terça-feira, 9 de julho de 2024

As macroestruturas económico-financeiras na Europa

1 – Síntese Os grandes grupos de bens e serviços gerados na Europa apresentam os seguintes valores (mil milhões de euros); 1995 2023 2023/1995 Total 6337.7 16962.4 2.7x Consumo privado 3541.4 8865.2 2.5x Consumo público 1281.9 3570.2 2.8x FBCF * 1411.1 3889.6 2.8x Exportações 1791.4 8938.3 5.0x Importações 1688.0 8300.9 4.9x * Formação bruta de capital fixo O espaço temporal entre 1995/2023 e, definido para os vários países da UE (e incluindo a Islândia, a Noruega, o Reino Unido e a Suíça), revela as diferenças globais, como pode evidenciar segmentos fundamentais da atividade económica. Para o efeito, para além da globalidade da atividade económica e de áreas sociais ir-se-á observar, umas quantas, tão essenciais como o consumo privado, o consumo público, a formação bruta de capital, a exportação e a importação de bens e serviços. 2 – A dimensão da riqueza No período considerado, o total do PIB daqueles países, em 2023, cifra-se em € 16962 mil milhões, 2.7 vezes o valor de € 6337,7 mil milhões registado em 1995. Os casos de maior relevância são; Alemanha - € 4121 M em 2023 e € 1977 M em 1995 França - € 2803 M em 2023 e € 1225 M em 1995 Itália - € 2085 M em 2023 e € 898 M em 1995 Espanha – € 1462 M em 2023 e € 470 M em 1995 . . . Portugal - € 268.7 M em 2023 e € 91.0 M em 1995 Quanto aos estados-nação mais pequenos, assinalam-se; Lituânia - € 72,0 M em 2023 e € 14,1 M em 1995 Letónia - € 40,3 M em 2023 e € 4,1 M em 1995 Estónia - € 37.7 M em 2023 e € 3.0 M em 1995 Chipre - € 29.8 M em 2023 e € 7.6 M em 1995 Islândia - € 28.7 M em 2023 e € 5.4 M em 1995 Malta - € 19.4 M em 2023 e € 2,8 M em 1995 3- Formação bruta de capital fixo O quadro que se segue evidencia a situação em 1995 e 2023; e revela as diferenças verificadas no seio da esmagadora maioria dos países europeus. Porém, não é claro, em cada um dos dois anos considerados, verificar se são os países mais ricos a apresentar um crescimento mais avultado da formação bruta de capital; ou se, pelo contrário, se trata de países economicamente mais debilitados a apresentar as suas dificuldades. Por outro lado, há a considerar os países onde a FBCF tem maior peso no PIB e, quantos são os que apresentam uma menor relevância. Na globalidade, a FBCF aumentou, no período (2023/1995), 2.8 vezes, mostrando-se a Grécia e a Alemanha com indicadores muito mais baixos - 1.6 e 2.0, respetivamente. Em 2023 os países com uma FBCF inferior a 20% do PIB são; Bulgária, Eslováquia, Grécia, Malta, Lituânia, Luxemburgo, Polónia e Portugal. No período considerado (1995/2023), os casos de maior incremento na formação bruta de capital registam-se no Leste europeu – Letónia (14.3 vezes o referencial de 1995), Irlanda (13.4), Estónia e Roménia (12.7), bem como a Lituânia (12.1). Inversamente, as situações de menor crescimento situam-se na Europa Ocidental, com maior relevo para a Alemanha, a Grécia (2.1 vezes o referencial de 1995) e a França (2.3 vezes), como se pode observar no gráfico acima exposto. FBCF em % do PIB Grazia.tanta@gmail.com 3/07/2024 3 A formação bruta de capital medida em milhões de euros por 1000 habitantes, para alguns países, com cinco a dez milhões de habitantes, revela as enormes disparidades no cenário europeu; como ainda a diferenciação socio-económica e a escassa aplicação de capital. Dinamarca – 13.8 Noruega – 21.1 Finlândia – 11.1 Portugal – 5.1 Grécia - 3.6 4 – Consumo privado O consumo privado, na sua globalidade, corresponde a 55.9 e 52.3%, do PIB, respetivamente, em 1995 e 2023. O consumo privado daqueles países em 2023 cifra- se em € 8865,2 mil milhões, o que representa 2.5 vezes o valor dos € 3541.4 mil milhões registados em 1995. Os casos de maior relevância são; Alemanha - € 2089.7 M em 2023 e € 1104.3 M em 1995 França - € 1506 M em 2023 e € 670.0 M em 1995 Itália - € 1241.9 M em 2023 e € 528.8 M em 1995 Espanha - € 812.8 M em 2023 e € 286.7 M em 1995 ... Portugal - € 166.1 M em 2023 e € 58.9 M em 1995 Para efeitos de comparação, observa-se o consumo de países (em 2023 e 1995), como a Dinamarca (€ 171.7 M e € 71.5 M), a Finlândia (€ 143.9 M e € 52.3 M), a Grécia (€150.7 M e €71.2M) e a Noruega (€168.4 M e €56.8 M). Os valores de consumo nacional parecem relativamente muito próximos entre aqueles países; porém, as diferenças na demografia evidenciam de modo mais claro as diferenças de riqueza e bem-estar. Assim, a capitação do consumo privado, mostra-se decrescente para a grande maioria dos países, como se pode observar abaixo, na comparação entre 1995 e 2023. São poucos os casos em que o peso do consumo privado no PIB aumentou naquele período; são apenas a Bulgária, a Itália, a Finlândia, a Grécia, a Hungria, e mais claramente, a Eslováquia. Na maioria dos casos regista-se em 1995 uma representatividade maior do peso da parcela do consumo privado no PIB, comparativamente às situações relativas de países onde domina o peso daquela parcela, em 2023. Assim, a predominância do peso do consumo privado naquele ano mostra-se apenas na Grécia (68.4%), Bulgária (59.8%), Itália (59.6%), Eslováquia (59.4%) e Finlândia (51.8%). 5 – Consumo público O consumo público, no seu conjunto, cresce 2.8 vezes no período em observação, um pouco mais do que o consumo privado (2.5 vezes no período 1995/2023). Na sua globalidade, cifra-se por uns 20.2 e 21.0%, do PIB respetivamente, em 1995 e 2023, envolvendo € 1282 mil milhões e € 3570 mil milhões. Os casos de maior relevância não se afastam muito da hierarquia que atrás se vem referindo; Alemanha - € 888.57 M em 2023 e € 384.1 M em 1995 França - € 652.7 M em 2023 e € 283.8 M em 1995 Itália - € 378.5 M em 2023 e € 156.6 M em 1995 Espanha - € 292.1 M em 2023 e € 82.8 M em 1995 ... Portugal - € 45.4 M em 2023 e € 15.9 M em 1995 O consumo público em 2023 evidencia um numeroso conjunto de situações de crescimento face a 1995. Registam-se, porém, entre os países ocidentais, mais casos de aumento de peso do consumo público no total do PIB, como se pode verificar no quadro que se segue. Consumo Público 1995 e 2023 (% PIB) Individualmente, os casos de maior crescimento do consumo público no período considerado são: Roménia +15%, Estónia +10.7%, Lituânia +10.4% e Letónia +8.1%. Inversamente, os menores acréscimos mostram-se na Alemanha, em França e na Grécia (todos com 2.3%). 6 - Exportações de bens e serviços As exportações de bens e serviços crescem, tal como as importações, ambas com uma grande rapidez; no período 1995/2023 as exportações quintuplicam o seu volume, o mesmo acontecendo com as importações. Isso não é estranho, uma vez que qualquer mercadoria exportada virá a tornar natural qualquer objeto como um elemento de importação. Assim, as exportações em 2023 orçam os € 8938.3 M e as importações cifram-se em € 8300.9 M. Os maiores exportadores são os países que já se destacam por outras razões – riqueza, demografia, comércio; e, já referidos em outros módulos incorporados neste texto. Alemanha - € 1942.5 M em 2023 e € 435.0 M em 1995 França - € 916.0 M em 2023 e € 277.1 M em 1995 Itália - € 731.0 M em 2023 e € 221.6 M em 1995 P. Baixos - € 880.0 M em 2023 e € 38.9 M em 1995 Irlanda - € 676.9 M em 2023 e € 198.0 M em 1995 Suíça - - € 616.3 M em 2023 e € 108.0 M em 1995 Espanha - € 569.6 M em 2023 e € 102.6 M em 1995 Bélgica - € 507.7 M em 2023 e € 132.4 M em 1995 Polónia - € 429.9 M em 2023 e € 25.0 M em 1995 ... Portugal - € 126.0 M em 2023 e € 24.4 M em 1995 O gráfico que se segue, apresenta, em termos consolidados, os níveis de movimentação das mercadorias transacionadas, reveladoras da crescente densidade das relações intra-europeias; tendo em conta a relativa tranquilidade que se observa nas transações fronteiriças e da facilidade de circulação das mercadorias movimentadas no espaço europeu, com a utilização de vários modos de transporte. E mesmo considerando a presença de fronteiras. Grazia.tanta@gmail.com 3/07/2024 8

segunda-feira, 8 de julho de 2024

As macroestruturas económico-financeiras na Europa

1 – Síntese Os grandes grupos de bens e serviços gerados na Europa apresentam os seguintes valores (mil milhões de euros); 1995 2023 2023/1995 Total 6337.7 16962.4 2.7x Consumo privado 3541.4 8865.2 2.5x Consumo público 1281.9 3570.2 2.8x FBCF * 1411.1 3889.6 2.8x Exportações 1791.4 8938.3 5.0x Importações 1688.0 8300.9 4.9x * Formação bruta de capital fixo O espaço temporal entre 1995/2023 e, definido para os vários países da UE (e incluindo a Islândia, a Noruega, o Reino Unido e a Suíça), revela as diferenças globais, como pode evidenciar segmentos fundamentais da atividade económica. Para o efeito, para além da globalidade da atividade económica e de áreas sociais ir-se-á observar, umas quantas, tão essenciais como o consumo privado, o consumo público, a formação bruta de capital, a exportação e a importação de bens e serviços. 2 – A dimensão da riqueza No período considerado, o total do PIB daqueles países, em 2023, cifra-se em € 16962 mil milhões, 2.7 vezes o valor de € 6337,7 mil milhões registado em 1995. Os casos de maior relevância são; Alemanha - € 4121 M em 2023 e € 1977 M em 1995 França - € 2803 M em 2023 e € 1225 M em 1995 Itália - € 2085 M em 2023 e € 898 M em 1995 Espanha – € 1462 M em 2023 e € 470 M em 1995 Portugal - € 268.7 M em 2023 e € 91.0 M em 1995 Quanto aos estados-nação mais pequenos, assinalam-se; Lituânia - € 72,0 M em 2023 e € 14,1 M em 1995 Letónia - € 40,3 M em 2023 e € 4,1 M em 1995 Estónia - € 37.7 M em 2023 e € 3.0 M em 1995 Chipre - € 29.8 M em 2023 e € 7.6 M em 1995 Islândia - € 28.7 M em 2023 e € 5.4 M em 1995 Malta - € 19.4 M em 2023 e € 2,8 M em 1995 3- Formação bruta de capital fixo O quadro que se segue evidencia a situação em 1995 e 2023; e revela as diferenças verificadas no seio da esmagadora maioria dos países europeus. Porém, não é claro, em cada um dos dois anos considerados, verificar se são os países mais ricos a apresentar um crescimento mais avultado da formação bruta de capital; ou se, pelo contrário, se trata de países economicamente mais debilitados a apresentar as suas dificuldades. Por outro lado, há a considerar os países onde a FBCF tem maior peso no PIB e, quantos são os que apresentam uma menor relevância. Na globalidade, a FBCF aumentou, no período (2023/1995), 2.8 vezes, mostrando-se a Grécia e a Alemanha com indicadores muito mais baixos - 1.6 e 2.0, respetivamente. Em 2023 os países com uma FBCF inferior a 20% do PIB são; Bulgária, Eslováquia, Grécia, Malta, Lituânia, Luxemburgo, Polónia e Portugal. No período considerado (1995/2023), os casos de maior incremento na formação bruta de capital registam-se no Leste europeu – Letónia (14.3 vezes o referencial de 1995), Irlanda (13.4), Estónia e Roménia (12.7), bem como a Lituânia (12.1). Inversamente, as situações de menor crescimento situam-se na Europa Ocidental, com maior relevo para a Alemanha, a Grécia (2.1 vezes o referencial de 1995) e a França (2.3 vezes), como se pode observar no gráfico acima exposto. % do PIB 1995 2023 1995 2023   Alemanha 24.3 23.6 Letónia 15.7 23.0    Bélgica 21.8 25.2 Lituânia 22.8 19.6    Bulgária 17.7 18.9 Luxemburgo 20.4 18.0    Chipre 26.6 23.0 Malta 25.7 19.5    Croácia 16.2 22.2 P. Baixos 21.7 20.1    Dinamarca 20.7 21.9 Polónia 19.7 17.9    Eslováquia 23.6 19.1 Portugal 24.2 19.5    Eslovénia 25.5 20.8 Rep. Checa 34.2 28.8    Espanha 22.5 20.3 Roménia 23.3 26.1    Estónia 26.4 26.7 Suécia 20.8 26.8    Finlândia 20.3 22.4 Islândia 18.2 24.4    França 20.5 25.2 Noruega 24.2 25.8    Grécia 22.5 16.8 Reino Unido 18.5 -    Hungria 23.1 25.7 Suíça 28.1 24.6    Irlanda 18.9 26.6    Itália 20.0 20.9    A formação bruta de capital medida em milhões de euros por 1000 habitantes, para alguns países, com cinco a dez milhões de habitantes, revela as enormes disparidades no cenário europeu; como ainda a diferenciação socio-económica e a escassa aplicação de capital. Dinamarca – 13.8 Noruega – 21.1 Finlândia – 11.1 Portugal – 5.1 Grécia - 3.6  4 – Consumo privado  O consumo privado, na sua globalidade, corresponde a 55.9 e 52.3%, do PIB, respetivamente, em 1995 e 2023. O consumo privado daqueles países em 2023 cifra-se em € 8865,2 mil milhões, o que representa 2.5 vezes o valor dos € 3541.4 mil milhões registados em 1995. Os casos de maior relevância são; Alemanha - € 2089.7 M em 2023 e € 1104.3 M em 1995 França - € 1506 M em 2023 e € 670.0 M em 1995 Itália - € 1241.9 M em 2023 e € 528.8 M em 1995 Espanha - € 812.8 M em 2023 e € 286.7 M em 1995 … Portugal - € 166.1 M em 2023 e € 58.9 M em 1995 Para efeitos de comparação, observa-se o consumo de países (em 2023 e 1995), como a Dinamarca (€ 171.7 M e € 71.5 M), a Finlândia (€ 143.9 M e € 52.3 M), a Grécia (€150.7 M e €71.2M) e a Noruega (€168.4 M e €56.8 M). Os valores de consumo nacional parecem relativamente muito próximos entre aqueles países; porém, as diferenças na demografia evidenciam de modo mais claro as diferenças de riqueza e bem-estar. Assim, a capitação do consumo privado, mostra-se decrescente para a grande maioria dos países, como se pode observar abaixo, na comparação entre 1995 e 2023. São poucos os casos em que o peso do consumo privado no PIB aumentou naquele período; são apenas a Bulgária, a Itália, a Finlândia, a Grécia, a Hungria, e mais claramente, a Eslováquia. Na maioria dos casos regista-se em 1995 uma representatividade maior do peso da parcela do consumo privado no PIB, comparativamente às situações relativas de países onde domina o peso daquela parcela, em 2023. Assim, a predominância do peso do consumo privado naquele ano mostra-se apenas na Grécia (68.4%), Bulgária (59.8%), Itália (59.6%), Eslováquia (59.4%) e Finlândia (51.8%). Individualmente, os casos de maior crescimento do consumo público no período considerado são: Roménia +15%, Estónia +10.7%, Lituânia +10.4% e Letónia +8.1%. Inversamente, os menores acréscimos mostram-se na Alemanha, em França e na Grécia (todos com 2.3%). 6 - Exportações de bens e serviços As exportações de bens e serviços crescem, tal como as importações, ambas com uma grande rapidez; no período 1995/2023 as exportações quintuplicam o seu volume, o mesmo acontecendo com as importações. Isso não é estranho, uma vez que qualquer mercadoria exportada virá a tornar natural qualquer objeto como um elemento de importação. Assim, as exportações em 2023 orçam os € 8938.3 M e as importações cifram-se em € 8300.9 M. Os maiores exportadores são os países que já se destacam por outras razões – riqueza, demografia, comércio; e, já referidos em outros módulos incorporados neste texto. Alemanha - € 1942.5 M em 2023 e € 435.0 M em 1995 França - € 916.0 M em 2023 e € 277.1 M em 1995 Itália - € 731.0 M em 2023 e € 221.6 M em 1995 P. Baixos -€ 880.0 M em 2023 e € 38.9 M em 1995 Irlanda - € 676.9 M em 2023 e € 198.0 M em 1995 Suíça - - € 616.3 M em 2023 e € 108.0 M em 1995 Espanha - € 569.6 M em 2023 e € 102.6 M em 1995 Bélgica - € 507.7 M em 2023 e € 132.4 M em 1995 Polónia - € 429.9 M em 2023 e € 25.0 M em 1995 … Portugal - € 126.0 M em 2023 e € 24.4 M em 1995 O quadro que se segue, apresenta, em termos consolidados, os níveis de movimentação das mercadorias transacionadas, reveladoras da crescente densidade das relações intra-europeias; tendo em conta a relativa tranquilidade que se observa nas transações fronteiriças e da facilidade de circulação das mercadorias movimentadas no espaço europeu, com a utilização de vários modos de transporte. E mesmo considerando a presença de fronteiras. 1995 2023 1995 2023   Alemanha 19.4 21.6 Letónia 65.5 61.3    Áustria 19.6 20.3 Lituânia 63.8 58.7 Bélgica 21.3 23.8 Luxemburgo 44.4 19.0    Bulgária 15.3 18.2 Chipre 12.4 19.0 Malta 18.0 17.7    Croácia 26.2 21.2 P. Baixos 22.4 25.1    Dinamarca 24.1 22.6 Polónia 18.9 18.7    Eslováquia 23.8 20.3 Portugal 17.5 17.1    Eslovénia 17.8 19.5 Rep. Checa 20.2 20.4    Espanha 17.6 20.0 Roménia 12.2 16.3    Estónia 24.6 20.9 Suécia 25.5 25.7    Finlândia 21.9 25.3 Islândia 21.2 25.7    França 23.2 23.3 Noruega 21.0 21.9    Grécia 68.0 68.4 Reino Unido 17.1 -    Hungria 54.0 49.3 Suíça 11.8 11.4    Irlanda 52.4 27.0    Itália 58.9 59.6 A exportação, tendo em conta a maior densidade interna das transações comerciais, revela as acrescidas diferenças entre a parcela (%) das exportações no total do PIB, em 1995 e 2023. 1995 2023 1995 2023    Alemanha 22,0 47,1    Letónia 34,6 64,1    Áustria 33,5 59,5 Lituânia 37,2 77,2    Bélgica 60,1 87,2 Luxembur. 104,5 212,5 Bulgária 32,3 60,9 Malta 126,7 166,7    Chipre 66,8 89,3 P. Baixos 57,2 85,2 Croácia 27,3 54,5 Polónia 22,9 57,5 Dinamarca 36,6 68,9 Portugal 26,8 47,4 Eslováquia 53,9 91,9 Rep Checa 40,2 72,1 Eslovénia 45,4 84,0 Roménia 25     Espanha 21,8 39,0 Suécia 37,1 54,0    Estónia 65,9 78,4 Islândia 35,0 43,4    Finlândia 35,8 40,9 Noruega 36,6 47,2    França 22,6 32, R.Unido 25,6    Grécia 14,4 44,9 Suíça 40,0 75,3    Hungria 39,2 81,1    Irlanda 73,5 134,1    Itália 24,7 35,1     Este e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ https://pt.scribd.com/uploads http://www.slideshare.net/durgarrai/documents              

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Os gastos militares, uma cara inutilidade (África)

Há vários anos que o SIPRI divulga elementos sobre os gastos militares, por parte dos estados-nação. Quase todos os estados-nação possuem essas estruturas militares, tomadas como instrumentos necessários à sua existência, perante ameaças reais, potenciais ou marcadas por um qualquer ridículo conteúdo, do ponto de vista das necessidades humanas. Essas estruturas militares apresentam-se de modo muito desigual, do ponto de vista geográfico e político, procedendo sempre a uma tradicional subtração ao rendimento produzido pelas classes trabalhadoras do país, a favor de capitalistas nacionais ou exteriores. Essas estruturas militares mostram-se em quase todos os cantos do planeta como utilizadores de poderosas indústrias militares, de instrumentos de morte, ou de dissuasão, disponíveis por parte dos Estados e dos elementos cimeiros das diversas classes políticas. Por outro lado, as estruturas militares são um pesado instrumento de hierarquização no seu próprio seio, o qual serve de montra para as empresas e, de modo mais vasto, como forma de hierarquização e submissão das populações, por parte das classes políticas, dos aparelhos repressivos dos Estados e, de certas instituições de caráter global. Dizia Hobbes que “O homem é o lobo do próprio Homem”; hoje, para mais, com instrumentos imensamente perigosos não só para o próprio Homem, como para a vida no planeta. África Observemos os gastos militares médios, em África, segmentados por quatro médias decenais nos períodos - 1985/94, 1995/04, 2005/14 e, 2015/22. Nos períodos em análise nem todos os países apresentam dados dos gastos militares para a totalidade dos decénios… Comecemos por analisar os países e, ainda, quantos países se apresentam com indicadores abaixo dos $ 100 M ou, grandes variações entre os períodos considerados. Essas diferenciações no contexto nacional, podem também ser evidenciados enquanto valores médios per capita, como se evidencia na última coluna do quadro. No período mais recuado e, com valores mais elevados (acima de $ 1000), sobressaem em 1985/94 - África do Sul, Egito, Angola e Argélia. No período seguinte, os protagonistas mantêm-se, com o Egito na frente mas surgindo Marrocos na terceira posição, no lugar antes ocupado pela Argélia, Nos dois últimos períodos a situação alterou-se substancialmente, pelo volume das transações efetuadas, como também pelo número de países em presença; Quénia e Tunísia apresentam-se pela primeira vez na lista dos principais países compradores de armamento. A Argélia situa-se no primeiro posto com um volume muito acima do registado pelos países mais próximos ($ 6400 e $ 9800), respetivamente, nos períodos 2005/2015 e 2015/22). A capitação de material militar no conjunto dos países africanos é bizarra. Por um lado, os maiores gastadores per capita, são as Seychelles ($ 241.2), a Argélia ($ 223.7) e o Botswana ($ 206.2). Abaixo desses valores de capitação regista-se um vasto número de países (17) com uma capitação de gastos militares inferior $ 10. Quadro numérico (a pedido)

sábado, 30 de março de 2024

A lixeira beneditina

 

A lixeira beneditina

Ei-los que partem, novos e velhos, buscar a sorte noutras paragens, de quatro em quatro anos; excepto quando o tinir das espadas obriga a fradesca remodelação, a chamada eleição, na qual nada muda de substantivo após ardente pugna na sagrado solo da lixeira; onde, por regra, não surge purga. A lixeira beneditina acolhe-os, engravatados, com direito a lugar cativo na missa diária, superiormente dirigidos por uma qualquer figura baça, cinzenta, decadente, como um conhecido traste que mandou polícias armados para defender – sem causa real - a embaixada num país distante.

Na sua maioria, trata-se de 230 paroquianos, deslocados do torrão natal, cuja sorte os destinou a rumarem à lixeira beneditina, para assumirem a suprema honra de chafurdar em prato alheio e servirem-se de inerente e vazia prestação de serviços, realizada por dezenas de serviçais. 

 

Vindos de todos os cantos da paróquia, os trastes apresentam-se, diariamente na lixeira beneditina, como uma baixa nobreza com direitos especiais, vigentes pelo menos, no âmbito de tráfico de influências. Durante quatro anos, espremem-se para ganhar relações sociais; bem como a conveniente atenção no momento de aprovação ou rejeição de propostas vindas da elite fradesca.

Com lugar cativo nas cultas vernissages televisivas, a elite frequentadora da lixeira beneditina presta-se, em tempos de carnaval eleitoral a uma luta árdua, resultante da existência de vários candidatos à gamela. Cada luso comum embebeda-se diariamente com cinco horas de imbecilidades televisivas; e, assim se consolida a homogeneização do tosco discurso vigente no seio da classe política. É um país com menos cultura ou rendimentos que se apresenta nos lugares mais baixos da hierarquia das nações europeias.

Cinzentos e engravatados, os frequentadores do grande edifício beneditino, na sua maioria, dedicam-se a permanecer com o traseiro colado à cadeira, à espera das palavras do fuhrer partidário para o ritual aplauso; ou, que um magnata paroquial, num lauto almoço, acene discretamente com um molho de notas, para a obtenção de algum favor.

Na versão mais lustrosa, a sorte chega à lixeira beneditina, sob a forma de ratazanas de pelo lustroso, prontas a ornar o bando de aves de rapina; isto é,  os chamados empresários e respetivos intermediários no acesso ao pote.

À entrada na lixeira beneditina, ei-los que chegam, bem enfarpelados para cumprir o ritual de nada dizerem de útil ou interessante. E, menos ainda, de possuírem qualquer laivo de criatividade; esperam as disposições legais da paróquia, mormente nascidas e apuradas na própria lixeira beneditina para, passados poucos anos de reverência, com o braço em baixo ou em cima, darem seguimento às solicitações dos magnatas da sua própria paróquia.

Há quem chame ao regime político emanado da beneditina lixeira, “democracia burguesa”. As burguesias tendem a gostar do empreendedorismo; porém, nunca se viu o país tão paralisado pelo baixo nível de investimento útil. E, claro que não é só no SNS; o PRR vai coxo, mas vai distribuir o dinheiro, enquanto os reformados se acomodam como podem, perante os seus estagnados rendimentos. Três em quatro famílias têm dificuldade em pagar os seus encargos.

A publicação da “Visual Capitalist” hierarquiza os países do mundo com a designação de “A Map of Global Happiness By Country in 2024” (https://www.visualcapitalist.com/a-map-of-global-happiness-by-country-in-2024/)

Entre os primeiros lugares situam-se, Finlândia, Dinamarca, Islândia, Suécia, Holanda, Noruega, Luxemburgo e Suíça com indicadores entre 7.3 e 7.1. Nessa escala mas muito mais abaixo, Portugal evidencia-se em 55º lugar com um indicador de 6.0, a par com a Hungria; todos os outros países europeus, com indicadores inferiores, situam-se no Leste.

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GRAZIA  TANTA

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quarta-feira, 6 de março de 2024

Os níveis do custo da mão-de-obra na UE

  

Pretende-se com estes dados proceder a uma avaliação dos custos do trabalho entre os países da UE, para o período 2008/22.

Para o conjunto daqueles países, nada evidencia uma harmonização, uma aproximação entre os países mais ricos e os mais pobres; isto é, trata-se de uma “união” que pouco tem de União, dominando, desde o início da UE, uma diversidade acentuada para os níveis do “custo da mão-de-obra”. Aliás, a continuidade dessa designação, mantém uma segmentação social que se mantém, há mais de cem anos, em prejuízo dos trabalhadores com salários mais baixos e, maiores obrigações, por parte dos governos e das camadas possidentes.

As loas tecidas pelas classes políticas nacionais sobre a harmonização comunitária representam, na realidade, a integração das hierarquias nacionais e respetivos poderes comerciais e financeiros; e menos, os respetivos poderes políticos nacionais. O modo como as classes políticas europeias assumiram a sua subalternidade perante os EUA na questão da Ucrânia, é bem patente; ficou claro que a questão ucraniana é um negócio de cariz geopolítico e não algo em que a Europa apresente qualquer papel de liderança.

 A Europa continua a ser um palco de desigualdades, num contexto geográfico restrito, no seio de um poder comercial e financeiro essencialmente regional. E que se eleva no âmbito político e económico quando os EUA evidenciam o seu papel soberano global perante as duas grandes potências – China e Rússia.

Decidimos observar, a partir de dados do Eurostat – a estrutura de custos com o trabalho assalariado – para a grande maioria dos países europeus, mormente dos que se inserem na UE. Uma sumária observação dos custos da mão-de-obra mostra uma realidade muito diversa, em nada relacionada com as loas tecidas no sentido de uma homogeneização dos estados europeus. Pelo contrário, as enormes diferenças verificadas frisam precisamente manter as desigualdades e o estabelecimento de uma hierarquia que estabelece diferenciados níveis de riqueza, de salários, de níveis de vida. A própria UE que há muitos anos se apresentava como instrumento de homogeneização dos níveis de vida dos povos europeus, falhou completamente nesse propósito, mantendo-se a colonização económica dos pobres pelos ricos e, uma enorme diferenciação dos níveis de vida.

1 - Em 2022, os valores diários mais elevados para o preço do trabalho (superiores a € 40) evidenciam-se nos seguintes países (em €):

·           Noruega – 55.6, Luxemburgo – 50.7, Islândia – 48.4, Dinamarca - 46.8, Bélgica – 43.5, França – 40.8, Países Baixos – 40.5, Suécia – 40.1.

2 - As situações em que aqueles custos se mostram com valores entre os € 20/40 encontram-se nos países que se registam em seguida:

·           Alemanha – 39.5, Áustria – 39.0, Irlanda – 37.9, Finlândia – 35.9, Zona euro – 34.3, UE – 30.5, Itália – 29.4, Espanha – 23.5, Eslovénia – 23.1.

Os dados apurados permitem que se proceda a algumas equiparações, reveladoras das diferenciações relativas aos preços do trabalho. Assim, os custos na Noruega aproximam-se do dobro dos apurados na Itália e, os preços do trabalho na Dinamarca, duplicam os vigentes em Espanha ou na Eslovénia.

3 - São também numerosos os países com indicadores no intervalo € 10 – 20.

·           Chipre – 19.4, Rep. Checa – 16.4, Estónia – 16.4, Portugal – 16.1, Eslováquia – 15.6, Grécia – 14.5, Malta – 14,0, Lituânia – 13.1, Polónia – 12.5, Letónia – 12.2, Croácia – 12.1, Hungria – 10.

Neste grupo de países, Chipre apresenta custos do trabalho correspondentes a metade dos apurados na Alemanha ou na Áustria; e, no Luxemburgo o custo da mão-de-obra é cinco vezes superior ao vigente na Hungria (€ 10). No caso específico de Portugal, os custos da mão-de-obra são mais de três vezes inferiores aos vigentes na Noruega ou no Luxemburgo.

4 - Finalmente, os países com indicadores inferiores a € 10, são:

·          Roménia – 9.5, Sérvia – 8.8, Bulgária – 8.2

Pautando-se os custos do trabalho nos países balcânicos atrás citados cerca de sete vezes inferiores ao da Noruega, por exemplo,

Observem-se de seguida, as diferenciações registadas no período referido. Como se verá, as variações no período para os custos da mão-de-obra, revelam que a variação em 2008/12 para os países mais ricos se distingue, claramente, da observada para os mais pobres. Vejamos adiante a comparação daquelas variações.

Os países mais ricos, que apresentam custos de mão-de-obra mais elevados, são também aqueles onde o aumento da sua riqueza, no período considerado, é mais elevado. Os maiores acréscimos dos custos de mão-de-obra, no período considerado (2008/12) são; Bélgica + € 10.6; Dinamarca + € 12.2; Alemanha + € 11.6; França + € 9.6; Luxemburgo + € 18.4; Países Baixos + € 10.7; Áustria + € 12.6; Islândia + € 26.5 – que ultrapassam os valores totais dos custos da mão-de-obra vigente em vários países de menor riqueza.

Para os países menos ricos ou… mais pobres, o incremento de valores para o preço do trabalho é menor, como são mais baixos os próprios custos registados da  mão-de-obra. Assim, para os países menos ricos, os custos com a mão-de-obra apresentam os seguintes valores para 2008 e 2022, respectivamente. Para além dos elementos incluídos no quadro que se segue, evidencia-se a redução observada na Grécia e, mostra-se a situação portuguesa com uma muito baixa evolução - € 12.2 em 2008 e € 16.1 em 2022.

 

2008

2022

Variação.

Bulgária

2,6

8,2

5,6

Rep. Checa

9,2

16,4

7,2

Estónia

7,9

16,4

8,5

Grécia

16.8

14,5

-2,3

Croácia

9.2

12,1

2,9

Letónia

5.9

12,2

3,0

Lituânia

5.9

13,3

7,4

Hungria

7.8

10,7

2,9

Malta

11.4

14,0

2,6

Polónia

7.6

12,5

4,9

Roménia

4.2

9,5

5,3

Eslováquia

7.0

15,6

8,6

Sérvia

5.1  (2012)

8,8

3,7

 

Acrescentamos ainda alguns casos de parca evolução dos custos de mão-de-obra – Espanha 4.1%; Itália 4.2%; Chipre 2.7%; Portugal 3.9%, entre outros.

Para terminar, sublinhamos os casos mais marcantes na variação anual (2008/22) – Islândia (1.89%), Luxemburgo (1.31%), Áustria (0.90%), Dinamarca (0.87%), Alemanha (0.83%), Bélgica e Países Baixos (0.76%). Inversamente e, no mesmo período, referem-se casos de situações de redução no mesmo período – Grécia (-0.16%), Noruega (-0.08%) e Turquia (-0.15%).

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