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terça-feira, 3 de maio de 2022

Um sobrevoo do BideNato

 Sumário

1 - O BideNato em construção

2 - A Europa do futuro

3 - A decadência europeia tem a cara de von der Leyen

       4 - As mudanças geopolíticas das últimas décadas

 

++++++++++ ooooo ++++++++++

 

1   - O BideNato em construção

BideNato é uma designação para a atual matriz euro/norte-americana dirigida a partir da ligação entre a Casa Branca e o Pentágono, com sede europeia em Bruxelas e que, recentemente elegeu a base americana de Ramstadt, na Alemanha, para o devido enquadramento de novos e velhos aderentes à criminosa instituição chamada NATO.

O BideNato é uma área rica mas desigual, com largas manchas de pobreza, envelhecida, ocupada por cerca de 11% da população mundial e que guarda como honrosas relíquias de desempenho, os seus papéis como escravocrata, de rapinante e, protagonista das mais destruidoras guerras que assolaram a Humanidade.

Biden quer aumentar para mais de 50% do total mundial, a sua tradicional e enorme parcela de armas para venda, ainda que os EUA tenham apenas 2.4% da população global. Complementarmente, 97.6% da população global vive sem tal aparato. Recorde-se que Trump (grande rival de Biden em “conhecimento”) já pugnava para que na turma europeia se dedicassem 2% do PIB à compra de armamento… tendencialmente produzido nos EUA, é óbvio[1].

Biden é o nome do atual e diminuto presidente dos EUA. E, NATO, é a designação de uma instituição que tem acoplados uns trinta estados-nação, promotora das guerras convenientes ao complexo dirigente – económico, político e militar - dos EUA; um país tem no seu cadastro a execução de centenas de milhares de pessoas desarmadas, com as suas bombas atómicas, em 1945 e que se não conteve, vinte anos depois, de “polvilhar” a Indochina com o “agente laranja” e venenos afins.

Como estrutura político-militar o BideNato tem generais e, pretende a integração de um estado-nação de formação recente (Ucrânia), onde é patente a pobreza e a crescente presença da barbaridade nazi; a destruição da Ucrânia terá custos imensos que aliciam os capitalistas ocidentais para o investimento, para a compra dos salvados da guerra… quando esta acabar. Qual será o futuro do comediante-oligarca Zelensky e dos seus batalhões de nazis? O que sobrar da atual Ucrânia, subtraída do Donbass e da faixa litoral do mar Negro, ficará próximo do território oriental do antigo ducado polaco-lituano de matriz essencialmente católica.

O que dizer do discurso agressivo e guerreiro de Biden, repleto de epítetos pouco diplomáticos para Putin e, com a afetação de $800 milhões para artilharia pesada destinados "directamente para as linhas da frente da liberdade" no Donbass? E, observar o papel dúplice de Boris Johnson na Índia, afirmando, entre outros desabafos, “Penso a coisa triste de que (a vitória russa) é uma possibilidade realista”? Certamente, a Ucrânia ficará destruída e a Europa, menorizada, ficará inserida num BideNato, onde a proeminência política caberá a um rancho multinacional de medíocres.

2 - A Europa do futuro

A Europa tende a fixar-se como uma península asiática que os EUA querem manter como sua, para evitar o isolamento face à enorme massa continental euro-asiática-africana, onde se situam grandes potências como China, Índia e Rússia. O BideNato é a decadente amálgama euro-americana que o mundo observa com contidos sorrisos de comiseração ou indiferença; o próprio SG da ONU, Guterres, só se levantou do sofá, dois meses depois do início da guerra na Ucrânia.

Em África, na América Latina ou na Ásia, tem dominado o distanciamento face ao conflito na Ucrânia; observa-se, na Europa e na sua suserania (EUA), um mundo de presunçosos e ricos que ainda não perderam os tiques colonialistas, imperiais, militaristas e de superioridade racista, há mais de cem anos tão bem representada pelo rei belga, Leopoldo.

Na encomenda da NATO ao marionette Zelinsky pretendia-se que a Rússia aceitasse a presença daquela instituição guerreira na sua fronteira com a Ucrânia; e, incluindo ainda a continuidade das barbaridades dos pelotões nazis sobre 40% da população da Ucrânia, que se exprime em russo. Uma pretensão perfeitamente irrealista face a uma das três maiores potências mundiais; e, para mais com um arsenal poderoso.

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Os EUA cujas tropas desembarcaram na Europa para lutar contra os nazis durante a II Guerra, passados oitenta anos financiam e apoiam um regime totalitário, com tropas ostentando formas criativas de suásticas e que vitimam a população russófona da Ucrânia, tal como anteriormente haviam vitimado judeus e ciganos.

As cinco maiores empresas de armamento, segundo o SIPRI (Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo), em 2020 e, em mil milhões, são: Lockheed Martin - $58.2; Raytheon – $36.7; Boeing – $32.1; Northrup Grumman – $30.4; General Dynamics – $26.0, todas sediadas nos EUA. Acrescente-se que naquele ano, aos EUA pertenciam 54% das cem maiores empresas de armamento, com vendas num total de $285 mil milhões. Em 2020, os EUA representavam apenas 4.2% da população global e, o grande rival, a China, 18.1% daquele total, com uma faturação de $66.8 mil milhões de armamento, correspondente a 13% do valor global. Para qualquer antimilitarista estes indicadores revelam a paranoia e a demência inerentes a quem ama a guerra, o roubo e a violência; estas taras são inúteis para o bem-estar humano e para a saúde do planeta.

Recorde-se que Trump (grande rival de Biden em matéria de “conhecimento”) já pugnava para que na obediente turma europeia fossem dedicados 2% do PIB para a compra de armamento… tendencialmente produzido nos EUA, como atrás referimos. A produção de armamento dos EUA serve para garantir a rendabilidade da indústria militar, para a monitorização e municiamento de conflitos militares; e ainda, para a vigilância e eventual intervenção em países reticentes na aceitação dos ditames dos EUA, numa continuidade da velha política da canhoneira.

Neste contexto, os EUA mostram-se como um perigo enorme para a Humanidade, como recentemente observámos; para mais porque nessa situação, é muito improvável que o país seja vítima de um ataque militar. Finalmente, os EUA, com as suas mais de 500 instalações militares espalhadas pelo planeta funcionam como um gendarme do planeta e dos seus habitantes[2].

Regularmente, no último século, os EUA surgem envolvidos nos conflitos europeus, numa proporcionalidade que se coaduna com a gradual decadência da Europa; a guerra de 1914/18 e a de 1939/45, foram os trampolins para que o território europeu fosse povoado por bases e instalações militares, mesmo que tenham passado trinta anos após o desmantelamento do Belzebu soviético…

3 - A decadência europeia tem a cara de von der Leyen

Depois de de Gaulle, Adenauer, Willy Brandt, Delors, pouco há a registar na Europa quanto a figuras com algum gabarito político que, atualmente assomam a Macron ou Draghi; no extremo oposto, passou o tempo de imbecis declarados como Berlusconi, Hollande, Rajoy … sem esquecer o tosco Passos, uns anos atrás. Nos EUA as coisas não são muito diferentes; o criminoso guerreiro Obama situa-se, cronologicamente, entre incapazes e ignorantes como G. W. Bush, Trump ou Biden.

Von der Leyen[3]… é um espetáculo de incapacidade! Daí que Charles Michel e Erdogan a tenham marginalizado, meses atrás, quando a deixaram sem cadeira para se sentar… o que não se atreveriam a fazer com Merkel que, provavelmente, numa situação semelhante teria saído, porta fora. Ursula é um louro sorriso no seio de cinzentos e ultra-reacionários confrades, sendo de registar a concorrência desse verdadeiro símbolo da decadência britânica, um tal Boris Johnson.

Assinalemos algumas brilhantes intervenções da Von der Leyen:

 a)   Se não está previsto nos contratos [para compra de energia à Rússia] o pagamento em rublos, é uma violação das nossas sanções" – diz a Ursula von der Leyen

- Claro que não está previsto naqueles contratos, pois são anteriores à guerra e à torrente de sanções; vale-nos a memória da senhora…

- O pagamento em rublos passou a ser exigido depois das sanções – e como resposta a estas. Por definição, ambos os actos são unilaterais, ações de caráter político, ainda que susceptiveis de negociações.

b) "A decisão da Rússia de pedir pagamentos em rublos é unilateral e as empresas que têm contratos [com fornecedores russos] não devem ceder a estas exigências" – diz von der Leyen

- Exigir o pagamento em rublos, no contexto atual é unilateral, verifica-se num contexto de um aceso conflito, não se insere em contrato. E, no âmbito de um conflito militarizado, vigora a unilateralidade, tanto de quem exige o pagamento em rublos, como de quem emite sanções em catadupa para demonstrar que têm alguma eficácia. As notícias sobre o tema envolvem enorme carga política e, muitas ações, não são reveladas devidamente pelas partes envolvidas no conflito.

c) Von der Leyen já questionou a origem da fortuna do Zelensky?

- Segundo a rede Voltaire a fortuna do comediante é avaliada em $ 850 M, para além de dois apartamentos em Londres, registados em Belize, avaliados em $ 5.78 M. Ao que parece… os comediantes são muito bem pagos na pobre Ucrânia!

d) (o pagamento em rublos) “seria uma violação das sanções e um grande risco para as empresas" – diz von der Leyen

Entre contratos e sanções há um mundo de conceitos a considerar. Se as sanções são actos unilaterais, nada impede que os potenciais atingidos procurem encontrar formas de ripostar, de reduzir ou, anular os seus efeitos, de modo unilateral ou mudando os termos do contrato. Os EUA vinham forçando os europeus a pagar as suas compras de gás junto de contas da Gasprom na Europa, onde ficariam… congeladas. Para evitar isso, a Rússia passou a exigir que o preço do gás vendido seja efetuado em qualquer moeda mas, numa conta na Rússia (no Gazprombank) onde, seguidamente será convertido em rublos, quando conveniente.

Por outro lado, há mais mundo para além do BideNato. Este caso não é único, como alternativa de funcionamento fora da intervenção das instituições do capital financeiro ocidental; existem mecanismos alternativos de apoio às trocas comerciais que contemplam o comércio Rússia/Índia (rublo/rupia), o petroyuan saudita que envolve a China, o mecanismo SWIFT entre Irão e Rússia e ainda, o projeto da União Económica China-Eurásia (EAEU) que terá entrado em vigor recentemente; e, certamente, em ligação com a Organização de Cooperação de Xangai que incorpora a China, a Rússia, os países da Ásia Central e, mais recentemente, a Índia, o Irão e o Paquistão.

É difícil para a Europa aceitar que o seu apogeu foi atingido no final da guerra de 1914/18; que o projeto UE como forma de afirmação global se mantém subalterno face aos EUA; e que, num plano comunitário, somente a Alemanha tem um papel relevante no comércio global, o quase único país da UE com um excedente comercial.  

4 - As mudanças geopolíticas das últimas décadas

O sistema financeiro global surgiu gradualmente, a partir de Bretton Woods (1944), na forma de instituições como o Banco Mundial e o FMI; e, ancorou-se na libra e no dólar, completamente dominadas pelos EUA e a Grã-Bretanha, com práticas hegemónicas a nível global. A descolonização, com a maior autonomia dos novos estados-nação, ainda que adulterada pelos corruptos locais (Houphouet-Boigny, Mobutu, dos Santos…) foi-se mostrando, na sua autonomia face ao mundo ocidental e, evidenciando a preponderância da China nas relações com o que se chama “Sul global”.

As derrotas militares ocidentais (NATO/UE) na Indochina e nas colónias portuguesas; o surgimento da China como potência desafiadora da supremacia dos EUA; a redução do papel do dólar nas trocas internacionais, são elementos que criaram um novo ambiente para as relações políticas e económicas no mundo e, cujos desenvolvimentos parecem elevar a China e a Ásia ao mesmo tempo que mostram a decadência do BideNato.

Politicamente, os EUA mostram a sua decadência em vários pontos. Um, foi a forma desastrada como geriram a pandemia, como se pode, sumariamente, ver no quadro seguinte… onde faltam as fotos de três trastes - Trump, Biden e Bolsonaro:

 

As 3 principais vítimas do covid-19 (infetados)

População   (% do total)

Infetados     ( % do total)

EUA

4,3

16,2

India

18,0

8,4

Brasil

2,8

5,9

O retorno da Rússia como grande potência militar (a atual guerra na Ucrânia demonstra-o) surgiu atrasado para evitar o sangrento desmantelamento da Jugoslávia bem como as invasões ocidentais (EUA e seus peões) no Médio Oriente ou, na Líbia, tendo como peão o célebre “Estado Islâmico”… financiado pela Arábia Saudita e que passava os cheques às fornecedoras americanas de armamento destinadas ao dito “Estado Islâmico”.

O acrescido papel da China e da Rússia com a criação da OCX - Organização de Cooperação de Xangai (1996) - travou as intervenções militares dos EUA no Irão ou na Venezuela, como mostra a estupidez[4] vigente no BideNato onde se achou natural a colocação de armamento ofensivo apontado à Rússia, a partir da fronteira ucraniano-russa. Claro que as mortes, as fugas de população, a destruição das infraestruturas da Ucrânia agudizam a pobreza do país; mas, devem ter alegrado os indicadores de gestão das multinacionais da guerra e da morte. Posteriormente, virão os abutres investidores para o oportuno aproveitamento de baixos salários para fazer frente a elevadas necessidades infraestruturais para os povos e de predação para os ricos.

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[1] Recordemos a azia de Macron quando viu ter-lhe sido cancelada a venda de um submarino à Austrália, em benefício do Reino Unido.

[3] Perante os desejos de guerra evidenciados por alguns dos mandarins de UE temos de destacar a von der Leyen cuja incapacidade política se coaduna com a falta de memória. A UE recebeu o Nobel da Paz em 2012, mesmo depois das barbaridades cometidas nos Balcãs, no Médio Oriente e na Líbia.

[4] Seria um lapso imperdoável não referir a incapacidade e a subserviência de um tal Stoltenberg, gauleiter da preciosa NATO

terça-feira, 22 de março de 2022

A NATO na senda de Hitler – Drang nach Osten

A actual fascização dos poderes, brota, sob formas descuidadas e enganosas, de uma “informação” que se propaga, com superficialidades ou mentiras e, aceites por gente acéfala, com vidas precárias, desatentos manipulados pela grande maioria dos media que, na sua grande maioria, são infectas lixeiras. Ninguém se deverá admirar se a escalada militar conduzir a uma guerra devastadora na Europa, tomada como arena de treino do Pentágono.

As nossas famílias, as nossas casas, os nossos meios de subsistência estão em risco; e, os cemitérios podem vir a tornar-se… investimentos muito rentáveis.

Sumário

1 - Os antecedentes. Da engorda da NATO ao covid-19

2 - Sobre a Ucrânia e o negócio do armamento

3 – O militarismo é um perigo para a Humanidade

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1 - Os antecedentes. Da engorda da NATO ao covid-19

Há um século a imperial Inglaterra ainda dominava os mares com a sobranceria de grande potência e, como a dona racista de um império colonial onde o sol estava sempre tão presente como a vergasta nas costas dos colonizados; beneficiando da derrota da Alemanha na Guerra de 1914/18 e das fragilidades da Rússia, saída daquela guerra arrasada pela fome e pela guerra civil.

Mais tarde, a mesma Inglaterra aguentou-se perante os ímpetos de Hitler depois da ocupação nazi da França e da fascização de quase toda a Europa, a que escaparam como neutrais, apenas a Irlanda, a Suécia e a Suíça; esta como essencial plataforma financeira e de encontros secretos entre os grandes capitalistas. Ficaram também de fora os regimes clericais-fascistas da Península Ibérica, onde Portugal mantinha a sua dependência face à Inglaterra mas vendendo volfrâmio aos dois lados da guerra e, uma Espanha fascista que, exausta, depois da guerra civil se colocou, cautelarmente, de fora da guerra europeia mesmo que tivesse arquitetado planos com a Alemanha para ocupar Portugal, no sentido de eliminar a possibilidade de ali acontecer um desembarque inglês.

É claro que a Inglaterra teria soçobrado se não existisse um apoio constante dos EUA. E estes, aproveitaram a guerra na Europa e no Oriente para sair da recessão dos anos 30, sem qualquer belisco provocado pelos inimigos, no seu próprio território (para além de Pearl Harbour); só se poderia queixar da sua tara neoliberal. Por outro lado, Hitler viu-se obrigado a invadir a URSS para atingir as reservas petrolíferas do Cáucaso e as terras negras da Ucrânia, para ter combustíveis e cereais, abrindo uma outra frente de guerra; o que lhe foi fatal.

A segmentação da Europa entre o Leste e o Oeste depois da II Guerra facilitou a continuidade da presença de tropas e bases militares dos EUA na Europa Ocidental, tendo como argumento a defesa face a uma eventual investida da URSS que, entretanto havia ocupado a Europa Oriental. Do ponto de vista ideológico confrontavam-se dois modelos; um, pluripartidário, que compreendia o domínio do capital privado, engordado por um forte sector público; e outro, com predomínio de empresas públicas e de um partido único (mesmo que formalmente uma coligação, como na Alemanha de Leste). É evidente o predomínio da acumulação de capital em ambos os modelos, com a subalternidade de fórmulas efetivamente democráticas de decisão; num, uma classe política surgia como representante dos capitalistas privados e, no outro, a classe política acumulava funções políticas com a gestão económica.


Com a guerra na Ucrânia e a barragem mediática sobre o tema, o covid parecia ter ficado arrumado para um canto. Porém, como a guerra estará para durar, na paróquia lusa, a histeria em torno do covid começou a ceder perante um retorno aos tempos da histeria anticomunista; mesmo que o dito comunismo paire em lugar ignoto, pouco além dos livros de História. Brilham nessa histeria o ausente Biden, o imbecil Boris e, toda a caterva dos gerentes dos países europeus.

Na paróquia portuguesa, uma vez mais, brilha o fabuloso ministro Augustus SS, sempre atento para traduzir as sábias palavras do Stoltenberg; este que, por seu turno, irá reportar a um homem de enorme acuidade política… um tal Biden. Enfim, uma hierarquia de luxo.

Para aumentar a diversidade, chegaram aos vossos ouvidos mais umas presidenciais vacuidades, como a colocação, em Lisboa, de uma placa de uns 20cm, num banco de jardim, inserida na visita do presidente esloveno; um evento revelador da vacuidade reinante na Europa e não só na paróquia lusa.

2 - Sobre a Ucrânia e o negócio do armamento

A idiotia que carateriza a classe política portuguesa, bem como os media, distorce totalmente a questão da Ucrânia. Mas ficou longe do auge da imbecilidade atingido quando a famosa CNN anuncia um porta-aviões chinês a sobrevoar Taiwan.

A guerra na Ucrânia estará para durar e, na paróquia lusa parece ter-se regressado aos tempos da guerra colonial, com o grosso dos escribas e dos comentadores televisivos a encontrar nos russos a encarnação do Mal; tal como, antigamente, em Fátima se orava pela conversão da Rússia. Cinquenta anos atrás, também os russos eram apontados pela sua malvadez de apoiarem os “terroristas” - tomados por agentes de Lúcifer - empenhados em combater a civilização, o progresso, o amor à lusa pátria por parte dos africanos; estes, obviamente, comovidos e orgulhosos perante o flutuar da feia[1] bandeira portuguesa. Naquele tempo, a defesa da pátria e da civilização ocidental e cristã era desempenhada na tv por indivíduos tão repelentes como Dutra Faria, Barradas de Oliveira e João Coito, empedernidos fascistas; hoje, muitos plumitivos replicam uma atitude semelhante. Falta de isenção, por troca por um prato de lentilhas.

Na Europa em geral e em Portugal em particular, por osmose e, na sequência dos interesses da imprensa, dominada por grupos político-financeiros, todos se tornaram, hoje, russófobos tal como no tempo do fascismo se referiam aos "comunistas".

Apela-se à integração da Ucrânia na UE quando a questão que se coloca é a da integração daquele país na NATO, na órbita dos EUA. Os EUA querem vender armas na Europa e, criar um dispositivo militar junto da fronteira ucraniana com a Rússia, para garantir o negócio. Recorde-se que em 1962, os soviéticos colocaram mísseis em Cuba e a guerra global poderia ter ocorrido se Kruschev não tivesse recuado; tudo indica que desta vez o recuo caberá aos EUA e à sua NATO, mesmo que a Ucrânia fique arrasada.

Estrategicamente, a dependência da UE face à Rússia é muito elevada e vai para além do abastecimento de energias fósseis, níquel e cereais, etc. Tomando a Alemanha, como exemplo do que se passa na Europa, as importações dos EUA em 2021 foram irrelevantes (85 M de euros), quando comparadas com as do principal fornecedor europeu, a China (167 M de euros), num total geral de 1172 M de euros. Para vender, os EUA só têm armas e “Hollywood”.

No caso da China, as exportações deste país para os EUA em 2020 são 3.3 vezes superiores às importações; e, no caso das exportações dos EUA para a China, no mesmo ano, aquelas não absorviam mais do que 6.6% das importações chinesas; o que em termos meramente económicos significa a situação insustentável de um deficit comercial de 317 M de euros. Por outro lado, em 2021, a China – o principal fornecedor dos EUA – representava 18.4% do total enquanto a mesma China somente absorvia 8.6% das exportações norte-americanas, ocupando um terceiro lugar, a seguir ao Canadá e ao México.

Esses desequilíbrios aumentarão com o desenvolvimento das Rotas da Seda - obrigatoriamente a passar pela Rússia – uma vez que a ligação marítima China/Europa é muito mais demorada e cara. E há que contar com desenvolvimentos na ligação Extremo Oriente/Europa através do Ártico.

A Europa tornou-se uma semicolónia dos EUA, sendo estes que decidem o armamento a comprar às Lockheed-Martin, Raytheon, Boeing, Northrup e General Dynamics; e que decidem – em nome dos sagrados interesses da NATO - a parcela do PIB dos europeus destinada à compra de armas americanas (2%). Perante o "perigo" russo, os EUA querem aumentar aquele montante, acentuando a subalternidade política da Europa e os ínvios compadrios com muitos dos seus toscos chefes.

O interesse dos EUA com a integração da Ucrânia, como se sabe, é colocar bases militares junto da fronteira russo-ucraniana para que… os russos possam passear ao longo da fronteira e tirar retratos à cangalhada militar made in USA; é criar uma nova cortina (não de ferro, como antes) e acentuar o papel da Europa como sucursal dos decadentes EUA, alongando essa subalternidade para as próximas gerações.

Essa decadência pode observar-se na forma como os governos dos EUA trataram a pandemia; e como uma empresa, a Pfizer soube aproveitar o covid para engordar, no âmbito de uma administração titulada por um intrujão ignorante como Trump; o tal que soube criar condições para clamar um “America first” através de um número de casos covid (81 milhões), superior aos da soma Índia+Brasil (73 milhões) mesmo que estes dois países tenham cinco vezes a população dos EUA.

Outro exemplo a referir é a ridícula aliança militar AUKUS (EUA/GB/Austrália) para fazer frente à China! E, parece que nenhum outro país do Oriente se quis meter nas aventuras do reino da pastilha elástica… Trata-se de uma esquálida imagem da velha SEATO, uma aliança dissolvida em 1977 e que abarcava então, os países atrás mencionados e mais cinco[2], com a mesma obsessão de hoje - isolar a China.

Hoje, os EUA querem expandir para a Ucrânia umas quantas bases militares para replicar o que fizeram num artificial Kosovo, depois da fragmentação da Jugoslávia; e, como aconteceu na Coreia do Sul e no Japão onde os EUA mantêm instalações militares desde o período 1945/55, para policiar… a China, como é evidente.

Como antimilitaristas com provas dadas - algo quase inexistente na classe política - não aceitamos que os EUA polvilhem o planeta com centenas de instalações militares espalhadas por aí; e que se estariam a preparar para colocar mais umas na Ucrânia, dirigida pelo comediante Zelensky e os reciclados nazis da praça Maidan em Kiev, em 2014; obrigando os russos a reagir, perante a provocação dos EUA e do pelotão de imbecis e incapazes que gerem mais de 500 M de europeus.

Os decadentes EUA envolveram a Europa em conflitos que só serviram os interesses do complexo militar-industrial norte-americano, beneficiando do desmembramento da URSS em 1989. O predomínio do poder da indústria militar sobre presidentes medíocres como George W Bush, Trump ou o diáfano Biden, não deve fazer esquecer as guerras de Clinton nos Balcãs e, as de Obama, no Iraque, na Síria, na Líbia, no Afeganistão; este último país, entretanto abandonado por Biden de um modo desastrado, revelador da sua derrota e, mostrando o evidente racismo que vitimou o povo afegão, durante vinte anos. Nos EUA, os dominantes wasp’s[3] mostram à evidência o racismo face a negros, latinos, muçulmanos e outros.

Outra cruzada dos EUA focou-se na não utilização do North Stream 2 para sabotar a parceria russo-germânica no abastecimento barato de gás. E, os burocratas de Bruxelas, como os nacionais – quais mansos cachorros - preferem pagar mais caro o gás e encarecer o custo de vida dos europeus – com origem nos EUA (gás de xisto), no Qatar ou na Argélia, em detrimento dos rendimentos dos povos europeus; desobedecer à suserania de Washington, é que não!. Na realidade, irão pagar uma renda à decrépita economia dos EUA, enquanto os povos europeus se não lembram de mandar ao mar os obtusos burocratas de Bruxelas e, do outro lado da porta giratória, dos mais repelentes elementos das classes políticas nacionais.

No final da II Guerra os EUA criaram dois macro-objetivos. Um, foi o de tomar o dólar como a moeda internacional de referência, espalhando dólares por aí, numa quantidade jamais susceptível de troca por ouro ou qualquer outra moeda; o que significa que o dólar não tem qualquer valor, atual ou no futuro, para mais com as congeminações de russos e chineses para se colocarem fora do uso do dólar. O outro macro-objetivo foi o de manter a coutada europeia em boa ordem, com compradores de armamento norte-americano, exacerbando a ameaça russo/soviética, para além do povoamento da Europa com instalações militares, perfeitamente inúteis.

Com o final do Pacto de Varsóvia e do Comecon, os capitais alemães avançaram para Leste comprando equipamentos e recrutando mão-de-obra, qualificada e barata. Seria lógico que os europeus, educadamente, remetessem de regresso a casa os soldados americanos na Europa e deixassem devolutas ou desmanteladas as bases militares, como aconteceu, de facto, com as Lajes[4]; e como aconteceu com as tropas russas presentes nos países do Leste, depois da queda do “Muro”. Pelo contrário, a NATO não arredou pé e espraiou-se por quase toda a Europa Oriental e nos Balcãs, excepto a Bielorrússia, as repúblicas do Cáucaso, a Moldávia e a Ucrânia, numa evidente pressão militar sobre a Rússia.

Simbolicamente, tudo se deteriorou quando embebedaram Ieltsin para ele aceitar que os países do Pacto de Varsóvia integrassem a NATO; os oligarcas corruptos do “socialismo real” passaram a mostrar-se dedicados gestores neoliberais.

Por outro lado, o desmoronamento da URSS foi aproveitado pelos EUA para, através da guerra e, para gáudio do seu complexo militar-industrial, proceder à desestruturação económica, política e militar nos Balcãs[5], no Médio Oriente e na Líbia; a que se seguiu, mais tarde, a tentativa falhada de integração da Venezuela (e do seu petróleo) na órbita dos EUA[6].

Agora, a NATO quer aproveitar para aumentar o domínio e a venda de armas made in USA. Os EUA com uns 4.7% da população mundial gastam 50% dos gastos militares totais; e têm centenas de instalações militares espalhadas pelo mundo; sem nos esquecermos que os países da NATO, como a França e a GB têm armas atómicas, para além da entidade sionista detentora de umas cinquenta.

3 - O militarismo é um perigo para a Humanidade

Divulgaremos em breve um inventário condensado das instalações militares dos EUA pelo mundo; instalações militares, significa um espaço equipado para participar, direta ou indiretamente nas operações daquele país, um pouco por todo o mundo. Pode proceder-se a abordagens mais detalhadas recorrendo a uma fonte norte-americana, bem informada sobre a matéria. Assim, comecemos por referir, por cada país ou território não autónomo o número de instalações militares sob a bandeira dos EUA.

E também, informação sobre os locais onde o Pentágono mantém os seus laboratórios que… certamente não se dedicam a produzir xaropes para a tosse.

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[1] Do ponto de vista cromático, verde e vermelho não constituem uma combinação elegante, sendo muito poucas as bandeiras que não intercalam entre aquelas cores, uma faixa branca, amarela, preta…

[2] França, Nova Zelândia, Paquistão, Filipinas, Tailândia e, como observadores, o Vietnam, o Laos e o Cambodja

[3] Wasp’s designação supremacista e racista que enquadra nos EUA a população “White”, “Anglo-Saxon” e “Protestant”

[4] As instalações das Lajes, inseridas em pleno Atlântico continuam ocupadas pelos EUA mas, sem o aparato militar do tempo da Guerra Fria. É sabido – pela passagem de presidentes chineses pelos Açores – que a China adoraria ter uma base militar no centro do Atlântico; algo que os EUA nunca aceitariam. Embora, pelo contrário os EUA tenham várias instalações militares e, bem equipadas, em torno da China (incluindo armas atómicas).

[5] O desmantelamento da Jugoslávia, com a independência das várias “tribos” balcânicas, originou entidades políticas minúsculas, identitárias e, um tal Kosovo onde foi instalada a  base de Goldsteen (a pequena Guantanamo) para a vigilância dos Balcãs. Participaram nesse desmantelamento, não só a força militar dos EUA (com dois meses e meio de bombardeamento de Belgrado) mas também o papel expansionista do capital alemão e o proselitismo do papa fascista Wojtyla, desejoso que os católicos eslovenos e croatas lhe viessem beijar o anel; como aliás aconteceu com um certo chefe de estado que colocou a sua religiosidade acima dos seus deveres públicos, num acto de vassalagem perante o chefe do Estado do Vaticano.

[6] Não se observou então o alarme da “comunidade internacional” (em regra entendida por EUA+UE+Austrália e, pouco mais); como a mesma “comunidade internacional” também não se incomodou, com as invasões e desestabilizações levadas a cabo no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia ou no Yémen (nestes casos com todo o desprezo racista face a árabes e islâmicos. Nada que se possa comparar com a histeria e as diabolizações a propósito da guerra na Ucrânia protagonizadas por media sempre atentos na procura de sensacionalismos e do que vem da voz do dono.

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA – 10

 

1 - A concorrência entre conferências

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

7 – O domínio do eucaliptal

8 - Múmia falou!

9 - A reunião virtual da NATO foi um espetáculo…

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

 

vvvvvvvvvv ooooo vvvvvvvvvv

1 - A concorrência entre conferências

Um powerpoint que dá pelo nome de Biden (ou Zombiden se preferirem) vai organizar uma Cimeira pela Democracia que reunirá representantes de 110 países e territórios, não sendo fácil descortinar onde haverá democracia a sério.

É fácil ver ali um acto de propaganda made in USA (ou… a mão do Blinken), de isolamento dos rivais Rússia e a China, onde também a democracia não é pujante; e a utilização de um perigoso ambiente global de crispação que justifique a venda de armas através de um artefacto dos tempos da Guerra Fria, chamado NATO. Curiosamente, foi dado lugar na democrática Cimeira a um regime racista e genocida que devemos designar por entidade sionista. Mais profícuo parece ser um Forum de Cooperação China-África, a decorrer no Senegal e, no âmbito do qual os africanos irão receber 1000 M de vacinas, 60% das quais doadas.

O que há no planeta não são democracias mas, “democracias” ancoradas em gangs partidários nacionais, mais ou menos corruptos e, quase todos, repletos de impenitentes mentirosos. Esses gangs decidem entre si quanto lhes cabe no saque do PIB; quanto podem colocar em offshores; a boa vida que podem ter como intermediários de grandes empresas; ou, como membros desses elementos centrais de tráfico chamados escritórios de advogados. Claro, que se não envergonham do não cumprimento de promessas aos povos, enganados, roubados, reprimidos e anestesiados, via écran, por cinco horas diárias de propaganda ou imbecilidades.

Não há democracia em nenhum regime político onde haja uma segregação entre eleitos e eleitores; em que a representação seja indireta, entregue a pessoas escolhidas no seio dos gangs partidários; e, todos inamovíveis por decisão popular, como constitucionalmente conveniente. Para o efeito, convém manter as populações como massas de ignorantes a quem compete trabalhar muito, por pouco dinheiro; e, desde que seja o suficiente para amarrar toda a vida a prestações bancárias para pagar casa e carro, as quais podem ser apropriadas pelos bancos, em caso de incumprimento. NOV/2021

2 - Ataque judicial ao futebol. É a sério?

O futebol não nos empolga e, menos ainda, nos perturba o sono. Na vida, assistimos ao vivo a um único jogo, de final de taça, no Jamor; e, há muitos anos.

A justiça anda muito empenhada nas trafulhices e vigarices do futebol. Depois do Benfica, foi o Porto e agora o Braga não se sabendo até onde irão, pois os mais pequenos ao venderem passes aos maiores, certamente também embolsarão algum.

Compram-se e vendem-se jogadores, sempre grandes craques, constantemente e, por muitos milhões, merecedores de grande destaque nos pasquins da especialidade; a maioria não chega ao estrelato e, rapidamente são transferidos, emprestados…

Num negócio que envolve tanto dinheiro, perante as ligações mafiosas que se vão sabendo haverá por aí muitos dirigentes limpos nos clubes de maior gabarito? Naqueles que compram e vendem jogadores, constantemente e, por muitos milhões?

Se a justiça acordou para esta área, terá de apresentar resultados concretos e rápidos e não criar mais casos com epílogos para lá das calendas gregas ou repletos de prescrições.    NOV/2021

3 - O encravado Cravinho e os "casos" que, na tropa, são mais que muitos

Lembram-se, daqueles submarinos que não serviram para coisa alguma? Houve corruptores condenados e corruptos inocentados. Recordar-se-ão que houve um almirante medido na "estória”?

Lembram-se das espingardas que desapareceram do quartel dos comandos, anos atrás?

Lembram-se que na Força Aérea foi descoberto um conluio que envolveu altas patentes em negócios de abastecimento, há uns cinco anos?

Lembram-se da palhaçada de Tancos, com lotes de armas desaparecidos e reencontradas?

Agora surgiu a estória dos militares garimpeiros que comentámos há dias.

A corrupção em Portugal é endémica; resulta de um situação global de pobreza ou mediania; resulta de um aparelho de justiça que empastela mais do que resolve; resulta de uma legislação convenientemente confusa; resulta da presença de uma população mansa que, por vezes rosna mas, nunca morde.

A corrupção em Portugal é endémica. No tempo do fascismo era branqueada e ocultada. No pós-fascismo diverte a plebe, não sendo difícil encontrar o desabafo "no lugar dele eu faria o mesmo!)          NOV/2021                                

4 - Marcelo, o Grande... e o próximo carnaval eleitoral

Depois de uma vida política sem brilho e repleta de fracassos, ei-lo na ribalta!

Restam-lhe uns quatro anos de palco, de palavras de circunstância, muitos quilómetros para percorrer, entre Seca e Meca, perante pequenas assembleias de basbaques em disputa para a presença numa selfie com a presidencial figura ao centro.

Camões terá dito perante a inclusão de Portugal sob a tutela do rei de Espanha “morro com a pátria!”. Marcelo poderá dizer “Sou presidente de um país que definha”… na sequência da pesca à linha das empresas lusas interessantes, por parte de capitalistas espanhóis.

Poucos ombrearam com Marcelo no débito de palavras de circunstância, durante anos, em cenário televisivo; e, acompanhado com interesse pelos profissionais da venda de livros.

É certo que o seu antecessor era um grunho tartamudo, antipático, distanciado, incapaz de um abraço a quem tivesse perdido a sua casa num incêndio promovido pela habitual incúria dos deveres estatais na gestão da floresta.

Marcelo, encontra-se perante uma classe política desavinda, de papagaios baços e cinzentos, de um empresariato caraterizado pela dependência do favor político e de apresentar um nível de educação inferior ao dos seus subalternos; dos seus desprezados precarizados. E, trata de chamar os chefes do empresariato para ouvir o que têm a dizer, na sequência da recusa da proposta de orçamento, pela maioria dos frequentadores de um antigo mosteiro beneditino. Não é invejável ser prior de uma tão rasca freguesia…

Marcelo, como pai castigador vai chamar os filhotes, um a um, para ouvir as suas queixas e as reivindicações de apoios monetários, legislação permissiva para eles, punitiva para os trabalhadores; tudo num contexto de aplicação das suas qualidades de verboso catedrático.

Parece que começará com uma tal IL, depois com um ventureco, prosseguindo a ocupação de um dia de conversa, até ao final, em frente da barriga do Costa.

Portugal, no inclinado declive da decadência; demográfica, económica e política.      OUT/2021

5 - Rendeiro e as instituições da paróquia

O pobre Rendeiro, que emigrou para parte incerta, continua a evidenciar a putrefação das instituições portuguesas, fintadas e aldrabadas desde 2010.

A justiça portuguesa passados dez anos da falência do BPP permitiu que Rendeiro fugisse com mais de 400 milhões… para uma reforma condigna. E, Rendeiro ainda conseguiu que elementos da sua coleção de arte, em vias de arresto pela chamada Justiça portuguesa fossem vendidos em Londres; por exemplo, três obras de Frank Stella, uma delas por cerca de $ 69000.

Rendeiro deve divertir-se bastante com as instituições da paróquia lusa. Entre a PJ e o tribunal ninguém conseguiu um espaço para guardar as obras expostas no jardim do ex-banqueiro; e, na realidade há 15 obras – à guarda da mulher do Rendeiro - que não terão sido encontradas; e algumas das que sobraram do espólio… terão sido falsificadas. No aldrabar é que está o ganho!

Uma confusão que não deixa de ser trivial com instituições portuguesas

Para animar este outono, prepara-se por aí mais um carnaval eleitoral, orquestrado pelo impagável artista que dá pelo nome de Marcelo                               OUT/2021

6 - Nota enviada a P--- sobre o militarismo e a NATO

Saberás que damos mais importância às grandes estruturas político-económicas do que às questões sectoriais, não é verdade? E, por isso, talvez ainda te lembres da PAGAN[1], certo?  Embora não tivesses participado em qualquer ação do grupo…

E aí, nesse novembro de 2010, TODO o sistema político português estava sob escrutínio pois ali, preparava-se um dos raros momentos centrados em algo que ia muito além do que se passava em PT. O mundo iria notar que existia uma paróquia com 10 milhões no sudoeste europeu, pendurada na Espanha.

De facto, não era uma coisa sectorial. A Cimeira da NATO, em 2010, com a presença de Obama tinha de ter sucesso e daí que o governo Sócrates tivesse fechado a fronteira, deixando do lado de fora centenas de ativistas antimilitaristas. Sócrates queria ficar bem na fotografia mas, foi sol de pouca dura; em Abril de 2011 os banqueiros mandaram-no embora.

Internamente, o governo, decidiu aprisionar alguns antimilitaristas no Monsanto enquanto, confinava outros, que desfilavam na Avenida da Liberdade, entoando palavras de ordem anticapitalistas, contra a NATO e o militarismo, cercados por dois cordões policiais fortemente armados. Livre dessa repressão policial circulava a chamada esquerda (PC/BE) ansiosa de voltar às costumeiras procissões típicas da CGTP. Por seu turno, o PS dava mais uma amostra da sua essência reacionária e subserviente.

O antimilitarismo não tem muitos adeptos em Portugal. No lado mais à direita do espetro parlamentar subscreve-se tudo o que provém dos EUA/NATO; mesmo que seja a ocupação da Base das Lajes pelos EUA, já sem a relevância estratégica de outros tempos; ou o envio de dois aviões de guerra para defender um dos países bálticos contra uma investida russa (!). E, do lado dos fãs do trotsko-estalinismo, o tema NATO e o militarismo não são assuntos porque ainda vivem na saudade das glórias dos massacres de Kronstadt e Ucrânia; e, suficientemente desfasados no tempo, pretendendo um serviço militar obrigatório, por muito desajustado que isso hoje, seja.

7 – O domínio do eucaliptal

O desenvolvimento do eucalipto juntou duas questões. A desertificação das áreas rurais em geral, sobretudo de não-minifúndio com o envelhecimento da população e a emigração dos anos 60. Os suecos acharam interessante plantar eucaliptos por aqui, dadas algumas semelhanças climáticas com o sul da Austrália, de onde veio a planta; e criaram empresas de pasta de papel em zonas de litoral, com portos próximos (Figueira da Foz, Aveiro, Viana do Castelo, Setúbal) de onde a pasta saía para as fábricas de papel… na Suécia, onde ficava o grosso do valor acrescentado.

De facto, o eucalipto seca tudo à sua volta e sorve muita água e, não parece que os eucaliptais das empresas de celulose… ardam. Elas cuidam dos seus eucaliptais com rigor.

A questão dos fogos é curiosa. Há uns 15 anos houve fogos devastadores na Galiza, seguindo-se uma nova orgânica de zelo pela floresta e na atuação dos bombeiros. Claro que, em Pt tudo continua muito artesanal, baseado no espírito de sacrifício dos bombeiros, geridos por “associações”, em conjunto controladas por um tal Marta Soares (PSD), há muitos anos.

O negócio das celuloses na parte mais alta da cadeia de valor, nada tem a ver com os fogos cuja responsabilidade cabe aos “jeitosos”, aos ignorantes e aos intermediários no fornecimento do material queimado nos fogos florestais… às celuloses.

Alguns anos atrás, o negócio dos “meios aéreos” no apoio ao combate aos fogos, era controlado pelo PS/PSD, com Dias Loureiro e do seu seguidor António Costa, na Administração Interna; ambos promoveram um outro negócio, o do SIRESP, ligado ao gang BPN, segundo parece.

Os “verdes”, os ecologistas em geral, conhecem bem os aspetos técnicos do negócio mas são politicamente naïves; falta-lhes mapear e compreender o sistema político–económico. Assim, andam de caso em caso e, caem na inocência de procurar “sensibilidade” junto dos governos e da classe política; esta, naturalmente, gosta de retirar dividendos das situações mas, obviamente não quer mudar coisa alguma que possa afetar a sua ligação umbilical ao “pote”. A observação de um dos primeiros grupos ecologistas, na Alemanha, a partir dos anos 70 e, o seu desenvolvimento na área política até hoje, revela os partidos ecologistas como vulgares reacionários.       OUT/21

8 - Múmia falou!

Cavaco escreveu (ou alguém por ele) pois como orador não é famoso, dado o seu toque de tartamudo. E, como é seu timbre, considera-se um sábio, algo que os seus antigos alunos nunca lhe reconheceram. E, como tal, o que dele emana no jornal Expresso é um ódio de quem está fora do mundo; um fogo-fátuo de quem não tem o savoir-faire do seu antecessor, Sampaio.

Cavaco zurze em toda a gente excepto no seu antigo ajudante Passos Coelho, o conhecido e aplicado tradutor das medidas da troika, mainato da perceptora Angela Merkel, que várias vezes o repreendeu. E, claro, não refere as nulidades inseridas na governação Passos, como a Albuquerque ou o Mota Soares.

Portugal não é a Irlanda, sede de multinacionais que ali encontram cargas fiscais muito benévolas, uma população instruída e falante de inglês; nem conseguiu os níveis de escolaridade da Europa de Leste.

Portugal saiu do fascismo com um atraso económico e educacional abissal que, em grande parte ainda hoje é evidente.

Portugal é uma periferia europeia e ibérica que teve o azar de ver o desmoronar do bloco de Leste, quando julgava ficar sozinho na então CEE, como o campeão dos baixos salários.

A herança colonial foi constituída por empresas falidas, nacionalizadas e capitalizadas pelo erário público, numa esperança falhada de reconstituição do tecido económico. Cavaco procedeu às privatizações devolvendo empresas aos antigos magnatas do regime fascista (Melos ou Champalimaud) e a empresas estrangeiras, iniciando o hoje evidente domínio dos capitais espanhóis na economia portuguesa.

Predominam empresários com habilitações inferiores aos seus trabalhadores, coisa única na Europa; mas sempre reclamando por dinheiro público, em trânsito para off-shores, juntamente com o produto da corrupção da classe política; um país pobre com elevada presença de altas cilindradas, algo que espantou os homens da troika, ao chegarem a Portugal.

O reacionarismo de Cavaco é marcado pelo ódio; e isso é o que o faz designar a esquerda do regime em Portugal como extrema-esquerda, quando de facto é constituída por grupos sociais–democratas não assumidos como tal; e, onde os auto-intitulados socialistas ou sociais-democratas são típicos partidos de direita. Daí que tenha surgido recentemente uma direita fascizante, em torno da ventureca figura. Aqui, nota das elevadas ideias da personagem.                    OUT/2021

9 - A  reunião  virtual  da  NATO  foi  um  espetáculo…

O eventual sucessor de Merkel diz que a vitória dos talibans foi o "maior desastre da NATO desde a sua criação".

De facto, na queda de Saigão em 1975 o protagonismo foi todo dos EUA e não dos seus subalternos do governo vietnamita e de outros envolvidos, australianos, sul-coreanos... Os EUA foram derrotados no terreno pelos vietnamitas que vinte anos antes (coincidência no lapso de tempo…) tinham humilhado os generais franceses em Diem Bien Phu.

A NATO não se envolveu no Vietnam. O intervencionismo guerreiro da prestimosa instituição cuja coluna dorsal está no Pentágono estreou-se nos Balcãs facilitando matanças, desuniões, antagonismos, para reproduzir o que há uns cem anos já se chamava “balcanização”. A sua coroa balcânica de glória foi a criação e sustentação financeira de um protetorado chamado Kosovo, localização da base de Boldsteen, por acaso (?), bem no centro da Península; e de integrar os países da área na ditosa NATO.

O brilhante Stoltenberg emendou o alemão acima referido, rematando que "foi o fracasso das autoridades afegãs que levou à tragédia que hoje assistimos". Mais claramente, a culpa do fracasso não foi do procurador Stoltenberg, nem do Pentágono mas de um funcionário afegão da NATO que entornou a sopa. E, claro, que ninguém acuse os mercenários portugueses da NATO de não cumprirem servilmente a ronda do aeroporto de Kabul!

Desta vez, sem o dramatismo de Saigão, o Pentágono ordenou a retirada dos funcionários afegãos que serviam os senhores da NATO e respetivas famílias; como em tempos mais recuados, a criadagem acompanha os senhores.

Aparentemente, não precisam de voar agarrados ao trem de aterragem dos helicópteros. Aliás o funcionário NATO de serviço como presidente do país – um tal Ghani – até teve tempo e a autonomia suficiente para fugir e ser acolhido nos Emiratos Árabes Unidos. Ele saberá bem o que os talibans fariam a tão elevado serventuário da NATO…

Fica uma dúvida. Quem vai continuar o negócio da papoila após a saída dos súbditos do Chewing Gum Kingdom, também conhecido por USA? Qual o impacto do eventual aumento do preço do ópio? Na reunião NATO de sexta-feira isso estará implicitamente na agenda?

Quem ainda tem a mania das grandezas é o tosco e despenteado Boris, rematando que os talibãs "serão julgados pelas suas ações, não pelas suas palavras". Será que a Grã-Bretanha vai voltar a querer controlar o passo de Khiber, num regresso ao século XIX?

AGO/2021

10 - Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo fedorento

Medina sempre se revelou um inepto, uma pileca política; e, sem escrúpulos éticos.

Em junho de 2019, o tosco Medina prestou vassalagem à representação sionista em Portugal, fornecendo dados de ativistas na defesa dos direitos dos palestinianos. E o jornal Haaretz revelou ações da Mossad para referenciar ativistas em Portugal; certamente com o apoio do Medina.

O Medina é um veterano. Também forneceu dados à China sobre dissidentes tibetanos. E agora faz o mesmo quanto a opositores de Putin.

Mas não pensemos que o candidato do PPD – Moedas - é melhor. Como comissário europeu foi responsável pelo financiamento a empresas de armas israelitas na ordem de centenas de milhões de euros (elementos colhidos em comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina).

Medina e Moedas, a mesma luta, o mesmo lixo irreciclável.

Como diria Almada Negreiros – Morte aos Dantas, plim!     (JUN/2021)

 

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                               
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

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[1] PAGAN – Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO (2009/2011) que executou a ções de esclarecimento e mediáticas de chamamento para a participação em protestos contra a NATO e a sua cimeira, realizadas em Lisboa, em 2010.