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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Custos do trabalho na Europa – espelho da exploração e das desigualdades



No mundo de hoje, as ditas vantagens competitivas resultam menos dos baixos custos salariais e muito mais da qualificação, da tecnologia e da capacidade organizativa na produção de bens e serviços. Expliquem isso aos empresários lusos, mais apostados em sujos favores obtidos à custa da carga fiscal sobre o trabalho e o consumo

Sumário

1 – Ligeira introdução sobre economia
2 – Evolução dos custos do trabalho na Europa (2000/16)
3 - Custos laborais na Europa – abordagem alargada e detalhada
3.1 - Indústria
3.2 - Construção
3.3 - Serviços à indústria e comerciais
3.4 - Comércio e reparação de veículos
3.5 - Alojamento e restauração


domingo, 19 de fevereiro de 2017

O grande problema chama-se capitalismo e não globalização

Há quem considere que a globalização tem de ser cavalgada pelo capitalismo e quem entenda que o nacionalismo deve substituir a globalização, aceitando o capitalismo. Duas vias, um só vencedor, o capital


                                                    Texto: Vítor Lima, Economista · 17 Fevereiro, 2017


A globalização é um longo processo no âmbito do qual se vem construindo a Humanidade. A Terra só se tornou conhecida nos seus principais contornos, com a integração das Américas, da Austrália e das ilhas do Pacífico, a que ficaram ligados os nomes de Colombo, Gama, Magalhães… O estabelecimento de rotas marítimas consolidou e densificou as relações comerciais, as trocas culturais, a miscigenação, sem que se deva esquecer o conspurco constituído por guerras, saques, lutas religiosas, escravatura, genocídios.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Um internacionalismo do século XXI, contra o capitalismo e o nacionalismo (1)



Carlos Taibo sintetiza a questão que se nos coloca, hoje. Ou ganhamos a consciência de que temos de sair urgentemente do capitalismo, regressando a lógicas de cooperação, solidariedade e apoio mútuo; ou entra-se num caminho de salve-se quem puder, com guerras, pobreza acentuada, desdém para com as alterações climáticas, com regimes fascistas e genocidas.
Sumário
1 - Uma (des)ordem económica e política
2  - A globalização é um processo
2.1 - Como o capitalismo vem cavalgando a globalização
2.2 - A instituição de um estado de excepção generalizado
3 - Os grandes promotores do desastre
3.1  - As ameaças vindas das classes políticas
4 – A leitura do contexto.
4.1 - As alternativas possíveis e as desejáveis
4.2 – O desenvolvimento do espirito do fascismo
4.3 – Um novo internacionalismo, precisa-se!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Economia, capitalismo e revolta (conclusão)



1 - O que é a economia?*
2 - Os economicistas, os escribas do capitalismo*
3 - O mercado e a irrelevância de quem trabalha*
4 - Globalização e mercantilização
5 - Estado e hierarquia
6 - Ideias para uma saída “disto”


sábado, 19 de novembro de 2016

A dívida como troca



Autora: Rosário Caetano
 

Os sacrifícios e jogos que se celebravam nos locais funerários como festas dos mortos produziram finalmente a forma secularizada da religião: a sociedade de trocas.”



Horst Kurnitzky, Estrutura libidinal do dinheiro

Regimes de troca




Se não houvesse troca, não haveria comunidade.” (Aristóteles, Política, 1133b) Os indivíduos sempre trocaram coisas entre si, sempre pediram e ficaram a dever coisas uns aos outros. Se alguém receber alguma coisa do seu vizinho, ao aceitá-la, fica em dívida. Em abono desse vizinho, pagará essa dívida com uma “palavrinha” (o tal “obrigado”) e com outro presente, devolvendo o estado de dívida à outra parte. O objetivo final não é o pagamento total das dívidas, mas sim fortalecer as relações sociais através de um sistema de crédito - dívida e obrigação - baseado na confiança e nos valores da sociabilidade em geral.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Economia, capitalismo e revolta – 1



O discurso dominante é economicista, tecnocrático. Fala de competitividade, empregabilidade, PIB, baixos salários e mercado. É altura de se falar de economia política.

1 - O que é a economia?
2 - Os economicistas, os escribas do capitalismo
3 - O mercado e a irrelevância de quem trabalha

domingo, 8 de maio de 2016

Dívida pública – Dívida pública – Cancro não se trata com paracetamol



                                                       
Mesmo que os encargos por habitante se aproximem dos € 800 anuais, na classe política, uns acham que está tudo bem e outros defendem uma reestruturação tão mirífica como ineficaz.

Sumário
1 – O avolumar da dívida pública e as suas causas
2 – Onde está o destino útil da dívida pública portuguesa?
3 – E quanto a custos da dívida para a população?


quarta-feira, 13 de abril de 2016

A Universidade como instrumento do poder




Durante quase toda a sua história a Universidade produziu o discurso conveniente ao Estado onde se insere – o discurso hegemónico - e continua a fazê-lo agora, com as adequações próprias introduzidas pelo capitalismo de hoje. 

A Universidade funciona como guardião do templo, a arca do conhecimento legitimado (o que for herético é silenciado) mesmo que tenham sido substituídos os representantes de Deus, pelos arautos do sistema financeiro e das multinacionais. A Universidade é um instrumento do poder e, como tal, pratica uma rígida hierarquia, impõe o autoritarismo e o afunilamento ideológico, tal como acontece nas restantes escolas, no trabalho, nos quartéis e nas prisões.


domingo, 27 de março de 2016

NEOLIBERALISMO E KEYNESIANISMO, DOIS PRATOS DA MESMA GOROROBA



Quem tenha o mau gosto ou a infinita paciência para esperar que a palavra capitalismo saia da boca de membros da classe política ou da escolástica universitária, é porque acredita que camaleões possam cantar Verdi.
Sumário


1 - A função financeira e as suas bolhas
2 - O neoliberalismo selvagem e genocida
3 - Haverá uma alternativa keynesiana anticapitalista?
3.1 – Uma moeda própria?
3.2 – O fomento do consumo privado?
3.3 - O gasto público, o choque keynesiano?
3.4 – A aceitação da dívida não será um acto de submissão?
4 - Como arquitetar uma solução anticapitalista


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

GANHOS E PERDAS DE PODER DE COMPRA NAS TERRAS DE PORTUGAL - 2004/2013



No contexto de um empobrecimento global verificável, mesmo empiricamente, observou-se uma maior homogeneidade no território, com perdas bem visíveis em áreas com maior poder de compra e ganhos em regiões, na sua maioria, em processo de desertificação.

Onde antes havia remediados e pobres, a distinção agora é menos pobres e mais pobres, para além dos que se disseminaram pelo mundo.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Segurança Social compra títulos da dívida pública portuguesa

                 (Manobras em torno do pecúlio de trabalhadores e de reformados)

  
Sumário

1 – A ilegitimidade da gestão da Segurança Social pelo Estado
2 - A gestão do FEFSS forjada pela delegação da troika chamada governo
3 – O banquete que se prepara
4 - Propostas para defesa da multidão face aos gangs


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1 – A ilegitimidade da gestão da Segurança Social pelo Estado

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) é gerido pelo IGFCFSS - Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social - um orgão do Estado - e  pretende garantir a “manutenção da sustentabilidade do actual sistema de segurança social”.  A materialização dessa reserva financeira é alimentada, anualmente, através de “uma parcela entre 2 e 4 pontos percentuais do valor correspondente às quotizações dos trabalhadores por conta de outrem, além dos saldos anuais do subsistema previdencial, receitas resultantes da alienação de património e os ganhos obtidos nas aplicações financeiras”.

As reservas da Segurança Social têm sido constituídas por títulos e depósitos, valores disponíveis ou disponibilizáveis num prazo curto, susceptíveis de cobrir as despesas com pensões, durante, pelo menos dois anos. Porém, hoje, só cobririam cerca de oito meses.

Há, desde já, a sublinhar que o Estado é um elemento alheio aos fundos da Segurança Social. Estes, são pertença de quantos contribuem ou contribuiram para os mesmos, não se confundem com impostos e não devem ter a sua gestão determinada pelo Estado. E, portanto, não há legitimidade para os fundos da Segurança Social se integrarem na consolidação das contas públicas; nem para  que governos e Estado ou tomem as decisões que lhes convêm, tomando os fundos da Segurança Social como património próprio. Há um princípio de ilegitimidade nesta questão que, demasiadas vezes, se revelam sob formas de verdadeiros roubos.

A gestão típica do PS/PSD - e do CDS, que nas coligações em que participa mostra particular apetência pela Segurança Social - tem manifestado um premeditado laxismo quanto à boa gestão da Segurança Social:

·         A divida bruta à Segurança Social passou de € 8503 M em 2011 para € 9778 M no ano passado, sendo a sua esmagadora maioria da responsabilidade de empresas. A parcela correspondente a prestações sociais a repor é de € 585 M mantendo-se quase constante face a 2011 pois aqui sim, os governos mostram sempre o dente, pois trata-se de desempregados, doentes e gente pobre;

·         Os governos alteram, alegres e descuidados, os parâmetros que regem contribuições e prestações que, naturalmente se quereriam estáveis, para tranquilidade de pessoas e … dos investidores. Assim, aumentam a idade para a reforma, reduzem as pensões e prestações sociais, decretam isenções e reposições de contribuições patronais como elementos de uma pífia política de emprego, deixam de fora da contribuição para a Segurança Social patrões que recrutam trabalhadores a recibo verde, etc


2 - A gestão do FEFSS forjada pela delegação da troika chamada governo

Neste quadro global, que se tem mantido obscurecido pelos media e pelos partidos, surge agora a ideia de tornar o FEFSS um apêndice do IGCP.

Recentemente, a composição dos títulos detidos pelo FEFSS era de:

·         Dívida pública portuguesa – 55%
·         Dívida pública de países da OCDE – 25%
·         Ações de empresas estrangeiras – 17% [1]

e o governo decidiu melhorar a rendabilidade do FEFSS aumentando a parcela de dívida pública nacional até 90% do seu portfolio e reduzir a quota de títulos públicos estrangeiros que atualmente “apresentam níveis de taxas de juro particularmente deprimidos”. Nesse contexto, o FEFSS deverá comprar até final de 2015, uns € 3750 M de títulos de dívida pública[2], continuando o reforço já observado em 2012 (€ 9078M contra € 6253 M em 2011), consoante elementos presentes na Conta do Estado do último ano.

Não deixa de ser curioso que um mesmo governo que impede indivíduos de melhorar a rendabilidade das suas poupanças comprando diretamente dívida pública; que reduziu o interesse das pequenas poupanças pelos certificados de aforro (em queda há vários anos) - tudo isso, com o intuito decisivo de contribuir para a rendabilidade dos bancos - queira agora melhorar a rendabilidade das reservas que pertencem a todos os trabalhadores.  Como não é líquido que o governo tenha deixado de constituir um corpo de escuteiros ao serviço do sistema financeiro, concluimos que as operações previstas para o FEFSS não devem interessar ao Ricardo Salgado e aos seus compadres. Isto é, sempre que o Estado tiver dificuldades em colocar dívida pública no “mercado”, por este exigir taxas muito elevadas, o FEFSS exerce o seu papel de bombeiro ou apêndice do IGCP, como atrás se referiu, concorrendo a leilões de colocação de dívida, oferecendo taxas de juro mais favoráveis. Como se sabe esse papel não poderia ser desempenhado pelos bancos, mais vocacionados para se aviarem na mesa do orçamento e muito menos para colocar lá comida.


3 – O banquete que se prepara

Como consta na explicação inserta no diploma com a chancela de Gaspar (e do carocho Mota Soares), a troika considera que a sustentabilidade da dívida portuguesa exige a alienação de títulos estrangeiros na carteira do FEFSS e daí, que seja efetuada a conversão daqueles, em títulos da divida pública portuguesa.

Há várias questões e consequências nisso:

  • Esta lógica é a mesma que obrigou a um acelerado programa de alienações de empresas públicas ou parcelas do Estado no capital de empresas de referência, como a EDP, a ANA, a REN e proximamente a TAP. Aqueles títulos estrangeiros não são “lixo” de acordo com os decretos das empresas de rating e portanto haverá certamente quem os compre;
  • Entre as acções estrangeiras contam-se as de empresas bem conhecidos e que certamente não serão “lixo” nas apreciações das utilíssimas empresas de rating. Nesse activo valioso encontram-se em finais de 2012 a Novartis (269234 acções), Nestlé (340699), Deutsche Telecom (433994), Banco Santander (1342228), Telefónica (579753), Total (321481), RollsRoyce Group (12007044), Axa…
  • Em sua substituição, o FEFSS deverá aceitar títulos da dívida pública portuguesa, isto é, “lixo” na classificação dos mercados. Assim sendo, o reforço até 90% da carteira do FEFSS em títulos da dívida pública portuguesa irá constituir uma desvalorização objetiva daquele Fundo e uma perda evidente da Segurança Social, dos trabalhadores e ex-trabalhadores a quem ela pertence;
  • Se comprar títulos diretamente ao Estado, o FEFSS, se os quiser vender no mercado, para fazer face a qualquer compromisso ou, se quiser aplicar trocá-los por outros títulos, quaisquer que sejam, para aumentar os seus recursos não o vai poder fazer, a não ser com elevados prejuízos. As sagradas agências de rating ainda não levantaram (nem levantarão brevemente) a classificação de “lixo” para os títulos soberanos portugueses;
  • Os títulos de dívida pública portuguesa que os “investidores” repudiam são, portanto, aceites pelo FEFSS, por instruções do governo, que não cura de observar se essa aplicação é do interesse dos trabalhadores, a quem os fundos pertencem. A esmagadora maioria da população não é sujeita de direitos para o capital financeiro e da sua troika, como não é para o pelotão de sacripantas encabeçado pelo Passos;
  • Quando, anos atrás, o governo Sócrates colocou em risco uma avultada quantia investida pelo FEFSS em títulos da dívida pública, as oposições gritaram contra os prejuízos daí resultantes. Atualmente, na sua indigência política, gritam por eleições e sobre isto, nem um pio emanam;
  • Gaspar, num dos seus derradeiros actos, ao promover uma passagem acrescida de títulos públicos para o FEFSS realiza um género de trânsito da sua mão direita para a sua mão esquerda, uma vez que a dívida se situa no âmbito das contas consolidadas do Estado, na sua concepção mais alargada e asfixiante de bolsas e direitos. Essa dívida pública imposta ao FEFSS será apenas um truque para reduzir os ratios que a troika considera antes de proceder aos seus diktats.
Três dúvidas.

  1. A troika e o Eurostat, como irão mesmo contabilizar esta operação em termos de dívida tendo em conta que o FEFSS está incluído no perímetro de consolidação das contas públicas? Neste entendimento, a operação corresponde à mudança de um móvel entre dois quartos de uma mesma casa;
  2. O FEFSS não pode comprar acções de empresas portuguesas, no entanto veio a englobar várias que estavam nas contas do IGFSS. Citamos concretamente € 76 M de acções da majestática PT e € 10.6 M da Zon. Quando colocará o capital financeiro global ou a sua agência lusa um decreto para um ministro das finanças assinar, no sentido da venda daquelas acções no “mercado”?
  3. Como a criatividade dos gatunos sempre foi superior à dos roubados - para que aqueles não sejam considerados espécie extinta, como conviria, - a habilidosa Maria Luís não irá continuar a obra do seu antecessor e abrir a possibilidade de o FEFSS comprar acções do valoroso Banif, já que os seus originais accionistas acham melhor manter o dinheiro sediado em offshores? Anos atrás foi feita uma operação com contornos aproximados envolvendo uma empresa privada – Tevis – pela pena do já defunto Sousa Franco, tendo o accionista Estado assistido impávido, ao posterior investimento dos accionistas privados na … Roménia.


4 - Propostas para defesa da multidão face aos gangs

  1. Em próxima campanha eleitoral esperamos que haja candidaturas que defendam a saída da Segurança Social (e por arrastamento, do FEFSS) do perímetro de consolidação das contas públicas;
  1. Que a Segurança Social seja gerida autonomamente do aparelho de Estado, sem interferências políticas, sobretudo através de medidas conducentes para a sua descapitalização, a favor das seguradoras e, em desfavor da esmagadora maioria da população;
  1. Terá forçosamente o FEFSS de aplicar as suas reservas em títulos? Não poderia, por exemplo, intervir com investimentos na recuperação de habitações, dirigidas a famílias carenciadas e, simultaneamente, constituir com isso um elemento de intervenção no sentido da baixa das rendas de casa?


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Outros textos sobre a Segurança Social





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Este e outros documentos em:
                                  
http://grazia-tanta.blogspot.com/



[1]   http://www.tvi24.iol.pt/economia---economia/fefss-fundo-seguranca-social-investimento-pensoes-divida-publica/1466504-6377.html

[2]   http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO195799.html?page=0v

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A IAC mandou a toalha ao chão

  
A imprensa divulgou o próximo projeto da IAC – Iniciativa para uma Auditoria Cidadã[1].

Ficámos a saber que a IAC se vai entreter durante as férias a recolher assinaturas para entregar na AR, para esta criar uma Entidade que acompanhe a auditoria. Já temos a IGF – Inspeção Geral de Finanças e o Tribunal de Contas, lembramos nós; é o habitual pendor para a burocracia e a estatização de keynesianos ou, de próceres do trotsko-estalinismo que reina naquelas bandas. Parece brincadeira de carnaval…

Assim, a IAC desiste da auditoria cidadã, do desenvolvimento da democracia inerente à intervenção das pessoas num processo de abertura e de transparência das contas públicas. Aliás, a referência a “cidadã” sempre foi propaganda pois uma grande abertura significaria riscos de radicalização que o controlo partidário exercido sobre a IAC poderia não conter. 

A IAC encaminha a questão da dívida para o vespeiro parlamentar pedindo aos deuses que a maioria PSD/CDS aprove os seus propósitos. Para que isso aconteça terão de pedir ao Cavaco que interceda junto da Nª Sª de Fátima. Quanto às pessoas comuns, que se resignem ao que os seus “representantes” decidam, do alto do seu reconhecido brilhantismo intelectual…

Não é estranho que, com tantos académicos, a IAC, ano e meio depois da abertura com pompa e circunstância no S. Jorge, chegue a esta pífia proposta, reveladora de paralisia e total fracasso. Só revela a sua ausência de trabalho concreto e a sua preferência para debitarem no palanque para plateias selecionadas e normalizadas, adequadas ao seu reacionarismo.

A IAC nunca defendeu que a dívida é um problema político, sem solução neste sistema institucional. Não é capaz de assumir que esta divida não é pagável e que só uma posição de princípio – não pagamos – pode abrir caminho ao apuramento de dívidas ilegítimas, a anulações, à criminalização de quantos participaram em actos danosos de gestão pública. Objetivamente, a IAC coloca-se ao lado de Vitor Gaspar, da troika e do capital financeiro, na perpetuação dos sacrifícios e na punição pelo pecado de “vivermos acima das nossas posses”.

A IAC não quer assumir que não se vai a lado algum com as atuais instituições que acoitam uma classe política que se auto-reproduz e para a qual as pessoas são débeis mentais incapazes de perceber a complexidade da situação e as dificuldades da governação; esta, que como sabemos, se reduz ao roubo de rendimentos e direitos da esmagadora maioria dos sobreviventes em Portugal.

Na IAC mandou-se a toalha ao chão e espera-se que uma pouco reflexiva imprensa divulgue prometidas glórias futuras, já que do passado há pouco para apresentar. Como aliás em outras iniciativas dominadas pelo BE, como se verá em breve.

Estivemos recentemente em Espanha num dos muitos “nós” da Auditoriaciudadana e que compõem a rede que se espalha pelo país. Nesse “nó” – criado em outubro último – vimos trabalho, abertura a todos, organização e propostas políticas adequadas à situação que se vive, em Espanha ou Portugal. Não descortinámos a presença de infiltrados ou controleiros partidários embora estivessem presentes algumas pessoas com simpatias partidárias e que, naturalmente, eram encaradas como quaisquer outras. Nem vimos nenhum caso de premeditada exclusão como na IAC que, em dezembro de 2011, recusou a integração de um ativista enquanto explícito defensor da anulação da dívida pública portuguesa.

Sobre a dívida, veja-se aqui trabalho desenvolvido sem académicos escolásticos, nem quadros partidários ao serviço da perpetuidade do sistema que, benevolamente, lhes paga:















  
Este e outros textos em:




sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quando a Dívida aumenta, a Democracia encolhe (1)


Eles,
para utilizarem a dívida como instrumento do nosso empobrecimento precisam de sequestrar a democracia.

Nós,
para nos libertarmos, temos de mandar este regime político, com a dívida, pelo cano abaixo.



Começaram no dia 27 de abril debates abertos sobre Democracia e Dívida[1] desenvolvidos no espaço público, para que as pessoas não fiquem confinadas ao que se diz nos media, em regra, superficial ou enganador. Todas as formas de mobilização popular contra o sufoco que se vive a título da dívida são necessárias porque a dívida serve também para uma brutal campanha contra os direitos da população e na qual se inclui uma verdadeira vontade de tornar residual a democracia. Nesse sentido, decidimos desenvolver, por escrito, o que vem sendo dito na praça pública.



Sumário

1  - A dívida e as abordagens institucionais
2        Quatro elementos de ordem sistémica

Os desequilíbrios geopolíticos
A financiarização e o predomínio do capital financeiro global
As agendas próprias dos capitalismos nacionais
As caricaturas de democracia política

3 - A formação da dívida em Portugal





Quando a Dívida aumenta, a Democracia encolhe (1)



1-     A dívida e as abordagens institucionais

Em regra, nos meios políticos, mormente institucionais, a questão da dívida, considerada de modo circunscrito, na acepção de dívida pública, é apontada como uma questão de desequilíbrio de ordem financeira, com raízes no funcionamento dos “mercados”, com origens próximas nos desequilíbrios da estrutura económica. Complementarmente, refere-se a frase de que “vivemos acima das nossas possibilidades” o que nada mais representa que o conformismo pretendido para a continuidade da atuação do sistema financeiro e dos seus mandarins; a assunção de uma culpa, cuja expiação é inevitável, como ressalta das escrituras das religiões do “Livro”. Mas, essa culpa serve, perfeitamente para aceitação da imposição de cortes em rendimentos e direitos, sem uma contestação que se possa considerar digna.

Dentro dos sectores mais à esquerda do sistema político, a aplicação da lógica neoliberal constitui uma aberração, a ser substituida por um virtuoso retorno à ortodoxia keynesiana, com forte investimento público, no seio da harmonia celeste do modelo social europeu; um retorno aos gloriosos trinta anos que acompanharam a recuperação e reestruturação capitalista na Europa, a seguir à última grande guerra.

Essa defesa da boa ortodoxia keynesiana dominante na esquerda do sistema comporta duas visões distintas, naturalmente, em qualquer delas, sem a colocação em causa do sistema capitalista, nem do modelo do que convencionalmente se chama democracia representativa, do mercado eleitoral. Uma dessas pobres alternativas compreende um modelo mais ou menos isolacionista ou nacionalista apoiado num Estado intervencionista, com a saída de Portugal do euro ou mesmo da UE, apresentada de modo tímido ou implícito e, não como reivindicação política clara ou mobilizadora. A outra visão baseia-se também na intervenção do Estado mas, tendo como pano de fundo a crença numa reestruturação da UE no sentido da construção de um macro-estado dotado de meios financeiros para atuar condignamente com a dimensão da Europa que se pretende obter no âmbito do cenário global. Na nossa opinião, nenhum desses modelos tem em conta o bem-estar da população e dos trabalhadores em particular, apenas a continuidade da encenação contestatária, na AR ou nas várias procissões ritualmente efetuadas como justificação para os fundos públicos ou sindicais disponibilizados aos burocratas da chamada esquerda.


2-     Quatro elementos de ordem sistémica

Comecemos por sinteticamente, apontar alguns dos aspetos balizadores da realidade económica e política geral e, particularmente, em Portugal.

Os desequilíbrios geopolíticos

Há, na Europa, uma especialização económica que vocaciona os países do Sul e do Leste para o fornecimento dos países do Norte, dedicando-se estes à produção e exportação de bens de elevado valor acrescentado para o mercado global. Está em formação um quintal de pobreza que rodeia uma casa senhorial situada no Norte da Europa; uma zona de transição para o mundo islâmico e a Rússia, no que se pode configurar como uma revisitação de Huntington.

Acumulando-se os capitais e os superavits externos no Norte da Europa, sobretudo Alemanha e Holanda, são estes que ficam em condições de financiar os restantes, deficitários, impondo as suas condições para que se mantenha uma dívida eterna e uma subalternidade total [2].

                                             Balança corrente (M euros)   Soma 2002-2012 (set)  
Saldos positivos
Saldos negativos
Alemanha
1.336.079
Espanha
-611.758
Holanda
403.504
Itália
-266.534
Áustria
73.947
Grécia
-210.543
Finlândia
53.097
França
-169.495
Bélgica
38.901
Portugal
-156.035


Irlanda
-29.408
Total
1.905.528
Total
-1.443.773
                                                                                  Fonte: Eurostat

Nesse contexto, as estruturas produtivas nacionais e regionais vão-se distorcendo e reproduzindo as desigualdades e a pobreza. E as soluções apoiadas no fomento da exportação acentuam os desequilíbrios, estando condenados ao fracasso, pois essa política é adoptada mimeticamente, por todos e, todos concorrem junto dos mesmos potenciais compradores, também eles, próximos da recessão. Uma obsessão para servir os mercados externos só por acaso pode coincidir com a satisfação das necessidades das populações dos países exportadores.

A financiarização e o predomínio do capital financeiro global

O capitalismo é o primeiro sistema económico que não tem como fulcro as necessidades das pessoas mas, o “mercado”, tornando o trabalho uma abstração, uma mercadoria, um factor de produção. O predomínio do capital financeiro torna dependentes de si, através do crédito, empresas e pessoas e, tendo em conta a invenção de múltiplas formas e expedientes de promoção da reprodução de capital-dinheiro através da especulação, é para esta que é privilegiada a canalização dos capitais que faltam para o investimento no bem estar das populações.

A produção para o “mercado”, a satisfação dos insondáveis caprichos dos “mercados” constituem um alibi para gerar o frenesi da competitividade, da produtividade, do individualismo, do consumismo e da redução dos custos sociais. Resulta daí a disponibilidade de imensa quantidade de bens de consumo e serviços, em paralelo com milhões de pessoas com carências elementares por satisfazer.

Neste contexto é a própria sobrevivência de parte importante da Humanidade que fica ameaçada de genocídio uma vez que, sem poder de compra, nem utilização viável na produção capitalista, parte importante dos seres humanos é totalmente inútil para os mercados financeiros, é apenas um estorvo.

As agendas próprias dos capitalismos nacionais

O sistema financeiro global interage com os diversos países de acordo com a dimensão política e económica do conjunto dos capitalistas nacionais, com destaque para os respetivos sistemas financeiros. Essa relação matiza a posição em que cada país se encontra na hierarquia das nações, emanada das relações de poder que cada país incorpora e ainda a sua organização política e social, o poder financeiro, a valia do seu aparelho produtivo, as capacidades do seu povo em termos de conhecimento e auto-organização, a sua valia geopolítica...

Cada capitalismo nacional mediatiza através do seu Estado a criação de condições para a satisfação das suas necessidades de acumulação. No caso português, tratando-se de um capitalismo dependente e periférico, desde sempre apostado na minimização de custos salariais e sociais e na utilização da corrupção como fonte essencial de acumulação, chega-se neste momento a um ponto de verdadeiro protetorado internacional.

A dívida é um instrumento de exercício da punção financeira, tendencialmente eterna e, que exige como preço, o desmantelamento da produção de bens e serviços, o empobrecimento de quase todos e a inanição de grande parte da população.

As caricaturas de democracia política

Hoje, são mal suportadas as ditaduras militares ou pessoais e também os golpes de estado… excepto em todos os casos em que são tolerados. Instituiu-se uma arquitetura política chamada democracia representativa, que se baseia em eleições onde, por regra, o ganhador é uma estrutura mafiosa designada partido - financiada em parceria pelo Estado e pelo capital - que tratam de controlar os media para manipular os eleitores. Também, em geral, está montado um sistema de rotatividade entre uns poucos gangs que alternam no governo para que a encenação se mostre perfeita. A esmagadora maioria da população jamais poderá exercer funções políticas sem pertencer a um partido de governo, nem lhe é permitida qualquer outra forma de controlo da ação governativa, para além das manipuladas eleições.

O sistema político, é apresentado como segmentado entre poder e oposição, num maniqueismo infantil que é mediaticamente incutido na população. Porém, os agentes do sistema político, a chamada classe política, constitui entre si uma hierarquia, que na sua parcela com propensão governamental é, de facto, escolhida e controlada pelos meios da finança, enquanto à parte afastada do poder de estado compete desempenhar condignamente o enquadramento da conflitualidade social dentro das conveniências da reprodução do capital.

Neste contexto e através da classe política assim domesticada, o capital financeiro apropria-se do Estado, privatizando as essenciais funções de produção de leis, a punção fiscal e o aparelho repressivo (forças armadas, policiais e tribunais).


3 - A formaçao da dívida em Portugal

Como se disse atrás, é curto colocar apenas a questão da dívida pública como a causa das desgraças atuais ou a chave da via rápida para a redenção. Separar a dívida pública da privada é ocultar as caraterísticas atuais do capitalismo financeiro[3]; é ignorar o caráter instrumental da dívida pública para a acumulação capitalista e para a redistribuição dos rendimentos; é esconder que há um sistema de vasos comunicantes entre os vários sectores da economia; é branquear o papel do Estado como departamento integrado (e agente integrador) no seio do sistema financeiro.

Por outro lado, encarar a dívida como uma questão financeira, resolúvel como um valor a pagar e não como um processo de empobrecimento e escravização é enganador. Proceder desse modo é considerar que o modelo político atual é independente das dificuldades que sofremos e que é possível resolver o problema da dívida e obviar à deriva empobrecedora, no mesmo quadro institucional, com um Estado pertencente ao sistema financeiro e uma classe política delegada dos banqueiros.

Note-se que há um muro de silêncio quanto ao capitalismo, ao sistema político de “democracia representativa” e ao modelo de representação, silêncio esse que irmana todos os partidos do sistema, apostados na continuidade da situação. Revela-se, com a aceitação acrítica daqueles elementos estruturais das sociedades, o imenso conservadorismo das classes políticas, subscritoras da perpetuidade do domínio capitalista, da ausência de alternativas, da aceitação post-mortem da tese que celebrizou Fukuyama. Para a continuidade do seu bem estar, as classes políticas soletram intra-muros, baixinho, “que se lixe o povo”.

A distribuição dessa dívida total, pelos vários sectores institucionais que contraem crédito, essencialmente interno, junto do sistema financeiro, revela alterações marcantes quer na evolução, quer na estrutura.

Dívida bruta                                                                                  M euros

2007
2013
var. (%)
Estado
112.804,1
19,5
199.676,0
27,8
77,0
Empresas públicas
29.707,1
5,1
46.720,7
6,5
57,3
Empresas privadas
270.380,2
46,6
307.344,4
42,8
13,7
Particulares
166.766,0
28,8
164.921,2
22,9
-1,1
Total
579.657,4
100,0
718.662,3
100,0
24,0
PIB
169.319,2
165.409,2
-2,3
                                                  * março para o Estado, fevereiro para os restantes

Do quadro anterior, extraem-se as seguintes conclusões:

  • As famílias constituem o único agregado que tem um comportamento semelhante ao observado para o PIB, numa demonstração evidente da sua racionalidade, de que não vivem acima das suas posses, de que têm uma percepção da realidade bem mais acurada do que o Estado, seus mandarins e outros devotos do mercado. Por outro lado, o seu endividamento recente, reduziu o peso relativo para 22.9% do total;
  • O Estado, em conjunto com as empresas públicas passou a representar mais de um terço da dívida global (34.3%) contra quase um quarto (24.6%) em finais de 2007. Dentro das dificuldades globais, é o Estado que consegue financiamento no exterior tal como as empresas públicas, neste caso, devidamente ajudadas na subscrição de swats pelo prestimoso sistema financeiro. Até à intervenção da troika viveu-se um período de grande felicidade para o sistema bancário que obtinha crédito do BCE para comprar dívida pública, com uma enorme margem de lucro, apenas porque na ortodoxia do BCE – onde o devoto Gaspar trabalhou longos anos – aquele banco não pode financiar Estados diretamente, devido ao perigo de inflação (!!) – o único objetivo, expresso, da instituição – como resultado do… trauma alemão com a hiperinflação dos anos 20 do século passado. Alguém precisará de psicanálise…
  • As empresas privadas continuam a mostrar-se como o sector mais endividado, a que não é estranha a sua histórica descapitalização, a sua dependência – tão desejada – do sistema financeiro, a alegre e ruinosa parceria na expansão imobiliária dos últimos vinte anos. Como já se observou, esse acréscimo de crédito não foi, obviamente, aplicado no investimento[4].
Os vários sectores institucionais recorrem, em graus muito distintos, ao crédito externo e, internamente, tem significado o financiamento entre empresas. Porém, o crédito é obtido essencialmente junto do sistema bancário; e daí que seja interessante, uma observação aligeirada sobre as origens do financiamento obtido pelos bancos.


Dívida do sistema financeiro *                                                        M euros

2007
2012
var. (%)
Depósitos de empresas e pessoas
326.972,0
74,8
369.046,0
60,7
12,9
Títulos excepto ações
48.747,0
11,2
132.289,0
21,8
171,4
Empréstimos obtidos
61.311,0
14,0
106.442,0
17,5
73,6
 Soma
437.030,0
100,0
607.777,0
100,0
39,1
Do qual ao exterior
44.517,0
10,2
107.875,0
17,7
142,3
 PIB
169.319,2
165.409,2
-2,3
Fonte: Banco de Portugal
        * engloba B de Portugal, outras instituições financeiras monetárias (bancos), outros   intermediários financeiros, seguradoras e fundos de pensões

Neste contexto,

·         A recessão tem um efeito bem visível no volume de depósitos constituidos junto do sistema bancário o que, associado ao grande aumento dos prazos para o crédito concedido, dadas as dificuldades das empresas, obrigou o sistema financeiro a procurar outras fontes de financiamento. Assim, os depósitos dos clientes que representavam quase ¾ dos recursos alheios dos bancos passaram a ser apenas 60.7% do total;

·         Entre essas fontes, a mais dinâmica é a da emissão de títulos que quase triplicou o seu valor em cinco anos, seguida dos empréstimos. Estas fontes de capitais alheios que pesavam cerca de um quarto do total em 2007 passaram para 39.3%, revelando assim um grande aumento dos custos dos bancos na captação de dinheiro porquanto a forma mais barata é, sem dúvida, através da massa dos depositantes;

·    Finalmente, refira-se ainda que, inserida naquela global captação de capitais, se evidencia um forte crescimento do financiamento externo, que aumenta 142.3% nos cinco anos considerados.

Efetuada esta caraterização global, proceder-se-á, em breve, a uma abordagem mais específica sobre a dívida privada e sobre a dívida pública, deixando-se para o final uma abordagem política de ambas e o desenho de alternativa possível; naturalmente, fora do quadro do putrefacto ordenamento político.


Este e outros documentos em:                                   

http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

http://grazia-tanta.blogspot.com/



[2]  http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html
[3]   http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/05/divida-portuguesa-total-canibalizacao.html
[4]   http://pt.scribd.com/doc/106026499/A-divida-de-pessoas-e-empresas-%E2%80%93-a-dependencia-eterna