segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Eleições num regime pós-fascista e empobrecedor (1)

Só um regime tolerante com o fascismo e o racismo ignora as suas próprias leis. Diz a Constituição que: … “Não são consentidas… organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista” (artº 46º nº4) … Perdem o mandato, os deputados… por participação em organizações racistas ou, que perfilhem a ideologia fascista” (artº 160º nº 1) … e, no entanto, o Chega e o seu führerzito estão na Assembleia da República ! Sumário 1 – Assiste-se a um jogo de batoteiros e de aprendizes na arte do gamanço 2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento decente 3 – Os vereadores camarários eleitos por fantasmas 4 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista 5 – O falhanço do regime pos-fascista ---------------\\//--------------- 1 – Um jogo de batoteiros e de aprendizes na difícil arte do gamanço Registou-se no passado dia 6 mais um concurso eleitoral para escolha de quem vai colher e utilizar o produto do saque fiscal de que a plebe é vítima. Os artistas participantes na romaria eleitoral têm objectivos muito claros: Alimentar uns milhares de bocas de uns quantos dos seus membros sabendo-se que uns roubam a horta, enquanto outros guardam à porta, num contexto muito solidário; Funcionar como zelosos intermediárias dos interesses do sistema financeiro global, das multinacionais e do capital mafioso, sem esquecer o municiamento do distinto empresariato luso; Manter toscos espetáculos de wrestling televisivo para que não sobre à plebe um tempo de aborrecimento ou de lucidez, durante as ausências de futebol. Também como no futebol, há várias divisões, no referido concurso, com distribuição de taças variadas – umas de prata, outras de lata e as últimas de plástico. Na primeira divisão, estão os participantes do partido-estado, o PS e o PSD, que repartem entre si, há 45 anos a posse da taça, perante a alegria dos adeptos do ganhador do momento e a tristeza dos perdedores que ficam, durante alguns anos a remoer e a preparar a desforra. Mas, enfim, há mar e mar, há ir e voltar; ou melhor, há mentir e roubar e esperar pela vez de roubar e mentir. Felizmente, para aqueles clubes, os adeptos são fiéis e mansos, aceitando com bonomia o local periférico do estádio, tal como aceitam a má qualidade da uma prática desportiva, competitiva, que confundem com democracia. Nesse campeonato, a figura de árbitro é preenchida por uma gravata que tem um papagaio palrador por detrás; e a que os idiotas dedicam respeito e reverência, mesmo que seja apenas uma excrescência monárquica. Mas também há uma segunda divisão! Participam o BE, o PCP (que tem uma equipa B conhecida pelos Verdes, dada a cor da camisola) e ainda um tal CDS que em tempos preenchia um táxi alugado; agora preenche também um táxi mas, desta vez, o motorista também é do clube. Os dois primeiros dizem ser produtivos em jogadas pelo lado esquerdo do recinto mas,na realidade, raras vezes passam do meio-campo. O terceiro, acantona-se no lado direito do campo, muito chegado à linha lateral e sem ultrapassar o centro do terreno. Claro, que ganhar o campeonato da segunda divisão não dá direito à posse da taça (que, note-se tem a configuração do pote das migas); mas gostam de participar e ver a bancada a vibrar e aplaudir. Finalmente, a turbamulta da terceira divisão, cuja composição integral ninguém recorda; é muito variada e só visível uma vez em cada quadriénio – e, quase sempre porque têm o nome nuns papelinhos que a ordeira populaça colocará na urna onde enterram os seus direitos e desperdiçam os seus futuros. O PAN pretende punir os comedores de costeletas de vaca desde que não as substituam por soja transgénica e, portanto, sabotadores de uma redução substancial no CO2; têm um apoio de monta, num lente de miolos desgastados, à beira do Mondego. Uma tal Aliança foi criada por um jogador veterano que nunca brilhou na primeira divisão e demonstra uma evidente falta de visão de jogo; mas que tarda em se dedicar a levar os netos a brincar nos baloiços. Uma tal Chega é uma equipa de puros que, nos estatutos proíbe a contratação de ciganos, africanos ou asiáticos, por excesso de bronzeamento; e entra em campo a cantar o Horst Wessel Lied. Finalmente, uma menção ao quase cinquentenário MRPP e ao eterno lanterna vermelha – MAS - que têm já definido o local onde colocarão a primeira taça que conquistarem; o primeiro, irá colocá-la junto de uma estátua de Lenin, enquanto o segundo preferirá uma de Trotsky. E assim vai Portugal, alguns vão bem e muitos mal, como diz o Fausto Bordalo Dias. (continua) 2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento[1] decente Essa incapacidade não é nova. Carateriza o regime pós-fascista e mostra uma diferença face aos seus antepassados do regime fascista. Hoje, o recenseamento eleitoral contabiliza no território 800000 pessoas inexistentes; e ainda acrescentou quase 1.5 milhões de emigrantes de várias gerações que, na sua grande maioria e por óbvias razões, pouco se interessam pelo que se passa em Portugal. No regime fascista, a preponderância do espírito sovina de Salazar, limitava os inscritos a 1784300 pessoas (1969) poupando assim na extensão dos cadernos eleitorais e na impressão de boletins de voto. Em suma, o regime fascista deixava de fora grande parte da população; e o regime pós-fascista inventa população. Para além desta diferença e da existência ou não de pide, o empobrecimento relativo e a corrupção são obra comum aos dois modelos. 3 - Detalhemos o actual recenseamento... A população com mais de 18 anos é da ordem dos 8,5 milhões de pessoas. Porém, a classe política (a parte que elaborou o dito recenseamento e a outra, que a aceitou sem protestos) encontrou 9344 mil potenciais votantes, residentes no território pátrio. Assim, entendemos que a PJ deve investigar onde estão 800000 pessoas residentes; ou, em alternativa, tão meritória função poderá caber à Autoridade Tributária, com vasta experiência em encontrar gente para aplicar impostos, coimas e multas para a devida sucção pelos cleptocratas; Por exemplo, entre outras situações, registamos os casos de Boticas e Montalegre, onde a população adulta corresponde apenas a 74.6% dos inscritos para votar; Inversamente, o tal recenseamento pode deixar de fora uma parte da população existente. São (entre mais de trinta) os casos de Vila do Bispo onde se descortinam 10.8% de potenciais inscritos a prostrarem-se diante da urna… sem a devida inscrição; 10.1% em Alvito ou 9% em Arruda dos Vinhos; O regime pós-fascista prometeu na CRP (artº 291º) substituir os distritos por regiões administrativas; e até organizou um referendo (1998) para enterrar na penumbra essa promessa constitucional. Assim, existem áreas administrativas numa lógica distrital (segurança social de autoridade tributária, por exemplo) e outras por regiões (áreas da saúde e educação); As regiões criadas não são órgãos eleitos, não são autarquias mas, áreas descentralizadas da administração central, ao sabor dos interesses e das habilidades do gang governamental no momento. Passos criou as Comunidades Intermunicipais e as Áreas Metropolitanas para distribuir “convenientemente” os fundos comunitários e encaixar mandarins na gestão da sua aplicação. Costa pretende criar órgãos descentralizados do Estado mas, na dependência do governo. E, cada gang de serviço, tornou frequentes alterações nas designações e na composição geográfica das regiões; certamente, com cada um a repartir o território de acordo com os apetites das clientelas partidárias. 4 – Vereadores camarários eleitos por fantasmas [2] O excesso de inscritos para votar tem na manga mais um truque do regime e da sua classe política. Como é sabido, o número de componentes das vereações camarárias varia consoante o número de eleitores no território de cada autarquia – e pode ir de 5, para as autarquias menos populosas (inferiores a 10000 eleitores) passando por 7 (10/50000), 9 (50/100000); e 11, acima de 100000, com excepção para o Porto que tem 13 vereadores e Lisboa, 17. Ora, havendo registados cerca de 800000 indivíduos inexistentes não será caso raro que esses eleitores fantasmas permitam a eleição de mais dois vereadores além dos devidos. E, assim se inflaciona o número de mandarins, de caciques partidários, um pouco por todo o país. 5 – Listagem aproximativa desses casos de vereadores excedentários, indevidos Calheta (Madeira) tem uma população adulta (> 18 anos) da ordem dos 9200 mas no recenseamento eleitoral (RE) apresenta 12250 eleitores em 2019… embora a população total não ultrapasse 10865 em 2018. Se se mantiver essa inflação de residentes, nas próximas eleições autárquicas, serão eleitos 7 e não 5 vereadores; As situações de municípios com menos de 10000 habitantes maiores de 18 anos e que têm 7 e não 5 vereadores, como seria a norma, são vários – Alijó, Arganil, Melgaço, Mogadouro, Moimenta da Beira, Montalegre, Óbidos, Ponte da Barca, Resende, Sabugal, Santa Comba Dão, Sever do Vouga, Tábua, Vendas Novas, Vila Franca do Campo e Vinhais. Assim se criam 32 lugares de vereador, a repartir pelos gangs partidários, à boleia de um recenseamento enviesado. 6 - Municípios com 10/50000 pessoas com idade acima dos 18 anos • Alguns são considerados como tendo um volume de eleitores acima do número físico de residentes habilitados para votar. São casos em que há 9 vereadores quando o seu número deveria somar aos anteriores, mais um conjunto de 14 vereadores empossados por conta de um recenseamento mal efeito; • O escalão seguinte contempla municípios com mais de 100000 habitantes com idade para votar e que preenchem a vereação, teoricamente com 11 vereadores. Porém há casos em que um recenseamento eleitoral errado coloca neste escalão, municípios que apenas deveriam considerar 9 vereadores, dado que a sua população se situará aquém dos referidos 100000 habitantes com 18 ou mais anos – Barcelos, Funchal e Setúbal. Daí resultam mais 6 cargos supranumerários, com as respetivas mordomias e oportunidades variadas para negócios corruptos, como é típico na generalidade das autarquias; • Ao município do Porto foi atribuído um lote de 13 vereadores, por conta dos seus 210000 inscritos no recenseamento (embora a sua população com mais de 18 anos pouco supere os 180000). Porém, não se sabe bem porquê, Sintra e Vila Nova de Gaia com populações com idade superior a 18 anos, da ordem dos 311000 e 249000 elementos, respetivamente, só têm direito a 11 vereadores, como decorreu das autárquicas de há dois anos. • A classe política, não colocará estas questões por razões de uma solidariedade interna, entre os vários gangs, para a ocultação de truques para empolar o número de mandarins (52) nos elencos autárquicos. A solidariedade no seio do mandarinato, contra a multidão e no saque do pote, é levada muito a sério. • Acrescente-se ainda, que nada justifica, nas leis da paróquia lusa, a inserção de tão elevado número de vereadores, para a satisfação das necessidades coletivas da população. Atualmente, as reuniões camarárias podem constituir locais de disputas partidárias e não órgãos executivos, fiscalizados pelas respetivas assembleias municipais, com capacidades de demissão do executivo: que não têm. As assembleias municipais não passam de areópagos onde se passeiam as estirpes secundárias ou terciárias dos partidos, em disputas oratórias reveladoras da menoridade política e intelectual da maioria dos seus membros. 7 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista Observemos, em primeiro lugar, a evolução dos eleitores inscritos – que, já referimos como sistematicamente inflacionados - com a evolução dos votos dirigidos a partidos ou coligações dos mesmos; e, obviamente dos abstencionistas, de quem anulou o voto ou, o entregou por preencher (em branco) e que, na sequência, serão rateados e acrescentados aos votos dos principais partidos votados, vindo a contribuir também para o cálculo dos subsídios públicos aos partidos. Nota: Em 2019 não incluímos nos inscritos a multidão de emigrantes 8 - O volume dos inscritos cresce rapidamente em perto de três milhões de pessoas nos vinte anos decorridos entre 1975 e 1995; estagna em seguida durante dez anos, para voltar a crescer até 2015 e decrescer no último quadriénio. A despeito desta evolução dos inscritos, os votos dirigidos a partidos atingiram o seu máximo em 1976/1980 (cerca de 5.9 milhões) – período de estado de graça do regime e de crescimento populacional - a que se seguiu um período de relativa estagnação que finda em 1999/2002, quando ocorre uma nítida quebra. A partir de 2005 há uma quebra constante e regular, pouco acima dos 100000 votos em cada concurso até que, no presente ano, o nível dos votos dirigidos a partidos se mostra no mais baixo nível de sempre, abaixo dos cinco milhões, como resultado de uma quebra de 330000 votos no passado dia 6 de outubro. Contrariamente ao que propagam críticos ingénuos do actual regime, o surgimento de novos partidos não acrescenta nada; porque nenhum defende rupturas mas antes, um encaixe confortável no sistema, o direito a uns sorvos do mel que escorre do pote. A excepção, será, eventualmente, a recente a eleição de africanas (embora o CDS tenha há anos um “pele preta, máscara branca”), como forma de dar visibilidade e dignidade aos imigrantes em geral e, de afrontar o racismo larvar existente entre os nativos de Portugal. Como é evidente, a evolução do número de “fantasmas” não tem impacto nas votações partidárias; traz outros parâmetros na manga – a incúria e a incompetência na elaboração do inventário dos eleitores e o seu subtil aproveitamento para garantir mais umas dezenas de vereações autárquicas, como mostrámos atrás. 9 - A variável mais dinâmica no gráfico é claramente a evolução do conjunto “abstenções, votos brancos e nulos”, ainda que afetada artificialmente pelo sobredimensionamento do número de pessoas recenseadas não existentes – acima de 800000 no recente concurso. No regime fascista, o direito de votar era pouco usado por quem não fosse adepto do regime; a maioria da população não votava, nem se dava ao trabalho da inscrição para tal, uma vez que com, ou sem batota, a vitória dos candidatos do regime estava garantida. Em 1969 estavam inscritos 1784300 pessoas, um número que teve um “grande” aumento em 1973, quando se cifrou em cerca de 1.8 milhões. No actual regime pós-fascista, o modelo eleitoral está igualmente preparado para que as eleições sejam ganhas por uma das alas do partido-estado, PS/PSD, bastardo herdeiro da União Nacional, rebatizada como Ação Nacional Popular, por um outro Marcelo, padrinho do actual Marcelo, conhecido frenético leitor de contracapas e emissor compulsivo de vacuidades. E, como gradualmente se vai tornando transparente, votar tornou-se rotina, inutilidade porque de facto, está tudo escolhido, consolidado no âmbito do PS/PSD, para mais devidamente monitorizados no seio dos seus enquadramentos políticos internacionais (o S&D e o PPE); no âmbito económico (UE, Eurogrupo, Comissão Europeia, BCE), no âmbito militar (ambos fervorosos adeptos da NATO). Esquematicamente, a arrumação das tonalidades políticas pode ser comparada - situação pouco antes do 25A e, atualmente: Regime Ala mais à direita, Centro político, Ala menos à direita Fascista (1926/74) Kaúlza, Cazal, Tenreiro… ANP (Caetano) “Ala liberal” (Sá Carneiro, Balsemão…) Pós-fascista (1975/…) CDS/IL/Chega PS/PSD BE/PCP/PAN/Livre Consideramos todas as formações partidárias como reacionárias e, nenhuma com valores de esquerda. Vejamos, entre outros aspetos aqui omissos, o que defendem: • um aparelho totalitário, impositivo e repressivo (Estado), a que todos devem obedecer; • a existência de uma elite, com direitos e mordomias específicas (a classe política), uma réplica da antiga nobreza; • são adversários ferozes e confessos da democracia direta, das decisões tomadas coletivamente, sem chefes ou hierarquias; • o militarismo, a existência de forças armadas e a participação portuguesa nas guerras do Pentágono; • o capitalismo, seja na forma tradicional ou na fórmula de capitalismo de estado; • são contrários à autogestão quer na decisão política, como no trabalho; • na sua maioria, são reacionários quanto a costumes; • todos defendem o crescimento do PIB, como encarnação da acumulação capitalista, acrescentando um “sustentável” para dourar a pílula; • quanto às alterações climáticas apontam os seus perigos, querendo fazer acreditar que a sua superação é possível no âmbito da habitual osmose entre as multinacionais e as classes políticas; • a informação dominada por grupos de media e financeiros, com interesses próprios de caráter económico e de manipulação política; É neste quadro que se garante a estabilidade política, o normal funcionamento das instituições, dos mercados, a simpatia dos investidores, a competitividade do país, bla bla, bla bla… para além do razoável e continuado empobrecimento da plebe. Assim se garante um regime político putrefacto como o anterior (fascista), perante o qual a diferença de ordem política mais relevante, no actual modelo pós-fascista, é a ausência de uma polícia política. O gráfico que se segue mostra a crescente falta de representatividade da classe política no conjunto da população e ainda a estabilidade na sua repartição entre o partido-estado e as suas alas ou franjas, uma mais à direita e outra, menos à direita do putrefacto sistema partidário fautor e zelador das desigualdades; um pântano de emanações sulfurosas, cáusticas e fedorentas. O modelo de representação está longe de ser proporcional e utiliza intensamente o método de Hondt para favorecer o partido-estado PS/PSD. É uma técnica moderna, muito mais avançada do que as manipulações grosseiras usadas durante o regime fascista, acompanhadas de pancadaria e prisões dos opositores. O fascismo é sempre um regime brutal de domínio da plebe. O pós-fascismo domina de forma mais insidiosa, de afastamento, isolamento, castração; reconhece que o controlo biopolítico é mais eficaz do que um regime disciplinar imposto por polícias brutos e broncos. Com o Chega é a chegada de fascistas e racistas à AR, no seguimento do Vox espanhol, da AfD alemã, do UKIP inglês, da Lega do Salvini e da veterana Mme LePen. Talvez, um dia desses desembarque Steve Bannon no aeroporto para industriar o Ventura para uma fusão com o PNR 5 – O falhanço do regime pós-fascista ------------> alguns indicadores que prenunciam a continuidade Dívida pública (€ milhões) Capitação da dívida (€) 2011 - 196231 2011 - 18614 2019 - 249045 2019 - 23996 Encargos dívida públ. Taxa de juros implícita (%) (€ milhões) 2011 - 6271 2011 - 3.62 2019 - 8029 2019 - 3.26 Capitação do PIB (€) Rendim. médio das famílias (€) 2011 - 16710 2011 - 30425 2018 - 19656 2017 - 31391 Ganho médio mensal do trabalho (€) Receita IRS (€ milhões) 2011 - 1084 2011 - 9831 2017 - 1133 2019 - 12905 Variação (+9.4%) Variação (+31%) Imp. Produt. Petrolifer. (€ milhões) Receita IVA (€ milhões) 2011 - 2306 2011 - 13052 2019 - 3643 2019 - 17499 Variação (+58%) Variação (+34%) Remuneração dos empregados, per capita, atendendo ao poder de compra 2004 – UE – € 10621 Portugal - € 8626 --------------------> 12 países estavam em pior situação 2011 – UE – € 12463 Portugal - € 9359 --------------------> 11 países estavam em pior situação 2017 – UE – € 14182 Portugal - € 10213 --------------------> 8 países estavam em pior situação - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Textos sobre eleições: https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/democracia-eleicoes-democraticas-onde.html http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/10/sobrevoando-40-anos-de-eleicoes-em.html http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/08/eleicoes-abstencoes-e-fanatismo.html http://www.slideshare.net/durgarrai/eleies-europeias-2009-limitaes-e-oportunidades (inclui cálculo de fantasmas) Estes e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ http://www.slideshare.net/durgarrai/documents https://pt.scribd.com/uploads [1] Podiam, ao menos, aprender com as técnicas usadas pelo rei Manuel I, em 1527 [2] Em 2009 efetuámos um exercício sobre o assunto, agora atualizado http://www.slideshare.net/durgarrai/um-sistema-eleitoral-falsificado-e-enganador Grazia.Tanta@gmail.com

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sobre a União dos povos europeus e a tara sionista

Distingue-se totalmente a UE dessa União. O estado-nação tem sido um verdadeiro calvário para a existência dos povos e para o caudal de guerras desde a sua real formação no século XVII, na sequência da herança dos territórios das diversas casas dinásticas. Não nos devemos enrolar na lixeira da conjuntura e das corruptas classes políticas. A União dos povos europeus é uma ideia de superação das pátrias, dos nacionalismos, do capitalismo, dos tentaculares e opressivos aparelhos de estado, provavelmente mais viável na Europa, do que em outros continentes, tendo em conta o entrosamento entretanto gerado pelos povos – migrações, Erasmus, internet, turismo, para além de operações militares. É um projeto de constituição de solidariedade entre os povos, sem prejuízo das suas culturas próprias. Não é difícil entender por que razão os estados - português ou sionista - se dão bem. Em parte, é a história de ambos os projetos coloniais — tão recente que coexistiram em mais de duas décadas — o que torna tão evidente o que têm em comum. Primeiro, o império português foi fundado na mesma lógica que, no século XIX e XX, serviu como princípio fundador para a criação do regime sionista: a ideia de que, do outro lado, as gentes indígenas que viam as suas vidas colonizadas e os seus territórios ocupados era, sub-humana e até animalesca. Por seu turno, o cronista do reino português Gomes Eanes de Zurara escrevia, em Chronica do descobrimento e conquista de Guiné, no ano de 1453, que as pessoas guineenses raptadas por colonos portugueses eram “bestas”, descrevendo-as como “almas perdidas” e, com isso, justificando a sua escravatura. O ex-ministro sionista da Defesa, Yoav Gallant disse, pouco tempo depois de 7 de Outubro último, que o seu exército estaria a lutar “contra animais humanos”, justificando, polindo, o genocídio em curso. Entre uma e outra afirmação passam-se quase 600 anos, mas a ideologia por detrás de ambas é a mesma: a de que as pessoas não-brancas não são humanas; estão, na “zona do não ser”, como escreveu Franz Fanon em Pele Negra, Máscaras Brancas, Nos momentos em que se viram a perder o apoio que sempre tiveram, cada vez mais isolados internacionalmente, “orgulhosamente sós”, ambos os impérios escalaram a violência e trataram de denominar quem lhes resistia como “terroristas”. Se Salazar decidiu, “rapidamente e em força”, embarcar numa guerra que acabaria por assassinar dezenas de milhares de pessoas e deixar tantas outras feridas, presas, deslocadas ou dependentes, também Netanyahu assim o fez desde há seis décadas. Numa das leis fundadoras do Estado sionista, lê-se: Israel é a pátria histórica do povo judeu na qual o Estado de Israel foi estabelecido. O Estado de Israel é o Estado-nação do povo judeu, no qual realiza o seu direito natural, religioso e histórico à autodeterminação. A efetivação do direito à autodeterminação nacional no Estado de Israel é exclusiva ao povo judeu [...] O Estado vê o colonato judaico como um valor nacional e trabalhará para incentivar e promover o seu estabelecimento e desenvolvimento. E, se as semelhanças entre os dois projetos são muitas, é preciso reconhecer também que há uma diferença significativa: mesmo que a linguagem do regime português tivesse sido racista e colonial, nunca ela chegou ao espaço linguístico que os lideres sionistas alcançaram nos últimos dois anos. É verdade que o longuíssimo e sombrio fascismo luso, se se deveu também à capacidade de Salazar para escolher palavras certas, a estratégia de se agarrar ao poder, de desenhar um estado, “tão forte que não necessitasse de ser violento”. Por outro lado, os sionistas dizem tudo ao que vêm. Só até janeiro de 2024, o coletivo Law for Palestine listou mais de 500 declarações de incentivo ao genocídio por parte de militares, políticos, jornalistas e influenciadores israelitas. A organização de direitos humanos da palestiniana Al-Haq conta, agora, mais de mil pessoas. E, ainda assim, parece que se continua a não acreditar nas suas palavras. “Toda a Gaza será judaica”, disse o ministro do Património, Amichay Eliyahu. Entre um “1 milhão e duzentos mil palestinianos, devem sair da Faixa de Gaza 700 mil, disse a ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel. “O meu plano de migração voluntária é viável e será posto em prática.” “A Faixa de Gaza deve ser terraplanada; os palestinos terão apenas uma sentença possível, que é a morte”, disse Yitzhak Kroizer, deputado sionista, do partido Otzma Yehudit de Itamar Bem Gvir. “Estou, pessoalmente, orgulhoso das ruínas de Gaza e de que todos os bebés, mesmo daqui a 80 anos, vão contar aos seus netos o que os judeus fizeram”, disse May Golan, ministra da Igualdade Social. Erradicar Gaza. Nada menos do que isso nos satisfará. Não deixem lá uma só criança e expulsem todos os que restarem, para que não tenham qualquer hipótese de recuperar”, escreveu Nissim Vaturi, vice-presidente do parlamento israelita. Estes responsáveis e decisores políticos não descrevem apenas o que querem fazer com Gaza hoje. Falam também das aspirações coloniais de amanhã. Moshe Feiglin, líder do partido Zehut, disse: “Cada criança, cada bebé em Gaza é um inimigo. O inimigo não é o Hamas. Precisamos de conquistar Gaza e colonizá-la e, não deixar lá uma única criança de Gaza. Não há outra forma de alcançar a vitória.” O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse: “Nós conquistamos, limpamos e ficamos no caminho, aniquilamos tudo o que ainda resta. Estamos a destruir Gaza deixando-a como a uma pilha de escombros, uma destruição total sem precedentes. E o mundo ainda não nos impediu.” Mais recentemente, disse ainda: “Já completamos a fase de demolição, que é sempre a primeira etapa da renovação urbana. Agora é preciso construir.” Será, defende ele, “uma oportunidade imobiliária de ouro”. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Bem Gvir, disse: “Rezamos para que os justos e bondosos soldados do IDF [sigla, em inglês, para as forças armadas israelitas] cumpram a missão, conquistem Gaza e encorajem a emigração voluntária. É o certo, é apropriado, é moral, é verdadeiro. E disse ainda: “Se mudarmos a nossa mentalidade e compreendermos que esta terra nos pertence, tudo se torna mais simples. Derrubar o regime do Hamas. Primeiro ocupar, depois estabelecer, anexar e encorajar a emigração voluntária. Esse é “o caminho a seguir.” E não param sequer em Gaza. “Querem soberania?”, perguntou ao público israelita numa conferência o ministro Amichay Eliyahu. “Então, gritem! Querem a Judeia e a Samaria [o que o estado de Israel chama à Cisjordânia]? Querem a Síria? Querem o Líbano?”, “Sim!”, respondem. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse: “Nós vamos aplicar a soberania sobre a Cisjordânia, primeiro através de ações no terreno e, posteriormente, por meio de legislação e reconhecimento formal”. Disse ainda que o trabalho da sua vida é o de “impedir qualquer possibilidade de se estabelecer um Estado palestiniano no coração do país [Israel]. O objetivo é mudar o ADN do sistema por muitos e muitos anos. Isto é uma revolução: é assim que se traz um milhão de pessoas para a Judeia e Samaria”. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, disse que, se os países europeus estão “tão entusiasmados com a criação de um Estado palestiniano, podem fazê-lo nos seus próprios territórios”. Acrescentou: “É uma ilusão pensar que o futuro da Judeia e da Samaria, o berço do povo judeu, será decidido em Paris, Madrid ou Bruxelas. Será decidido apenas em Jerusalém.” E o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse, ao anunciar a ampliação de um colonato que pretende separar Jerusalém do resto da Cisjordânia: “Dissemos que não seria criado um Estado palestiniano e, de facto, não será criado. […] Esta decisão vai duplicar a população da cidade de Ma’ale Adumim. Haverá aqui 70 mil pessoas dentro de cinco anos.” Não só os líderes sionistas sabem perfeitamente o que estão a fazer, como o dizem para que todos saibamos também. É por isso que qualquer pessoa que tenha estado minimamente atenta às suas palavras, não pode acreditar que os representantes de estados europeus não o saibam também. É óbvio, hoje, que representantes do Estado e do governo português — como o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro Luís Montenegro — entendem tão bem quanto nós que o genocídio que o Estado sionista leva a cabo na Palestina é, de maneira assumida, a continuação da limpeza étnica de um povo e da estratégia de ampliação colonial que, há mais de 100 anos, temos assistido. Perante isto, Paulo Rangel escolhe tomar uma única decisão: a que, de maneira mais subtil, procura garantir que pelo menos fez alguma coisa não fazendo coisa nenhuma. O ministro sabe que o estado israelita não deixará que exista, realmente, um estado palestiniano. Sabe também que o recente reconhecimento deste estado é, na verdade, um ato sionista, de apoio à manutenção do status quo — por isso mesmo, deixou imediatamente claro o seu apoio ao império. E sabe, claro, que este acto não vai, de maneira nenhuma, desafiar a limpeza étnica do povo palestiniano. Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro são entes vassalos do projeto imperial sionista. Acreditam, como antes acreditaram os líderes do projeto colonial português, que pessoas brancas são sobre-humanas, estão na zona do não ser. Estivessem eles na mesma posição que Netanyahu, tomariam as mesmas decisões. Por isso, ficarão para sempre na história ao deixarem clara uma coisa fundamental: que o estado português de hoje só difere do formado há mais de 500 anos pela falta de poder. ESCUTA COLETIVA 27 SETEMBRO | 14H RED ZONE GALLERY | PÓVOA DE SANTA IRIA Nesta escuta coletiva, convidamos-te a vires ouvir connosco o episódio Amanhecer em Gaza, construído com textos e testemunhos de antes e durante o genocídio em Gaza, recolhidos pelo livreiro Mahmoud Muna e o jornalista Matthew Teller. Esta sessão de escuta, partilhada e imersiva, com auscultadores, acontece na Red Zone Gallery, uma galeria de arte pública dedicada à Palestina, criada nas ruínas de um espaço abandonado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sobre a União dos povos europeus

... Os sionistas dizem ao que vêm… Distingo totalmente a UE dessa União. O estado-nação tem sido um verdadeiro calvário para a existência dos povos e para o caudal de guerras desde a sua real formação no século XVII, na sequência da herança dos territórios das diversas casas dinásticas. Não nos devemos enrolar na lixeira da conjuntura e das corruptas classes políticas. A União dos povos europeus é uma ideia de superação das pátrias, dos nacionalismos, do capitalismo, dos tentaculares e opressivos aparelhos de estado, provavelmente mais viável na Europa, do que em outros continentes, tendo em conta o entrosamento entretanto gerado pelos povos – migrações, Erasmus, internet, turismo. É um projeto de constituição de solidariedade entre os povos, sem prejuízo das suas culturas próprias. Não é difícil entender por que razão os estados português e sionista se dão bem. Em parte, é a história de ambos os projetos coloniais — tão recente que coexistiram mais de duas décadas — que torna o que têm em comum tão evidente. Primeiro, o império português foi fundado na mesma lógica que, no século XIX e XX, serviu como princípio fundador para a criação do regime israelita: a ideia de que, do outro lado, a gente indígena que via as suas vidas colonizadas e os seus territórios ocupados era sub-humana — animalesca até. Enquanto que o cronista do reino português Gomes Eanes de Zurara escrevia, em Chronica do descobrimento e conquista de Guiné, no ano de 1453, que as pessoas guineenses raptadas por colonos portugueses eram “bestas”, descrevendo-as como “almas perdidas” e, com isso, justificando a sua escravatura; o ex-ministro da Defesa sionista Yoav Gallant disse, pouco tempo depois do 7 de Outubro, que o seu exército estaria a lutar “contra animais humanos”, justificando o genocídio em curso. Entre uma e outra afirmação passam-se quase 600 anos, mas a ideologia por detrás de ambas é a mesma: a de que as pessoas não-brancas não são humanas; estão, como escreveu Frantz Fanon em Pele Negra, Máscaras Brancas, na “zona do não ser”. Também ambos os projetos coloniais se agarraram a uma ideia vinda do fanatismo religioso: a de que o povo a quem incumbia levar a cabo tal empresa fazia-o como vassalo da divindade; tinha uma missão — uma “missão civilizadora”. Como povo cristão, escolhido por deus, tinham os colonos portugueses a obrigação de civilizar os povos inferiores que encontrava. “Ensinando-os” a trabalhar, a “comportar-se” e a vestir-se como esperado seria, a ler e a falar a língua “certa”, a professar a religião “correta”; enfim, a vestir uma máscara branca. Como povo judeu, escolhido por deus, têm agora os colonos israelitas a obrigação de fazer o mesmo com os palestinianos, defendem: ou escolhem assimilar-se, esquecendo a sua história e renegando a sua identidade, ou são condenados ao exílio e à morte prematura. E para aqueles que aceitaram ser assimilados, ambos os estados tinham o mesmo para oferecer: um regime de apartheid. No império português, os sucessivos “estatutos dos indígenas” impunham juras de lealdade ao ocupante, trabalho forçado e direitos menores do que os que tinham as pessoas da cor de pele “certa”. Também o atual império sionista não deixa dúvidas. Numa das leis fundadoras do Estado, lê-se: 1. O Estado de Israel a) Israel é a pátria histórica do povo judeu na qual o Estado de Israel foi estabelecido. b) O Estado de Israel é o Estado-nação do povo judeu, no qual realiza o seu direito natural, religioso e histórico à autodeterminação. c) A efetivação do direito à autodeterminação nacional no Estado de Israel é exclusiva ao povo judeu. [...] 7. O Estado vê o colonato judaico como um valor nacional e trabalhará para incentivar e promover o seu estabelecimento e desenvolvimento. Nos momentos em que se viram a perder o apoio que sempre tiveram, cada vez mais isolados internacionalmente, “orgulhosamente sós”, ambos os impérios escalaram a violência e trataram de denominar quem lhes resistia como “terroristas”. Se Salazar decidiu, “rapidamente e em força”, embarcar numa guerra que acabaria por assassinar dezenas de milhares de pessoas e deixar tantas outras feridas, deslocadas ou dependentes, também Netanyahu assim o fez seis décadas depois. E se as semelhanças entre os dois projetos são muitas, é preciso reconhecer também que há, pelo menos, uma diferença significativa: é que, por muito que a linguagem do regime português fosse racista e colonial, nunca ela chegou ao espaço linguístico que os líderes sionistas alcançaram nos últimos dois anos. É verdade que o longuíssimo e sombrio fascismo português deveu-se também à capacidade de Salazar de escolher as palavras certas, de alterar a estratégia de modo a agarrar-se ao poder, de desenhar um estado “tão forte que não necessite de ser violento”. Por outro lado, os sionistas dizem tudo ao que vêm. Só até janeiro de 2024, o coletivo Law for Palestine listou mais de 500 declarações de incentivo ao genocídio por parte de políticos, militares, jornalistas e influenciadores israelitas. A organização de direitos humanos palestiniana Al-Haq conta, agora, mais de mil. E, ainda assim, parece que se continua a não acreditar nas suas palavras. “Toda a Gaza será judaica”, disse o ministro do Património, Amichay Eliyahu. “1 milhão e 700 mil palestinianos devem sair da Faixa de Gaza”, disse a ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel. “O meu plano de migração voluntária é viável e será posto em prática.” “A Faixa de Gaza deve ser terraplanada, e para todos eles há apenas uma sentença possível, que é a morte”, disse Yitzhak Kroizer, deputado sionista, do partido Otzma Yehudit de Itamar Ben Gvir. “Estou, pessoalmente, orgulhoso das ruínas de Gaza e de que todos os bebés, mesmo daqui a 80 anos, vão contar aos seus netos o que os judeus fizeram”, disse May Golan, ministra da Igualdade Social. “Erradicar Gaza. Nada menos do que isso nos satisfará. Não deixem lá uma única criança. Expulsem todos os que restarem, para que não tenham qualquer hipótese de recuperar”, escreveu Nissim Vaturi, vice-presidente do parlamento israelita. Estes responsáveis e decisores políticos não descrevem apenas o que querem fazer com Gaza hoje. Falam também das aspirações coloniais de amanhã. Moshe Feiglin, líder do partido Zehut, disse: “Cada criança, cada bebé em Gaza é um inimigo. O inimigo não é o Hamas. Precisamos de conquistar Gaza e colonizá-la, e não deixar lá uma única criança de Gaza. Não há outra forma de alcançar a vitória." O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse: “Nós conquistamos, limpamos e ficamos. No caminho, aniquilamos tudo o que ainda resta. Estamos a destruir Gaza, deixando-a como uma pilha de escombros, uma destruição total sem precedentes. E o mundo ainda não nos impediu.” Mais recentemente, disse ainda: “Já completamos a fase de demolição, que é sempre a primeira etapa da renovação urbana. Agora é preciso construir.” Será, defende ele, “uma oportunidade imobiliária de ouro”. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, disse: “Rezamos para que os justos e bondosos soldados do IDF [sigla, em inglês, para as forças armadas israelitas] cumpram a missão, conquistem Gaza e encorajem a emigração voluntária. É o certo, é apropriado, é moral, é verdadeiro.” E disse ainda: “Se mudarmos a nossa mentalidade e compreendermos que esta terra nos pertence, tudo se torna mais simples. Derrubar o regime do Hamas. Primeiro ocupar, depois estabelecer-se, anexar e encorajar a emigração voluntária. Esse é o caminho a seguir.” E não param sequer em Gaza. “Querem soberania?”, perguntou ao público israelita numa conferência o ministro Amichay Eliyahu. “Então, gritem! Querem a Judeia e a Samaria [o que o estado de Israel chama à Cisjordânia]? Querem a Síria? Querem o Líbano?”, “Sim!”, respondem. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse: “Nós vamos aplicar a soberania sobre a Cisjordânia, primeiro através de ações no terreno e, posteriormente, por meio de legislação e reconhecimento formal”. Disse ainda que o trabalho da sua vida é o de “impedir qualquer possibilidade de se estabelecer um Estado palestiniano no coração do país [Israel]. O objetivo é mudar o ADN do sistema por muitos e muitos anos. Isto é uma revolução: é assim que se traz um milhão de pessoas para a Judeia e Samaria”. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, disse que, se os países europeus estão “tão entusiasmados com a criação de um Estado palestiniano, podem fazê-lo nos seus próprios territórios”. Acrescentou: “É uma ilusão pensar que o futuro da Judeia e Samaria, o berço do povo judeu, será decidido em Paris, Madrid ou Bruxelas. Será decidido apenas em Jerusalém.” E o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse, ao anunciar a ampliação de um colonato que pretende separar Jerusalém do resto da Cisjordânia: “Dissemos que não seria criado um Estado palestiniano e, de facto, não será criado. [...] Esta decisão vai duplicar a população da cidade de Ma’ale Adumim. Haverá aqui 70 mil pessoas dentro de cinco anos.” Não só os líderes sionistas sabem perfeitamente o que estão a fazer, como o dizem para que todos saibamos também. É por isso que qualquer pessoa que tenha estado minimamente atenta às suas palavras não pode acreditar que os representantes de estados europeus não o saibam também. É óbvio, hoje, que representantes do Estado e governo portugueses — como o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro Luís Montenegro — entendem tão bem quanto nós que o genocídio que o Estado sionista leva a cabo na Palestina é, de maneira assumida, a continuação da limpeza étnica de um povo e da estratégia de ampliação colonial que, há mais de 100 anos, temos assistido. Perante isto, Paulo Rangel escolhe tomar uma única decisão: a que, de maneira mais subtil, procura garantir que pelo menos fez alguma coisa não fazendo coisa nenhuma. O ministro sabe que o estado israelita não deixará que exista, realmente, um estado palestiniano. Sabe também que o recente reconhecimento deste estado é, na verdade, um ato sionista, de apoio à manutenção do status quo — por isso mesmo, deixou imediatamente claro o seu apoio ao império. E sabe, claro, que este ato não vai, de maneira nenhuma, desafiar a limpeza étnica do povo palestiniano. Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro são vassalos do projeto imperial sionista. Acreditam, como antes acreditaram os líderes do projeto colonial português, que pessoas brancas são sub-humanas, estão na zona do não ser. Estivessem eles na mesma posição que Netanyahu, tomariam as mesmas decisões. Por isso, ficarão para sempre na história ao deixarem clara uma coisa fundamental: que o estado português de hoje só difere do de há mais de 500 anos pela falta de poder. ESCUTA COLETIVA 27 SETEMBRO | 14H RED ZONE GALLERY | PÓVOA DE SANTA IRIA Nesta escuta coletiva, convidamos-te a vires ouvir connosco o episódio Amanhecer em Gaza, construído de textos e testemunhos de antes e durante o genocídio em Gaza, recolhidos pelo livreiro Mahmoud Muna e o jornalista Matthew Teller. Esta sessão de escuta, partilhada e imersiva, com auscultadores, acontece na Red Zone Gallery, uma galeria de arte pública dedicada à Palestina, c

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Variação da população europeia 2015/2100

12 de janeiro de 2026 A variedade das dimensões demográficas no presente século baseia-se em países com pequenas populações; ou, comparativamente, com uma dimensão populacional, na sua maioria, com pendor decrescente. Os países europeus mostram, maioritariamente, populações decrescentes, entre 2015 e o final do século. Os países europeus com população crescente no período, são poucos; apenas se consideram - Liechtenstein, França, Mónaco, Suécia, Suíça e UK. População (2015/2100) (M) Var. (M) Var. Albania 1.6 M - 57% Islândia -35.7 k -9% Andorra 35.7 M - 43% Espanha -14.8 M -31% Liechtenst. 3.5 m 9% Irlanda -21.9 k 0% Lithuania 1.6 m -57% Suécia 710.3 k 7% Austria 1.7 M -19% Itália -23.8 M -40% Malta - 185.5m -34% Suíça 158.7 k 2% Belarus -4.6 M -52% Kosovo 579.4 k -35% Moldova -1,5 M -50% UK 4.8 M 7% Bélgica -697.8 k -6% Letónia 928.2 k -50% Mónaco 9.1 k 24% Ucrânia -23.8 M -61% B. Herzeg. -1.8 M -56% Albânia 1.6 M -57% Montenegro-306.7 k -48% Luxemburgo 10% Bulgária -3.2 M -47% N. Macedón.-950.8 k -52% Netherlands -839.3 k -5% Rep. Checa -2.4 M -22% Croatia -1.7 M -44% Noruega -209.5 k -4% Dinamarca -139.3 -2% Finlândia -1.0 M -18% Polónia -18.8 M -49% Rússia -17.6 M -12% Estónia -518.7 k -39% França 1.8 M 3% Portugal -1.7 M -16% San Marino -2.4 k 7% Romania -8.1 M -43% Alemanha -13.1 M -16% Sérvia -3.0 M -45% Hungria -2.2 M -23% Grécia -3.7 M -37% Eslovénia -485.0 k -23% Eslováquia -2.1 M -37% Europa -152.2 M -20% K = 10^3 M= 10^6 A população europeia é, em grande maioria, uma população envelhecida, com baixa natalidade e pendor decrescente no século XX; mesmo que a Europa seja um destino de gente vinda de África, América ou Ásia. As situações mais marcantes no sentido do decrescimento das populações evidenciam-se no Leste, como acima se pode observar. Destacam-se, entre outros países; - Ucrânia (-61%), Albânia (-57%), Lituânia (-57%), Bósnia-Herzegovina (-56%), Bielorrússia (-52%), Macedónia do Norte (-52%), Letónia (-50%), Moldávia (-50%), Letónia (-50%), Polónia (-49%), Montenegro (-48%), Bulgária (-47%). Inversamente, as situações mais sólidas quanto ao crescimento populacional mostram-se em: Mónaco (24%), Luxemburgo (10%), Liechtenstein (9%), Suécia (7%), UK (7%), França (3%), Suíça (2%) Irlanda (0%). Entre estes, estão presentes três pequenos estados; e, somente quatro, situados na faixa ocidental da Europa. Como se pode observar, entre os países com casos de crescimento demográfico, são poucos os situados na faixa ocidental da Europa. Grazia.tanta@gmail.com 18/02/2025

domingo, 18 de janeiro de 2026

As balas da guerra parecem beliscar pouco as transações de energia

Os cães ladram e a caravana passa… Os palhaços mantêm-se no palco, a entreter os telespectadores. Mas agora, já se vai espalhando a realidade de cada dólar estar a ser garantido por um saldo negativo de $ 30 triliões, um valor de reembolso impossível mesmo que tudo nos EUA fosse vendido; e daí que a Rússia tenha recusado o pagamento em dólares dos seus hidrocarbonetos, para além de outros modelos de transações que, na Ásia, colocaram o dólar fora do circuito, de há algum tempo a esta parte. A decadência dos EUA segue-se à da Europa que, no final da II Guerra, havia aceitado a supremacia dos EUA, gerando a amálgama do que atualmente designamos por BideNato [1]. Neste conjunto, articulam-se duas situações. A decadência da Europa, constituída por pequenas paróquias nacionais, no exercício de constantes cotoveladas mútuas e, onde se destaca a Alemanha, a única potência comercial global dentro da UE. E o orgulho inglês, simbolicamente abatido com a independência da Índia e, consolidado quando Harold Wilson, 25 anos depois, decretou o Suez como limite oriental da atuação inglesa, aceitando a crescente estratégia dos EUA, que vem ancorando o seu poder numa presença militar disseminada pelo globo. O Center for Research on Energy and Clean Air (CREA) apurou o número de carregamentos de petróleo bruto, gás natural liquefeito, refinados de petróleo e carvão, durante os primeiros cem dias após o início da guerra na Ucrânia. Como se observa em seguida, a Rússia não tem tido dificuldades em vender… produtos energéticos. Mesmo que entre os compradores figurem países do círculo NATO. Descarregamentos de petróleo bruto russo (portos mais importantes) carregamentos Carga (1000 t) Roterdão (P. Baixos) 47 5345 Trieste (Itália) 30 3713 Maasvlakte (P. Baixos) 32 3645 Sikka (Índia) 20 2624 Nemrut Bay Turquia) 1887 Yeosu (Coreia Sul) 17 1793 Burgas (Bulgária) 15 1713 Gdansk (Polónia) 15 1680 Sta. Panagia (Itália) 14 1611 Lanshan (China) 14 1578 Total 220 25589 Descarregamentos de gás natural liquefeito (LNG) russo (10 mais importantes portos) nº de carregamentos Carga (1000 t) Montoir de Bretagne (França) 12 1162 Zeebrugge (Bélgica) 20 1079 Dunkerque (França) 5 484 Maasvlakte (P. Baixos) 8 433 Bilbao (Espanha) 4 387 Tianjin Xingang Pt (China) 4 317 Anjeong (Coreia Sul) 3 255 Kisarazu (Japão) 3 243 Niigata (Japão) 2 165 Yung-na (Taiwan) 2 159 63 4684 Descarregamentos de refinados de petróleo bruto russo (10 mais importantes portos) nº de carregamentos Carga (1000 t) 38 1554 Roterdão (P. Baixos) 33 1367 Ventspils (Letónia) 18 777 Hamburgo (Alemanha) 24 768 Sillamae (Estónia) 41 701 Amsterdão (P. Baixos) 15 663 Constantia (Roménia) 20 647 Agio Theodoroi (Grécia) 15 586 Korfez (Turquia) 12 472 Immingham (UK) 8 376 224 7911 O que será mesmo difícil é encontrar um naipe de gente tão minúscula como von Leyden, Boris, Stoltenberg, Zelensky, Borrell, sem esquecer o campeão Biden e o ajudante Costa, que tudo faz como servil caudatário nas altas esferas da burocracia europeia. E não referimos um verboso lusitano, por mais que se esmifre em frases tão cheias de profundidade literária, histórica e filosófica como "É o povo português a razão de sermos Portugal". Este e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ https://pt.scribd.com/uploads http://www.slideshare.net/durgarrai/documents ________________________________________ [1] Uma devida homenagem à incapacidade de Biden e de alguns confrades, como o fabuloso Boris, o inseguro trintanário Stoltenberg, o Borrel, a von Leyden, sem esquecer o esforço do mainato António Costa. Sobre o BideNato ver http://grazia-tanta.blogspot.com/2022/05/um-sobrevoo-do-bidenato.html Posted by grazia tanta at 10:14 Labels: classe política, decadência, energia, EUA, Europa, guerra, Rússia, Ucrânia, UE As balas da guerra parecem beliscar pouco as transações de energia Os cães ladram e a caravana passa… Os palhaços mantêm-se no palco, a entreter os telespectadores. Mas agora, já se vai espalhando a realidade de cada dólar estar a ser garantido por um saldo negativo de $ 30 triliões, um valor de reembolso impossível mesmo que tudo nos EUA fosse vendido; e daí que a Rússia tenha recusado o pagamento em dólares dos seus hidrocarbonetos, para além de outros modelos de transações que, na Ásia, colocaram o dólar fora do circuito, de há algum tempo a esta parte. A decadência dos EUA segue-se à da Europa que, no final da II Guerra, havia aceitado a supremacia dos EUA, gerando a amálgama do que atualmente designamos por BideNato [1]. Neste conjunto, articulam-se duas situações. A decadência da Europa, constituída por pequenas paróquias nacionais, no exercício de constantes cotoveladas mútuas e, onde se destaca a Alemanha, a única potência comercial global dentro da UE. E o orgulho inglês, simbolicamente abatido com a independência da Índia e, consolidado quando Harold Wilson, 25 anos depois, decretou o Suez como limite oriental da atuação inglesa, aceitando a crescente estratégia dos EUA, que vem ancorando o seu poder numa presença militar disseminada pelo globo. O Center for Research on Energy and Clean Air (CREA) apurou o número de carregamentos de petróleo bruto, gás natural liquefeito, refinados de petróleo e carvão, durante os primeiros cem dias após o início da guerra na Ucrânia. Como se observa em seguida, a Rússia não tem tido dificuldades em vender… produtos energéticos. Mesmo que entre os compradores figurem países do círculo NATO. Descarregamentos de petróleo bruto russo (portos mais importantes) nº de carregamentos Carga (1000 t) Roterdão (P. Baixos) 47 5345 Trieste (Itália) 30 3713 Maasvlakte (P. Baixos) 32 3645 Sikka (Índia) 20 2624 Nemrut Bay Turquia) 1887 Yeosu (Coreia Sul) 17 1793 Burgas (Bulgária) 15 1713 Gdansk (Polónia) 15 1680 Sta. Panagia (Itália) 14 1611 Lanshan (China) 14 1578 Total 220 25589 Descarregamentos de gás natural liquefeito (LNG) russo (10 mais importantes portos) nº de carregamentos Carga (1000 t) Montoir de Bretagne (França) 12 1162 Zeebrugge (Bélgica) 20 1079 Dunkerque (França) 5 484 Maasvlakte (P. Baixos) 8 433 Bilbao (Espanha) 4 387 Tianjin Xingang Pt (China) 4 317 Anjeong (Coreia Sul) 3 255 Kisarazu (Japão) 3 243 Niigata (Japão) 2 165 Yung-na (Taiwan) 2 159 63 4684 Descarregamentos de refinados de petróleo bruto russo (10 mais importantes portos) nº de carregamentos Carga (1000 t) 38 1554 Roterdão (P. Baixos) 33 1367 Ventspils (Letónia) 18 777 Hamburgo (Alemanha) 24 768 Sillamae (Estónia) 41 701 Amsterdão (P. Baixos) 15 663 Constantia (Roménia) 20 647 Agio Theodoroi (Grécia) 15 586 Korfez (Turquia) 12 472 Immingham (UK) 8 376 224 7911 O que será mesmo difícil é encontrar um naipe de gente tão minúscula como von Leyden, Boris, Stoltenberg, Zelensky, Borrell, sem esquecer o campeão Biden e o ajudante Costa, que tudo faz como servil caudatário nas altas esferas da burocracia europeia. E não referimos um verboso lusitano, por mais que se esmifre em frases tão cheias de profundidade literária, histórica e filosófica como "É o povo português a razão de sermos Portugal". Este e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ https://pt.scribd.com/uploads http://www.slideshare.net/durgarrai/documents ________________________________________ [1] Uma devida homenagem à incapacidade de Biden e de alguns confrades, como o fabuloso Boris, o inseguro trintanário Stoltenberg, o Borrel, a von Leyden, sem esquecer o esforço do mainato António Costa. Sobre o BideNato ver http://grazia-tanta.blogspot.com/2022/05/um-sobrevoo-do-bidenato.html Posted by grazia tanta at 10:14 Labels: classe política, decadência, energia, EUA, Europa, guerra, Rússia, Ucrânia, UE

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Variação da população europeia 2015/2100

A variedade das dimensões demográficas no presente século baseia-se em países com pequenas populações ou, comparativamente, com uma dimensão populacional, na sua maioria, com pendor decrescente. Os países europeus mostram, maioritariamente, populações decrescentes, entre 2015 e o final do século. Os países com população crescente, no período, são poucos; apenas, Liechtenstein, França, Mónaco, Suécia, Suíça e UK. VARIAÇÃO DA POPULAÇÃO EM 2015/2100 Países europeus Var. População População 2025/2100 Var. % 2025/2100 Var. % Albania -1.6M -57% Liechtenst. 3.5K 9% Andorra -35.7K -43% Lithuania -1.6M -57% Austria -1.7M -19% Malta -185.5K -34% Belarus -4.6M -52% Moldova -1.5M -50% Belgium -697.8K -6% Monaco 9.1K 24% B.Herze. -1.8M -56% Montenegro -306.7K -48% Bulgaria -3.2M -47% Netherlands -839.3K -5% Croatia -1.7M -44% N. Macedonia-950.8K -52% Czechia -2.4M -22% Norway -209.5K -4% Denmark -139.3K -2% Poland -18.8M -49% Estonia -518.7K -39% Portugal -1.7M -16% Europe -152.2M -20% Romania -8.1M -43% Finland -1.0M -18% Russia -17.6M -12% France 1.8M 3% San Marino -2.4K -7% Germany -13.1M -16% Serbia -3.0M -45% Greece -3.7M -37% Slovakia -2.1M -37% Hungary -2.2M -23% Slovenia -485.0K -23% Iceland -35.7K -9% Spain -14.8M -31% Ireland -21.9K 0% Sweden 710.3K 7% Italy -23.8M -40% Switzerland 158.7K 2% Kosovo -579.4K -35% UK 4.8M 7% Latvia -928.2K -50% Ukraine -23.8M -61% milhares http//population.un.or/wpp milhóes A população europeia é, em grande maioria, uma população envelhecida, com baixa natalidade e, pendor decrescente no século XX; mesmo que a Europa seja o destino de gente vinda de África, América ou Ásia. As situações mais marcantes no sentido do decrescimento das populações evidenciam-se no Leste, como acima se pode observar. Destacam-se, entre outros países - Ucrânia (-61%), Albânia (-57%), Lituânia (-57%), Bósnia-Herzegovina (-56%), Bielorrússia (-52%), Macedónia do Norte (-52%), Letónia (-50%), Moldávia (-50%), Letónia (-50%), Polónia (-49%), Montenegro (-48%), Bulgária (-47%). Inversamente, as situações mais sólidas quanto ao crescimento populacional mostram-se em: Mónaco (24%), Luxemburgo (10%), Liechtenstein (9%), Suécia (7%), UK (7%), França (3%), Suíça (2%) Irlanda (0%). Entre estes estão presentes três pequenos estados; e, somente quatro, situados na faixa ocidental da Europa. Como se pode observar, entre os países com casos de crescimento demográfico, são poucos os situados na faixa ocidental da Europa. Grazia.tanta@gmail.com 18/02/2025

sábado, 10 de janeiro de 2026

As balas da guerra parecem beliscar pouco as transações de energia

 

As balas da guerra parecem beliscar pouco as transações de energia

Os     

Os cães ladram e a caravana passa… Os palhaços mantêm-se no palco, a entreter os telespectadores. Mas agora, já se vai espalhando a realidade de cada dólar estar a ser garantido por um saldo negativo de $ 30 triliões, um valor de reembolso impossível mesmo que tudo nos EUA fosse vendido; e daí que a Rússia tenha recusado o pagamento em dólares dos seus hidrocarbonetos, para além de outros modelos de transações que, na Ásia, colocaram o dólar fora do circuito, de há algum tempo a esta parte.

A decadência dos EUA segue-se à da Europa que, no final da II Guerra, havia aceitado a supremacia dos EUA, gerando a amálgama a que atualmente designamos por BideNato[1].

Neste conjunto, articulam-se duas situações. A decadência da Europa, constituída por pequenas paróquias nacionais, no exercício de constantes cotoveladas mútuas e, onde se destaca a Alemanha, a única potência comercial global dentro da UE. E o orgulho inglês, simbolicamente abatido com a independência da Índia e, consolidado quando Harold Wilson, 25 anos depois, decretou o Suez como limite oriental da atuação inglesa, aceitando a crescente estratégia dos EUA, que vem ancorando o seu poder numa presença militar disseminada pelo globo.

Center for Research on Energy and Clean Air (CREA) apurou o número de carregamentos de petróleo bruto, gás natural liquefeito, refinados de petróleo e carvão, durante os primeiros cem dias após o início da guerra na Ucrânia.

Como se observa em seguida, a Rússia não tem tido dificuldades em vender … produtos energéticos. Mesmo que entre os compradores figurem países do círculo NATO.

 

Descarregamentos de petróleo bruto russo

(10 mais importantes portos)


nº de carregamentos

Carga (1000 t)

Roterdão (P. Baixos)

47

5345

Trieste (Itália)

30

3713

Maasvlakte  (P. Baixos)

32

3645

Sikka (Índia)

20

2624

Nemrut Bay (Turquia)

16

1887

Yeosu (Coreia Sul)

17

1793

Burgas (Bulgária)

15

1713

Gdansk (Polónia)

15

1680

Sta. Panagia (Itália)

14

1611

Lanshan (China)

14

1578

 Total

220

25589





 

Descarregamentos de gás natural liquefeito (LNG) russo (10 mais importantes portos)

 

nº de carregamentos

Carga (1000 t)

 

Montoir de Bretagne (França)

12

1162

 

Zeebrugge (Bélgica)

20

1079

 

Dunkerque (França)

5

484

 

Maasvlakte  (P. Baixos)

8

433

 

Bilbao (Espanha)

4

387

 

Tianjin Xingang Pt  (China)

4

317

 

Anjeong  (Coreia Sul)

3

255

 

Kisarazu (Japão)

3

243

 

Niigata (Japão)

2

165

 

Yung-na (Taiwan)

2

159

 

 Total

63

4684

 






 

Descarregamentos de refinados de petróleo bruto russo (10 mais importantes portos)

 

nº de carregamentos

Carga (1000 t)


38

1554

Roterdão (P. Baixos)

33

1367

Ventspils (Letónia)

18

777

Hamburgo (Alemanha)

24

768

Sillamae (Estónia)

41

701

Amsterdão (P. Baixos)

15

663

Constantia (Roménia)

20

647

Agio Theodoroi (Grécia)

15

586

Korfez (Turquia)

12

472

Immingham (UK)

8

376

 

224

7911

 

O que será mesmo difícil é encontrar um naipe de gente tão minúscula como von Leyden, Boris, Stoltenberg, Zelensky, Borrell, sem esquecer o campeão Biden e o ajudante Costa, que tudo faz como servil caudatário nas altas esferas da burocracia europeia. E não referimos um verboso lusitano, por mais que se estique em frases tão cheias de profundidade literária, histórica e filosófica como "É o povo português a razão de sermos Portugal".

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                               

https://pt.scribd.com/uploads

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents



[1] Uma devida homenagem à incapacidade de Biden e de alguns confrades, como o fabuloso Boris, o inseguro trintanário Stoltenberg, o Borrel, a von Leyden, sem esquecer o esforço do mainato António Costa que espera por um cargo fora da lusa paróquia. Sobre o BideNato ver http://grazia-tanta.blogspot.com/2022/05/um-sobrevoo-do-bidenato.html

 

Posted by grazia tanta at 10:14 

 

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