispação que justifique a venda de armas através de um artefacto dos tempos da Guerra Fria, chamado NATO. Curiosamente, foi dado lugar na democrática Cimeira a um regime racista e genocida que devemos designar por entidade sionista. Mais profícuo parece ser um Forum de Cooperação China-África, a decorrer no Senegal e, no âmbito do qual os africanos irão receber 1000 M de vacinas, 60% das quais doadas.

O que há no planeta não são democracias mas, “democracias” ancoradas em gangs partidários nacionais, mais ou menos corruptos e, quase todos, repletos de impenitentes mentirosos. Esses gangs decidem entre si quanto lhes cabe no saque do PIB; quanto podem colocar em offshores; a boa vida que podem ter como intermediários de grandes empresas; ou, como membros desses elementos centrais de tráfico chamados escritórios de advogados. Claro, que se não envergonham do não cumprimento de promessas aos povos, enganados, roubados, reprimidos e anestesiados, via écran, por cinco horas diárias de propaganda ou imbecilidades.

Não há democracia em nenhum regime político onde haja uma segregação entre eleitos e eleitores; em que a representação seja indireta, entregue a pessoas escolhidas no seio dos gangs partidários; e, todos inamovíveis por decisão popular, como constitucionalmente conveniente. Para o efeito, convém manter as populações como massas de ignorantes a quem compete trabalhar muito, por pouco dinheiro; e, desde que seja o suficiente para amarrar toda a vida a prestações bancárias para pagar casa e carro, as quais podem ser apropriadas pelos bancos, em caso de incumprimento. NOV/2021

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

O futebol não nos empolga e, menos ainda, nos perturba o sono. Na vida, assistimos ao vivo a um único jogo, de final de taça, no Jamor; e, há muitos anos.

A justiça anda muito empenhada nas trafulhices e vigarices do futebol. Depois do Benfica, foi o Porto e agora o Braga não se sabendo até onde irão, pois os mais pequenos ao venderem passes aos maiores, certamente também embolsarão algum.

Compram-se e vendem-se jogadores, sempre grandes craques, constantemente e, por muitos milhões, merecedores de grande destaque nos pasquins da especialidade; a maioria não chega ao estrelato e, rapidamente são transferidos, emprestados…

Num negócio que envolve tanto dinheiro, perante as ligações mafiosas que se vão sabendo haverá por aí muitos dirigentes limpos nos clubes de maior gabarito? Naqueles que compram e vendem jogadores, constantemente e, por muitos milhões?

Se a justiça acordou para esta área, terá de apresentar resultados concretos e rápidos e não criar mais casos com epílogos para lá das calendas gregas ou repletos de prescrições.    NOV/2021

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

Lembram-se, daqueles submarinos que não serviram para coisa alguma? Houve corruptores condenados e corruptos inocentados. Recordar-se-ão que houve um almirante medido na "estória”?

Lembram-se das espingardas que desapareceram do quartel dos comandos, anos atrás?

Lembram-se que na Força Aérea foi descoberto um conluio que envolveu altas patentes em negócios de abastecimento, há uns cinco anos?

Lembram-se da palhaçada de Tancos, com lotes de armas desaparecidos e reencontradas?

Agora surgiu a estória dos militares garimpeiros que comentámos há dias.

A corrupção em Portugal é endémica; resulta de um situação global de pobreza ou mediania; resulta de um aparelho de justiça que empastela mais do que resolve; resulta de uma legislação convenientemente confusa; resulta da presença de uma população mansa que, por vezes rosna mas, nunca morde.

A corrupção em Portugal é endémica. No tempo do fascismo era branqueada e ocultada. No pós-fascismo diverte a plebe, não sendo difícil encontrar o desabafo "no lugar dele eu faria o mesmo!)          NOV/2021                                

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

Depois de uma vida política sem brilho e repleta de fracassos, ei-lo na ribalta!

Restam-lhe uns quatro anos de palco, de palavras de circunstância, muitos quilómetros para percorrer, entre Seca e Meca, perante pequenas assembleias de basbaques em disputa para a presença numa selfie com a presidencial figura ao centro.

Camões terá dito perante a inclusão de Portugal sob a tutela do rei de Espanha “morro com a pátria!”. Marcelo poderá dizer “Sou presidente de um país que definha”… na sequência da pesca à linha das empresas lusas interessantes, por parte de capitalistas espanhóis.

Poucos ombrearam com Marcelo no débito de palavras de circunstância, durante anos, em cenário televisivo; e, acompanhado com interesse pelos profissionais da venda de livros.

É certo que o seu antecessor era um grunho tartamudo, antipático, distanciado, incapaz de um abraço a quem tivesse perdido a sua casa num incêndio promovido pela habitual incúria dos deveres estatais na gestão da floresta.

Marcelo, encontra-se perante uma classe política desavinda, de papagaios baços e cinzentos, de um empresariato caraterizado pela dependência do favor político e de apresentar um nível de educação inferior ao dos seus subalternos; dos seus desprezados precarizados. E, trata de chamar os chefes do empresariato para ouvir o que têm a dizer, na sequência da recusa da proposta de orçamento, pela maioria dos frequentadores de um antigo mosteiro beneditino. Não é invejável ser prior de uma tão rasca freguesia…

Marcelo, como pai castigador vai chamar os filhotes, um a um, para ouvir as suas queixas e as reivindicações de apoios monetários, legislação permissiva para eles, punitiva para os trabalhadores; tudo num contexto de aplicação das suas qualidades de verboso catedrático.

Parece que começará com uma tal IL, depois com um ventureco, prosseguindo a ocupação de um dia de conversa, até ao final, em frente da barriga do Costa.

Portugal, no inclinado declive da decadência; demográfica, económica e política.      OUT/2021

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

O pobre Rendeiro, que emigrou para parte incerta, continua a evidenciar a putrefação das instituições portuguesas, fintadas e aldrabadas desde 2010.

A justiça portuguesa passados dez anos da falência do BPP permitiu que Rendeiro fugisse com mais de 400 milhões… para uma reforma condigna. E, Rendeiro ainda conseguiu que elementos da sua coleção de arte, em vias de arresto pela chamada Justiça portuguesa fossem vendidos em Londres; por exemplo, três obras de Frank Stella, uma delas por cerca de $ 69000.

Rendeiro deve divertir-se bastante com as instituições da paróquia lusa. Entre a PJ e o tribunal ninguém conseguiu um espaço para guardar as obras expostas no jardim do ex-banqueiro; e, na realidade há 15 obras – à guarda da mulher do Rendeiro - que não terão sido encontradas; e algumas das que sobraram do espólio… terão sido falsificadas. No aldrabar é que está o ganho!

Uma confusão que não deixa de ser trivial com instituições portuguesas

Para animar este outono, prepara-se por aí mais um carnaval eleitoral, orquestrado pelo impagável artista que dá pelo nome de Marcelo                               OUT/2021

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

Saberás que damos mais importância às grandes estruturas político-económicas do que às questões sectoriais, não é verdade? E, por isso, talvez ainda te lembres da PAGAN[1], certo?  Embora não tivesses participado em qualquer ação do grupo…

E aí, nesse novembro de 2010, TODO o sistema político português estava sob escrutínio pois ali, preparava-se um dos raros momentos centrados em algo que ia muito além do que se passava em PT. O mundo iria notar que existia uma paróquia com 10 milhões no sudoeste europeu, pendurada na Espanha.

De facto, não era uma coisa sectorial. A Cimeira da NATO, em 2010, com a presença de Obama tinha de ter sucesso e daí que o governo Sócrates tivesse fechado a fronteira, deixando do lado de fora centenas de ativistas antimilitaristas. Sócrates queria ficar bem na fotografia mas, foi sol de pouca dura; em Abril de 2011 os banqueiros mandaram-no embora.

Internamente, o governo, decidiu aprisionar alguns antimilitaristas no Monsanto enquanto, confinava outros, que desfilavam na Avenida da Liberdade, entoando palavras de ordem anticapitalistas, contra a NATO e o militarismo, cercados por dois cordões policiais fortemente armados. Livre dessa repressão policial circulava a chamada esquerda (PC/BE) ansiosa de voltar às costumeiras procissões típicas da CGTP. Por seu turno, o PS dava mais uma amostra da sua essência reacionária e subserviente.

O antimilitarismo não tem muitos adeptos em Portugal. No lado mais à direita do espetro parlamentar subscreve-se tudo o que provém dos EUA/NATO; mesmo que seja a ocupação da Base das Lajes pelos EUA, já sem a relevância estratégica de outros tempos; ou o envio de dois aviões de guerra para defender um dos países bálticos contra uma investida russa (!). E, do lado dos fãs do trotsko-estalinismo, o tema NATO e o militarismo não são assuntos porque ainda vivem na saudade das glórias dos massacres de Kronstadt e Ucrânia; e, suficientemente desfasados no tempo, pretendendo um serviço militar obrigatório, por muito desajustado que isso hoje, seja.

7 – O domínio do eucaliptal

O desenvolvimento do eucalipto juntou duas questões. A desertificação das áreas rurais em geral, sobretudo de não-minifúndio com o envelhecimento da população e a emigração dos anos 60. Os suecos acharam interessante plantar eucaliptos por aqui, dadas algumas semelhanças climáticas com o sul da Austrália, de onde veio a planta; e criaram empresas de pasta de papel em zonas de litoral, com portos próximos (Figueira da Foz, Aveiro, Viana do Castelo, Setúbal) de onde a pasta saía para as fábricas de papel… na Suécia, onde ficava o grosso do valor acrescentado.

De facto, o eucalipto seca tudo à sua volta e sorve muita água e, não parece que os eucaliptais das empresas de celulose… ardam. Elas cuidam dos seus eucaliptais com rigor.

A questão dos fogos é curiosa. Há uns 15 anos houve fogos devastadores na Galiza, seguindo-se uma nova orgânica de zelo pela floresta e na atuação dos bombeiros. Claro que, em Pt tudo continua muito artesanal, baseado no espírito de sacrifício dos bombeiros, geridos por “associações”, em conjunto controladas por um tal Marta Soares (PSD), há muitos anos.

O negócio das celuloses na parte mais alta da cadeia de valor, nada tem a ver com os fogos cuja responsabilidade cabe aos “jeitosos”, aos ignorantes e aos intermediários no fornecimento do material queimado nos fogos florestais… às celuloses.

Alguns anos atrás, o negócio dos “meios aéreos” no apoio ao combate aos fogos, era controlado pelo PS/PSD, com Dias Loureiro e do seu seguidor António Costa, na Administração Interna; ambos promoveram um outro negócio, o do SIRESP, ligado ao gang BPN, segundo parece.

Os “verdes”, os ecologistas em geral, conhecem bem os aspetos técnicos do negócio mas são politicamente naïves; falta-lhes mapear e compreender o sistema político–económico. Assim, andam de caso em caso e, caem na inocência de procurar “sensibilidade” junto dos governos e da classe política; esta, naturalmente, gosta de retirar dividendos das situações mas, obviamente não quer mudar coisa alguma que possa afetar a sua ligação umbilical ao “pote”. A observação de um dos primeiros grupos ecologistas, na Alemanha, a partir dos anos 70 e, o seu desenvolvimento na área política até hoje, revela os partidos ecologistas como vulgares reacionários.       OUT/21

8 - Múmia falou!

Cavaco escreveu (ou alguém por ele) pois como orador não é famoso, dado o seu toque de tartamudo. E, como é seu timbre, considera-se um sábio, algo que os seus antigos alunos nunca lhe reconheceram. E, como tal, o que dele emana no jornal Expresso é um ódio de quem está fora do mundo; um fogo-fátuo de quem não tem o savoir-faire do seu antecessor, Sampaio.

Cavaco zurze em toda a gente excepto no seu antigo ajudante Passos Coelho, o conhecido e aplicado tradutor das medidas da troika, mainato da perceptora Angela Merkel, que várias vezes o repreendeu. E, claro, não refere as nulidades inseridas na governação Passos, como a Albuquerque ou o Mota Soares.

Portugal não é a Irlanda, sede de multinacionais que ali encontram cargas fiscais muito benévolas, uma população instruída e falante de inglês; nem conseguiu os níveis de escolaridade da Europa de Leste.

Portugal saiu do fascismo com um atraso económico e educacional abissal que, em grande parte ainda hoje é evidente.

Portugal é uma periferia europeia e ibérica que teve o azar de ver o desmoronar do bloco de Leste, quando julgava ficar sozinho na então CEE, como o campeão dos baixos salários.

A herança colonial foi constituída por empresas falidas, nacionalizadas e capitalizadas pelo erário público, numa esperança falhada de reconstituição do tecido económico. Cavaco procedeu às privatizações devolvendo empresas aos antigos magnatas do regime fascista (Melos ou Champalimaud) e a empresas estrangeiras, iniciando o hoje evidente domínio dos capitais espanhóis na economia portuguesa.

Predominam empresários com habilitações inferiores aos seus trabalhadores, coisa única na Europa; mas sempre reclamando por dinheiro público, em trânsito para off-shores, juntamente com o produto da corrupção da classe política; um país pobre com elevada presença de altas cilindradas, algo que espantou os homens da troika, ao chegarem a Portugal.

O reacionarismo de Cavaco é marcado pelo ódio; e isso é o que o faz designar a esquerda do regime em Portugal como extrema-esquerda, quando de facto é constituída por grupos sociais–democratas não assumidos como tal; e, onde os auto-intitulados socialistas ou sociais-democratas são típicos partidos de direita. Daí que tenha surgido recentemente uma direita fascizante, em torno da ventureca figura. Aqui, nota das elevadas ideias da personagem.                    OUT/2021

9 - A  reunião  virtual  da  NATO  foi  um  espetáculo…

O eventual sucessor de Merkel diz que a vitória dos talibans foi o "maior desastre da NATO desde a sua criação".

De facto, na queda de Saigão em 1975 o protagonismo foi todo dos EUA e não dos seus subalternos do governo vietnamita e de outros envolvidos, australianos, sul-coreanos... Os EUA foram derrotados no terreno pelos vietnamitas que vinte anos antes (coincidência no lapso de tempo…) tinham humilhado os generais franceses em Diem Bien Phu.

A NATO não se envolveu no Vietnam. O intervencionismo guerreiro da prestimosa instituição cuja coluna dorsal está no Pentágono estreou-se nos Balcãs facilitando matanças, desuniões, antagonismos, para reproduzir o que há uns cem anos já se chamava “balcanização”. A sua coroa balcânica de glória foi a criação e sustentação financeira de um protetorado chamado Kosovo, localização da base de Boldsteen, por acaso (?), bem no centro da Península; e de integrar os países da área na ditosa NATO.

O brilhante Stoltenberg emendou o alemão acima referido, rematando que "foi o fracasso das autoridades afegãs que levou à tragédia que hoje assistimos". Mais claramente, a culpa do fracasso não foi do procurador Stoltenberg, nem do Pentágono mas de um funcionário afegão da NATO que entornou a sopa. E, claro, que ninguém acuse os mercenários portugueses da NATO de não cumprirem servilmente a ronda do aeroporto de Kabul!

Desta vez, sem o dramatismo de Saigão, o Pentágono ordenou a retirada dos funcionários afegãos que serviam os senhores da NATO e respetivas famílias; como em tempos mais recuados, a criadagem acompanha os senhores.

Aparentemente, não precisam de voar agarrados ao trem de aterragem dos helicópteros. Aliás o funcionário NATO de serviço como presidente do país – um tal Ghani – até teve tempo e a autonomia suficiente para fugir e ser acolhido nos Emiratos Árabes Unidos. Ele saberá bem o que os talibans fariam a tão elevado serventuário da NATO…

Fica uma dúvida. Quem vai continuar o negócio da papoila após a saída dos súbditos do Chewing Gum Kingdom, também conhecido por USA? Qual o impacto do eventual aumento do preço do ópio? Na reunião NATO de sexta-feira isso estará implicitamente na agenda?

Quem ainda tem a mania das grandezas é o tosco e despenteado Boris, rematando que os talibãs "serão julgados pelas suas ações, não pelas suas palavras". Será que a Grã-Bretanha vai voltar a querer controlar o passo de Khiber, num regresso ao século XIX?

AGO/2021

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

Medina sempre se revelou um inepto, uma pileca política; e, sem escrúpulos éticos.

Em junho de 2019, o tosco Medina prestou vassalagem à representação sionista em Portugal, fornecendo dados de ativistas na defesa dos direitos dos palestinianos. E o jornal Haaretz revelou ações da Mossad para referenciar ativistas em Portugal; certamente com o apoio do Medina.

O Medina é um veterano. Também forneceu dados à China sobre dissidentes tibetanos. E agora faz o mesmo quanto a opositores de Putin.

Mas não pensemos que o candidato do PPD – Moedas - é melhor. Como comissário europeu foi responsável pelo financiamento a empresas de armas israelitas na ordem de centenas de milhões de euros (elementos colhidos em comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina).

Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo irreciclável.

Como diria Almada Negreiros – Morte aos Dantas, plim!     (JUN/2021)

 

Este e outros textos em:

​http://grazia-tanta.blogspot.com/                               
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

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[1] PAGAN – Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO (2009/2011) que executou a ções de esclarecimento e mediáticas de chamamento para a participação em protestos contra a NATO e a sua cimeira, realizadas em Lisboa, em 2010.