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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Eleições num regime pós-fascista e empobrecedor (1)

Só um regime tolerante com o fascismo e o racismo ignora as suas próprias leis. Diz a Constituição que: … “Não são consentidas… organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista” (artº 46º nº4) … Perdem o mandato, os deputados… por participação em organizações racistas ou, que perfilhem a ideologia fascista” (artº 160º nº 1) … e, no entanto, o Chega e o seu führerzito estão na Assembleia da República ! Sumário 1 – Assiste-se a um jogo de batoteiros e de aprendizes na arte do gamanço 2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento decente 3 – Os vereadores camarários eleitos por fantasmas 4 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista 5 – O falhanço do regime pos-fascista ---------------\\//--------------- 1 – Um jogo de batoteiros e de aprendizes na difícil arte do gamanço Registou-se no passado dia 6 mais um concurso eleitoral para escolha de quem vai colher e utilizar o produto do saque fiscal de que a plebe é vítima. Os artistas participantes na romaria eleitoral têm objectivos muito claros: Alimentar uns milhares de bocas de uns quantos dos seus membros sabendo-se que uns roubam a horta, enquanto outros guardam à porta, num contexto muito solidário; Funcionar como zelosos intermediárias dos interesses do sistema financeiro global, das multinacionais e do capital mafioso, sem esquecer o municiamento do distinto empresariato luso; Manter toscos espetáculos de wrestling televisivo para que não sobre à plebe um tempo de aborrecimento ou de lucidez, durante as ausências de futebol. Também como no futebol, há várias divisões, no referido concurso, com distribuição de taças variadas – umas de prata, outras de lata e as últimas de plástico. Na primeira divisão, estão os participantes do partido-estado, o PS e o PSD, que repartem entre si, há 45 anos a posse da taça, perante a alegria dos adeptos do ganhador do momento e a tristeza dos perdedores que ficam, durante alguns anos a remoer e a preparar a desforra. Mas, enfim, há mar e mar, há ir e voltar; ou melhor, há mentir e roubar e esperar pela vez de roubar e mentir. Felizmente, para aqueles clubes, os adeptos são fiéis e mansos, aceitando com bonomia o local periférico do estádio, tal como aceitam a má qualidade da uma prática desportiva, competitiva, que confundem com democracia. Nesse campeonato, a figura de árbitro é preenchida por uma gravata que tem um papagaio palrador por detrás; e a que os idiotas dedicam respeito e reverência, mesmo que seja apenas uma excrescência monárquica. Mas também há uma segunda divisão! Participam o BE, o PCP (que tem uma equipa B conhecida pelos Verdes, dada a cor da camisola) e ainda um tal CDS que em tempos preenchia um táxi alugado; agora preenche também um táxi mas, desta vez, o motorista também é do clube. Os dois primeiros dizem ser produtivos em jogadas pelo lado esquerdo do recinto mas,na realidade, raras vezes passam do meio-campo. O terceiro, acantona-se no lado direito do campo, muito chegado à linha lateral e sem ultrapassar o centro do terreno. Claro, que ganhar o campeonato da segunda divisão não dá direito à posse da taça (que, note-se tem a configuração do pote das migas); mas gostam de participar e ver a bancada a vibrar e aplaudir. Finalmente, a turbamulta da terceira divisão, cuja composição integral ninguém recorda; é muito variada e só visível uma vez em cada quadriénio – e, quase sempre porque têm o nome nuns papelinhos que a ordeira populaça colocará na urna onde enterram os seus direitos e desperdiçam os seus futuros. O PAN pretende punir os comedores de costeletas de vaca desde que não as substituam por soja transgénica e, portanto, sabotadores de uma redução substancial no CO2; têm um apoio de monta, num lente de miolos desgastados, à beira do Mondego. Uma tal Aliança foi criada por um jogador veterano que nunca brilhou na primeira divisão e demonstra uma evidente falta de visão de jogo; mas que tarda em se dedicar a levar os netos a brincar nos baloiços. Uma tal Chega é uma equipa de puros que, nos estatutos proíbe a contratação de ciganos, africanos ou asiáticos, por excesso de bronzeamento; e entra em campo a cantar o Horst Wessel Lied. Finalmente, uma menção ao quase cinquentenário MRPP e ao eterno lanterna vermelha – MAS - que têm já definido o local onde colocarão a primeira taça que conquistarem; o primeiro, irá colocá-la junto de uma estátua de Lenin, enquanto o segundo preferirá uma de Trotsky. E assim vai Portugal, alguns vão bem e muitos mal, como diz o Fausto Bordalo Dias. 2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento[1] decente Essa incapacidade não é nova. Carateriza o regime pós-fascista e mostra uma diferença face aos seus antepassados do regime fascista. Hoje, o recenseamento eleitoral contabiliza no território 800000 pessoas inexistentes; e ainda acrescentou quase 1.5 milhões de emigrantes de várias gerações que, na sua grande maioria e por óbvias razões, pouco se interessam pelo que se passa em Portugal. No regime fascista, a preponderância do espírito sovina de Salazar, limitava os inscritos a 1784300 pessoas (1969) poupando assim na extensão dos cadernos eleitorais e na impressão de boletins de voto. Em suma, o regime fascista deixava de fora grande parte da população; e o regime pós-fascista inventa população. Para além desta diferença e da existência ou não de pide, o empobrecimento relativo e a corrupção são obra comum aos dois modelos. 3 - Detalhemos o actual recenseamento... A população com mais de 18 anos é da ordem dos 8,5 milhões de pessoas. Porém, a classe política (a parte que elaborou o dito recenseamento e a outra, que a aceitou sem protestos) encontrou 9344 mil potenciais votantes, residentes no território pátrio. Assim, entendemos que a PJ deve investigar onde estão 800000 pessoas residentes; ou, em alternativa, tão meritória função poderá caber à Autoridade Tributária, com vasta experiência em encontrar gente para aplicar impostos, coimas e multas para a devida sucção pelos cleptocratas; Por exemplo, entre outras situações, registamos os casos de Boticas e Montalegre, onde a população adulta corresponde apenas a 74.6% dos inscritos para votar; Inversamente, o tal recenseamento pode deixar de fora uma parte da população existente. São (entre mais de trinta) os casos de Vila do Bispo onde se descortinam 10.8% de potenciais inscritos a prostrarem-se diante da urna… sem a devida inscrição; 10.1% em Alvito ou 9% em Arruda dos Vinhos; O regime pós-fascista prometeu na CRP (artº 291º) substituir os distritos por regiões administrativas; e até organizou um referendo (1998) para enterrar na penumbra essa promessa constitucional. Assim, existem áreas administrativas numa lógica distrital (segurança social de autoridade tributária, por exemplo) e outras por regiões (áreas da saúde e educação); As regiões criadas não são órgãos eleitos, não são autarquias mas, áreas descentralizadas da administração central, ao sabor dos interesses e das habilidades do gang governamental no momento. Passos criou as Comunidades Intermunicipais e as Áreas Metropolitanas para distribuir “convenientemente” os fundos comunitários e encaixar mandarins na gestão da sua aplicação. Costa pretende criar órgãos descentralizados do Estado mas, na dependência do governo. E, cada gang de serviço, tornou frequentes alterações nas designações e na composição geográfica das regiões; certamente, com cada um a repartir o território de acordo com os apetites das clientelas partidárias. 4 – Vereadores camarários eleitos por fantasmas [2] O excesso de inscritos para votar tem na manga mais um truque do regime e da sua classe política. Como é sabido, o número de componentes das vereações camarárias varia consoante o número de eleitores no território de cada autarquia – e pode ir de 5, para as autarquias menos populosas (inferiores a 10000 eleitores) passando por 7 (10/50000), 9 (50/100000); e 11, acima de 100000, com excepção para o Porto que tem 13 vereadores e Lisboa, 17. Ora, havendo registados cerca de 800000 indivíduos inexistentes não será caso raro que esses eleitores fantasmas permitam a eleição de mais dois vereadores além dos devidos. E, assim se inflaciona o número de mandarins, de caciques partidários, um pouco por todo o país. 5 – Listagem aproximativa desses casos de vereadores excedentários, indevidos Calheta (Madeira) tem uma população adulta (> 18 anos) da ordem dos 9200 mas no recenseamento eleitoral (RE) apresenta 12250 eleitores em 2019… embora a população total não ultrapasse 10865 em 2018. Se se mantiver essa inflação de residentes, nas próximas eleições autárquicas, serão eleitos 7 e não 5 vereadores; As situações de municípios com menos de 10000 habitantes maiores de 18 anos e que têm 7 e não 5 vereadores, como seria a norma, são vários – Alijó, Arganil, Melgaço, Mogadouro, Moimenta da Beira, Montalegre, Óbidos, Ponte da Barca, Resende, Sabugal, Santa Comba Dão, Sever do Vouga, Tábua, Vendas Novas, Vila Franca do Campo e Vinhais. Assim se criam 32 lugares de vereador, a repartir pelos gangs partidários, à boleia de um recenseamento enviesado. 6 - Municípios com 10/50000 pessoas com idade acima dos 18 anos • Alguns são considerados como tendo um volume de eleitores acima do número físico de residentes habilitados para votar. São casos em que há 9 vereadores quando o seu número deveria somar aos anteriores, mais um conjunto de 14 vereadores empossados por conta de um recenseamento mal efeito; • O escalão seguinte contempla municípios com mais de 100000 habitantes com idade para votar e que preenchem a vereação, teoricamente com 11 vereadores. Porém há casos em que um recenseamento eleitoral errado coloca neste escalão, municípios que apenas deveriam considerar 9 vereadores, dado que a sua população se situará aquém dos referidos 100000 habitantes com 18 ou mais anos – Barcelos, Funchal e Setúbal. Daí resultam mais 6 cargos supranumerários, com as respetivas mordomias e oportunidades variadas para negócios corruptos, como é típico na generalidade das autarquias; • Ao município do Porto foi atribuído um lote de 13 vereadores, por conta dos seus 210000 inscritos no recenseamento (embora a sua população com mais de 18 anos pouco supere os 180000). Porém, não se sabe bem porquê, Sintra e Vila Nova de Gaia com populações com idade superior a 18 anos, da ordem dos 311000 e 249000 elementos, respetivamente, só têm direito a 11 vereadores, como decorreu das autárquicas de há dois anos. • A classe política, não colocará estas questões por razões de uma solidariedade interna, entre os vários gangs, para a ocultação de truques para empolar o número de mandarins (52) nos elencos autárquicos. A solidariedade no seio do mandarinato, contra a multidão e no saque do pote, é levada muito a sério. • Acrescente-se ainda, que nada justifica, nas leis da paróquia lusa, a inserção de tão elevado número de vereadores, para a satisfação das necessidades coletivas da população. Atualmente, as reuniões camarárias podem constituir locais de disputas partidárias e não órgãos executivos, fiscalizados pelas respetivas assembleias municipais, com capacidades de demissão do executivo: que não têm. As assembleias municipais não passam de areópagos onde se passeiam as estirpes secundárias ou terciárias dos partidos, em disputas oratórias reveladoras da menoridade política e intelectual da maioria dos seus membros. 7 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista Observemos, em primeiro lugar, a evolução dos eleitores inscritos – que, já referimos como sistematicamente inflacionados - com a evolução dos votos dirigidos a partidos ou coligações dos mesmos; e, obviamente dos abstencionistas, de quem anulou o voto ou, o entregou por preencher (em branco) e que, na sequência, serão rateados e acrescentados aos votos dos principais partidos votados, vindo a contribuir também para o cálculo dos subsídios públicos aos partidos. Nota: Em 2019 não incluímos nos inscritos a multidão de emigrantes 8 - O volume dos inscritos cresce rapidamente em perto de três milhões de pessoas nos vinte anos decorridos entre 1975 e 1995; estagna em seguida durante dez anos, para voltar a crescer até 2015 e decrescer no último quadriénio. A despeito desta evolução dos inscritos, os votos dirigidos a partidos atingiram o seu máximo em 1976/1980 (cerca de 5.9 milhões) – período de estado de graça do regime e de crescimento populacional - a que se seguiu um período de relativa estagnação que finda em 1999/2002, quando ocorre uma nítida quebra. A partir de 2005 há uma quebra constante e regular, pouco acima dos 100000 votos em cada concurso até que, no presente ano, o nível dos votos dirigidos a partidos se mostra no mais baixo nível de sempre, abaixo dos cinco milhões, como resultado de uma quebra de 330000 votos no passado dia 6 de outubro. Contrariamente ao que propagam críticos ingénuos do actual regime, o surgimento de novos partidos não acrescenta nada; porque nenhum defende rupturas mas antes, um encaixe confortável no sistema, o direito a uns sorvos do mel que escorre do pote. A excepção, será, eventualmente, a recente a eleição de africanas (embora o CDS tenha há anos um “pele preta, máscara branca”), como forma de dar visibilidade e dignidade aos imigrantes em geral e, de afrontar o racismo larvar existente entre os nativos de Portugal. Como é evidente, a evolução do número de “fantasmas” não tem impacto nas votações partidárias; traz outros parâmetros na manga – a incúria e a incompetência na elaboração do inventário dos eleitores e o seu subtil aproveitamento para garantir mais umas dezenas de vereações autárquicas, como mostrámos atrás. 9 - A variável mais dinâmica no gráfico é claramente a evolução do conjunto “abstenções, votos brancos e nulos”, ainda que afetada artificialmente pelo sobredimensionamento do número de pessoas recenseadas não existentes – acima de 800000 no recente concurso. No regime fascista, o direito de votar era pouco usado por quem não fosse adepto do regime; a maioria da população não votava, nem se dava ao trabalho da inscrição para tal, uma vez que com, ou sem batota, a vitória dos candidatos do regime estava garantida. Em 1969 estavam inscritos 1784300 pessoas, um número que teve um “grande” aumento em 1973, quando se cifrou em cerca de 1.8 milhões. No actual regime pós-fascista, o modelo eleitoral está igualmente preparado para que as eleições sejam ganhas por uma das alas do partido-estado, PS/PSD, bastardo herdeiro da União Nacional, rebatizada como Ação Nacional Popular, por um outro Marcelo, padrinho do actual Marcelo, conhecido frenético leitor de contracapas e emissor compulsivo de vacuidades. E, como gradualmente se vai tornando transparente, votar tornou-se rotina, inutilidade porque de facto, está tudo escolhido, consolidado no âmbito do PS/PSD, para mais devidamente monitorizados no seio dos seus enquadramentos políticos internacionais (o S&D e o PPE); no âmbito económico (UE, Eurogrupo, Comissão Europeia, BCE), no âmbito militar (ambos fervorosos adeptos da NATO). Esquematicamente, a arrumação das tonalidades políticas pode ser comparada - situação pouco antes do 25A e, atualmente: Regime Ala mais à direita, Centro político, Ala menos à direita Fascista (1926/74) Kaúlza, Cazal, Tenreiro… ANP (Caetano) “Ala liberal” (Sá Carneiro, Balsemão…) Pós-fascista (1975/…) CDS/IL/Chega PS/PSD BE/PCP/PAN/Livre Consideramos todas as formações partidárias como reacionárias e, nenhuma com valores de esquerda. Vejamos, entre outros aspetos aqui omissos, o que defendem: • um aparelho totalitário, impositivo e repressivo (Estado), a que todos devem obedecer; • a existência de uma elite, com direitos e mordomias específicas (a classe política), uma réplica da antiga nobreza; • são adversários ferozes e confessos da democracia direta, das decisões tomadas coletivamente, sem chefes ou hierarquias; • o militarismo, a existência de forças armadas e a participação portuguesa nas guerras do Pentágono; • o capitalismo, seja na forma tradicional ou na fórmula de capitalismo de estado; • são contrários à autogestão quer na decisão política, como no trabalho; • na sua maioria, são reacionários quanto a costumes; • todos defendem o crescimento do PIB, como encarnação da acumulação capitalista, acrescentando um “sustentável” para dourar a pílula; • quanto às alterações climáticas apontam os seus perigos, querendo fazer acreditar que a sua superação é possível no âmbito da habitual osmose entre as multinacionais e as classes políticas; • a informação dominada por grupos de media e financeiros, com interesses próprios de caráter económico e de manipulação política; É neste quadro que se garante a estabilidade política, o normal funcionamento das instituições, dos mercados, a simpatia dos investidores, a competitividade do país, bla bla, bla bla… para além do razoável e continuado empobrecimento da plebe. Assim se garante um regime político putrefacto como o anterior (fascista), perante o qual a diferença de ordem política mais relevante, no actual modelo pós-fascista, é a ausência de uma polícia política. O gráfico que se segue mostra a crescente falta de representatividade da classe política no conjunto da população e ainda a estabilidade na sua repartição entre o partido-estado e as suas alas ou franjas, uma mais à direita e outra, menos à direita do putrefacto sistema partidário fautor e zelador das desigualdades; um pântano de emanações sulfurosas, cáusticas e fedorentas. O modelo de representação está longe de ser proporcional e utiliza intensamente o método de Hondt para favorecer o partido-estado PS/PSD. É uma técnica moderna, muito mais avançada do que as manipulações grosseiras usadas durante o regime fascista, acompanhadas de pancadaria e prisões dos opositores. O fascismo é sempre um regime brutal de domínio da plebe. O pós-fascismo domina de forma mais insidiosa, de afastamento, isolamento, castração; reconhece que o controlo biopolítico é mais eficaz do que um regime disciplinar imposto por polícias brutos e broncos. Com o Chega é a chegada de fascistas e racistas à AR, no seguimento do Vox espanhol, da AfD alemã, do UKIP inglês, da Lega do Salvini e da veterana Mme LePen. Talvez, um dia desses desembarque Steve Bannon no aeroporto para industriar o Ventura para uma fusão com o PNR 5 – O falhanço do regime pós-fascista ------------> alguns indicadores que prenunciam a continuidade Dívida pública (€ milhões) Capitação da dívida (€) 2011 - 196231 2011 - 18614 2019 - 249045 2019 - 23996 Encargos dívida públ. Taxa de juros implícita (%) (€ milhões) 2011 - 6271 2011 - 3.62 2019 - 8029 2019 - 3.26 Capitação do PIB (€) Rendim. médio das famílias (€) 2011 - 16710 2011 - 30425 2018 - 19656 2017 - 31391 Ganho médio mensal do trabalho (€) Receita IRS (€ milhões) 2011 - 1084 2011 - 9831 2017 - 1133 2019 - 12905 Variação (+9.4%) Variação (+31%) Imp. Produt. Petrolifer. (€ milhões) Receita IVA (€ milhões) 2011 - 2306 2011 - 13052 2019 - 3643 2019 - 17499 Variação (+58%) Variação (+34%) Remuneração dos empregados, per capita, atendendo ao poder de compra 2004 – UE – € 10621 Portugal - € 8626 --------------------> 12 países estavam em pior situação 2011 – UE – € 12463 Portugal - € 9359 --------------------> 11 países estavam em pior situação 2017 – UE – € 14182 Portugal - € 10213 --------------------> 8 países estavam em pior situação - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Textos sobre eleições: https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/democracia-eleicoes-democraticas-onde.html http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/10/sobrevoando-40-anos-de-eleicoes-em.html http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/08/eleicoes-abstencoes-e-fanatismo.html http://www.slideshare.net/durgarrai/eleies-europeias-2009-limitaes-e-oportunidades (inclui cálculo de fantasmas) Estes e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ http://www.slideshare.net/durgarrai/documents https://pt.scribd.com/uploads [1] Podiam, ao menos, aprender com as técnicas usadas pelo rei Manuel I, em 1527 [2] Em 2009 efetuámos um exercício sobre o assunto, agora atualizado http://www.slideshare.net/durgarrai/um-sistema-eleitoral-falsificado-e-enganador Grazia.Tanta@gmail.com

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Um território empobrecido

 

Um território empobrecido

 

A população de um território é, em regra geral, um conjunto muito diversificado, no tempo e no espaço. A sua distribuição espacial bem como a dinâmica inerente à dimensão da sua população, constituem fatores de exposição dessas assimetrias.

Assim, apresentaremos elementos para a observação dos territórios e dos seus habitantes  para a situação em 2022, comparativamente à de 2011. Assim, observa-se uma regressão demográfica global, entre aqueles dois anos, num total de cerca de 122000 residentes, a menos.

No total de 305 concelhos somente 72 apresentam, no período 2011/22, uma evolução demográfica ascendente, distribuídos pelos vários distritos;

AÇORES – Corvo, Lagoa, Madalena do Pico

AVEIRO – Aveiro, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, S. João da Madeira, Vagos

BEJA – Odemira, Sines

BRAGA – Amares, Braga, Esposende, Vila do Conde, Vila Nova de Famalicão, Vizela

FARO – Albufeira, Aljezur, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo

LEIRIA – Batalha, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Óbidos, Sintra

LISBOA – Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cascais, Lisboa, Loures, Lourinhã, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, V. Franca de Xira

MADEIRA – Santa Cruz

PORTO – Lousada, Maia, Porto, Póvoa de Varzim, Trofa, Valongo, Vila Nova de Gaia

SANTARÉM – Benavente, Santarém, Salvaterra de Magos, Vila Nova da Barquinha

SETÚBAl - Alcochete, Almada, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal

VISEU – Sernancelhe, Viseu, Vouzela

As situações de regressão demográfica inferiores a - 10 %, no período 2011/22 são, maioritariamente, provenientes das áreas do interior; e, acentuando as desigualdades ou a redução da homogeneidade do território, bem como o aumento das distâncias entre zonas mais ricas e zonas mais pobres;

BEJA – Alvito, Barrancos, Cuba, Mértola

BRAGA – Celorico de Basto

BRAGANÇA – Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro

CASTELO BRANCO – Covilhã, Idanha-a-Nova

COIMBRA – Góis

ÉVORA – Alandroal, Borba, Estremoz

FARO– Alcoutim

GUARDA – Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Meda

LEIRIA – Alvaiázere,  Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos

MADEIRA - Machico

PORTALEGRE – Alter do Chão, Arronches, Avis, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão

PORTO – Baião

SANTARÉM – Abrantes, Chamusca, Coruche, Mação

SETÚBAL – Alcácer do Sal

VIANA DO CASTELO - Melgaço

VILA REAL – Alijó, Boticas, Mesão Frio

VISEU – Castro Daire, Cinfães

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

A evolução demográfica em Portugal - 2011/22

 

No período acima referido a população portuguesa reduziu-se em cerca de 122000 pessoas (cerca de 10000 por ano). Isso acontece por ação ou inação da classe política, mormente do gang criminoso PS/PSD; e é devido à fraca capacidade do empresariato em gerar rendimento e promover investimento, perante uma população que sorve esse vazio em cinco horas diárias de imbecilização televisiva.

A incapacidade governativa e a corrupção na classe política são elementos de crónica e tradicional presença em Portugal. Esses elementos não encontram na população, mesmo nos mais jovens, qualquer atitude popular de contestação. Assim, fixou-se uma classe política onde acampam magotes de inúteis papagaios que ocupam os écrans televisivos com palavreado vazio, ornado de imbecilidades. A larga duração do regime pos-fascista vem contribuindo para a vulgarização da evidente pobreza intelectual do povo; algo que não nasceu no regime atual e que se limitou a polir e complementar a herança salazarista.

A referida quebra populacional tem origens antigas que se relacionam com fluxos migratórios dirigidos para a América do Sul, para o binómio EUA/Canadá, para as antigas colónias e para os países da Europa Ocidental; mais recentemente, esses fluxos dirigiram-se também para nações árabes ricas.

As esperanças abortadas com a inclusão de emigrantes na UE e a fixação de comunidades africanas provenientes das antigas colónias ou, do Nepal, introduziram elementos determinantes para a manutenção da tradição de salários baixos em Portugal. A ação criminosa ou a inação da classe política, mormente do PS/PSD, nos últimos cinquenta anos, surge, como anteriormente surgiu, no tempo do regime fascista.

A fraca capacidade do empresariato para promover investimento e gerar rendimento, conjuga-se com uma população que sorve um vazio próximo de cinco horas diárias de imbecilização televisiva. Nesse contexto, a periferização no cenário europeu e no contexto ibérico não se reduz, antes pelo contrário, aumenta[1].

O mapa que se segue ilustra claramente a quebra populacional em Portugal, na maior parte do país, como resultado do envelhecimento da população e a quebra demográfica, determinantes da emigração e de uma muito baixa natalidade. A incapacidade governativa e a corrupção na classe política, são outros elementos que não encontram na população, mesmo nos mais jovens, qualquer atitude de contestação ou, interesse renovador, perante a omnipresença da classe política.

Da observação da situação em 2011 e 2022 sublinhámos a análise da evolução demográfica (o mapa adiante incluído é revelador).

Ø    Nas regiões de fronteira terrestre, a esmagadora maioria do território (e dos municípios) apresenta um decréscimo populacional abaixo de 10%. No restante território fronteiriço há apenas onze concelhos onde a quebra populacional no período referido acima (2011/22) se situou entre 0% e -10%. E, não se regista nenhum caso de evolução demográfica ascendente.

Ø     No litoral entre Esposende e Vagos predominam regiões com crescimento demográfico positivo, inferior a 5%, com Matosinhos e Espinho a apresentar quebra demográfica. Com evolução demográfica mais pujante (> 5%) registam-se os casos de Braga, Aveiro, Murtosa, Albergaria-a-Velha e S. João da Madeira.

Ø    Entre os concelhos mais afastados do litoral e, com aumento demográfico no período são, sobretudo, Penedono, Viseu e Constância.

Ø    Nas regiões insulares há uma grande predominância das situações com decréscimo populacional não inferior a 10%; detetam-se ainda, três situações com maior quebra populacional (< 10%) na Madeira e uma nos Açores. Quanto a crescimento demográfico, registam-se apenas quatro municípios nos Açores e, um na Madeira, como se pode observar no mapa;

Ø    Os concelhos de Leiria, Marinha Grande e Batalha constituem um núcleo específico onde o crescimento populacional se situou entre 0 e 5%;

Ø      A região da Grande Lisboa, incluindo a península de Setúbal, constitui a principal área de crescimento demográfico do país. Em termos práticos, estende-se entre Óbidos e Setúbal, com o Montijo a leste. As áreas de maior crescimento demográfico nesta região observam-se a norte, entre Lourinhã, Mafra e Alenquer; e também a sul, na Península de Setúbal;

Ø    Ainda na área que bordeja a margem norte do Tejo, grosso modo, o crescimento demográfico é claramente inferior ao verificado no conjunto imediatamente a norte; note-se, a excepção Amadora onde se observa uma quebra populacional, no período;

Ø    O mesmo não acontece com a margem sul do Tejo, onde o crescimento demográfico é habitualmente elevado. Nesta última região, contudo, há um concelho com quebra demográfica (Barreiro) e um moderado crescimento que envolve, essencialmente, Almada, Moita e Setúbal.

Ø    No Alentejo, há uma quase total homogeneidade nos dois graus de aferição de quebras demográficas (inferior – 10% e entre 0 e – 10%) com um caráter mais acentuado em toda a área próxima da fronteira, evidenciando-se uma ´corda´ de desertificação que vai de Alcácer do Sal até à fronteira.

Ø    Em todo o Alentejo revelam-se apenas dois concelhos onde a população aumenta no período considerado – Odemira e Sines.

Ø    O Algarve, a seguir à Área Metropolitana de Lisboa é a região onde é mais equilibrada a evolução demográfica. Note-se que as maiores quebras populacionais (Monchique e Alcoutim) se encontram em desertificadas áreas de montanha ou do interior enquanto as reduções menos gravosas quanto à demografia se registam em Olhão, Vila Real de Santo António e Castro Marim.

Ø    A demografia é um espelho da realidade social e económica e espelha a atuação corrente do empresariato e da classe política, como elementos domésticos dominantes, interligados com as interferências vindas do exterior. Quanto à população, a sua função é manter-se mansa, obediente e mal paga.

 

 

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