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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

TÊXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA - 7


Sumário:

A - Democracia direta - para uma definição operacional
B - Lições a tirar das manobras de Trump no “quintal” latino-americano
C – Na paróquia lusa um prémio Nobel costuma ser seguido com beata veneração
D - Os 44 anos do 25 de Novembro e o cumprimento dos seus objetivos
E - Sobre o patriotismo
F - O magnânimo Costa e o salário mínimo de € 750 em…2023

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A - Democracia direta - para uma definição operacional

O aqui definido deve ser entendido como correspondendo a uma total recusa do actual regime que se tem revelado reacionário, oligárquico, corrupto e empobrecedor. E, nesse contexto, entende-se como única postura digna, coerente e libertadora, a vigência de uma verdadeira democracia - a democracia direta; e, por coerência e imperativo prático, compreende a recusa de demandas junto das instituições do regime, como cartas abertas, petições e afins.
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O evidente descrédito dos partidos políticos tem como principais causas o empobrecimento coletivo, a baixíssima natalidade, a precariedade laboral e na vida, com os governos a serem muito criativos em reduzir (em termos reais) rendimentos e em aumentarem a carga fiscal, mostrando-se ainda incapazes de organizar adequadamente todos os sectores com maior relevância na vivência coletiva – saúde, educação, segurança social, transportes, habitação. 

Por outro lado, os governos e a classe política são arrogantes, colocam-se acima da população, com direitos únicos de decisão; e mantêm uma relação promíscua com o espetro mediático ao seu dispor mas, vedado às opiniões do povo; e, nem sequer se mostram capazes de organizar tecnicamente, um recenseamento eleitoral, passadas dezenas de anos. 

Veja-se, por exemplo, como o regime se autoelege como dono da democracia assumindo, arrogante e totalitariamente, que “Os partidos políticos concorrem para a organização e para a expressão da vontade popular” (artº 10º, nº2 da CRP), com a implícita remessa da massa popular para a categoria de eunucos políticos, prostrados, atentos e agradecidos pelas benesses da atenta e sábia classe política.

As esperanças, que depois de 1974 cresceram em flecha, têm evoluído num sentido decrescente, o que é espelhado em todos os tipos de eleição, nas enormes desigualdades e na emigração, numa deterioração gradual nos contextos ibérico e europeu. 

A Constituição, laboriosamente elaborada para colocar a população à margem da decisão sobre as suas vidas, mostra-se ultrapassada, no capítulo do modelo de representação, em todas as vertentes – nacional, regional, autárquica, e europeia; para além da figura presidencial, uma reminiscência monárquica, sem utilidade que não a de entretenimento para as camadas mais ignaras da população, devidamente municiadas de vacuidades emitidas pela real reminiscência de turno, por uma atenta e oca comunicação social.

Os actos eleitorais tornaram-se rotinas, que pouco ou nada têm remediado as condições de vida, mormente depois da intervenção da troika.

Uma vez que o regime político se mostra esgotado e desacreditado, entendemos tipificar elementos para a sua substituição, mormente através de uma democracia direta, apontando como bases para o seu funcionamento, os seguintes pontos; 

1.   Aplicação do princípio da subsidiariedade, segundo o qual, as decisões sobre a vida coletiva são somente tomadas pelos seus beneficiários diretos. Por exemplo, um infantário é decidido pela população de uma freguesia que irá servir mas, uma escola secundária, será decidida pela população das várias freguesias beneficiadas com a sua existência;

2.   Todo e qualquer residente há mais de um ano numa circunscrição eleitoral tem o direito de se candidatar à representação em qualquer nível onde essa circunscrição esteja contida;

3.   Qualquer eleição não poderá recair num mesmo elemento mais de duas vezes;

4.   Não há lugar a candidaturas coletivas;

5.   Qualquer eleito como representante tem os deveres de se informar e manter informados os seus eleitores, de recolher entre estes uma súmula do pensamento coletivo, por referendo, se necessário;

6.   Qualquer eleito, em qualquer instância e a qualquer momento, pode ter o seu mandato retirado, por referendo organizado para o efeito, na circunscrição eleitoral que o elegeu;

7.   Existe uma total ausência de imunidades específicas para os eleitos;

8.   Todos os encargos relacionados com o desempenho de uma representação, são cobertos pelo erário público afeto à circunscrição em que o representante foi eleito;

9.   Qualquer elemento, em funções de representação, sobre o qual se demonstre ter cometido qualquer crime ou irregularidade lesiva da comunidade, é suspenso/afastado dessas funções; e a sua eventual punição pela justiça, não tem prazo de prescrição;

10  A administração pública, a todos os níveis, tem todos os seus lugares ocupados através de concurso público e não por nomeação;

11  O acesso à informação contida em qualquer nível da administração pública está aberto a todos, salvo informações quanto a concursos, enquanto os mesmos não estiverem concluídos;

12  Questões de caráter constitucional são resolvidas pelo Supremo Tribunal de Justiça e, se necessário, submetidas a referendo para validação (o actual Tribunal Constitucional é uma emanação da oligarquia partidária, a extinguir);

13  A representação externa da República caberá ao presidente da AR em funções. O atual cargo de PR, engloba essencialmente actos formais, de escassa relevância ou criados para aparentar relevância, como se uma soma de espaços vazios possa encher um dedal. É, pois, uma figura inútil e cara; uma vazia reminiscência monárquica;

14  O território será dividido em circunscrições eleitorais na ordem dos 20/25000 eleitores e a cada uma caberá eleger, entre os seus residentes, um representante na AR;

15   O governo – ministros (10/15) e secretários (até 2 por cada ministro) - é escolhido na AR e os seus membros terão de se manter, paralelamente, em funções como representantes das circunscrições por onde foram eleitos, com os inerentes direitos e deveres;

16   A AR terá um staff técnico de apoio aos representantes e ao governo, em ligação à administração pública e independente do governo;

17   O princípio do funcionamento assembleário atrás descrito é válido também ao nível das freguesias, dos concelhos e das regiões, passando estas últimas a ter uma definição clara, estável, com prerrogativas próprias; e não como têm sido, meras extensões do governo, de configuração variável, alfobre de membros da classe política e de agilização de negócios.

B - Lições a tirar das manobras de Trump no “quintal” latino-americano

A História dos golpes militares na América Latina tem longas barbas. Acredita-se no poder de Estado como redentor das mágoas populares, acredita-se num salvador que, por acaso (?) entende poder contar com a lealdade da tropa, da polícia e entes militarizados; e policiais que, não por acaso, aceitam a hierarquia e o verbo do mandante como a coisa mais natural ao cimo da terra. Foi sempre assim, sempre assim será, diria a minha avó.

A História já deu inúmeros exemplos de maus desfechos dessas experiências, em regra com um chefe carismático, que é aceite como um redentor, pelas oligarquias e por ele próprio, tomado como vocacionado para resolver os problemas do povo. O messianismo é isso mesmo; e o messianismo não é, nem nunca foi algo mais do que uma ilusão, uma miragem.

O destino de um redentor com bota militar ou com elegante sapatinho italiano é ser substituído por um avatar semelhante, depois da constituição de um gordo pecúlio num qualquer offshore. Outros casos, protagonizam frouxos democratas que mais não farão do que melhorar alguma coisa a vida do povo, tomado como massa informe e ignara; e sempre caindo na estúpida crença de que dessa vez, a bota militar, democratizada – certamente por intervenção divina - não coloca os tanques na rua como momento de reinício da regeneração pátria.

Os condutores do povo caem sempre na mesma atitude, achando que as ditas massas populares precisam de condutores, de chefes iluminados para resolver os problemas em nome e benefício das tais massas, tomadas como tão estúpidas e ignorantes como as massas alimentícias. Desconhece-se um caso que seja, em que os conducatores[1] fazem um trabalho decente durante um tempo razoável; por exemplo, Lenin e Trotsky decidiram acabar com os sovietes e os comités de fábrica e constituir o partido como deus ex machina.

Não há sucesso com oligarquias nem com Estado; e isso, porque não há Estado sem oligarcas, nem oligarquias sem um Estado para parasitar. Do ponto de vista da eficácia, a ligação entre Estado e oligarquias é um casamento perfeito.

O poder do povo deverá ser disseminado em muitas instituições democráticas, que envolvam todo um povo nas decisões respeitantes à vida coletiva; a manterem-se, como na situação de hoje, instituições fechadas, hierárquicas, autoritárias e atravessadas por compadrios corruptos, não se sai para lado algum. Confiar na figura totalitária do Estado, nos governos que o parasitam, em castas militares, policiais como na justiça estatal, é aceitar a submissão ao poder das oligarquias, o poder de castas de iluminados, um género de buracos negros que guardam a luz só para si; é aceitar como inscrita nas estrelas a perenidade da atuação de corruptos, de prostitutos, dispostos à inserção em qualquer outra hierarquia que lhes mantenha uma vida boa; é aceitar o cadafalso em montagem permanente pelas derivas financeiras, repressivas, empobrecedoras e destruidoras do meio social, como do meio ambiente.

C – Na paróquia lusa um prémio Nobel costuma ser seguido com beata veneração[2]

De facto o “neoliberalismo prejudicou a democracia” – diz Stiglitz. Mas, antes do seu advento, a democracia foi prejudicada pelo liberalismo antes e depois da I Guerra; e o keynesianismo tão amado entre o que resta de social-democracia e pela chamada “esquerda” foi aplicado com enlevo pioneiro pelos nazis, insuspeitos de qualquer amor à democracia. Mais explicitamente, em qualquer formulação do capitalismo, por natureza, é preciso acumular capital; e para que tal seja conseguido é preciso manter a plebe mansa, com um grau adequado de contenção da democracia. 

Numa linguagem economicista, a democracia poderá ser uma variável dependente, numa relação direta, com o grau de acumulação de capital. Se os tempos estão difíceis o capitalismo aperta os orçamentos familiares e os direitos do povo, encolhendo a democracia; se há alguma euforia económica, o desemprego cai e os salários aumentam e o capital torna-se mais benevolente politicamente.

O neoliberalismo é o modelo inerente ao domínio das multinacionais que, em procura da maior rendabilidade do investimento, passaram a segmentar o processo de produção em várias fases técnicas e por várias geografias, em procura, naturalmente, da maior acumulação possível de capital; e, em prejuízo dos capitalistas de inserção meramente nacional.

Por outro lado, a financiarização da “produção” de valor, beneficiando da desmaterialização possibilitada pelas novas tecnologias, tornou mais prático colocar as pirâmides de Ponzi a carburar do que voltar às fábricas do tipo Ford, com mais de uma centena de milhares de trabalhadores; e gerar assim, aumentos do incontornável PIB, por essa via. 

No território designado por Portugal, campeia a deriva imobiliária, o turismo e o salário (cada vez mais baixo no contexto europeu[3] como instrumento para o enriquecimento de… alguns; que se ficarão a rir sentados sobre os seus depósitos em offshores deixando ao governo de turno, fatalmente ancorado no PS/PSD a gestão da plebe, através de uma renovada austeridade. 

Como diz Stiglitz, Wall Street é que conduz a política americana – que muito influencia a política global, onde se inscrevem as sanções decretadas pelo Trump, distribuídas como quem dá milho aos pombos; sem que com essa magnânima distribuição seja descurada a imposição de vendas de armas aos países vassalos.

Perante esta centralização do capital e sem prejuízo das suas rivalidades internas, a esmagadora maioria dos estados-nação perderam qualquer autonomia e possibilidades de uma harmonia produtiva interna com a qual ainda sonhava Marcelo Caetano, nos anos do seu consulado; um sonho comum que ocorre ainda toca os derradeiros nacionalistas.

O capitalismo, no século XVII inventou o estado-nação onde, no âmbito de cada qual, se entrincheiravam os magnatas locais ligados ao comércio longínquo; nele se gerou o patriotismo para que cada pobre de um estado-nação pudesse matar os pobres de outro estado-nação para agradar aos “seus” ricos; e criou um aparelho de Estado, cada vez mais gordo, ineficiente, repressivo e asfixiante.

Stiglitz fala do fim do neoliberalismo; depois do enterro do keynesianismo e do modelo de capitalismo de estado. É muito curto.

O problema é o capitalismo mesmo que atravessando várias fases históricas. O capitalismo na sua diversidade tem-se mostrado um dedicado destruidor de vidas, um constante gerador de desigualdades, racismos, discriminações, crimes de toda a ordem. O seu enterro é uma necessidade e não partirá, certamente das classes políticas, “desse absurdo mercado dos homens sem qualidades”[4]

Utilizando as ferramentas do capital – estado-nação, Estado, nacionalismo – não se sai para lado algum.

D - Os 44 anos do 25 de Novembro[5] e o cumprimento dos seus objetivos

Cunhal sabia que após a independência de Angola, colocada na órbita soviética, o seu papel seria reconverter o PCP à imagem do PCF, por exemplo; um eleitorado numeroso, controlo das organizações sindicais e dezenas de autarquias do Ribatejo para sul. 

Perante a operação militar de 25 de Novembro, o PCP esperou que Eanes e o fascizante operacional Jaime Neves pusessem ordem nas casernas. E beneficiou da inteligência política de Melo Antunes que se opôs à ilegalização do PCP e das organizações mais à esquerda; ele sabia que um quadro de restrições na expressão política não cairia bem na CEE onde Portugal iria procurar incorporar-se, terminado o ciclo colonial de 500 anos.

O PCP esperou que a tropa em 25 de Novembro limpasse o terreno dos “incomodativos” esquerdistas para balizar o terreno político com uma esquerda cordata, “civilizada”, própria para um diálogo institucional de longo prazo, baseado numa paz de cemitério; que, nos anos seguintes, porém, viria a ser perturbado nas crises empobrecedoras de 1977 e 1981/83 com a intervenção do FMI, enquanto o ingresso na CEE era preparado[6].

O 25 de Novembro do ponto de vista militar foi um passeio, com fraca e desconexa resistência. Melo Antunes, Vasco Lourenço e Eanes criavam assim as condições políticas para a adesão à CEE, depois do acordo comercial de 1972, ainda assinado por Caetano. Depois, a tropa normalizou-se, a hierarquia foi reposta e, mesmo assim manteve-se de plantão até 1983 com um Conselho da Revolução que, na realidade, era um supervisor da ação governativa e que de revolucionário nada tinha.

Estabelecida a lei e a ordem, o I governo PS cumpriu o previsto. Reestruturou e capitalizou as empresas nacionalizadas[7] (muitas em estado de pré-falência), limpando-as financeiramente para a futura a privatização, que só começou em 1985, com Cavaco ao leme e o beneplácito do insonso Constâncio; uma vez mais, a harmonia no partido-estado (PSD/PS, nesta conjuntura).

Depois disso, montou-se o modelo de subalternidade política, de desestruturação económica, venda de ativos sem qualquer estratégia para além da cobertura do deficit público, a continuidade da vigência dos mais baixos salários da Europa Ocidental e o desarmamento de todas as proteções estatais aos vendedores de força de trabalho; neste último ponto, a medalha tem de ser dada ao Vieira da Silva… um revolucionário ex-MES.

Pela sua pobreza relativa, pela desestruturação do tecido económico, pela dependência do binómio turismo-imobiliário, sem uma verdadeira classe capitalista, Portugal pouco passa de um corredor atravessado pelas redes logísticas das multinacionais ou, visto de fora, como um género de 19ª autonomia do reino de Espanha.

E - Sobre o patriotismo

Há vários anos que vamos referindo a “estupidez patriótica”[8]. Ter nascido em Portugal ou na Cochinchina são dados de facto, nada há a comentar. A dotação de uma nacionalidade a uma pessoa é um carimbo, uma segmentação política, que visa estabelecer uma distinção artificial, sabendo-se, no entanto, que os seres humanos são todos, antropologicamente, homo sapiens, com as mesmas necessidades e os mesmos direitos. 

A distinção nacional é atribuída à nascença, por um aparelho de Estado, gestor de um estado-nação que, dessa forma entende estabelecer direitos sobre as pessoas que nasceram no seu território; e, se necessário, incutir-lhes-á a obrigação de matar, numa guerra[9], gente catalogada como nacionais de um outro estado-nação, contra os quais não tem quaisquer queixas ou conflitos a dirimir. Por outro lado, não é fácil, apagar esse carimbo, colocado à nascença; há alguma semelhança face a um bezerro que, tendo nascido na herdade de um Zé, se tornou propriedade do mesmo.

O capitalismo quando entrou em velocidade de cruzeiro, no século XVII, precisava de “privatizar” recursos, rotas, colónias, com a exclusão da concorrência; naturalmente, no âmbito de uma concorrência feroz. E, como se tornava caro o recurso a soldados contratados - mercenários – como até então acontecia, numa antiga tradição já praticada por romanos, gregos e macedónios – foi praticada a entrada nas aldeias de um militar de carreira, encarregado de indicar os jovens que entendia levar consigo para combater algures, em nome de el-rei[10]. Mais tarde, foi inventado o serviço militar obrigatório (SMO) quando a máquina administrativa dos estados-nação atingiu maior apuro e, uma vez que a maior escolaridade permitia o fomento massificado do patriotismo, com a elevação exagerada ou mitificada dos heróis do passado. Esse patriotismo visava que a plebe do país A preferisse defender os “seus” capitalistas contra a plebe do país B, igualmente colocada na defesa dos “seus” capitalistas. 

O experiente Napoleão dizia que podia fazer homens sacrificarem as suas vidas para obterem uma fita colorida no chapéu (uma distinção de valentia que significava ter abatido muitos inimigos). Dito de outro modo, qualquer hilota quando se assume como patriota, não percebe que faz figura de idiota.

F - O  magnânimo Costa e o salário mínimo de € 750 em…2023

Depois da romaria eleitoral, as cartas saem da manga…

1 - Se houver regularidade, haverá enoooormes aumentos, numa média mensal de € 37.5 para cada um dos quatro anos; dito de outro modo, pouco mais de um euro por dia. Para 2020, o governo já emitiu, como prenda de natal, um aumento de 35 euros mensais.

2 – Isso significa, para se manterem, entre salários, as posições relativas de hoje que TODA a gente terá de ter, no mínimo, um aumento percentual equivalente ao do salário mínimo; e, não é fácil perceber que, com a previsível anemia do crescimento económico, isso seja concebível ou aceitável para o indigente empresariato luso liderado por um tal Saraiva;

3 – Outra hipótese, muito praticada, há anos, é o aumento do salário mínimo com aproximação contínua face ao salário médio; isto é, a continuidade do nível de vida mais baixo da Europa, exceptuando, alguns países balcânicos, como se pode ver na ligação abaixo;

4 – Recorde-se que em Espanha o salário mínimo é de € 900 e, certamente irá ser aumentado nos próximos quatro anos; pelo que o desnível entre Espanha e a periferia ocidental da Península irá, muito provavelmente, aumentar; porreiro, pá! Ganharemos competitividade!

5 – Outra habilidade na manga é o aumento da receita fiscal em termos de IRS para alimentar a punção fiscal que enche o pote, que alegra a classe política e o mandarinato em geral. Nos últimos anos, a média anual do ganho salarial foi de 1.6% e a da receita de IRS, 3.9%

A comparação (1999/2018) entre os salários mínimos nos países mais pobres da UE (incluindo ainda a Turquia) face a Portugal (nível 100) é eloquente. 



Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                              

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents


[1] Conducatore, nome dado na Roménia a ditadores como Antonescu ou Ceausescu
[2] Comentário a “O fim do neoliberalismo e o renascimento da História” de Joseph Stiglitz (Expresso, 16/11/2019)
[4]  Título de um livro com textos de Anselm Jappe, Robert Kurz e Claus P. Ortlieb (edição espanhola)
[9] Nos países europeus, com o abandono do serviço militar obrigatório, nomeadamente por razões técnicas, gerou o recurso a contratados como profissionais, o que os aproxima da qualificação de mercenários
[10]  Durante a guerra de 1914/18, entre os jovens portugueses chamados para as fileiras a parcela de refratários ou desertores era bastante grande

domingo, 27 de outubro de 2019

TEXTOS DE CIRCUNSTÂNCIA – 6


  
1 - As condenações da Catalunha e dos catalães
2 - Racismo, estupidez e ignorância
3 - Todos os regimes políticos oligárquicos são autoritários
4 - Sobre a chamada esquerda
5 - Nova humilhação para os EUA – agora no Iémen
6 - A proibição da carne de vaca

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1 - As condenações da Catalunha e dos catalães

Mesmo que nada tenha de democrático, qualquer regime – hoje em dia - é tomado como tal desde que nele se enquiste uma casta, tomada como representante do povo e dona do pote; nesse regime, à plebe é reservada a tarefa de contribuir para o enchimento do pote e a escolha, entre os membros da casta, daqueles que terão no bolso a chave do pote, nos quatro anos seguintes.

Em Espanha, à morte de Franco sucedeu o protagonismo de Adolfo Suarez, na transformação dos mandarins do fascismo, em democratas de sempre. Para completar o aggiornamento, o PSOE e a IU aceitaram a confraternização com a UCD/PP onde se encostaram os fascistas reciclados como democratas; e, engoliram a presença de um rei, continuador de uma monarquia abolida, por referendo, em 1931.

Desse ameno convívio, surgiu a “magnânima” atribuição a catalães, bascos e galegos da possibilidade de falarem as suas próprias línguas, banidas do espaço público por Franco, quiçá inspirado em Escrivá de Balaguer, santificado após a sua morte. E o território voltou a apresentar as suas diferenças culturais e nacionais através das autonomias, unidas e reverentes perante o rei (quando este não andava a caçar elefantes), da bandeira e por um parlamento com a designação medieval de Cortes. Sublinhe-se que Espanha, de facto, nunca foi uma nação mas um aglomerado de nações, normalmente unidas por um poder despótico e intratável centrado em Madrid. A única nação ibérica que se tem mantido como estado-nação, chama-se Portugal.

Ao contrário do que aconteceu na Escócia onde um referendo foi feito sem incidentes nem repressão, o efetuado em 1/10/2017 na Catalunha aconteceu perante a oposição do governo de Madrid, que se escuda numa Constituição que só aceita referendos desde que consentidos pelo … governo nacional, tomando como marcados pela menoridade todos os povos vassalos do Bourbón; e daí o caudal de brutalidades cometidas pela polícia enviada por Rajoy, a que se seguiu a tutela financeira pelo célebre artigo 155º.

Seguiu-se a prisão de altos dirigentes das instituições catalãs durante dois anos, ordenada pelo Tribunal Constitucional que retirou à Catalunha o estatuto de “nação” que havia sido legislado em 2006. Nessa sequência, entendem-se as pesadíssimas sentenças por crimes inventados pelos meritíssimos saudosos de Franco; sedição, rebeldia, desfalque, desordem pública. E vai ser formulada uma segunda via do pedido de extradição para Puidgemont que se exilou na Bélgica[1]

É evidente que as penas visam a intimidação, a geração do medo nos catalães. Vai seguir-se um período de ações políticas e de rua bem como disputas jurídicas que conduzirão à libertação dos presos políticos. A própria sentença diz que o procés não foi um golpe de estado; nem integrado num plano violento; que estava fora de causa uma secessão imediata da Catalunha mas antes, uma pressão para que Madrid aceitasse um referendo como o escocês; e que os independentistas constituem um movimento de “convicções pacifistas”.

Porém, o maior medo cabe ao regime pós-franquista, obrigado a todas as formas de dissuasão e repressão, pois sabe que uma independência catalã será o desabar de um castelo de cartas, com novas independências, nomeadamente a de Euzkadi. Daí que toda a classe política centralista se sinta ameaçada pelas pretensões de maior autonomia e mesmo independência; e pressionada pela acutilância de nacionalistas neofascistas vinda de grupos como o Vox.  A Catalunha já anunciou ir realizar outro referendo e, já ontem, a brutalidade policial se fez sentir em Barcelona.                                     15/10/2019                             

2 - Racismo, estupidez e ignorância
 
Os bolsonaros tugas gostam muito de justificar a escravatura dizendo que antes dos acontecimentos que tornaram os portugueses os grandes campeões do tráfico de escravos (e que só abandonaram por ameaça dos ingleses...), na África do Norte e no Médio Oriente havia (ainda há resquícios) de escravatura. Certamente. 

Porém, se não fossem ignorantes saberiam que as necessidades de escravos, para as roças e engenhos do açúcar no Brasil, para as minas espanholas em Potosi ou transplantados para o sul algodoeiro dos EUA, NADA TINHAM a ver, em dimensão, com a escravatura dos tempos medievais. O capitalismo, mesmo nascente, tinha uma necessidade de mão-de-obra incomparavelmente superior aos modelos económicos anteriores o que é difícil de perceber por quem de História apenas recebeu as vacuidades do Hermano Saraiva.

E já agora, os luso-bolsonaros que aprendam - O RACISMO FOI INSTITUCIONALIZADO NA PENÍNSULA IBÉRICA NO SECULO XV. Se souberem ler mais do que os jornais desportivos, consultem “RACISMOS” de Francisco de Bettencourt, português que vive em Inglaterra e não no país com menos instrução da Europa.

3 - Todos os regimes políticos oligárquicos são autoritários

Todos os regimes políticos oligárquicos são autoritários. A autoridade, a imposição, a discriminação e a punição são comuns a todos os regimes oligárquicos. Não há preto e branco nestas coisas.

Na dita democracia par(a)lamentar e nos regimes musculados em torno de homens fortes/partidos únicos há um pendor fascista - isto é defendem e tentam reproduzir a "ditadura dos capitalistas" através de classes políticas mais ou menos (ou nada) pluralistas. A tonalidade fascista inserida nos regimes oligárquicos depende de várias coisas; as possibilidades de acumulação de capital por parte do patronato, a habilidade da sua classe política, a maior ou menor passividade da multidão ou, uma ameaça externa.

Um regime político democrático só o é se baseado na democracia direta - cada um pode escolher e ser escolhido, sem mordomias, perenidade das mesmas e, sujeito a ser apeado a qualquer momento. E isso, nenhum regime oligárquico ou os seus partidos defendem a democracia direta - vade retro Satanás, rosnam eles.

No que diz respeito à paróquia lusa, a CRP estatui, com imenso detalhe, um regime oligárquico, que designamos por pós-fascista e, no qual, como se pode observar vai aumentando o divórcio entre a plebe e a classe política. Só resta, numa tarefa de longo prazo e em ligação a outros povos europeus, a organização rizomática de grupos para contestar, para enquadrar descontentes, para boicotar a ação da classe política; por exemplo, com ações de desobediência civil,  como aconteceu em Lisboa em 2010, nas proximidades da Cimeira da NATO (com atitudes pouco meritórias do BE/PC... como é óbvio).

Não votamos, não nos dirigimos às instituições políticas do regime, com petições e abaixo-assinados; são totalmente inúteis, desprezados ou falseadas pelos mandarins, quedando-se, esquecidos ou mortos, sem consequências que inculpem a classe política, acampada em S. Bento.

4 - Sobre a chamada esquerda

Há uns anos, um sindicalista espanhol de topo dizia-nos que Portugal política e, sociologicamente estava atrasado uns 20 anos em relação a Espanha. Há pouco tempo publicámos um trabalho sobre o perfil educativo nas várias regiões portuguesas e espanholas e mais atrás um outro com comparações a nível europeu; e que evidenciam isso mesmo.  

É nesse quadro que precisamos de observar a situação do PCP, do BE e, mais geralmente, dessa coisa chamada "esquerda" portuguesa.

A "descoberta" do estalinismo ainda nos anos 50 afastou muita gente de esquerda dos PC's europeus (em Portugal vivia-se em fascismo) e isso viu-se na posição do PCF face à libertação da Argélia, como antes a tolerância face a Petain até … Hitler invadir a URSS.

Depois veio o Maio francês, com o PCF a jogar contra a contestação e a apoiar a recuperação gaulista contra a contestação da esquerda, mormente guevarista, maoista e anarquista. O PCF, ao comprometer-se num governo de Mitterrand abriu o seu caixão. Hoje é um dos grupos que se acolhe sob o telheiro roto dos trotskistas do Melenchon que, por sua vez nada tem de interessante.

O outro grande, o PCI deslizava para a social-democracia com o Berlinguer e acabou dissolvendo-se num curioso Partito Democrático della Sinistra (PDS) antes de passar a PD, tout court.

Com o início da guerra colonial o PCP tinha uma posição curiosa. Não se podia desligar da aliança tática entre os estados ditos comunistas e o Terceiro Mundo mas, no seu íntimo nacionalista, havia muito da superioridade colonialista sobre os "pretos". E daí que apontassem aos seus militantes confrontados com uma ida para a guerra colonial, a presença efetiva na guerra "desertando lá e, se possível com armas e outros camaradas"; o que soava a impossível mas amaciava o coração patriótico do partido.

Entre PCP e PCE nunca houve grandes simpatias. O primeiro, foi sempre fiel ao PCUS (provavelmente porque daí vinham os fundos para manter o aparelho clandestino) o que lhe deu o galardão de único subscritor, na área, da invasão da Checoslováquia; e, como feroz nacionalista, sempre se afastou de qualquer hegemonia ibérica do PCE, para mais com Carrillo desligando-se do PCUS e aproximando-se do chamado eurocomunismo. 

E foi mantendo, internamente, a peregrina ideia de "revolução democrática e nacional " coisa insípida para tentar atrair católicos e gente mais ou menos antifascista mas com pouca simpatia para com o chamado comunismo.

O PCP teve um momento de glória até à descolonização, sobretudo de Angola, onde os soviéticos passaram a exercer a maior influência, sobretudo através dos cubanos. 

Quando Gorbachov avançou com a perestroika Cunhal apoiou, claro; como veio depois a criticá-la após a ascensão de Ieltsin, como também é claro.

O PCP continuou serenamente a defender algo de impreciso e ridículo como a "política patriótica e de esquerda" onde tudo ou nada pode caber, porque não passa de um chavão. E tem procurado manter a CGTP operacional sobretudo pelo seu lugar na Concertação e um número significativo mas decrescente, de câmaras.

Em Espanha há vários PC's e, o dominante e mais conhecido, que se apresenta dentro da IU, só tem implantação relevante em Madrid e na Andaluzia. Entretanto, inserido na galáxia Podemos vê, impotente, a atuação do caudilho Iglésias, dileto discípulo de Laclau, caminhando todos para a irrelevância a prazo. Entretanto convém referir os méritos de Iglésias em desmembrar a galáxia popular dos Indignados que, em Espanha foram muito mais relevantes do que em Portugal, onde o movimento foi sabotado pela santa aliança BE/PCP.

Hoje, na ortodoxia, resta o fabuloso KKE grego que não tem pejo em pespegar no seu pasquim uma grande foto de Stalin; entretanto, o Syriza, um género de BE com ouzu, deslizou para a social-democracia.

Quanto ao BE é um partido eleitoral que vive da sua presença na AR e dos subsídios e apoios que daí advêm, cada vez mais orbitando o PS de Costa. No seu seio, os UDP's perderam relevância e muitos afastaram-se; os seguidores sociais-democratas do Miguel Portas perderam o líder, Ana Drago saiu, agastada, enquanto Marisa, também social-democrata vagueia entre Bruxelas e Estrasburgo. Louçã guindou-se ao prestigiado (?) Conselho de Estado e tenta guiar o partido à distância através de um seu delfim, enquanto a Catarina tem lugar cativo em frente das câmaras de tv e dos microfones. 

E é tudo. O BE não tem sindicatos, nem câmaras mas goza de uma atenção mediática constante e frenética. Na realidade é um balão que tanto pode inchar (2015) como esvaziar (2011) com peso mediático e eleitoral, mas sem relevância social. Recentemente colou-se à deriva da moda, as alterações climáticas.

Na realidade Costa conquistou o conjunto BE/PCP em 2015 e solidificou o seu peso na AR, no seio da geringonça, satelitizando aqueles dois partidos, como dissemos na ocasião; e esvaziando o PSD e o CDS. 

Se os sistemas políticos se mantiverem com o perfil atual; se não for superado o modelo de representação que favorece as oligarquias políticas; se forem acontecendo happenings sobre as alterações climáticas para aliciar quem tiver uma visão idílica ou nenhuma visão sobre o capitalismo, não haverá uma verdadeira esquerda na Europa nas próximas décadas. Não se sabe se, então, ainda haverá a Europa de hoje ou, apenas um grande terminal da Rota da Seda; e espera-se que não seja um território empobrecido retalhado por dementes nacionalismos, com versões ainda mais imbecis e perigosas que trumps e boris.
(escrito uma semana antes das eleições de dia 6 de outubro)

5 - Nova humilhação para os EUA – agora no Iémen

Os Houthis iemenitas deram no sábado (15/9) uma lição ao Mohammed bin Salman (MbS), rei (ainda não entronizado) da Arábia Saudita, ao provocarem danos com uns quantos drones na joia da coroa saudita – a refinaria de Abqaiq, a maior do mundo – e no campo petrolífero de Khurais. É de reconhecer que o MbS foi mais eficaz quando mandou esquartejar um inimigo político em Istambul, do que a proteger o seu tesouro.

Há cinco anos, os sauditas, à frente do pelotão dos sultões do Golfo decidiram invadir o Iémen para intervir numa disputa musculada dentro daquele país, onde existe uma grande parte da população adepta do zaidismo, um ramo do islamismo xiita…

Coisa execrável, como sabemos, para as cabeças coroadas sunitas, bem como para o seu aliado sionista, que não dorme bem a congeminar como convencer o seu protetor Trump a fazer a guerra ao Irão. Os sauditas ambicionam o controlo do Bab el-Mandeb, como há 500 anos, Albuquerque; e, do outro lado do estreito, já confraternizam militares norte-americanos, italianos, japoneses e … chineses que assinam, com as suas presenças, um atestado de relevância à ligação entre o mar Vermelho e o Índico.

Num país normal o seu dirigente máximo (neste caso o MbS) já tinha feito as malas mas, numa monarquia absoluta, os conceitos de democracia – mesmo na sonolenta versão ocidental de democracia de mercado - e opinião pública, não existem, ponto.

Deixemos o MbS recuperar da surpresa e ganhar o juízo suficiente para deixar os iemenitas resolverem por si as suas diferenças, o que não será fácil. Sobretudo para o orgulhoso príncipe herdeiro.

Há uns dois anos, Trump rumou a Riad com detalhados catálogos de armas sofisticadas para vender à Arábia Saudita, por delegação da Northrop e da Boeing. Usando os seus dotes de vendedor de imobiliário, Trump conseguiu a adjudicação de $ 12000 M (cerca de 3.5 vezes o orçamento militar da paróquia lusa) em armas; e o Iémen, logo ali ao lado, tem sido um excelente campo de experimentação e de preparação para novas compras.

De facto, a indústria americana está a precisar de mais umas guerras, depois de a Turquia ter preferido ir às compras a Moscovo e o ISIS ter visto reduzida a sua capacidade de escoamento de armas na Síria e no Iraque.

Trump parece uma barata tonta. Poucos meses atrás centrava-se na Venezuela insuflando o seu bobo Guaidó. Depois virou-se contra o Irão mas quando viu o seu caro super-drone ser abatido, engoliu em seco, dedicando-se por inteiro às sanções. 

Por vezes, Trump tem saudades do seu amigo Kim que se vai entretendo lançando uns foguetes para o mar mas, de facto, não está prevista mais nenhuma partida de dominó entre os dois anafados. 

Mais recentemente, tem prometido apoios ao seu alter ego Boris (que terá conhecido no cabeleireiro) nomeadamente se Boris decidir ancorar a Inglaterra como mais um estado da União.



De permeio, Trump, depois de experimentar a “mãe de todas as bombas” no Afeganistão, procura uma saída airosa, negociada com os talibans; e que não será saudável para os seus funcionários afegãos. 

Entretanto, vai rebuscando no baú das sanções, mais umas quantas para aplicar à China, ao Irão, para além da Rússia, da Venezuela, à UE… mesmo sem ver que o boomerang, volteia no ar e tende a voltar ao local de partida.

Irritado com tantas complicações, Trump procede a mais um despedimento, o do fabuloso guerreiro Bolton; e o paquiderme Pompeo já estará na casa de partida, à espera do apito.
Perante tantas preocupações, o que nos alegra são os entusiasmantes wrestlings eleitorais na paróquia lusa que já provocaram uma forte queda na venda de soníferos.

6 - A proibição da carne de vaca

Tchekov disse há mais de 100 anos que "A Universidade desenvolve todas as capacidades, inclusive a estupidez".

Parece que estava a prever o surgimento deste Magnífico que gosta mais de missas do que dos pecados da carne... de vaca, entenda-se. Quanto aos pecados que não são de vaca, porventura o Magnífico pensará como o saudoso Morgado, que mereceu a excelente réplica da Natália Correia e depois... desapareceu.

Qualquer nutricionista a sério explica aos pacientes que a carne vermelha tem nutrientes que as outras não têm (e os vegetais ainda menos); por exemplo a vitamina B12. O que não significa que se coma uma costeleta de vaca todos os dias ganhando uma indigestão da tal vitamina. Mas reconhece-se que grande parte dos nutricionistas são defensores do veganismo, não se detendo mesmo em colocar os mortais a ingerir soja transgénica, de manhã, à tarde e à noite, sob forma sólida, líquida e não sabemos se também gasosa.

Adiante. Não sabemos se o Magnífico sabe que a soja que por aí anda é transgénica na sua maioria e principalmente usada na alimentação animal. E, pelos vistos, não baniu o frango, cujo tempo entre o ovo e a panela é curtíssimo e chega ao prato bem ataviado de porcarias transformadas em carne.

Também não sabemos se o Magnífico tem no gabinete o retrato de um seu Magnífico ancestral que ao receber um livro onde Newton afirmava a existência da gravidade - depois de uma maçã lhe ter caído na cabeça - afirmou com ar… grave ser a gravidade uma aldrabice dado que ... nâo era referida na Bíblia sagrada! E maçã, só haverá uma: a que a Eva deu ao Adão, porque essa constará da Bíblia.

No século XVII os ancestrais colegas do Magnífico, em Salamanca, andaram à pancada para ver quem ganhava uma contenda que perturbava tão altos espíritos. Se o trabalho de Deus ao criar Eva era imperfeito porque o varão ficara sem uma costela; ou, diziam outros, Deus era perfeito e teria preenchido o buraco resultante da cirurgia com um pedaço de carne.
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Há uns anos mandaram-nos um video com a cerimónia do honoris causa ao Guterres e que contou com a presença de um conhecido leitor de contracapas (como lhe chama um amigo), atualmente com escritório na Praça do Império, em Lisboa. Vejam o desfile da intelligentsia coimbrã (e não só) a desfilar com vistosos chapéus; parecia uma feira do abat-jour.

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/                              

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents



[1] Rapidamente recusada pela justiça belga