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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Europa - Dificuldades escolares de jovens com menos de 15 anos



1 - Compreensão da escrita
2 - Matemática
3 - Ciências
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As dificuldades, nos primeiros anos de escola, na aprendizagem de conhecimentos tomados como básicos, conduz, com alta probabilidade, a uma vida adulta com garantidas dificuldades no emprego, no rendimento obtido, no caráter mais penoso e monótono do trabalho e na estabilidade laboral, com reflexos evidentes, na vida pessoal, familiar, qualidade do alojamento, cuidados de saúde, capacidade de percepção da realidade social, etc.

Como é evidente, as grandes diferenças observadas pouco se prenderão com as capacidades cognitivas dos alunos mas, mais com o grau de conforto no meio familiar - qualificações e incentivos dos pais, tipo de habitação, equipamento doméstico, distância e transporte entre casa e escola, acompanhamento no tempo diário depois das aulas; e da qualidade dos meios de ensino, das instalações escolares, da motivação dos professores, do grau de exigência, etc. De facto, os indicadores reproduzem, genericamente, as marcantes desigualdades socioeconómicas no seio da Europa, evidenciando a segmentação entre países mais pobres e mais ricos; o que não é estranho uma vez que essas desigualdades se observam em muitos outros indicadores[1].

Os dados fornecidos pelo Eurostat, incidem, grosso modo, no período 2000/2015 para a vertente “compreensão da escrita”; em 2003/2015 no caso da matemática; e, 2006/2015 para as ciências.

1 - Compreensão da escrita

Neste âmbito, o indicador global para toda a UE mostra-se invariante em torno dos 19.7% de jovens com dificuldades. Como se pode observar no gráfico abaixo, os casos mais graves, em torno dos 35/40 %, registam-se na Bulgária, na Roménia, em Malta e em Chipre; e mantêm-se em 2000 como quinze anos depois, com pequenas alterações. É curioso o indicador do rico Luxemburgo no princípio do período mas, com melhoria significativa em 2015.

Os casos de menor incidência de dificuldades, em 2000 verificam-se na Finlândia, na Holanda e na Irlanda; e, em 2015, a ordem altera-se colocando-se na frente a Irlanda, a Estónia e, de novo, a Finlândia. Note-se a deterioração relativa face a 2000, tanto na Finlândia como na Holanda.

As melhorias mais significativas observam-se na Letónia, no Luxemburgo e em Portugal, enquanto os agravamentos mais notórios se registam na Islândia, na Eslováquia e na Holanda. A evolução da situação em Portugal é bem positiva, situando-se o país em 2015 com um indicador melhor do que a média europeia, o que não acontecia quinze anos antes; e agora com uma grande aproximação ao valor apresentado por Espanha[2].

No conjunto, houve 12 países em que os indicadores pioraram contra 18 casos de melhoria, ainda que nestes últimos haja situações de variações insignificantes. Porém, só uma análise mais aprofundada permitiria saber se os indicadores melhorados resultam de reais esforços de suprimento das dificuldades dos alunos, através da melhoria de métodos de ensino, de maior atenção ao seu desenvolvimento; ou, se esses indicadores mais favoráveis resultarão de um abrandamento das exigências, daí resultando melhorias mas à custa de uma implícita cosmética, com intuitos eleitorais, num sistema educativo com frequentes mudanças organizativas, curriculares e logísticas (instalações e afetação de pessoal). 

Compreensão da escrita - Parcela de alunos com 15 anos que não atingiram o nível 2 de escolaridade

Nota: Croácia, Eslovénia, Estónia, Grã-Bretanha, Lituânia e Roménia (2006 e 2015); Eslováquia e Holanda (2003 e 2015), Malta (2009, 2015), Chipre e UE-28 (2015)

2 - Matemática

Para o conjunto dos países considerados, a parcela de jovens com dificuldades na matemática no período 2003/15 é um pouco superior à registada no capítulo da compreensão da escrita; é de 22.2%, contra 19.% em 2015.

Em 2003 o volume desses jovens ultrapassava a metade do total de estudantes na Bulgária e na Roménia, com a Grécia no terceiro lugar mas, com uma diferença significativa face aos primeiros. Em 2015, aqueles países mantêm-se com os piores indicadores acompanhados por Chipre, que não apresenta dados para 2003; todos com valores superiores a 35% no último ano referido.

Em 2003, os mais baixos índices observam-se na Finlândia (6.8%), seguida da Holanda e da Estónia com valores um pouco acima de 10%. Em 2015, a Finlândia resvala para o segundo lugar, a seguir à Estónia e, a par com a Dinamarca. O espaço de dispersão dos indicadores relativos aos jovens com dificuldades no campo da matemática estreita-se significativamente no período 2003/2015, ao contrário do observado para os estudantes com problemas quanto à compreensão da língua (2000/2015), que pouco se alterou. Portugal, em 2003 apresentava o quinto mais elevado indicador mas melhorou bastante colocando-se, no final do período, com um valor pouco acima da média da UE.

Em 15 dos países considerados o indicador piorou, com realce para a Islândia, a Eslováquia, a França e a Finlândia. No capítulo dos indicadores mais elevados, as principais melhorias observam-se na Roménia e na Bulgária, seguidos pela Itália e Portugal (este, com uma redução 6.3 pontos percentuais). 

Matemática - Parcela de alunos com 15 anos que não atingiram o nível 2 de escolaridade
Nota: Bulgária, Croácia, Eslovénia, Estónia, Grã-Bretanha, Lituânia e Roménia (2006 e 2015); Malta (2009, 2015), Chipre e UE-28 (2015)

3 - Ciências

Para o conjunto da UE, em 2015, é de 20.6% a parcela de alunos com 15 anos que não atingiram o nível 2 de escolaridade no âmbito das ciências; um número dentro da ordem de grandezas atrás referidas para a compreensão da língua e da matemática.

Com muitas semelhanças face ao atrás observado, os casos de mais dramáticas dificuldades no âmbito das ciências, registam-se em Chipre (2015), Roménia, Bulgária, seguidos de Malta e, em 2015, da Grécia e da Eslováquia, ambos em franco retrocesso face a 2006.

Como observado no contexto das outras disciplinas, a Finlândia e a Estónia destacam-se pelos seus baixos níveis de alunos com deficiências no capítulo das ciências, com inversão nas suas posições relativas em 2015, face a 2006.

As melhorias verificam-se apenas em 10 situações, com relevo para a Roménia (8.4 pontos percentuais a menos) e Portugal (7.1 pontos percentuais também, a menos). Quanto a situações de acrescida deterioração registam-se 19 casos, destacando-se a Hungria, com um acréscimo de 11 pontos percentuais, seguida pela Eslováquia (mais 10.5 pp) e a Grécia (mais 8.7 pp).

Relativamente ao caso português, em 2006, o indicador só era pior na Roménia, na Bulgária, em Malta e Itália. Em 2015 Portugal apresentava uma parcela de 17.4% de alunos com conhecimentos insuficientes em ciências, uma marca que só tinha oito países em melhor situação; o indicador português era igual ao inglês e ligeiramente superior ao espanhol.

Ciências - Parcela de alunos com 15 anos que não atingiram o nível 2 de escolaridade
Nota: Malta (2009, 2015), Chipre e UE-28 (2015)


4 - Algumas notas

Ao que sabemos, em Portugal, a introdução do estudo acompanhado e a disponibilidade de equipamento informático para os jovens procederem a pesquizas terão contribuído decisivamente para a melhoria do desempenho dos alunos. Nesse contexto, apesar da quebra na parcela de retenções e desistências no ensino básico, entre 2015 e 2018, de 7.9% para 5.1%, o actual gang governamental considera que cada caso de retenção (vocábulo que substituiu o termo popular de chumbo) custa 5000 euros por aluno[3]

Como se aponta para cerca de 50000 chumbos, o custo para o erário público orça os € 250 M, o que será certamente muito inferior aos custos da plebe com a manutenção de 70 mandarins com cargos governamentais, seus secretários, assessores, motoristas e mordomias. 

Para a anulação radical das taxas de retenção melhor seria uma maior atenção dada aos jovens, nomeadamente aqueles que terão dificuldades inerentes ao seu enquadramento familiar e socioeconómico ou às insuficiências das escolas que todos os anos se mantêm. 

Por ação dos gangs governamentais, em regra, compostos por gente eticamente indigente, terá de se reproduzir, nos primeiros anos de escolaridade, a importância de se ser competitivo e dotado de empreendedorismo; assumido esse catecismo, os jovens mais facilmente terão acesso a um salário mínimo, tendencialmente assimptótico face ao salário médio e auferido no que se chama empregos de merda; e terão de ficar eternamente agradecidos.

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                              

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Eleições num regime pós-fascista e empobrecedor



Só um regime tolerante com o fascismo e o racismo ignora as suas próprias leis. Diz a Constituição que:

Não são consentidas… organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista” (artº 46º nº4)
… Perdem o mandato os deputados… por participação em organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista” (artº 160º nº 1

… e, no entanto, o Chega e o seu führer estarão na Assembleia da República

Sumário

1 – Um jogo de batoteiros e de aprendizes na difícil arte do gamanço
2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento decente
3 – Vereadores camarários eleitos por fantasmas
4 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista
5 - – O falhanço do regime pos-fascista

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1 – Um jogo de batoteiros e de aprendizes na difícil arte do gamanço

Registou-se no passado dia 6 mais um concurso eleitoral para escolha de quem vai colher e utilizar o produto do saque fiscal de que a plebe é vítima. 

Os artistas participantes na romaria eleitoral têm objetivos muito claros:

·       alimentar uns milhares de bocas de uns quantos dos seus membros sabendo-se que uns roubam a horta, enquanto outros guardam à porta, num contexto muito solidário;

·       funcionar como zelosos intermediárias dos interesses do sistema financeiro global, das multinacionais e do capital mafioso, sem esquecer o municiamento do distinto empresariato luso;

·       manter toscos espetáculos de wrestling televisivo para que não sobre à plebe um tempo de aborrecimento ou de lucidez, durante as ausências de futebol.

Também como no futebol, há várias divisões, no referido concurso, com distribuição de taças variadas – umas de prata, outras de lata e as últimas de plástico.
 
Na primeira divisão, estão os participantes do partido-estado, o PS e o PSD, que repartem entre si, há 45 anos a posse da taça, perante a alegria dos adeptos do ganhador do momento e a tristeza dos perdedores que ficam, durante alguns anos a remoer e a preparar a desforra. Mas, enfim, há mar e mar, há ir e voltar; ou melhor, há mentir e roubar e esperar pela vez de roubar e mentir. Felizmente, para aqueles clubes, os adeptos são fiéis e mansos, aceitando com bonomia o local periférico do estádio, tal como aceitam a má qualidade da uma prática desportiva, competitiva, que confundem com democracia.

Nesse campeonato, a figura de árbitro é preenchida por uma gravata que tem um papagaio palrador por detrás; e a que os idiotas dedicam respeito e reverência, mesmo que seja apenas uma excrescência monárquica.

Mas também há uma segunda divisão! Participam o BE, o PCP (que tem uma equipa B conhecida pelos Verdes, dada a cor da camisola) e ainda um tal CDS que em tempos preenchia um táxi alugado; agora preenche também um táxi mas, desta vez, o motorista também é do clube. 

Os dois primeiros dizem ser produtivos em jogadas pelo lado esquerdo do recinto mas, na realidade, raras vezes passam do meio-campo. O terceiro, acantona-se no lado direito do campo, muito chegado à linha lateral e sem ultrapassar o centro do terreno. Claro, que ganhar o campeonato da segunda divisão não dá direito à posse da taça (que, note-se tem a configuração do pote das migas); mas gostam de participar e ver a bancada a vibrar e aplaudir. 

Finalmente, a turbamulta da terceira divisão, cuja composição integral ninguém recorda; é muito variada e só visível uma vez em cada quadriénio – e, quase sempre porque têm o nome nuns papelinhos que a ordeira populaça colocará na urna onde enterram os seus direitos e desperdiçam os seus futuros. 

Uns, até divertem, são um género de Harlem Globe Trotters pelas piruetas que fazem em campo. Vejamos alguns casos:

  • O PAN pretende punir os comedores de costeletas de vaca que não as substituam por soja transgénica e, portanto, sabotadores de uma redução substancial no CO2; têm um apoio de monta, num lente de miolos desgastados, à beira do Mondego.
  • Um tal Aliança foi criado por um jogador veterano que nunca brilhou na primeira divisão e demonstra uma evidente falta de visão de jogo; mas que tarda em se dedicar a levar os netos a brincar nos baloiços.
  • Um tal Chega é uma equipa de puros que, nos estatutos proíbe a contratação de ciganos, africanos ou asiáticos, por excesso de bronzeamento; e entra em campo a cantar o Horst Wessel Lied.
  • Finalmente, uma menção ao quase cinquentenário MRPP e ao eterno lanterna vermelha – MAS - que têm já definido o local onde colocarão a primeira taça que conquistarem; o primeiro, irá colocá-la junto de uma estátua de Lenin, enquanto o segundo preferirá uma de Trotsky.
E assim vai Portugal, uns vão bem e muitos mal, como diz o Fausto Bordalo Dias.

2 – O regime pós-fascista não é capaz de um enumeramento[1] decente

Essa incapacidade não é nova. Carateriza o regime pós-fascista e mostra uma diferença face aos seus antepassados do regime fascista. 

Hoje, o recenseamento eleitoral contabiliza no território 800000 pessoas inexistentes; e ainda acrescentou quase 1.5 milhões de emigrantes de várias gerações que, na sua grande maioria e por óbvias razões, pouco se interessam pelo que se passa em Portugal.
No regime fascista, a preponderância do espírito sovina de Salazar, limitava os inscritos a 1784300 pessoas (1969) poupando assim na extensão dos cadernos eleitorais e na impressão de boletins de voto.

Em suma, o regime fascista deixava de fora grande parte da população; e o regime pós-fascista inventa população. Para além desta diferença e da existência ou não de pide, o empobrecimento relativo e a corrupção são obra comum aos dois modelos.
Detalhemos o actual recenseamento.

·       A população com mais de 18 anos é da ordem dos 8,5 milhões de pessoas. Porém, a classe política (a parte que elaborou o dito recenseamento e a outra, que a aceitou sem protestos) encontrou 9344 mil potenciais votantes, residentes no território pátrio. Assim, entendemos que a PJ deve investigar onde estão 800000 pessoas residentes; ou, em alternativa, tão meritória função poderá caber à Autoridade Tributária, com vasta experiência em encontrar gente para aplicar impostos, coimas e multas para a devida sucção pelos cleptocratas;

·       Por exemplo, entre outras situações, registamos os casos de Boticas e Montalegre, onde a população adulta corresponde apenas a 74.6% dos inscritos para votar;

·       Inversamente, o tal recenseamento pode deixar de fora uma parte da população existente. São (entre mais de trinta) os casos de Vila do Bispo onde se descortinam 10.8% de potenciais inscritos a prostrarem diante da urna… sem a devida inscrição; 10.1% em Alvito ou 9% em Arruda dos Vinhos;

·       O regime pós-fascista prometeu na CRP (artº 291º) substituir os distritos por regiões administrativas; e até organizou um referendo (1998) para enterrar na penumbra essa promessa constitucional. Assim, existem áreas administrativas numa lógica distrital (segurança social de autoridade tributária, por exemplo) e outras por regiões (áreas da saúde e educação);

·       As regiões criadas não são órgãos eleitos, não são autarquias mas, áreas descentralizadas da administração central, ao sabor dos interesses e das habilidades do gang governamental no momento. Passos criou as Comunidades Intermunicipais e as Áreas Metropolitanas para distribuir “convenientemente” os fundos comunitários e encaixar mandarins na gestão da sua aplicação. Costa pretende criar órgãos descentralizados do Estado mas, na dependência do governo. E, cada gang de serviço, tornou frequentes alterações nas designações e na composição geográfica daas regiões; certamente, com cada um a repartir o território de acordo com os apetites das clientelas partidárias.

3 – Vereadores camarários eleitos por fantasmas[2]

O excesso de inscritos para votar tem na manga mais um truque do regime e da sua classe política. Como é sabido, o número de componentes das vereações camarárias varia consoante o número de eleitores no território de cada autarquia – e pode ir de 5, para as autarquias menos populosas (menos de 10000 eleitores) passando por 7 (10/50000), 9 (50/100000); e 11, acima de 100000, com excepção para o Porto que tem 13 vereadores e Lisboa, 17.

Ora, havendo registados cerca de 800000 indivíduos inexistentes não será caso raro que esses eleitores fantasmas permitam a eleição de mais dois vereadores além dos devidos. E, assim se inflaciona o número de mandarins, de caciques partidários, um pouco por todo o país.

Vejamos uma listagem aproximativa desses casos de vereadores excedentários, indevidos:

·       Calheta (Madeira) tem uma população adulta (> 18 anos) da ordem dos 9200 mas no recenseamento eleitoral (RE) apresenta 12250 eleitores em 2019… embora a população total não ultrapasse 10865 em 2018. Se se mantiver essa inflação de residentes, nas próximas eleições autárquicas, serão eleitos 7 e não 5 vereadores;

·       As situações de municípios com menos de 10000 habitantes maiores de 18 anos e que têm 7 e não 5 vereadores, como seria a norma, são vários – Alijó, Arganil, Melgaço, Mogadouro, Moimenta da Beira, Montalegre, Óbidos, Ponte da Barca, Resende, Sabugal, Santa Comba Dão, Sever do Vouga, Tábua, Vendas Novas, Vila Franca do Campo e Vinhais.

Assim se criam 32 lugares de vereador, a repartir pelos gangs partidários, à boleia de um recenseamento enviesado;

·       Quanto a municípios com 10/50000 pessoas com idade acima dos 18 anos, alguns são considerados como tendo um volume de eleitores acima do número físico de residentes habilitados para votar. São casos em que há 9 vereadores quando o seu número deveria ser apenas de 7 – Amarante, Fafe, Felgueiras, Ovar, Pombal, Santarém e Vila Real. Há para somar aos anteriores, mais um conjunto de 14 vereadores empossados por conta de um recenseamento mal efeito;

·       O escalão seguinte contempla municípios com mais de 100000 habitantes com idade para votar e que preenchem a vereação, teoricamente com 11 vereadores. Porém há casos em que um recenseamento eleitoral errado coloca neste escalão, municípios que apenas deveriam considerar 9 vereadores, dado que a sua população se situará aquém dos referidos 100000 habitantes com 18 ou mais anos – Barcelos, Funchal e Setúbal. Daí resultam mais 6 cargos supranumerários, com as respetivas mordomias e oportunidades variadas para negócios corruptos, como é típico na generalidade das autarquias;

·       Ao município do Porto foi atribuído um lote de 13 vereadores, por conta dos seus 210000 inscritos no recenseamento (embora a sua população com mais de 18 anos pouco supere os 180000). Porém, não se sabe bem porquê, Sintra e Vila Nova de Gaia com populações com idade superior a 18 anos, da ordem dos 311000 e 249000 elementos, respetivamente, só têm direito a 11 vereadores, como decorreu das autárquicas de há dois anos.

A classe política, não colocará estas questões por razões de uma solidariedade interna, entre os vários gangs, para a ocultação de truques para empolar o número de mandarins (52) nos elencos autárquicos. A solidariedade no seio do mandarinato, contra a multidão e no saque do pote, é levada muito a sério.

Acrescente-se ainda, que nada justifica, nas leis da paróquia lusa, a inserção de tão elevado número de vereadores, para a satisfação das necessidades coletivas da população. Atualmente, as reuniões camarárias podem constituir locais de disputas partidárias e não órgãos executivos, fiscalizados pelas respetivas assembleias municipais, com capacidades de demissão do executivo: que não têm. As assembleias municipais não passam de areópagos onde se passeiam as estirpes secundárias ou terciárias dos partidos, em disputas oratórias reveladoras da menoridade política e intelectual da maioria dos seus membros.

4 – A evolução dos resultados eleitorais (1976/2019) e o descrédito do regime pós-fascista

Observemos, em primeiro lugar, a evolução dos eleitores inscritos – que já referimos como sistematicamente inflacionados - com a evolução dos votos dirigidos a partidos ou coligações dos mesmos; e, obviamente dos abstencionistas, de quem anulou o voto ou, o entregou por preencher (em branco) e que, na sequência, serão rateados e acrescentados aos votos dos principais partidos votados, vindo a contribuir também para o cálculo dos subsídios públicos aos partidos.

              Nota: Em 2019 não incluímos nos inscritos a multidão de emigrantes

O volume dos inscritos cresce rapidamente em perto de três milhões de pessoas nos vinte anos decorridos entre 1975 e 1995; estagna em seguida durante dez anos, para voltar a crescer até 2015 e decrescer no último quadriénio.

A despeito desta evolução dos inscritos, os votos dirigidos a partidos atingiram o seu máximo em 1976/1980 (cerca de 5.9 milhões) – período de estado de graça do regime e de crescimento populacional - a que se seguiu um período de relativa estagnação que finda em 1999/2002, quando ocorre uma nítida quebra. A partir de 2005 há uma quebra constante e regular, pouco acima dos 100000 votos em cada concurso até que, no presente ano, o nível dos votos dirigidos a partidos se mostra no mais baixo nível de sempre, abaixo dos cinco milhões, como resultado de uma quebra de 330000 votos no passado dia 6 de outubro.

Contrariamente ao que propagam críticos ingénuos do actual regime, o surgimento de novos partidos não acrescenta nada; porque nenhum defende rupturas mas antes, um encaixe confortável no sistema, o direito a uns sorvos do mel que escorre do pote. A excepção, será, eventualmente, a recente a eleição de africanas (embora o CDS tenha há anos um “pele preta, máscara branca”), como forma de dar visibilidade e dignidade aos imigrantes em geral e, de afrontar o racismo larvar existente entre os nativos de Portugal. 

Como é evidente, a evolução do número de “fantasmas” não tem impacto nas votações partidárias; traz outros parâmetros na manga – a incúria e a incompetência na elaboração do inventário dos eleitores e o seu subtil aproveitamento para garantir mais umas dezenas de vereações autárquicas, como mostrámos atrás.

A variável mais dinâmica no gráfico é claramente a evolução do conjunto “abstenções, votos brancos e nulos”, ainda que afetada artificialmente pelo sobredimensionamento do número de pessoas recenseadas não existentes – acima de 800000 no recente concurso.

No regime fascista, o direito de votar era pouco usado por quem não fosse adepto do regime; a maioria da população não votava, nem se dava ao trabalho da inscrição para tal, uma vez que com, ou sem batota, a vitória dos candidatos do regime estava garantida. Em 1969 estavam inscritos 1784300 pessoas, um número que teve um “grande” aumento em 1973, quando se cifrou em cerca de 1.8 milhões.

No actual regime pós-fascista, o modelo eleitoral está igualmente preparado para que as eleições sejam ganhas por uma das alas do partido-estado, PS/PSD, bastardo herdeiro da União Nacional, rebatizada como Ação Nacional Popular, por um outro Marcelo, padrinho do actual Marcelo, conhecido frenético leitor de contracapas e emissor compulsivo de vacuidades. E, como gradualmente se vai tornando transparente, votar tornou-se rotina, inutilidade porque de facto, está tudo escolhido, consolidado no âmbito do PS/PSD, para mais devidamente monitorizados no seio dos seus enquadramentos políticos internacionais (o S&D e o PPE); no âmbito económico (UE, Eurogrupo, Comissão Europeia, BCE), no âmbito militar (ambos fervorosos adeptos da NATO). Esquematicamente, a arrumação das tonalidades políticas pode ser comparada - situação pouco antes do 25A e, atualmente:

Regime
Ala mais à direita
Centro político
Ala menos à direita
Fascista (1926/74)
Kaúlza, Cazal, Tenreiro…
ANP (Caetano)
“Ala liberal” (Sá Carneiro, Balsemão…)
Pós-fascista (1975/…)
CDS/IL/Chega
PS/PSD
BE/PCP/PAN/Livre

Consideramos todas as formações partidárias como reacionárias e, nenhuma com valores de esquerda. Vejamos, entre outros aspetos aqui omissos, o que defendem:

·       um aparelho totalitário, impositivo e repressivo (Estado), a que todos devem obedecer;
·       a existência de uma elite, com direitos e mordomias específicas (a classe política), uma réplica da antiga nobreza;
·       são adversários ferozes e confessos da democracia direta, das decisões tomadas coletivamente, sem chefes ou hierarquias;
·       o militarismo, a existência de forças armadas e a participação portuguesa nas guerras do Pentágono;
·       o capitalismo, seja na forma tradicional ou na fórmula de capitalismo de estado;
·       são contrários à autogestão quer na decisão política, como no trabalho;
·       na sua maioria, são reacionários quanto a costumes;
·       todos defendem o crescimento do PIB, como encarnação da acumulação capitalista, acrescentando um “sustentável” para dourar a pílula;
·       quanto às alterações climáticas apontam os seus perigos, querendo fazer acreditar que a sua superação é possível no âmbito da habitual osmose entre as multinacionais e as classes políticas;
·       a informação dominada por grupos de media e financeiros, com interesses próprios de caráter económico e de manipulação política;
·      

É neste quadro que se garante a estabilidade política, o normal funcionamento das instituições, dos mercados, a simpatia dos investidores, a competitividade do país, bla bla, bla bla… para além do razoável e continuado empobrecimento da plebe. Assim se garante um regime político putrefacto como o anterior (fascista), perante o qual a diferença de ordem política mais relevante, no actual modelo pós-fascista, é a ausência de uma polícia política.

O gráfico que se segue mostra a crescente falta de representatividade da classe política no conjunto da população e ainda a estabilidade na sua repartição entre o partido-estado e as suas alas ou franjas, uma mais à direita e outra, menos à direita do putrefacto sistema partidário fautor e zelador das desigualdades; um pântano de emanações sulfurosas, cáusticas e fedorentas. 


O modelo de representação está longe de ser proporcional e utiliza intensamente o método de Hondt para favorecer o partido-estado PS/PSD. É uma técnica moderna, muito mais avançada do que as manipulações grosseiras usadas durante o regime fascista, acompanhadas de pancadaria e prisões dos opositores. O fascismo é sempre um regime brutal de domínio da plebe. O pós-fascismo domina de forma mais insidiosa, de afastamento, isolamento, castração; reconhece que o controlo biopolítico é mais eficaz do que um regime disciplinar imposto por  polícias brutos e broncos.

Com o Chega é a chegada de fascistas e racistas à AR, no seguimento do Vox espanhol, da AfD alemã, do UKIP inglês, da Lega do Salvini e da veterana Mme LePen. Talvez, um dia desses desembarque Steve Bannon no aeroporto para industriar o Ventura para uma fusão com o PNR

5 – O falhanço do regime pós-fascista 

------------>  alguns indicadores que prenunciam a continuidade

Dívida pública (€ milhões)
Capitação da dívida (€)
2011  -  196231
2011  -  18614
2019  -   249045
2019  -  23996

Encargos dívida públ. (€ milhões)
Taxa de juros implícita (%)
2011  -  6271  
2011  -  3.62
2019  -   8029
2019  -  3.26

Capitação do PIB (€)
Rendim. médio das famílias (€)
2011 - 16710
2011  -  30425
2018 - 19656
2017  -  31391

Ganho médio mensal do trabalho (€)
Receita IRS (€ milhões)
2011 - 1084
2011  -  9831
2017 - 1133
2019  -  12905
Variação  (+9.4%)
Variação  (+31%)

Imp. Produt. Petrolifer.  (€ milhões)
Receita IVA (€ milhões)
2011 - 2306
2011  -  13052
2019 - 3643
2019  -  17499
Variação  (+58%)
Variação  (+34%)


2004 – UE – € 10621  Portugal - € 8626
-------------------->     12 países estavam em pior situação
2011 – UE – € 12463  Portugal - € 9359
-------------------->     11 países estavam em pior situação
2017 – UE – € 14182  Portugal - € 10213
          -------------------->        8 países estavam em pior situação
 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Textos sobre eleições:

Estes e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                               





[1] Podiam, ao menos, aprender com as técnicas usadas pelo rei Manuel I, em 1527
[2]  Em 2009 efetuámos um exercício sobre o assunto, agora atualizado