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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Capitalismo e o espírito naif para a construção do futuro



Convencer os capitalistas a abandonar a lógica do crescimento que alavanca a formação de lucros exigiria deles uma propensão para considerarem o hara-kiri como uma oportunidade de negócio

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Sumário
A – A estrutura e a atuação do capital
1 - Objetivo essencial do capitalismo – A acumulação de capital
2 - Principais instrumentos da acumulação capitalista
3 – Efeitos colaterais do modelo de acumulação de capital
B - A insuficiência de qualquer abordagem parcelar do capitalismo

A – A estrutura e a atuação do capital

O capitalismo aprecia lucros, acima de tudo; e para os garantir atende a todos os meios de os conseguir, avaliando os custos que tem de incorrer para o efeito, procedendo tecnicamente ao que se chama análise custo-benefício. 

Essa análise cinge-se a uma abordagem meramente técnica e contabilística, no caso de pequenos negócios. Isso já não acontece quando se trata de grandes negócios, envolvendo vultuosos meios financeiros, humanos e de capital; aí, além daquelas abordagens, triviais, são enquadradas as variáveis envolventes, como as económicas, as sociais, as políticas, as ideológicas e, mais recentemente, as ecológicas.

Vejamos de seguida, um ensaio de definição da organização global do capitalismo

1 - Objetivo essencial do capitalismo – A acumulação de capital
  • Essa acumulação alimenta-se da produção de bens e serviços, para consumo ou investimento, tendo como base o trabalho humano;
  • E, sob a forma de especulação no mercado financeiro, com base em decisões tomadas por algoritmos.
2 - Principais instrumentos da acumulação capitalista
  • O consumismo é captura psicológica de massas, é um vício, uma adição que alimenta o “mercado”. Essa captura torna as próprias vítimas do capitalismo em interessados na sua continuidade;
  • O endividamento é uma alavanca do consumo e para o comprometimento de rendimentos futuros. Por seu intermédio, o sistema financeiro apossa-se dos salários e dos bens das pessoas; garante uma fatia da carga fiscal aplicada pelos governos sobre a multidão; e condiciona ad aeternum as finanças públicas através da dívida:
  • Os gastos militares animam a atividade económica dos países produtores; são elementos de contenção de intervenções externas, embora na generalidade pouco possam conter; ou, são instrumentos de intervenções no exterior na base de um ilegítimo direito de intervenção. Em todos os casos suportam parasitárias castas militares; 

  • As transnacionais, o sistema financeiro e o capital do crime entrelaçam-se numa matriz complexa e mutável de conluios e conflitos, cujos fins justificam todos os meios, incluindo um cortejo enorme de disfunções e sofrimento nas relações entre os povos e no seio de cada um destes. São os elementos estruturantes da reprodução de capital;
  • Os estados-nação são unidades geográficas de divisão e gestão diferenciada do rebanho humano, uma herança do capitalismo colonialista e concorrencial dos séculos passados, atualmente enquadrados, na sua grande maioria, pelas transnacionais e pelo capital financeiro que estruturam o mundo globalizado de hoje. É no seu âmbito que as classes políticas nacionais procedem à gestão de proximidade da mansidão dos povos;
  • Várias organizações internacionais funcionam como gestores setoriais de nível planetário – OMC. FMI/BM, OMS, UNCTAD… - ou associando vários países, num âmbito regional alargado - OCDE, UE, NATO, ASEAN, OCX… Claro que nessas organizações se evidencia a hierarquia existente entre os estados-nação, muitos dos quais não têm sequer capacidades de acompanhamento dos assuntos, por dificuldades financeiras ou técnicas, limitando-se a votar ao lado dos mais fortes, por convicção ou compra de voto;
  • As classes políticas nacionais são as zeladoras dos interesses dos capitalistas nacionais e da sua integração e compatibilização face ao capital global; hierarquizam os interesses dos grupos nacionais que bem sabem como cooptar ou corromper membros influentes das classes políticas. Em regra, apresentam-se divididas entre governo e oposição, um género de Dupont e Dupond mas, com mais aptidões para o teatro. Em fora como o Bilderberg são chamados anualmente a prestar provas os mandarins locais tomados como promissores candidatos a cargos supranacionais;
  • As ideologias nacionalistas, patrioteiras ou xenófobas atravessam os espetros políticos nacionais como instrumentos de divisão, diversão e controlo dos povos. O inimigo torna-se a globalização – embora já tenha séculos e as suas crises de depressão tenham promovido nacionalismos e guerras apocalíticas. Os capitalistas nacionais ficam isentos de responsabilidades e a culpa das desgraças é o Outro – imigrante, refugiado, islâmico, negro, estrangeiro; um discurso que inflama gente perdida num mundo que não entende, que a tv não explica;
  • Os grandes media conjugam várias caraterísticas - manipuladores de opinião, por ocultação ou deturpação de factos, propagandistas de futilidades sociais, desportivas ou políticas e de tradutores dos grandes media globais. Essas qualidades empurram as pessoas para as redes sociais onde, no seio de uma grande vacuidade é possível alguma expressão livre, com uma margem menor quanto a censura; embora a contrapartida seja a exploração massificada de dados. Como pertencentes a grupos empresariais detêm relações íntimas com os grandes negócios e as classes políticas;
  • A autoridade estatal desenvolve atividade no âmbito da repressão policial ou judiciária, socialmente muito discriminatória e ainda, através da via fiscal no contexto da redistribuição regressiva do rendimento. É o Estado que procura conjugar benefícios que atendam à competitividade dos capitalistas com uma carga fiscal que se torne compaginável com as capacidades dos sindicatos para a contenção social; e ainda que proceda à produção legislativa que forneça de modo discreto, elementos favoráveis ao empresariato, à movimentação de capitais, à exploração dos trabalhadores;
  • A simbiose entre o Estado e o capital, mormente financeiro, corresponde a uma captura do primeiro pela lógica do segundo; são os casos dos sistemas de saúde, educação, ação social, segurança social, do abandono de uma política de habitação, dos transportes públicos, das vias de comunicação, do abastecimento público de água, eletricidade, comunicações, etc;
  • O sistema educativo – público ou privado – encontra-se mercantilizado, parcelarizado em extremo (ao contrário do que significa universidade) mormente a nível superior. É o grande doutrinador do individualismo, da competição e do empreendedorismo tecnocrático, da preparação para o “mercado” de trabalho, para a máquina burocrática das empresas ou das instituições públicas e ainda para enformar a classe política;
  • A democracia de mercado vulgarmente conhecida por representativa (embora só os gangs partidários estejam representados) não passa de um placebo de uma real democracia. Estabelece um fosso entre os eleitos e os eleitores, colocados de fora de qualquer possibilidade de representação; eterniza os membros da classe política como “representantes”; exclui, na realidade, qualquer referendo ou outra iniciativa popular, sobretudo para a retirada de mandatos a quem demonstre incapacidade ou comportamentos indignos.
3 – Efeitos colaterais do modelo de acumulação de capital
  1. Desenvolve-se uma luta acerba – comercial, política, militar – entre empresas e Estados, pelos recursos materiais do planeta, como pelo controlo dos ditos mercados consumidores;
  2. Face aos danos ambientais motivados pela competição inerente aos grupos capitalistas e aos seus Estados, revelam-se duas atitudes por parte de capitalistas e das classes políticas – a da gestão mercantil desses danos, como mais uma oportunidade de negócio ou, a da sua efetiva desvalorização enquanto problema, como se observa pelas considerações de Trump e Bolsonaro;
  3. Na ausência de uma narrativa política globalizante e suficientemente consensual de superação do capitalismo, tornam-se dominantes fórmulas tecnocráticas ou politicamente inócuas de encarar os problemas sociais, políticos, económicos ou ambientais; e, recentemente têm surgido narrativas fascizantes recolhidas no sótão de avós pouco recomendáveis;
  4. O aumento da parcela dos rendimentos nacionais embolsados pelos ricos – bem como da riqueza na sua posse - empurra as populações para dificuldades económicas que geram estagnação ou redução dos seus padrões de vida que, contudo, não têm sido origem de levantamentos populares; Perante a crise sistémica de baixas taxas de reprodução do capital é mobilizado o Estado para desempenhar um papel supletivo ou preventivo dos efeitos da desestruturação económica, social e ambiental, causados pela acumulação capitalista. Esse papel consubstancia-se ainda no apoio a grupos capitalistas, mormente bancos ou, no apoio a desempregados para que se lancem na aventura do empresariato em nome individual, que na grande maioria dos casos termina em falência, endividamento e frustração;
  5. O papel da propaganda promovida pelas classes políticas tem-se acentuado para gerar a mansidão da multidão – com a criteriosa utilização de instrumentos vários, como a manipulação, a ameaça e a repressão. A ideia de que os modelos em vigor - económico e político - são os melhores e os mais eficientes de todos - there is no alternative – vai vingando, ao contrário de outras épocas, dada a ausência de uma esquerda anticapitalista com notoriedade e alheia aos novelos que embrulham e indiferenciam as classes políticas;
  6. O magno objetivo da acumulação vem conduzindo ao afogamento da Humanidade em dívida[1] – pública ou privada – com regulares crises financeiras que a inércia dos povos permite sejam temporariamente superadas. A dívida, em geral, serve para antecipar consumos e, sobretudo, capturar os devedores; desse ponto de vista não é pagável, haja ou não pífias reestruturações. Por outro lado, as cascatas de títulos de dívida que alimentam a especulação financeira servem para esse efeito e não para serem liquidadas; até porque o devedor inicial, o real, rapidamente fica desconhecido após sucessivas titularizações;
  7. Parte das inovações tecnológicas visam o controlo social através da vacuidade e da manipulação – redes sociais, media, a focagem de tempo e atenção em smartphones – para além de gerar negócios impulsionadores de rápidas formas acumulação de capital; um controlo social muito mais intenso e eficaz do que no tempo em que a imprensa era dominante;
  8. A crescente parcela da acumulação de capital que provém dos delírios financeiros, associada aos avanços atuais e futuros na gestão da informação ou na robotização, colocam às altas esferas do capital – e os seus think tanks – a questão, a médio prazo, de uma redução drástica dos efetivos humanos.

B - A insuficiência de qualquer abordagem parcelar do capitalismo

Como sistema, global e integrado, o capitalismo, pode ser observado de vários ângulos – económico, social, político, tecnológico e ambiental, entre outros; e, devido a essas caraterísticas, qualquer medida ou acontecimento setorial, de per si, interage com outros sectores, melhorando o desempenho nuns mas afetando negativamente outros. A II Guerra, provocou enorme destruição material e humana mas, daí resultaram alterações profundas, no ordenamento global a nível tecnológico, económico, social e político. Os celebrados 30 gloriosos anos conduziram, na Europa, à instauração do modelo social europeu que depois foi adulterado e extinto pelo neoliberalismo, o qual, por sua vez, gerou novos paradigmas na área laboral. O desmoronar da URSS e do seu capitalismo de estado facilitou a integração da Europa de Leste na UE e empurrou a Rússia para alianças estratégicas baseadas na Ásia... Contudo, globalmente, pode dizer-se que houve apenas reajustamentos no âmbito do modo de produção capitalista. 

Outro caso de reajustamento, obviamente menos profundo e mais estrito, é o da proibição dos clorofluorcarbonetos (CFC) e dos halons em 1987, que contribuiu para a redução do buraco do ozono, embora o acordo para essa supressão tenha sido facilitado porque a sua produção estava centrada uma grande empresa, a DuPont; … e ainda porque logo se encontraram sucedâneos, não havendo danos para o sistema capitalista. Aliás, curiosamente, o CO2 ajuda a aumentar o ozono na estratosfera ao contrário do metano, num efeito líquido que estará em estudo.

Enquanto os grupos de contestação - ainda que com méritos técnicos e políticos em questões circunscritas - se cingirem a abordagem parcelares e sem um perfil estratégico, o capitalismo saberá proceder à gestão das concessões, cooptações e repressões, necessárias e convenientes para a sua continuidade; sobretudo, porque dispõe de vários organismos, think tanks e consultores com meios poderosos, de caráter técnico, financeiro e de conhecimentos, capazes de proceder a sínteses, estratégias políticas, táticas, de âmbito geográfico e social, mais específico ou alargado, mais verídico ou mais falsificado[2]

Quanto mais circunscrita – no espaço e no âmbito - for a contestação, mais facilitada será a repressão e mais difícil será a congregação de apoios populares face às atitudes do poder. Se os grupos de contestação, cada qual com uma base circunscrita de atuação - aspetos ambientais, sociais, políticos, económicos… - se concertarem ou federarem os seus objetivos contra o capitalismo como elemento bloqueador do bem-estar dos povos, a sua atuação ganhará força, consistência, recursos, visibilidade e abrangência no combate. Por outro lado, essa integração, pela troca de ideias e pela interação entre os vários grupos temáticos, contribuirá para uma maior maturidade na consciência da necessária supressão do capitalismo. 

O fracasso da luta anticapitalista – mesmo nas suas distintas áreas – está garantido enquanto não tiver por detrás a força vital e a vontade expressa e militante da multidão de seres humanos, despidos de complexos nacionalistas, étnicos ou religiosos; ou ainda, se incorporarem instituições verticalizadas e autoritárias, como são os Estados ou os partidos políticos que, aliás, estão ficando desacreditados, como se tem observado em França na revolta dos Coletes Amarelos. Os Estados nasceram, no dealbar do capitalismo, para dar coesão aos estados-nação, como coutadas de restritos grupos de capitalistas, procurando vincar no “seu” povo, através da escola e do serviço militar, a diferença e o antagonismo face aos outros povos; fazendo esquecer que dos dois lados de uma fronteira há apenas seres humanos com os mesmos propósitos essenciais de vida. 

Assim, os estados-nação com os seus instrumentos de repressão e saque da multidão estão sendo, na sua maioria, subalternizados pela globalização daí surgindo duas tendências. Uma cosmopolita, inclusiva, de cruzamento de corpos e culturas, de construção do comum; e outra, temerosa do futuro e que se refugia por detrás da xenofobia, da fronteira e do antagonismo face ao Outro, sempre visto como ameaça, esperando recriar o paraíso dentro da narrativa oitocentista de “a cada povo uma nação”.  

Assim, na luta global e em todas as frentes nas quais o capitalismo exerce o seu domínio ou influência, a supressão daquele deverá exercer-se a partir de enxames de redes rizomáticas, com decisão democrática, horizontal, tomada por todos, uma vez que a existência de hierarquias e dos privilégios facilita casos de traições, de cooptações ou conluios vindas de instituições que servem o capital – mormente as classes políticas.

Este e outros textos em: 
  
http://grazia-tanta.blogspot.com/                             

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents


[2]  Como exemplo das típicas manipulações produzidas por consultores, recorde-se, nos anos 90, que a EDP pretendia construir uma barragem no rio Coa mas, a descoberta de pinturas rupestres veio levantar obstáculos ao empreendimento. Expedita, a gestão da EDP recorreu a um “reputado especialista” que negou valor histórico aos achados, que seriam obra de pastores do século… XIX. Descobriu-se que o especialista era um burlão e, com a mudança de governo, a construção da barragem foi abandonada.

domingo, 6 de janeiro de 2019

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA – 1



A nossa intervenção vai para além de textos mais estruturados, como os que habitualmente são publicados no blog e nos outros sites habituais. Decidimos proceder a esta primeira coletânea de textos recentes.

A  - O  ESPANADOR OU A IDA DE MARCELO AO BRASIL

B -  CONHECEM O FERRA(BRAZ) DA COSTA?

C –  A PROPÓSITO DOS 20 ANOS DO EURO

D -  O VATE E O OXÍURO

E - COSTA, UM MECENAS QUE USA DINHEIRO ALHEIO


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A - O  ESPANADOR OU A IDA DE MARCELO AO BRASIL

1 - Intróito

Um espanador é uma apetrecho doméstico que sacode o pó de um local, espalhando-o para as suas imediações. Isto é, não limpa nada, não serve para nada. 


2 – Marcelo no Brasil

Marcelo tinha de ir ao Brasil, mesmo sozinho, sem a companhia de qualquer outro chefe de estado da UE, quebrando assim o tradicional e servil alinhamento face ao resto da turma. Desta vez, Marcelo tinha uma razão forte, tocante mesmo, ao contrário das habituais razões fracas que consubstanciam as suas inúmeras deslocações.

Marcelo tinha de ir ao Brasil para pagar uma dívida!

É que...foram os militares da ditadura brasileira que durou até 1985 que acolheram nos braços o outro Marcelo, padrinho deste Marcelo. E isso o Marcelo atual não terá esquecido. Comovedor.

Marcelo no Brasil teria de falar sobre qualquer coisa e, brilhantemente, lembrou-se que a CPLP existe, para justificar a viagem. E levava preparadas duas horas de discurso para sensibilizar Bolsonaro sobre a CPLP.

Não se sabe é se Bolsonaro sabe o que é a CPLP; ou, se tão focado que anda na deslocação da embaixada brasileira para Jerusalém, não terá feito confusão entre CPLP e OLP. E não obteria esclarecimentos dos seus ilustrados ministros…

Mal Marcelo começou a explicar a diferença, Bolsonaro já estava a dizer "Nexti" para atender outro notável, alguém que estava na fila para lhe prestar a devida vénia.

3 – Mais uma volta, mais uma viagem!

Se não fosse ao Brasil Marcelo tinha de ir a algum lado para preencher um buraco na agenda, coisa que ele não admite possa existir. E teria colocado os seus assessores, a fazerem serão, a vasculhar no mapa mais locais para a veneranda figura ir, com um bolo de vacuidades polvilhado de beijos e abraços.

Quando os assessores não descortinam convites, Marcelo inventa um local e convida-se a si próprio, sabendo que terá um cortejo de jornalistas e cameramen atrás dele.

É uma verdade incómoda para o regime pós-fascista que se diga que a figura do PR é uma reminiscência monárquica e que não serve para coisa alguma de substantivo; e que se mantém 109 anos depois do fim da monarquia!

5/1/2019


B - CONHECEM  O  FERRA(BRAZ)  DA  COSTA?

·      É um homem coerente, pois já era ultra-reacionário quando estudante, antes de 25A e, continuou a sê-lo mas acrescentando o ressaibo, a saudade dos bons tempos do fascismo. Como primeiro líder da CIP, representou o entulho empresarial português cuja caraterística, única na Europa, é ser aquele que apresenta menos habilitações do que os trabalhadores. Daí a aposta no baixo salário, no baixo investimento (excepto quanto a carros de luxo, como bons saloios) e a baixa produtividade… de onde resulta ser Portugal o país mais atrasado da Europa Ocidental;

·      Fala pouco mas diz sempre barbaridades. Na Europa há muitos países com horários inferiores a 35 h e que não são ricos - Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Hungria, Rep. Checa, Roménia e Croácia.

·      Um patrãozeco português paga anualmente 25709 (pps) contra uma média europeia de 36221 e, 35919 em Espanha ou 49711 na Bélgica, por exemplo… onde até se trabalham menos horas. Se em Portugal o trabalho é mais barato e para jornadas de trabalho superiores é porque o empresariato é um conjunto de incapazes, rascas geradores de subdesenvolvimento.

·      Não diz o Ferra(braz  que, segundo inquérito da Deco, 42% dos trabalhadores trabalha mais de 40h/semana; e que 64% do total não recebe pelas horas extraordinárias. Nem diz que o patronato – em conluio com os governos – deve de contribuições para a Seg Social, o equivalente a 12 meses do total das pensões… coisa inconcebível na Europa civilizada.

Se houvesse uma imprensa decente, tê-lo-iam confrontado com estas questões, não?

3/1/2019


C - A  PROPÓSITO  DOS  20  ANOS  DO  EURO

1.     A UE tem sido uma união de oligarquias nacionais, de estados-nação desiguais e que se desenvolveu numa tentativa de fuga a uma grande subalternidade face ao poder dos EUA no pós-guerra. Tanto a Comissão Europeia como as oligarquias nacionais estão ao serviço do sistema financeiro global, das multinacionais, dos grandes grupos nacionais, numa consolidada rede de compadrio e corrupção nas quais brilham os gangs partidários locais. 

2.     Ninguém pense que a UE alguma vez vai ser democrática tal como o não são os estados-nação componentes. Para que o sistema se vá reproduzindo, tem de disfarçar o seu caráter oligárquico através de uma coisa designada “democracia representativa” protagonizada por partidos de poder e outros – uns mais à direita, outros menos à direita – todos alegres convivas na mesa do respetivo orçamento. Democracia não é possível em capitalismo.

3.     Há 20 anos - que se cumprem a 1/1/2019 - surgiu o euro como elemento facilitador de trocas e da movimentação de capitais e gerador de maior entrosamento entre os estados-nação. 

4.     A maioria dos portugueses, como a maioria dos europeus não vive satisfeita com a UE; mas ou consideram-na como um mal menor ou anseiam um encerramento nacionalista com cheiro a fascismo. Em Portugal, mais precisamente, há saudosos do império colonial e os incapazes de perceber o declínio dos estados-nação, mormente pequenos e médios, numa era de globalização de mercados, de entrosamento de ideias, culturas e corpos. 

5.     A questão que hoje, se deve colocar é que o desastre teria sido muito maior sem o euro. Vejamos porquê:

  • Portugal não tem um empresariato dinâmico. Hoje, como no tempo de Salazar, os ditos empresários vivem encostados ao favor público, pago através da corrupção da classe política que, hoje, faz a intermediação com Bruxelas;
  • Grande parte desse empresariato subsiste instalado na economia paralela, no não pagamento à Segurança Social, cujo valor acumulado corresponde a um ano de pensões;
  • O sistema financeiro que numa economia capitalista procede á coesão do tecido empresarial é, em Portugal, dominado por capitais estrangeiros. Os ciclos económicos ancoram-se, ao sabor da entrada de fundos europeus ou, mais recentemente, em bolhas imobiliárias, cujo final nunca é feliz. Entretanto gerou-se uma dívida pública eterna que onera, em média, cada pessoa com 800 euros anuais de encargos; 
  • Portugal, em pleno século XXI é visto como um território ao lado da Espanha. A subserviência histórica para com a Inglaterra esboroou-se com a substituição daquela pelas relações com Espanha, Alemanha, França ou Itália;
  • Portugal tem o mais baixo perfil educativo da Europa e mantém há décadas reestruturações inacabadas do aparelho e conflitos eternos com os professores, ao mesmo tempo financia grupos privados e pseudo-universidades que por regra, revelam atividades criminosas;
  • Portugal tem uma situação periférica, na Europa e na Península com níveis salariais idênticos aos da Europa de Leste; e incompatíveis com os níveis da punção fiscal. Desde 2010 a receita de IRS e de IVA aumentou 44% contra cerca de 2% para os rendimentos do trabalho;
6       Uma saída do euro e/ou da UE – como defendem nacionalistas dementes ou ignorantes, de direita ou de “esquerda”, corresponderia a:

  • Maiores dificuldades na colocação de exportações (o caso da Grã-Bretanha será exemplar se o Brexit se verificar) e acesso a capitais. Teria efeitos desastrosos no refinanciamento da dívida, com juros mais elevados;
  • A existência de moeda própria produziria inflação. A inflação promoveria a exigência de aumentos salariais, com a repressão a dar asas a dirigentes sindicais amarelados, vocacionados para garantir à cacetada, a competitividade do já referido empresariato nacional, “nosso”; 
  • Formar-se-ia um mercado paralelo em moeda forte (euro, porventura) como acontece nas periferias africanas, europeias e do Médio Oriente; e uma segmentação da população entre os que tivessem acesso ou não a moeda forte;
No final do século XIX Eça dizia que Portugal era um sítio, mais relevante do que a Lapónia que nem sítio era. 

O autor destas linhas costuma dizer que Portugal é, no século XXI, um corredor atravessado pelas redes das multinacionais e do capital mafioso.

Quanto à Europa, é preciso criar uma União dos Povos da Europa, sem capitalismo, sem classes políticas ou exércitos. E com democracia, com decisões tomadas diretamente pelas pessoas.

1/1/2019


D - O VATE E O OXÍURO

Há por aí um vate com voz de locutor de rádio, que tem mais tenças do que aquelas que foram concedidas a Camões.

Esse vate nunca brilhou na política; sobretudo, quando depois de uma candidatura a PR abandonou quantos o haviam apoiado.

Criativo, inventou uma nova rima, entre dois arrotos de caviar; conjugou democracia com toiros feridos a saltar de alegria.

Tal nobre figura entendeu equiparar a carga fiscal sobre um espetáculo taurino à que incide sobre o leite, a carne ou os livros. Mais dois arrotos de caviar!

Numa próxima campanha, o alegre pateta, defenderá o aumento do IVA sobre o leite com a coleta a financiar as fatiotas dos artistas da tourada.

Mas, nâo esteve só…

Teve a seu lado um oxiúro da Sophia, um idiota encartado, cujos livros adornam as prateleiras dos supermercados

O oxiúro tem um ódio particular para com os professores; talvez porque nas aulas os profs. não lhe concedem a honra de ensinar o que é um Enterobius vermicularis

Mas tem uns milhares de toscos que se dignam ouvir as suas vulgaridades, os seus ódios de estimação e assim permitir ao oxiúro uma vida confortável

Estes dois e o apoio dos avatares da AR revelam a contínua decadência económica e cultural dos portugueses

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·        As toscas alegrias que enchem a vida do alegre

Um poeta, à partida, é alguém com uma sensibilidade apurada.

Um poeta que goza com o martírio de um touro, mostra sofrer de uma bipolaridade que, dada a idade do Alegre, será incurável

Alegre, o silêncio é um bom recato a intercalar com frequentes e paliativas consultas de psicologia
Sensibilidade, na realidade, não rima com bestialidade

Requiescat in pace!

16/11/2018

E - COSTA, UM MECENAS QUE USA DINHEIRO ALHEIO

1 – Na governação, em vez de terem algo a que se possa chamar política de habitação, deixam as rendas entregues ao sacrossanto mercado e subsidiam inquilinos em vez de eliminarem os especuladores, antes alimentando o parasitismo imobiliário e contribuindo assim para o próximo rebentamento da bolha.

2 – Incentivos fiscais para o regresso dos imigrantes? Algum emigrante vai deixar o trabalho que tiver para vir ocupar um lugar precário em Portugal? Os incentivos não são eternos e nenhum regressado gostará de ser precário ou despedido, depois de mais uma medida da corporativa Concertação Social para agilizar o “mercado de trabalho”; e vir a arrepender-se de ter voltado à paróquia lusa. 

3 – Gostam muito de acenar com a criação de postos de trabalho para embalar os idiotas mas nunca referem os níveis salariais e a precariedade que está por detrás dessa propaganda. O número de trabalhadores a termo passou de 681,8 m em 2011 para 728.7 m em 2016 e a remuneração base média, geral, no mesmo período teve um assombroso aumento de 905.1 para 924.9 euros 

4 – Para quem serão os “ incentivos” benevolamente dados a essa falsa figura, na maioria dos casos, dos “trabalhadores independentes” quando são estes a arcar com os 23% de descontos para a Segurança Social que caberiam ao patrão se fossem considerados trabalhadores por conta de outrem, como de facto, na sua maioria são?

5 – Quem são os incentivados através do não pagamento de contribuições para a segurança social, quando a dívida das empresas passou de 7721.5 M em 2011 para 11566.9 M em 2016? Uma prática que já vem de longe, do tempo do Cavaco; portanto transversal a todos os gangs no governo.

6 – Se em 2011 o IRS cobrado foi de 9831 M e passou para 12230.1 M e se no mesmo período a cobrança de IVA passou de 13051.6 M para 16001.4 M certamente que isto NÃO foi um incentivo para quem paga esses impostos – trabalhadores, reformados ou consumidores. Porém, os valentes capitalistas que haviam pago em 2011 5167.6 M (em plena crise) tiveram, coitados, em 2017, um aumento insuportável para …5751.7 M - quando a propaganda refere um país em franco progresso (?)

7 – Em contrapartida, mantêm-se os “incentivos” inseridos nas criminosas parcerias público-privadas, sob a forma de rendas, tal como na energia; numa jogada de propaganda que mais parece caridadezinha, baixam os preços das botijas de gás em concelhos do interior.

8 – Para participar, manso, na deriva militarista do Pentágono, o governo manda militares para a Finlândia, a Estónia… e pensa voltar ao serviço militar obrigatório, para alimentar o parasitismo militarista e permitir a existência de mais uns quantos “generais sentados”.

A verdadeira questão não é o partido que tem a mão no pote. A verdadeira questão é o regime cleptocrático e oligárquico que coloca a esmagadora maioria das pessoas afastada das decisões sobre as suas vidas, monopolizadas pela classe política amancebada com um empresariato tradicionalmente alapado ao subsídio e ao incentivo público, como garantia de existência.

1/9/2018

Este e outros textos em:

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http://www.slideshare.net/durgarrai/documents