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quinta-feira, 18 de julho de 2019

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA - 4



1 - A ordem medieval inscrita nas ordens profissionais
2 - Um país de merda, com uma justiça de merda
3 - Um grande negócio num país de merda – a Fertagus
4 – Costa a brincar aos comboios

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1 - A ordem medieval inscrita nas ordens profissionais


Bem no seio da estreiteza intelectual e política que se vive na paróquia lusa estão as ORDENS PROFISSIONAIS, uma emanação corporativa de tempos medievais, replicada pelo actual regime pós-fascista a antigas e novas profissões. 

Se um Estado reconhece um diploma emanado das suas próprias instituições (temos mais dúvidas em relação aos emitidos por algumas instituições privadas de venda de diplomas), o diplomado deveria ficar livre de tutelas corporativas de grupos mais ou menos mafiosos de profissionais encartados que se arrogam ao direito de condicionar a entrada de jovens na profissão que escolheram e, depois de tecnicamente tomados como habilitados a tal.
 
As castas ou gangs que dominam as Ordens equiparam-se aos medievais mestres das artes e ofícios que decidiam o enquadramento na profissão e avaliavam as qualidades dos aprendizes do ofício bem como a sua progressão. Na Idade Média as corporações eram autónomas do aparelho de Estado, pela simples razão que aquele era embrionário. Hoje, ao contrário dos tempos medievos, o Estado intervém nas Ordens da pior forma, validando condicionamentos no acesso ao exercício da profissão, para que os barões da mesma tenham um vasto mercado. 

As Ordens impõem as regras, os percursos e todos os passos para aceitarem um novo membro.

Daí surgem as obrigações de estágios, organizados pela Ordem e pagos pelos estagiários (ou melhor, pelas suas famílias), depois de terem arcado com as propinas de um ensino privado ou público. No caso de uma estagiária de advocacia que conhecemos, o seu patrono – dono de um conceituado escritório de advogados - no âmbito de um caso que entregara à estagiária para resolver, decidiu que ela deveria deslocar-se a uma cidade do norte do país, com as despesas … a seu cargo… mesmo que ela não auferisse um cêntimo durante o estágio. 

No caso dos psicólogos, os recém-licenciados começam a sua relação com a Ordem com a inscrição e o pagamento de quota mensal, mesmo que não tenham qualquer rendimento próprio. Depois, têm de encontrar onde possam estagiar – um estágio remunerado – o que no modelo neoliberal de redução constante dos direitos no âmbito do trabalho, não é coisa fácil. E ainda são obrigados a frequentar cursos de formação, ministrados pela Ordem e pagos, por quem ainda não tem o direito de trabalhar na sua profissão, sem o aval dos oligarcas. 

Como a psicologia é desprezada pelos governos, muito mais próximos da classe médica (psiquiatras, neste caso, que tendem a resolver as situações com antidepressivos ou com fármacos à base de lítio), Portugal está nos primeiros lugares na parcela da população com problemas de ordem psíquica – 22% (contra 9% em Espanha). 

Espanta, como num cenário político e económico tão neoliberal, onde se sublinham as delícias do empreendedorismo, da competitividade, do auto-emprego, da empregabilidade, existam Ordens de onde exala um fedor medieval e oligárquico, cuja função é hierarquizar os profissionais entre ricos, pobres e desempregados e obter o seu quinhão na partilha dos impostos

Salazar, nunca conseguiu levar até ao fim o seu projeto de instaurar o modelo de “Estado Corporativo” gerado na Itália fascista; e é interessante verificar a criatividade do regime pós-fascista (leia-se PS/PSD) no aprofundamento da ordem corporativa a muitas mais profissões do que Salazar conseguiu. 

Nesse contexto, existe uma coisa parasitária chamada CNOP – Conselho Nacional das Ordens Profissionais - que afirma ter por objetivo “promover a autorregulação e a descentralização administrativa, com respeito pelos princípios da harmonização e da transparência”; que visa “a autorregulação de profissões cujo exercício exige independência técnica”; e que as Ordens não podem exercer funções sindicais (à atenção de Ana Rita Cavaco…). 

Vamos de seguida enumerar as profissões regidas por Ordens por ordem alfabética, para que tudo fique na devida…ordem: arquitectos, biólogos, contabilistas certificados, despachantes oficiais, economistas, enfermeiros, engenheiros, farmacêuticos, médicos, médicos dentistas, médicos veterinários, notários, nutricionistas, psicólogos, revisores oficiais de contas e solicitadores e agentes de execução. Falta a fabulosa Ordem dos advogados que não se mistura com as anteriores, eventualmente requerendo uma CNOP… só para si.

A própria designação de bastonário para a figura realenga do chefe da Ordem tem um cunho medieval, pois designava o portador do bastão de uma confraria numa procissão; ou um apetrecho também usado por marechais… onde existam. Se um bastão tiver uma curva na ponta passa a chamar-se báculo e é usado por outra figura de autoridade com odor medieval – um bispo. Não confundir báculo com… um bácoro que por vezes empunha um bastão!

Para replicarem totalmente a prática das ordens profissionais da Idade Média, falta-lhes (?) arranjarem um santo padroeiro e terem fundos para apoio social das famílias com problemas. E mais, porque não ostentarem os seus pendões e bandeiras nas marchas ditas populares de Santo António? Os turistas deveriam achar very interesting a rivalidade entre a marcha dos advogados, de negro fardados e, a dos médicos de branco ataviados, com os respetivos bastonários à frente, fazendo piruetas com os bastões. Wonderful!

A mesma lógica corporativa vem-se verificando com a criação de sindicatos como pequenos grupos profissionais fechados, com escasso número de elementos, com poder de chantagem sobre os governos e a sociedade e, desligados de qualquer integração com outros trabalhadores. Pequenas mafias e nada mais. Cada um é uma Cosa Nostra.

Neste contexto corporativo, é muito sentida a falta de Ordens para arrumadores de carros, condutores da Uber, canalizadores, eletricistas, reparadores das linhas telefónicas, pedreiros, vidraceiros, sem esquecer a Ordem dos Abrolhos para os membros da classe política…É injusta a discriminação!

2 - Um  país de merda, com uma justiça de merda

Nesse país (que não referimos para não sermos processados) foi descoberto, imagine-se, um juiz de merda (cujo nome não dizemos para não sermos processados). E cuja verdadeira vocação melhor teria sido a instrutiva leitura, a grupos de imbecis, de um compêndio de sacras idiotices, pelo menos duas vezes milenar.

Claro que a coisa não ficou por aí porque o dito juiz, frustrado nessa sua vocação, decidiu dar a bênção aos energúmenos que maltratam as mulheres; e isso, aliás, tem toda a coerência, dado que as coisas se passam num país de merda, com uma justiça de merda onde um juiz que não seja de merda, destoa e se arrisca a ser sancionado. 
 
No tal velho compêndio, as mulheres são tratadas abaixo de cão, como se diz no vernáculo … com o nosso pedido de indulgência pela referência ao canídeo perante os circunceliões que gostam muito dos animais, sobretudo se forem… de raça e encerrados todo o dia num terceiro-esquerdo, à espera de uma saída para largar a bosta. Adiante.

Esse tratamento decorre, apesar do esforço de muitos séculos de elevadas discussões teológicas, até que pelo século XVIII, os estudiosos do compêndio descobriram que, afinal, as mulheres também tinham alma! Há vários milénios a alma só havia sido outorgada, no compêndio, aos machos, o que não deve espantar ninguém pois o compêndio foi inventado em masculinas meninges. Para complicar e a despeito de tanto estudo teológico, essa coisa da alma, afinal, não existe em homem ou mulher, cão ou periquito, magnólia ou couve-lombarda. 

Embora se saiba que a alma não é coisa alguma que fique por aí a circular depois da morte do seu dono - para se livrar do enterro ou do fogo da cremação - o tal juiz de merda continua a basear-se no vetusto e divertido compêndio, despido dessas modernices que elevam as mulheres a ter prerrogativa masculina, como essa de ter alma. Imagine-se! E, zás, manda lavrar em acta.

“Se uma mulher é espancada é porque o merece dado que… muito justamente não tem alma, nem o discernimento e a propensão dos machos para a liderança. O lugar da mulher é abaixo e debaixo do homem”, diz o pouco imaginoso juiz, sentenciando a espancada fêmea ao sacrifício inerente à sua condição de subalterna, de saco de boxe, libertador dos maus humores do viril companheiro. 

E, sela a sentença com uma martelada na mesa que encima o cenário tribunaleiro onde também costuma figurar uma estátua de mulher de olhos vendados com uma espada na mão; nos tempos que correm, melhor seria tirarem-lhe a venda e deixaram-na com um telemóvel com jogos, muitos e cretinos, para se entreter, já que não é possível lavar loiça na sala de audiências embora haja uma bandeira que serviria para a secagem.

Entretanto, porque os serviços de advocacia contribuem decididamente para o aumento do PIB, o tal juiz de merda (que não nomeamos para não sermos processados) contrata um advogado de merda para tratar um assunto que é de merda e tem por cenário, um país de merda (que não referimos para não sermos processado) e onde vigora uma justiça de merda.

(texto escrito em momento crítico, na casa de banho)

3 - Um grande negócio num país de merda – a Fertagus

A Fertagus é uma mini-empresa ferroviária pertencente ao grupo Barraqueiro que iniciou atividade em 1999, ligando Lisboa ao Fogueteiro, e de seguida estendida até Coina antes de, em 2005, chegar a Setúbal. A Fertagus foi a beneficiária da subtração de um novo e suculento tráfego que deveria ter cabido à CP, como empresa única (e pública) de transporte ferroviário, até então; dessa subtração resultaram evidentes benefícios para o grupo Barraqueiro, com não menos evidentes e nefastos efeitos nas contas da CP cujo sub-investimento é crónico e com acrescidos custos para o erário público, que vai arcando com os seus deficits, fruto da desastrosa gestão dos sucessivos gangs governamentais. 

Trata-se de mais um caso do tipo parceria público-privada que o Tribunal de Contas considerou …um caso de sucesso único na Europa; portanto, com menos mediatismo do que as parcerias que alimentam parasitas como as pestilências que empestam as área da saúde ou das autoestradas, as escolas privadas com contratos com o Estado, etc. 
 
Desde o início se tornou escandalosa a diferença nas tarifas autorizadas à Fertagus, quando comparadas com as cobradas pela CP em tráfego urbano/suburbano para distâncias equiparadas. Essa diferenciação deverá ter correspondido a políticas emanadas dos gangs governamentais de… desarmonização regional, pois resultaram na oneração das populações da Margem Sul. O favorecimento é tal que um comboio da CP vindo do Sul para Lisboa, por exemplo, não pode parar e transportar pessoas para as estações intermédias entre o Pinhal Novo e o Pragal; os passageiros terão de sair no Pinhal Novo e comprar um bilhete da Fertagus, porque naquele troço da linha não pode haver concorrência; o funcionamento do sacrossanto “mercado” foi esquecido.

No entanto a adjudicação é dada como tendo resultado na "proposta mais vantajosa para o interesse público, definido pelos menores preços para os clientes e menores encargos e riscos para o estado, desde que garantido um serviço de transporte seguro e de qualidade". O desaforo das mafias governamentais é tanto quanto a mansidão das populações.

Todos os gangs das duas últimas décadas são responsáveis pela situação. Primeiro, Guterres com os seus ministros Cravinho, Jorge Coelho e Ferro Rodrigues; seguiu-se uma dupla de luxo, Santana/Mexia e, mais recentemente, a intervenção do governo Sócrates onde brilharam Teixeira dos Santos e Mário Lino. Os gangs seguintes garantiram a continuidade da situação.

O momento mais delicioso surgiu, em 2005, com o alargamento da circulação até Setúbal. Sabendo-se que a Fertagus não tinha composições que permitissem a continuidade das frequências nesse percurso expandido, a CP aprestou-se a alugar carruagens para que o serviço se mantivesse, proposta recusada pela referida dupla de luxo Santana/Mexia, que preferiu alargar os tempos de passagem de comboios.

Presentemente, fruto de um cuidado planeamento (?), António Costa e Pedro Marques – o criminoso introdutor do fator de sustentabilidade – lançaram um novo regime de passes sociais - cujo lançamento peca por muito tardio - e com um tempo de funcionamento delimitado. Como é óbvio, daí surgiu um aumento da utilização do transporte público e a Fertagus, sempre muito pouco dada ao investimento decidiu reduzir o número de lugares sentados, num contexto em que, hoje, nas horas de ponta, as viagens se fazem com grande número de passageiros de pé. 

Não se ficam por aqui os favores do regime ao grupo Barraqueiro. Certamente, por intervenção divina, alguém deve ter descoberto uma vocação do grupo para o transporte aéreo, dando-lhe uma participação qualificada na TAP; e, antes disso, com a atribuição da linha de metro de superfície, na Margem sul do Tejo. Decididamente, o grupo Barraqueiro é recebido com passadeira vermelha nos antros da corrupção que enformam o regime pós-fascista.

4 – Costa a brincar aos comboios

Em pompa pré-eleitoral António Costa promete muitos investimentos na ferrovia, numa lógica provinciana, da sua distribuição por todo o território. Só faltou falar de uma linha férrea entre … Ponta Delgada e Angra do Heroísmo...

A modernização – palavra mágica de todos os gangs governamentais - cai sempre bem na pastosa plateia dos telejornais. Vejamos alguns exemplos.

A internacionalização tem de estar sempre nos lábios dos mandarins – é um dever de ofício. E assim, surge o projeto turístico da linha do Douro ao qual falta o tipicismo e a inovação de colocarem …os turistas a carregar cestos de uvas das encostas do rio para o comboio. Depois, surgem na grandiosa internacionalização do Costa, os projetos de ligação entre os portos de Sines e Leixões, respetivamente, a terras de Castela e da Galiza e que já têm barbas brancas; sempre num plano de grande preocupação ambiental[1] – coisa que se tornou obrigatório nos discursos da classe política, dos mais à direita aos menos à direita. Essa preocupação ambiental sobressai, quando a par dos novos passes para o transporte urbano e suburbano - um tal Medina, o grande gentrificador de Lisboa, aumenta a capacidade de estacionamento em Lisboa e… as receitas da sua EMEL.

Costa falou na aposta na ferrovia, de grandes projetos para o sec XXI enunciando melhorias que já deveriam ter sido efetuadas há 30 ou 40 anos! Como dono e senhor da paróquia sabe que vai convencer o povo com menos instrução da Europa através dos telejornais, dos plumitivos de serviço e beneficiar da vacuidade dos grilos falantes da AR. 

Nos últimos anos o PS/PSD depois do encerramento de milhares de quilómetros de linhas, na sequência da desertificação da maior parte do território; depois do encolhimento das oficinas de manutenção e reparação do material em contrassenso com a acumulação de equipamento para reparação; da privatização e entrega a uma multinacional do negócio da carga acompanhado de muito material circulante; e das carências que promovem brechas no cumprimento de carreiras, horários e na qualidade do transporte, teve como única aposta o abandono doa via ferroviária. 

Qualquer plano sério para o século XXI (pese embora o atraso) deveria contemplar linhas TGV para Madrid e Europa, em substituição das velhas carruagens que a Renfe coloca naqueles troços internacionais; recorde-se que o AVE entre Madrid e Sevilha foi inaugurado há 28 anos! Coisa que Costa não referiu perante o silêncio dos seus aliados, que continuam focados nas pequenas coisas, sem pingo de visão estratégica.

Sendo Portugal claramente periférico no âmbito europeu, maior é a premência para encurtar as distâncias a percorrer para chegar à Europa transpirenaica ou mesmo à maior parte do território do estado espanhol … para ganhar competitividade, não é assim que se diz?. Porém, um TGV tem um adversário de peso com influência nos gangs governamentais PS/PSD – a Vinci que explora os aeroportos; mesmo que a via ferroviária seja incomparavelmente menos nociva para o ambiente.

Em consonância com o que atrás se disse, a salvação da pátria passará pelo aeroporto do Montijo susceptível do aumento dos negócios da Vinci na área de Lisboa, admitindo que os turistas continuarão a inundar as terras do burgermeister Medina e que o binómio Ota/Montijo tenha viabilidade assegurada.

A Vinci também está atenta à continuidade dos voos Lisboa/Porto e vice-versa que seriam mais confortável e ecologicamente efetuados por um comboio de velocidade elevada, próprio para uma distância de 300 km que separa as duas cidades. E aí a Vinci tem como aliados os protegidos operadores de autoestradas, com farta influência nos gangs governamentais.

Na falta de empenho na alta velocidade haverá também, na classe política, algo do bacoco nacionalismo que pretende manter as distâncias com a Espanha e minimizar as dependências daquela, preferindo-se assim um tipo de bypass, com a via aérea e a pouca atração de ligações internacionais terrestres[2]. Esse nacionalismo é tanto mais bacoco quando se sabe que os capitais espanhóis têm uma relevância determinante na indústria e no setor financeiro português e que a Espanha é, de longe, o principal parceiro comercial de Portugal. 

Curiosamente o TGV não está na agenda dos governos portugueses mas já se concretizou em Marrocos, no percurso Casablanca/Tanger.

          Política ferroviária em Portugal                    Política ferroviária no século XXI


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[1]  Para azar dos saloios, a neutralidade carbónica fixada para 2050 acaba por ser antecipada para 2030 pela nova presidente da CE, Ursula von del Leyen
[2]  A distância por caminho de ferro entre Lisboa e Madrid é de 10/12.30 horas, o que significará, na melhor das hipóteses uma estonteante velocidade de 60 km/h, ou de 13/15 h de Lisboa a Irun (cerca de 900 km)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O desprezo pela via ferroviária



A preferência da governação, pela estrada, pelas parcerias, visa selar a sua relação mafiosa com os interesses da obra pública e da finança; mesmo que essa opção sele a continuidade da situação periférica portuguesa face à Europa e a Espanha em particular. Quanto ao ambiente…

1 – Num país atrasado, a ferrovia também se atrasa
2 – Uma gestão pública que favorece o setor privado
3 – A mediocridade como nota de desempenho
4 - A alta velocidade
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1 – Num país atrasado, a ferrovia também se atrasa
 
A vida dos caminhos-de-ferro em Portugal começou mal. 

Em primeiro lugar, porque o receio de novas invasões francesas da Península Ibérica, como as havidas no início do século XIX, conduziu à utilização de uma bitola diferente da que ligava e liga todos os países da Europa transpirenaica. Do ponto de vista ferroviário, a Península tornou-se uma jangada de pedra, como caraterizada por Saramago.

Depois, porque na inauguração no troço Lisboa-Carregado houve problemas técnicos que obrigaram as finas damas da corte, convidadas a participar na viagem inaugural, a fazer parte do percurso a pé, junto à linha, de saias levantadas.

Em terceiro lugar, porque tratando-se então de um país rural, sem grandes centros industriais ou urbanos, as estações foram colocadas em locais plantados algures, com designações que em nada correspondem à sua localização, como as de Mafra ou Dagorda-

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A balança de pagamentos portuguesa numa noite de verão


As melhorias na balança de serviços - que refletem as mudanças no perfil produtivo do país - bem como o maior fluxo de fundos comunitários entrados, tudo se escoa, na realidade, para o exterior, como rendimentos do capital; os capitalistas servem-se dos trabalhadores para acumularem lucros que, de imediato, remetem para o exterior, não investindo em Portugal. O capitalismo como drama é sempre maior nos países periféricos e subalternos onde a democracia se vai também ausentando.

 Sumário

Conclusões e síntese
A – As necessidades ou capacidades de financiamento externo
B – Os saldos mais globals da balança de pagamentos
B. 1  – Balança corrente
B.1.1 – Balança de mercadorias
B.1.2 – Balança de serviços
B.1.2.1 – Transportes
B.1.2.2 – Viagens e turismo
B.1.2.3  – Outros segmentos
B.1.3 – Balança de rendimentos
B.1.4 – Balança de transferências
B.2 – Balança de capitais


Conclusões e síntese

  • A balança de pagamentos de um país sintetiza as necessidades de meios financeiros para pagar a entidades estrangeiras ou, o contrário, a receber destas, por conta de uma grande variedade de transações de mercadorias, serviços, rendimentos ou capitais. Estruturalmemte, a balança portuguesa exibe necessidades de financiamento; porém, muito recentemente, as obrigações assumidas perante a troika geraram pequenos saldos positivos. Nada há de sustentável;
  • Essa situação financeira recente tem pouco de virtuoso pois resulta do empobrecimento de grande parte da população, de falências e desemprego, de quebras nos rendimentos e nos direitos, no acentuar das desigualdades, sem que se veja qualquer impacto positivo resultante do reforço da riqueza ao dispor dos capitalistas;
  • A balança corrente e o seu principal componente - o saldo de mercadorias - determinam o sentido e o volume da relação portuguesa com o exterior. Observa-se um crescimento paralelo, ainda que de sinais contrários,  entre a balança de rendimentos (deficitária) e a de serviços (superavitária). Finalmente, as transferências, apresentam em todo o período um saldo positivo sem grandes variações;
  • A travagem observada nas importações desde 2010, acompanhada do crescimento das exportações, reduz substancialmente a relevância do tradicional deficit da balança de mercadorias. Sem reais mudanças estruturais no aparelho produtivo, na textura social e na distribuição do rendimento, qualquer incremento do investimento ou do poder de compra irá repor um promover um retorno do deficit aos níveis históricos;
  • Na sua globalidade e heterogeneidade a balança de serviços é superavitária e o seu saldo cresceu oito vezes desde 1996, correspondendo a 5.3% do PIB, como resultado do crescimento das receitas e da relativa estagnação das despesas;
  • No que concerne à balança de transportes o saldo torna-se favorável a partir de 2006 devido ao contributo do transporte aéreo e, de modo mais modesto, o rodoviário.
  • O saldo da balança de turismo e viagens é amplamente favorável sobretudo devido à evolução das receitas, uma vez que as despesas se têm basicamente estagnadas;
  • No conjunto dos restantes segmentos integrados na balança de serviços, destacam-se os saldos favoráveis das várias áreas de consultadoria  e os serviços de construção. Em sentido inverso, com deficits sublinham-se os direitos de utilização, os seguros e os serviços financeiros;
  • O saldo desfavorável da balança de rendimentos é muito pesado e típico de um país periférico. Para esse resultado contribui decisivamente a saída de rendimentos associados ao investimento estrangeiro em Portugal;
  • No contexto da balança de transferências há a sublinhar a perda de importância relativa das remessas dos emigrantes e a irregularidade dos saldos favoráveis face à UE que atinge em 2012 o máximo em todo o período analisado;
  • A balança de capitais apresenta um saldo favorável para o qual contribuem fundamentalmente as transferências procedentes da UE.
  • Síntese da situação da balança de pagamentos em 1996 e 2012
Saldos da Balança de Pagamentos                                       M euros
   
  
1996
2012
Positivos
Negativos
Positivos
Negativos
Mercadorias

-7574

-8582
Serviços
1075

8693




transportes

-259
2137

viagens e turismo
1923

5660

outros serviços

-589
896

Rendimentos

-659

-6422


trabalho
62


-97
investimento

-722

-6325
Transferências
3375

3755




públicas
816

954

Remessas/migrantes
2582

2224

outras

-22
577

Capitais
1724

3870

 soma
6175
-8234
16318
-15005
Total

-2059
1313


Ignorando as variações dentro do lapso de dezasseis anos e comparando apenas os dois últimos anos completos, denota-se, em síntese, um ligeiro agravamento da balança de mercadorias e um grande crescimento da saída de rendimentos de capital, compensados pela forte subida do superavit nos serviços e o mais atenuado dos capitais, enquanto as transferências se mostram sem grandes alterações. No final, o deficit de 1996 é substituido por um superavit em 2012.

Em suma, as melhorias na balança de serviços - que refletem as mudanças no perfil produtivo do país - bem como o maior fluxo de fundos comunitários entrados, tudo se escoa, na realidade, para o exterior, como rendimentos do capital; os capitalistas servem-se dos trabalhadores para acumularem lucros que, de imediato, remetem para o exterior, não investindo em Portugal. O capitalismo como drama é sempre maior nos países periféricos e subalternos onde a democracia se vai também ausentando.

   
A – As necessidades ou capacidades de financiamento externo

Qualquer país tem relações económicas com o exterior. Essas relações concretizam-se em trocas de bens, prestações de serviços, transferências de capitais, de rendimentos ou correspondem a contrapartidas pela concessão de direitos comerciais.

Por outro lado, os protagonistas dessas relações são indivíduos/famílias, empresas não financeiras, entidades públicas, com relevo para o Estado, para além da diversificada gama de entes opacos genericamente designados por sistema financeiro.

A matriz de relações de um país é tanto mais diversificada quanto mais inserida seja a sua economia doméstica no chamado “mercado” global; e essa inserção depende de vários factores como o enquadramento geopolítico, a interligação com entidades plurinacionais, a orientação política de proteção da produção nacional ou de aposta deliberada na volúpia da globalização e da mercantilização da satisfação das necessidades da população.

Essa matriz de relações pode apresentar conteúdos muito distintos. Há países que são particularmente marcados pelas potencialidades retiradas da exportação, sendo contudo muito diferentes se essa exportação é diversificada, se é constituida por bens ou serviços de alto valor ou não, se é concentrada ou não num leque muito estreito de bens ou serviços, como por exemplo, certas economias alicerçadas na exportação de bens energéticos.

Em casos excepcionais, a emissão de uma moeda com forte aceitação internacional, pode constituir uma caraterística diferenciadora de um país face aos restantes, como vem acontecendo, há décadas com os EUA e o seu dólar. Os EUA, cuja supremacia mundial em termos financeiros, militares e políticos é evidente, ao verem-lhes aceite essa situação, têm como garantido que podem emitir dólares, de modo independente das suas contas externas, uma vez que a sua moeda é considerada como um bom activo de reserva e um instrumento geralmente aceite para as transações internacionais. Nesse contexto, os EUA não têm, objetivamente, grandes problemas com o seu deficit externo[1] pois o FED pode emitir a moeda necessária para a sua cobertura; e há muitos anos…

As relações económicas agrupam-se internacionalmente em duas grandes rubricas, com movimentos contabilísticos inerentes às operações concretas – a balança corrente e a balança de capitais.

Registam-se a débito da balança corrente os valores das transações que corresponderão a uma saída de meios de pagamento a pagar pelos residentes, na aquisição de bens ou serviços no exterior, bem como a transferência de rendimentos para fora do país. A crédito, em paralelo, contabilizam-se os meios de pagamento recebidos no âmbito de idênticas transações protagonizadas por residentes no exterior.

A balança corrente tem a seguinte composição básica:

  1. Balança de mercadorias 
Exportações/importações de bens físicos. Os respetivos fluxos financeiros correspondem a entradas/saídas de fundos.

  1. Balança de serviços
Venda a não residentes (crédito)/compra por residentes no exterior (débito) de serviços de transporte, viagens e turismo, comunicações, de construção, seguros, financeiros, informação e informática, direitos de utilização, intermediação comercial, aluguer, prestação de serviços jurídicos, consultadoria de gestão, engenharia e outros, serviços pessoais e operações governamentais.

  1. Balança de rendimentos
Englobam-se aqui rendimentos provenientes do trabalho prestado no exterior por trabalhadores portugueses (crédito)/prestado em Portugal por trabalhadores estrangeiros (débito) e ainda rendimentos de aplicações de capital de portugueses no exterior (crédito)/de estrangeiros com aplicações em Portugal (débito); isto é, dividendos ou outra forma de lucros distribuidos, juros de empréstimos, quer inseridos em investimentos diretos, quer em carteiras de títulos.

  1. Balança de transferências
São enquadradas aqui as transferências de capitais que envolvem entidades públicas, mormente na sua relação com a UE e ainda transferências de pessoas ou outras entidades não públicas, mormente de emigrantes portugueses ou de imigrantes residentes em Portugal. As entradas de fundos registam-se a crédito e as saídas a débito. Não são objecto de uma contrapartida específica em sentido contrário.

Quanto à balança de capitais, há a sublinhar:

A contabilização a débito dos pagamentos relativos a transações associadas a activos tangíveis, não produzidos, que podem ser utilizados na produção de bens e serviços (bens de equipamento), ou ainda os relativos a transações associadas a activos intangíveis não produzidos. A crédito registam-se as entradas de capitais envolvidos na transferência, aquisição ou cedência de propriedade de certos activos, na transferência de fundos associados à aquisição ou venda de determinados activos ou ainda, o perdão de uma dívida por um credor no exterior.

Em cada uma destas balanças parcelares surge um saldo positivo se as entradas de fundos são superiores às saídas e negativo se acontecer o inverso. Da junção ou melhor, articulação de todas elas surge um saldo conjunto das balanças corrente e de capitais; se este for positivo, corresponde a uma capacidade de financiamento, a uma poupança disponível e se for negativo significa haver uma necessidade de financiamento, para cobrir o excesso de saída de fundos/responsabilidades assumidas para com o exterior, face ao volume de fundos/direitos adquiridos sobre o exterior.

Um qualquer saldo conjunto das balanças corrente e de capitais, expresso em necessidades ou capacidades de financiamento globais, tem um reflexo em variações patrimoniais, respetivamente, negativas ou positivas dos designados setores institucionais. Estes últimos são as famílias/particulares, o setor financeiro, as empresas não financeiras e a administração pública; as quais repartirão, em seu benefício ou detrimento, conjunta e forçosamente uma redução ou acréscimo do património do “exterior”. Naturalmente, não deve ser desconsiderada a existência uma matriz complexa de relações entre aqueles setores institucionais, no quadro interno, nacional; porém essas relações internas não cabem no âmbito das contas externas, obviamente.

Esses patrimónios pertencentes aos referidos setores institucionais, onde se manifestam as variações conjunturais das relações com o exterior, são:

  • Ouro monetário ou DSE – direitos especiais de saque sobre o FMI, considerados equivalentes a ouro
  • Dinheiro e depósitos
  • Títulos que não ações de empresas
  • Empréstimos concedidos
  • Ações e outras participações
  • Reservas técnicas das seguradoras
  • Outros
e todos esses elementos – excepto o primeiro e o penúltimo – compreendem direitos e responsabilidades de cada um daqueles setores institucionais.

Recentemente abordámos as variações patrimoniais resultantes das relações externas, onde se podem ver as situações de cada agregado institucional, a partir de 1995 [2].

Faremos ainda, para terminar este ponto introdutório, uma referência a um volume de “erros e omissões” que computa discrepâncias e desconhecimentos procedentes da enormemente complexa e diversificada matriz de actos e relações de quantos participam na atividade económica e financeira, enquanto produtores ou consumidores, trabalhadores ou capitalistas. E entre estes, salienta-se o dominante sistema financeiro global, o seu segmento nacional, os restantes capitalistas da indústria, do comércio ou dos serviços e ainda o Estado que os representa a todos e que age procurando interpretar o que melhor concorre para a perenidade do capitalismo por estas bandas.


B – Os saldos mais globals da balança de pagamentos

A balança de pagamentos portuguesa desde 1996 está refletida no gráfico seguinte, de modo sintético.


               Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou                                noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a                            expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de                              financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

Aí se pode verificar que:

  • O saldo (a vermelho) corresponde ao valor anual das necessidades portuguesas de financiamento e que se transformam em capacidade de financiamento em 2012 e nos primeiros cinco meses do ano em curso. Essas necessidades crescem até 2001 e decaem nos dois anos seguintes para voltarem a assumir valores muito elevados até 2008. A partir de 2011, é bem evidente o impacto da intervenção da troika, com um saldo positivo em 2012;
  • Mesmo que a balança de capitais apresente sistematicamente saldos positivos – com o melhor resultado em 2012 – a sua pequena dimensão relativamente ao grande deficit da balança corrente, torna esta última o elemento que definie o volume e o conteúdo das relações com o exterior;
  • A situação de 2012 e de princípio de 2013 nada tem de virtuoso pois não corresponde a alterações da estrutura produtiva portuguesa, devendo-se apenas a um acentuado empobrecimento da grande maioria da população. Nem sequer uma alteração dessa estrutura poderia ter resultados tão marcantes em tão curto espaço de tempo. O prolongamento dessa situação - derivada da aplicação do Memorando - não conduzirá que não a uma descida de patamar de bem-estar social e à agudização das já fortes e tradicionais desigualdades;
  • A grande redução do poder de compra tornará inviável grande parte das empresas portuguesas, fragilizando também as grandes que dependem do mercado interno, tornando-as, a prazo, presas fáceis dos grandes grupos mundiais dos respetivos sectores;
  • Uma redução do poder de compra alicerçada em quebras salariais e no aumento do tempo de trabalho só na axiomática neoliberal pode tomar-se como virtuosa. Admite-se como automática a atração de investimento estrangeiro tal como o aumento sustentado do peso das exportações no PIB sem serem considerados fatores conjunturais e estruturais de grande relevância que tornam difícil esse objetivo. São eles, por exemplo o clima económico europeu de austeridade e recessão, o baixo nível médio de qualificações dos portugueses em geral e dos empresários em particular, a falta de dimensão das empresas – financeira e de gestão – no contexto europeu e ainda a ausência de factores claros de diferenciação face a outros países, susceptíveis de privilegiar o país na atração de capitais estrangeiros ou sequer para o retorno daqueles colocados por portugueses endinheirados no exterior.  
                   
  • Há um aumento estrutural do peso das transações com o exterior no PIB, produta da maior integração de Portugal na economia global mas, mantendo pouco variável quer o volume das receitas e despesas como o saldo. Entende-se como transitória a situação atual resultante, também da contração do PIB nos últimos anos.

B. 1  – Balança corrente

Como se disse atrás, a balança corrente é uma súmula dos movimentos financeiros relacionados com a exportação ou importação de bens e serviços e da entrada ou saída de fundos relativos a rendimentos e transferências.

  • O saldo da balança corrente tem uma quebra na sua dimensão em 2002/03 – momento de mais baixo crescimento nominal do PIB até à entrada na atual crise - para crescer até 2008, voltando a descer o seu volume até atingir no ano transato o seu valor mais baixo de todo o período iniciado em 1996;
  • A balança de mercadorias é tradicionalmente deficitária, revelando a maior dimensão das importações comparativamente às exportações, mostrando-se essa diferença decrescente nos últimos anos, numa evolução inversa da observada no final do século passado. Reflete a especialização dos bens transacionáveis produzidos, em grande parte com forte componente importada e menos incorporantes de valor do que muitas das importações; e ainda o impacto de grande volume da importação energética e bens de consumo duradouro;
  • Nos rendimentos observa-se  um deficit crescente em todo o período, mormente a partir de 2006, não sendo claro que a troika tenha apontado “medidas estruturais” para obviar a esta situação; a sua relevância para o deficit global, em 2012 aproxima-se do contributo da balança de mercadorias. Inversamente, a balança de serviços apresenta desde 1997 um saldo com uma tendência crescente nos últimos anos, como que em contraponto com a evolução da balança dos rendimentos;
 Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.


  • No capítulo das transferências o seu saldo é sempre favorável perdendo dimensão com a entrada no século XXI; porém, no último ano assume valores próximos dos registados no final do anos noventa;
  • A partir de 2007 o valor conjunto das transações no âmbito da balança corrente (despesas e receitas) corresponde aproximadamente ao valor do PIB, revelando-se assim a maior integração na economia global, uma vez que em 1996 apenas representava 77%.
  
B.1.1 – Balança de mercadorias

A balança de mercadorias confronta duas principais grandezas que, em regra, configuram as relações de um país com o exterior – as exportações e as importações de bens físicos.

  • Até 2008 e a despeito do regular crescimento das exportações, a evolução das importações não conduz a uma redução do deficit das transações de mercadorias com o exterior. No período 2010/12, a estagnação das importações, em paralelo com um reforço das exportações resultou numa sensível redução do deficit;
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Essa evolução não pode ser desligada da realidade global da formação económica portuguesa e, portanto, essas grandezas ganham uma leitura mais rica com a comparação com o PIB. Pela sua dimensão e caráter estrutural, o comércio externo não apresenta variações bruscas no período considerado. Assim um ligeiro aumento do peso das exportações, no virar do século, é acompanhado por uma quebra do peso relativo das importações, provocando uma redução do tradicional deficit. Entre 2003 e 2008 o crescimento das exportações é acompanhado por um acréscimo um pouco superior das importações, pelo que o deficit se expande. A partir de 2010 há um claro aumento das exportações no PIB com estagnação relativa das importações e favoráveis impactos no saldo;
  • A evolução da importação nos três últimos anos não revela alterações estruturais da economia portuguesa mas, o impacto do consumo privado que decresceu 5.6% em 2012, depois de ter regredido 3.8% no ano anterior, segundo é referido no relatório do Banco de Portugal do ano transato. O consumo de bens e serviços em Portugal regrediu em 2012 para o nível de 2007, sendo essa quebra particularmente evidente no consumo de bens duradouros – 18.5% em 2011 e 25.5% em 2012 – o que certamente terá contribuído para a quebra das importações em uns € 3000 M  no ano passado;
  • Uma vez que não se divisam nem investimentos nem mudanças na estrutura produtiva que permitam uma redução consolidada das importações, é muito possível que qualquer reativação da produção ou melhoria do poder de compra volte a incentivar um aumento da importação. Como o perfil das exportações e uma evolução continuada das exportações nos parece conjuntural, tudo indica que em breve se voltará aos níveis médios de representação de importações e exportações no total do PIB;
 
  • Por outro lado, qualquer alteração do perfil produtivo tem ser pensada coletivamente, em função das necessidades da população e não como o resultado aleatório de decisões de empresários deslocando capitais para as atividades que mais lucros dão, sem informação nem preocupação adequadas sobre a realidade global, no âmbito de uma abstração religiosa denominada “mercado”.

B.1.2 – Balança de serviços

Para a abordagem da balança de serviços destacaremos mais à frente, em separado, o segmento dos serviços de transporte e o de viagens e turismo, tendo em conta a relevância que têm na geração do saldo positivo geral; e referem-se ainda aspetos muito sintéticos sobre vários dos restantes segmentos.

Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.
                                                                                                                      Legenda
1
Transportes
8
Direitos de utilização
2
Viagens e turismo
9
Outras operações fornecidas por empresas
3
Serviços de comunicação
          10
Serv. jurídicos, de contabilidade, consultadoria em gestão e relações públicas
4
Serviços de construção
11
Serviços de arquitectura, engenharia e consultadoria técnica
5
Seguros
12
Operações governamentais
6
Serviços financeiros
13
Outros
7
Serviços de informação e de informática



  • O superavit global da balança de serviços tem uma evolução quase constantemente crescente em todo o período. O seu valor multiplicou-se por oito entre 1996 e 2012 e essa contribuição para o PIB passou de 1.2% para 5.3% respetivamente. O principal contributo para essa evolução está no aumento das receitas que triplicaram, enquanto que as despesas somente duplicaram. As receitas da venda de serviços representaram em 2012 11.5% do PIB e as despesas apenas 6.3%;


  • As receitas crescem muito rapidamente até 2001, retomam depois um elevado ritmo de crescimento entre 2005/08 e estabilizam depois acima dos € 19000 M nos dois últimos anos. No capítulo das despesas, elas crescem rapidamente até 2000 seguindo-se um período de estagnação que só termina em 2005, a que se segue um segundo período de estabilidade, num patamar acima dos € 10000 M por ano, a partir de 2007, a que não será estranha a débil crescimento da economia e as quebras de poder de compra que acompanharam a crise financeira e a intervenção da troika. A estabilização das despesas e o aumento das receitas justificam a evolução muito positiva do saldo da balança dos serviços;
  • Apesar da grande segmentação publicada para os serviços, há uma forte dependência das viagens e turismo e dos transportes para o superavit global; em 2012, os seus contributos são, respetivamente de 65% e 25%.

B.1.2.1 - Transportes

A balança de transportes comporta uma segmentação de acordo com a sua repartição modal e que merece algum detalhe.

  • A balança de transportes cresce ligeiramente no seu caráter deficitário até 2001, passando esse deficit a decrescer até desaparecer a partir de 2006 e de modo muito marcado. O deficit de 1996 (€ 259 M) transforma-se num excedente de € 2137 M em 2012 (1.3% do PIB), sendo previsível a continuidade desse bom resultado no ano em curso;
  • Em todo o período os transportes marítimos oferecem o principal contributo negativo para o saldo da balança de transportes; porém a sua dimensão tem vindo a reduzir-se ligeiramente. Até 2001 os transportes rodoviários apresentavam também um deficit mas, posteriormente,  a situação inverteu-se e de modo gradualmente mais visível;
  • O principal contributo para a evolução favorável da balança de transportes provém do transporte aéreo cujo superavit cresce substancialmente a partir de 2006. Esse excedente que se media por € 308 M em 1996, quadruplicou em 2007 e atingiu € 1953 M no ano passado;
  • Sublinhe-se que apesar de pouco relevante em termos numéricos, os “outros” modos de transporte – essencialmente a ferrovia – apresentam, por regra um deficit;
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Como o poder político em Portugal não se carateriza pela defesa de um interesse nacional que tanto gosta de apregoar, quais serão as consequências da privatização da TAP e da sua inserção numa matriz de interesses mais globais, não centrada no território luso?
  • Como se pode observar, as receitas crescem ligeiramente a sua relevância em termos de PIB até 2005 enquanto as despesas estagnam. A partir daquele ano as despesas tendem para se fixar em cerca de 2% do PIB enquanto as receitas ascendem a 3.3% em 2012;
  • As dificuldades do equilíbrio externo de Portugal não residem no sector de transportes, na sua globalidade, embora seja evidente o escasso papel dado ao transporte marítimo que mais parece servir para a satisfação dos interesses das grandes empresas do regime cleptocrático na área das obras públicas que se apossaram dos terminais e propõem obras faraónicas para a Trafaria.



B.1.2.2 – Viagens e turismo

As viagens e o turismo oferecem o principal contributo para o saldo favorável da balança de serviços, destacando-se entre uma vasta variedade de outros serviços.

  • Houve um incremento desse saldo até 2001 seguindo-se vários anos de relativa estagnação até 2006. Após um novo período de estabilidade até 2010, observa-se em 2011/12 um crescimento notável;
  • São as receitas turísticas que mais contribuem para a evolução positiva do saldo, nomeadamente nos três últimos anos após dois períodos de relativa estagnação, um em 2000/05 e outro, num patamar superior, em 2006/2009. As despesas, por seu turno, mostram-se pouco dinâmicas desde 2006 e quase invariantes nos três anos terminados em 2012, certamente como fruto da recessão que se vem verificando.
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Medido em termos de representação no produto global (PIB), o saldo da balança de viagens e turismo apresenta-se estável em quase todo o período, depois de uma subida, que se consolidou, em 1996/98 e uma outra nos últimos anos.



  • No que se refere às despesas com viagens e turismo, a sua representatividade mantém-se relativamente estável em todo o período enquanto aplicação de rendimento. No capítulo das receitas somente nos três últimos anos se verifica um reforço do seu contributo para o PIB, nomeadamente porque este regrediu.

B.1.2.3  – Outros segmentos que contribuem para a balança de serviços

No seu conjunto, este conjunto de serviços que detinham um saldo negativo médio correspondente a cerca de 0.5% do PIB até 2002 passaram, a partir de 2007 a apresentar um contributo positivo da mesma ordem de grandeza.

A evolução referida para esse saldo resulta do crescimento das receitas, apesar de uma relativa estagnação da sua relação com o PIB a partir de 2008; e isso, porque no referente às despesas, elas apresentam uma maior regularidade quando cotejadas com o PIB.

Entre esses segmentos sublinha-se:

·         O saldo favorável dos serviços de construção (€ 460 M em 2012), nomeadamente a partir de 2004 surge quando, findo o ciclo das obras públicas em Portugal, as empresas passaram a executar mais obra no exterior;

·         Os seguros apresentam em todo o período um saldo negativo, que se agravou substancialmente nos últimos três anos, atingindo € 146.5 M em 2012;

·        Os serviços financeiros, também com saldos negativos a partir de 1999, aumentam fortemente esses deficits em 2011 e 2012 (€ 190 M);

·    Os serviços de informática tradicionalmente com saldos negativos tiveram um superavit em 2012 (€ 116.6), que se poderão prolongar no ano em curso;

·    Os direitos de utilização (patentes, marcas…) apresentam regularmente saldos negativos significativos, agravados nos três últimos anos (€316 M em 2012);

·   As “outras operações fornecidas por empresas” mostram um saldo favorável próximo de € 1000 M desde 2007, na sequência de uma evolução que se iniciou em 1999 quando terminaram os deficits  neste conjunto de operações. Para este resultado contribuem de modo relevante os serviços jurídicos, contabilísticos, de consultadoria em gestão e relações públicas e, por outro lado, os serviços de arquitectura, engenharia e consultadoria técnica;

·         Os serviços de natureza pessoal, cultural e recreativa têm em todo o período um saldo desfavorável, que se agrava a partir de 2006;

·  As operações governamentais (sobretudo relacionadas com representações diplomáticas no exterior) têm, em regra, um saldo negativo até 2007, passando depois a apresentar um superavit (€ 158 M em 2012.)


B.1.3 – Balança de rendimentos

A balança de rendimentos engloba essencialmente os rendimentos do investimento e, muito minoritariamente, os rendimentos do trabalho.

  • O saldo desfavorável da balança de rendimentos cresce substancialmente até atingir um valor máximo em 2009 (mais de treze vezes face a 1996), contemplando, contudo uma quebra em 2002/03. Esse saldo estabiliza em 2010/11 para cair em 2012.
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Em termos práticos o saldo global corresponde essencialmente à saída de rendimentos do investimento. Os saldos dos rendimentos do trabalho têm uma expressão muito reduzida, negativos nos últimos anos (-0.1% do PIB). A expressão do saldo dos rendimentos do trabalho no gráfico anterior quase não é visível, precisamente dada a sua reduzida expressão quando comparados com os rendimentos do investimento;
  • Em termos de PIB o seu contributo é sempre negativo, inferior a 3% até 2005 e, posteriormente, quase sempre superando os 4%, atingindo mesmo 5.2% do PIB em 2009;
  • Com algumas oscilações, as saídas de fundos a título de rendimento do investimento crescem de 4.4% do PIB em 1996 para 11.6% em 2008, reduzindo-se depois (8.1% em 2012). Os valores monetários dessas saídas de recursos, de remuneração de aplicações de capital em Portugal atingiram a cifra de € 20270 M em 2008, caindo para € 13784 M no último ano.

·   Quanto à entrada de rendimentos de capitais investidos no exterior, eles mantêm-se com alguma estabilidade até 2003 (pouco menos de 4% do PIB) e atingiram 7.2% em 2007 passando depois a cair para se cifrarem em 4.3% do PIB em 2012.

·     As receitas com a prestação de trabalho no exterior mantêm-se estáveis em todo o período, entre 0.1/0.2% do PIB, não ultrapassando os € 291 M em 2012. Por seu turno, a prestação de trabalho de estrangeiros em Portugal situa-se também com regularidade enquanto percentagem do PIB alcançando um máximo de € 428 M em 2011.


B.1.4 – Balança de transferências

O saldo da balança de rendimentos corresponde essencialmente ao saldo das transferências privadas, com um contributo menor das transferências públicas, constituidas sobretudo pelas relações institucionais com a UE.

  • Esse saldo cresce ligeiramente até 2001, decaindo a seguir, para voltar a apresentar valores elevados em 2011/12; e aparentemente também em 2013;
  • O saldo das transferências privadas continua baseado nas remessas dos emigrantes, diminuídas dos envios dos emigrantes em Portugal, para a suas famílias. A sua dimensão decresce a partir de 2002 aumentando ligeiramente em 2012.
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Depois de vir reduzindo o seu peso relativo no PIB em todo o período, o saldo da totalidade das transferências volta a aumentar em 2011/12 ultrapassando os 2% do PIB pela primeira vez desde 2003. Essa situação recente resulta do acentuado crescimento das receitas nos dois últimos anos - depois de uma relativa estagnação dos valores nos anos anteriores. Quando às despesas, apesar de um lento crescimento, o seu peso no PIB tem aumentado, dadas as reduções da riqueza a que se vem assistindo.

  • Os saldos provenientes de transferências privadas, portanto, sem uma contrapartida direta sob a forma de bens ou serviços, revelam uma quebra sensível em 2002/05 estabilizando posteriormente num patamar que poucas vezes se posicionou acima dos € 2500 M por ano. Essa evolução corresponde em parte ao comportamento das remessas dos emigrantes cujo saldo vêm estabilizando, em detrimento das “outras” cujo saldo cresce substancialmente a partir de 2006. Em termos de receitas, essas “outras” transferências eram em 1996 seis vezes inferiores às remessas mas atingiram em 2012 o equivalente a 75% das últimas; e valiam 0.5% do PIB em 1996 alcançando os 1.3% no ano passado;
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Os saldos das remessas depois de uma forte quebra em 2002 face ao ano anterior não mais voltaram aos níveis anteriores – quando se aproximavam de € 3000 M - mostrando-se o seu valor em 2012 próximo do de 1996.
  • A passagem do tempo sobre a geração que emigrou nos anos 60/70 do século passado reduziu o nível dos envios de dinheiro para as famílias em Portugal. Por outro lado, a emigração mais recente, nomeadamente a que foi obrigada a emigrar, no cumprimento involuntário do apelo de Passos, terá um comportamento diferente dos seus antecessores uma vez que as suas condições de vida e trabalho são também distintas, como diversa será a sua subjetividade e enquadramento familiar. Por isso ainda se não refletem nas contas nacionais impactos significativos de remessas desses recentes emigrantes que, em muitos casos, sem terem deixado família em Portugal, preferirão manter as suas poupanças – os que as conseguirem constituir – nos países onde trabalham. Isso, para desgosto de Passos e do Gaspar que esfregariam as mãos pensando que um novo surto emigratório viria remediar os desmandos da sua política de favorecimento do sistema financeiro;
  • As remessas dos emigrantes que faziam a alegria dos governantes do passado somente contribuíam com 2.9% para o PIB em 1996 mas já somente 1.7% do mesmo em 2012, subindo em relação a anos anteriores dada a quebra do PIB correspondente ao empobrecimento coletivo que se sente;

  • No que se refere às despesas, aos envios dos imigrantes para os seus países há uma forte subida em 2002 e que estabilizou desde então, como resultado de algum retorno de imigrantes, terminado o ciclo da obra pública e da especulação imobiliária;
  • O saldo favorável das transferências públicas corresponde essencialmente ao resultado líquido das transferências da UE, uma vez que as “outras” transferências públicas ou têm escassa relevância quando apresentam saldos favoráveis ou apresentam mesmo saldos negativos, nomeadamente entre 2002/10. Os reduzidos saldos da UE em simultâneo com valores relativamente elevados dos deficits nas “outras” transferências públicas gerou pequenos saldos negativos da globalidade da balança de transferências públicas em 2008 e 2010.
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.


B.2 – Balança de capitais

Na balança de capitais registam-se as movimentações de capitais inerentes à transferência da propriedade de activos, de fundos associados à sua aquisição ou venda e ainda perdões de dívida, para além da aquisição ou cedência de activos não produzidos e de caráter não financeiro. Registam-se como créditos na balança os recebimentos e como débitos os pagamentos ou saídas de fundos.

A principal componente corresponde à transferência de activos cuja dimensão deixa para um plano muito secundário as aquisições/cedências de activos.

  • O saldo das transferências é claramente positivo em todo o período, com algumas irregularidades, atingindo os pontos mais baixos em 2006 e 2009 (0.8% do PIB), crescendo regularmente desde então, chegando ao nível mais alto em 2012 (2.3%). Para esses saldos contribuem receitas de valores muito próximos da dimensão daqueles saldos tendo em conta que as saídas de capitais contabilizadas têm um volume muito inferior;
Nota: os saldos a vermelho surgidos na parte superior/inferior do eixo das abcissas – neste ou noutro gráfico subsequente - não devem ser entendidos como positivos/negativos mas, como a expressão do valor que reequlibraria a balança, a expressão de necessidades/capacidades de financiamento tendo em conta os fluxos que compõem a balança.

  • Quanto às transferências de capitais para o exterior, elas quintuplicaram desde 1996 mas, continuam com um peso residual no PIB (0.3% nos últimos anos);
  • No que se refere às aquisições ou cedências de activos observam-se vários saldos negativos de muito pequena dimensão; os saldos favoráveis assumem alguma relevância os verificados em 2008, 2007 ou 2011;
  • As transferências – saldos e receitas – são essencialmente públicas e constituídas por transferências com proveniência de instituições da UE; as transferências em sentido inverso, de Portugal para instituições públicas, mormente da UE, têm pouca relevância;
  • Entre as transferências privadas apresentaram pequenos saldos positivos até 2001 passando depois a ser negativos (€ 55 M em 2012).



Este e outros textos em:







[1]  O deficit de bens e serviços dos EUA no primeiro semestre de 2013 correspondia a $ 242240 M
[2]   http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/05/divida-portuguesa-total-canibalizacao.html